domingo, 10 de março de 2024

EC - Equador, a magia encantadora dos beija-flores

O tempo é ingrato, muita coisa a gente deixa pra fazer depois e acaba esquecendo. Mas como diz o ditado: "antes tarde do que nunca". ⏳ 

Há alguns anos eu fui conhecer o Equador e suas aves. Isso foi em agosto de 2016. 

Mas porque estou dizendo isso? Esses dias um botânico chamado Miguel Hinojosa, de Arequipa, Peru, me solicitou, para um trabalho científico, a foto de uma bromélia chamada Puya glomerifera que publiquei na plataforma iNaturalist. 

A mencionada foto foi feita no Equador em 02/09/2016. Ao buscá-la nos meus arquivos percebi que não tinha terminado de tratar, separar e postar todas as fotos. Revendo-as, bateu uma saudade enorme dessa expedição. 

Ao olhar se tinha feito a postagem no bloguinho referente a ela, para minha decepção, vi que até hoje não tinha escrito nada. Imperdoável, d. Silvia. 😠🤐🤔

A minha sorte é que tenho um app. chamado Handy Diary no celular e pude resgatar alguns trechos que escrevi durante a minha estadia no Equador, o que vai facilitar relembrar meus passos e as emoções vivenciadas em solo equatoriano e poder contar aqui.

Esta foi uma expedição recheada de muitas cores, aves e emoções e prepare-se: você vai enjoar de ver algumas das milhares de fotos que fiz. 

Atente-se ao nome das aves. Vou usar nomes em português para aves que ocorrem no Brasil. Aves com nomes em inglês são aquelas que nunca foram avistadas em território brasileiro e não fazem parte da nossa lista oficial (CBRO 2021). (* veja as listas de aves no final)

Puya glomerifera - 🇪🇨
Arquivo pessoal

Puya glomerifera - 🇪🇨
Arquivo pessoal

Foi um dos lugares mais encantadores que já estive. Esta viagem só se tornou realidade graças ao convite que recebi da minha irmãzinha de coração Claudia Brasileiro (doravante chamada de Claudinha ou simplesmente Clau). A ideia era irmos com um pacote oferecido pelo nosso amigo Marcelo Barreiros. 

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

RO e AM - Expedição Choca dos sonhos

Ao entrar aqui não se assuste com o tamanho do texto nem com a quantidade de fotos. Alguns amigos que não apreciam leituras longas me aconselharam a escrever de forma mais resumida. Aviso, desde já, que não consigo fazer isso. Já quem curte saber detalhes e viajar comigo durante uma leitura, veio ao lugar certo. 

Ficarei muito orgulhosa se você comentar no final. (logado no Google é melhor, pois aparece seu nome). Aconselho a ler por um note ou computador. É uma experiência mais gostosa.

Neste post/livro 🤣🤣🤣 vou contar sobre minha viagem para Rondônia e adjacências, feita no final de setembro/começo de outubro deste ano (2023). 

Quando eu lembro das tratativas sobre essa expedição com o guia Kenny Uéslei (@kkennybio e @avesderondonia), não dá pra acreditar que ela aconteceu e que foi uma das melhores expedições que pude fazer este ano. Ela demorou muito para ser formalizada, mas garanto que aconteceu na hora certa e no momento certo. 

A Choca dos sonhos
Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Você não vai acreditar desde quando eu queria ter ido e todos os prós e contras que antecederam a sua realização. Mas hoje só posso agradecer ao Kenny por essa maravilhosa viagem num momento tão importante da minha vida e por ele ter se tornado um grande amigo.

Como você pode ver no meu bloguinho, no índice por localidade, eu já havia feito uma mega expedição à Rondônia em 2016. Na época fui guiada pelo querido amigo Bruno Rennó (caso queira ler como foi, clique aqui). 

quarta-feira, 19 de julho de 2023

MA – Expedição jacu-estalo

Expedição jacu-estalo - Saiba como foi viver o momento da mais pura emoção passarinheira.

Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Vou começar esse post com um desabafo, pois sei que muita gente está aguardando que eu conte os mínimos detalhes sobre esses dias no Maranhão. Então leia até o final, por favor. Mas se quiser, ative o play do vídeo abaixo e vá lendo ouvindo uma linda música do Leo Rojas, um dos meus músicos preferidos.

 

Tenho estudado a evolução da observação de aves desde o seu início no Planeta para uso em minhas palestras. Hoje considero essa atividade como uma das grandes chaves para sobrevivência da natureza.

sexta-feira, 31 de março de 2023

PA - Aves do Centro de Endemismo Belém

No mês de julho de 2022 finalmente fui conhecer um pouco mais do Pará. Este relato descreve a quarta vez que estive nesse Estado, de cinco. Tudo por culpa da sanã-preta (Laterallus jamaicensis) - fotos a seguir.

sanã-preta (Laterallus jamaicensis)
Arquivo pessoal: Silvia Faustino Linhares

A primeira foi com o guia e amigo Pablo Cerqueira (@pablocerqueira_birding ou @pinimabirding ou ainda @brazilbirdingexperts). Foi uma mega expedição em novembro de 2017: PA - Expedição Mãe-de-taoca-arlequim - De Santarém à Itaituba.

Depois fui à Carajás em agosto de 2018, onde fui guiada pelo amigo Filho Manfredini (@filhomanfredini): PA - Carajás e suas lindas aves

Em 2019 estive novamente em Santarém e Itaituba, com os amigos Marco Cruz e Adriane Kassis, onde fomos guiados pelo Gilberto Nascimento (@fotos_gilnascimento). Essa ainda não consegui terminar a postagem.

A última foi em Carajás novamente, em novembro 2022, onde também fui guiada pelo amigo Filho Manfredini (sem postagem, por enquanto)

Mas a primeira ave que registrei no Pará foi em 2013, onde fazia uma expedição ao norte do Mato Grosso. Pedi aos amigos para irmos até a fronteira, onde em Novo Progresso/PA fiz duas espécies para pontuar bolinhas no meu mapinha do Wikiaves e poder colocar uma bandeirinha do Pará no meu colete fotográfico.

Eu sempre quis conhecer um pouco das aves do famoso e infelizmente devastado Centro de Endemismo de Belém. O Pablo sempre me falou dele, aguçando, dessa forma, a minha curiosidade. Mas por problemas das nossas agendas nunca conseguimos acertar uma data. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

AM - Expedição Aves Raras do Extremo Oeste Amazônico

Laura, a arara-canindé que vive na Reserva Natural Palmari
Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Para começar uma música inspiradora - Almost A Whisper (quase um sussurro), do músico, tecladista e compositor grego Yanni


Bem vindos a mais uma "postagem-livro" (sim, é quase um livro mesmo 😅😅😅😅) de uma das minhas aventuras passarinhísticas. Recomendo ler por um computador ou notebook, pois pelo celular a experiência não será a mesma. 

domingo, 20 de novembro de 2022

SP - Guatapará - Um dia para ficar na história

Quanto custa fazer um lifer?*
* Lifer = espécie nunca antes avistada
Depende! Qual? 
Aquele que você procura anos e anos e nunca encontra.

Esse...
Arquivo pessoal de Silvia Faustino Linhares

Eu te digo: custa um tanque de gasolina, 150 reais de pedágio, quase 300 km pra chegar, mais 300 pra voltar. Tudo num único dia. Mas além disso, custa muita vontade de ir e disposição não só minha, como dos amigos em me levar até ele.

Tão bom quanto o lifer é o bônus quando você ganha human-lifers juntos. Ou melhor, ganha novos amigos e ainda solidifica os já existentes.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

MT - Expedição Paçoquinha da Sorte

Você deve estar se perguntando, cadê os posts das últimas viagens antes dessa... calma, não deu tempo de terminar ainda. Tem vários começados, uma hora consigo concluir e postar tudinho. 😁💚🍀😁💚🍀

Mas a minha última expedição, tão especial quanto as anteriores, merece ser postada já, pois ela foi um marco na minha vida. Aconteceu de uma forma muito inusitada, diferente de tudo o que estou acostumada. 

cardeal-do-xingu (Paroaria xinguensis) 
Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares ©

Tempos atrás eu e amigo Vitor Piacentini conversamos sobre expedições científicas, das quais eu poderia participar como fotógrafa. Falamos sobre captura e coleta de aves para estudos e eu disse que não me sentia confortável em presenciar uma. 

terça-feira, 5 de julho de 2022

MT/RO - de Cuiabá/MT à Pimenteiras do Oeste/RO

Outubro de 2021

Fui "ali" ver umas onças e uns "passarins", mas é tudo culpa da saudade. Hã? Como assim? Continue lendo e vai entender.

Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Em julho de 2021, o meu querido amigo Marco Cruz (@marco_cruz_bw) havia ficado de me levar ver a saudade-de-asa-cinza (Lipaugus conditus) no Rio de Janeiro. Combinamos uma data, mas infelizmente descobrimos depois que estava prevista uma grande e perigosa frente fria, e por isso resolvemos adiar "sine die" (sem fixar uma data futura).

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Chile e Argentina - Diário de Bordo - Patagônia (Terra do Fogo)

Era para ser uma postagem pequenina só com a incorporação do material original que virou fotolivro impresso. Quando vi, tinha criado um novo e prazeroso "monstrinho". Quase um novo livro. Se não quiser ler tudo e apenas ver o material que foi impresso, vá direto ao final. Mas se quiser ver histórias e imagens inéditas sobre a expedição, continua lendo aqui.

Nada na vida acontece por acaso. Nada mesmo! Ao trocar mensagens com dois amigos super queridos esses dias (a chilena Carolina Yañez Rismondo - @carito.aventurera e o grande ornitólogo Fábio Schunck - https://fabioschunck.com.br/site/quem-sou/), constatei duas coisas: minha atual vocação é ser uma facilitadora de amizades, como disse o Fábio, e eu acrescentei que meu talento é para a arquitetura, pois adoro construir "pontes" entre as pessoas. 

A segunda coisa que senti durante esse bate-papo foi saudades imensas do Chile e em especial da Patagônia, onde já estive algumas vezes e só consegui relatar uma delas aqui no Bloguinho, a que fiz em janeiro de 2017.

Com um cafezinho do lado, resolvi relembrar e sentir o gostinho novamente de como foi cada dia dessa minha primeira ida ao "fim do mundo" que aconteceu em 2010. 😱😱😱

Foto: arquivo pessoal: Silvia Faustino Linhares

Foto: arquivo pessoal: Silvia Faustino Linhares

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

BA - I Encontro de observadores de aves de Jequié

Era madrugada do dia 16 novembro de 2021, eu acabara de chegar da Colômbia onde tinha ido participar da Feria de Aves de Sudamérica / South American Birdfair (post aqui) e já ia partir para uma grande aventura no Rio Grande do Sul no dia seguinte (post aqui).

Acordo pela manhã, pego e abro o celular para uma "espiadinha básica" nas redes sociais. Dou de cara com o post do amigo, até então virtual, Sidiney Vitorino (@sidineyvitorino). Ele acabara de divulgar nas redes sociais que nos dias 04 e 05 de dezembro aconteceria o I Encontro de observadores de aves de Jequié/BA

Eu não tive dúvidas, troquei umas ideias com o amigo Ronaldo Oliveira (@zoonaldo), que reside na Bahia e em seguida com o próprio Sidiney e decidi, antes mesmo de tomar café, que Jequié seria meu próximo destino após retornar do Sul. 

terça-feira, 30 de novembro de 2021

RS - Do Oiapoque ao Chui, ops, só até o Chui

Aqui estou eu concentrada, rememorando mais uma das minhas aventuras de 2021. Como eu disse no post anterior, onde relato minha experiência na Colômbia (se não leu ainda, clique aqui), tem muita emoção de 2021 para contar ainda.

Eu mal cheguei em casa, regressando da Colômbia, no dia 16/11/2021 - um voo que, entre a saída do hotel em Manizales e minha chegada em casa passaram-se mais de 21 horas - e já me vi preparando a tralha novamente, pois no dia 17 embarcaria para o Rio Grande do Sul. Meu destino? O sul do Sul. Eu pretendia varrer os pampas em busca de espécies de aves bem difíceis.

EDITANDO: E antes que a galera do Norte fique brava, sim eu sei que o ponto mais extremo ao norte do Brasil não fica no Oiapoque, mas no Monte Caburaí, no município Uiramutã, em Roraima.

Este é mais um dos meus imensos relatos. A razão disso é que cada dia desta expedição foi um capítulo à parte, com muitas histórias e acontecimentos, por isso, não se assuste com tanto conteúdo. 😁🐵🙈🙉

tachã (Chauna torquata)
Foto: Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

sábado, 20 de novembro de 2021

Colômbia - Mais um sonho realizado.

Hoje termino mais um relato de uma expedição muito especial. Prepare-se para "viajar" comigo em mais uma aventura escrita e recheada de fotos. 

Como eu disse na última postagem -  Expedição Litoral Norte (veja esse post aqui. 👈) o meu segundo semestre de 2021 foi muito intenso. 

E aqui vai a segunda postagem de um dos eventos que marcaram meu 2021 - Colômbia, mais um sonho realizado.

Gray-breasted mountain-toucan (Andigena hypoglauca)
Foto: Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

SP - Um depoimento pessoal após dez anos observando aves

Esse mês, a minha amiga Ana Julia Cano, responsável pela comunicação da SAVE - Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil, ONG da qual sou contribuinte (Amigos da SAVE), me convidou para fazer um texto para a coluna do Fauna News - link aqui.

Vou transcrever aqui para que fique guardado no bloguinho e não caia no esquecimento.

Rolinha-do-planalto – Foto: Silvia Linhares

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

SP - Expedição Litoral Norte

Promessa é dívida! Esse post é especial, pois essa expedição foi para lá de especial. Continue lendo e você vai saber o porque. 

Miguel Nema, Larissa Nema, eu e Patrick Pina no topo do Asteróide nº B 612 🙃😁🌍
Foto: Arquivo pessoal Patrick Pina



2021 foi um ano de perdas e ganhos. Acho que para todos. Ainda não fiz a contabilidade, mas acredito que fechou no azul. Nesse último ano fiz amigos maravilhosos, daqueles que passam a ocupar espacinho no coração sem pagar aluguel.

Conheci lugares incríveis. Meus olhos e lentes se deslumbraram em várias ocasiões. Cheguei em 2022 com uma sensação muito boa, sabendo que tenho muito chão ainda, mas que estou pronta para muito mais. Que venha, então!!!!

domingo, 15 de agosto de 2021

TO - Conhecendo as aves do Tocantins II

Essa foi minha segunda viagem ao Tocantins. A primeira, em 2015, você pode saber como foi acessando por esse link. A que vou descrever nesse post aconteceu em 2019, de 04 a 12 de agosto. 

Desta vez fui convidada pelo amigo Raimundo Carvalho. Eu já o conhecia de Parauapebas / Carajás onde havia passarinhado em 2018 (link aqui). Ele veio de Carajás de carro e nos encontramos em Palmas. Ao todo foram oito dias intensos, de muitos passarinhos e muita diversão. Nosso guia foi o já conhecido amigo Marcelo "Bravo MDMC" Barbosa (Missão Dada, Missão Cumprida). Se você leu a minha primeira ida ao Tocantins, vai entender esse apelido. 

04 ago 2019 - Domingo

Já estava tudo previamente combinado entre eles dois e então, no dia 4 foi só ir pro aeroporto, uma pequena conexão em Brasília e logo lá estava eu com os dois me esperando com uma geladinha para abrir "os trabalhos". Veja abaixo uma "selfie" durante a conexão, minha saída de Brasília, cidade que morei tantos anos e que ainda me emociona quando piso em seu solo e a primeira cervejinha com a dupla já em Palmas.

Arquivo pessoal: Silvia Faustino Linhares

05 ago 2019 - Segunda-feira

Segunda-feira! Que comecem os trabalhos! Às 6 da manhã já estávamos na estrada. Nosso destino: Cachoeira da Roncadeira no Taquaruçu. Alguns minutos depois que saímos do hotel, paramos numa padaria para o costumeiro e necessário cafezinho. 

Logo depois entramos e paramos numa estradinha com um lindo cerrado, onde, se não me falha a memória, eu retornei ao carro para buscar algo e me perdi dos meninos que tinham adentrado a mata atrás de algum passarinho. Eu sentei na beira da estrada enquanto aguardava e fiquei clicando o amanhecer. Uma das fotos rendeu um lindo poema sobre a luz. <- clique

"A luz que me ilumina"
Arquivo pessoal: Silvia Faustino Linhares

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

TO - Conhecendo as aves do Tocantins I

Assistindo a uma “live” esses dias, a convite da amiga Simone Mamede, sobre observação de aves no Tocantins, acabei percebendo que não descrevi nenhuma das viagens que fiz a esse Estado e olha que foram duas – 2015 e 2019. Em 2015 foi quando eu conquistei o direito de costurar a bandeirinha do Tocantins no meu colete. A expedição de 2019 você pode acessar clicando aqui.

Arquivo pessoal: Silvia Faustino Linhares

Busquei recordações na cabeça e no computador e resolvi fazer um pequeno resumo de cada uma das duas viagens a esse paraíso das aves.

2015 – Conhecendo as aves do Tocantins 

quinta-feira, 15 de julho de 2021

SP - Expedição "Água Prometida" - Em busca de aves pelágicas

albatroz-de-nariz-amarelo (Thalassarche chlororhynchos)
Foto: Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Amanhecendo na Água Prometida 🌞
Foto: Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Nesse post, vou abordar um pouco do que é uma saída ou passeio pelágico. Mas o que vem a ser pelágico? É um adjetivo que diz respeito ao mar. A palavra pe·lá·gi·co deriva do latim pelagicus. Relativo ao pélago (profundo, longe das costas) ou ao alto mar (ex.: peixe pelágico) = peixe marítimo, do oceano profundo.

No meio da observação de aves é comum a gente ser convidada para uma saída pelágica em busca de aves marinhas que dificilmente você consegue ver em terra. As aves marinhas são aquelas espécies que se adaptaram com grande eficiência ao ambiente marinho e têm como habitat e fonte de alimento o mar. Podem ser divididas em aves marinhas costeiras - encontradas geralmente próximas aos continentes, e aves marinhas oceânicas ou pelágicas, essas, via de regra, costumam ser encontradas em alto-mar.

domingo, 20 de junho de 2021

MG - Ibitipassarinhando em Minas Gerais

águia-serrana (Geranoaetus melanoleucus)
Foto: arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Esse ano está sendo tão difícil ou até mais quanto o ano passado. É muita tensão por todos os lados. Essa pandemia e outras doenças vem levando muitos amigos. É muita dor. É a carga mais pesada que já enfrentei nesse meu pouco mais de meio século de vida. O mundo está estranho. As pessoas estão estranhas. Eu estou estranha.

"A vida é tão efêmera. Esse mês perdi amigos super queridos e essas briguinhas nas redes sociais tornaram-se tão superficiais perante isso" - escrevi isso para uma amiga hoje quando conversávamos sobre pessoas e atitudes. Sim, eu venho me sentindo atropelada com tantas coisas acontecendo simultaneamente. Exercer a tolerância e por rédeas na própria implicância está cada dia mais difícil.

A vida tornou-se um "jogo" cada vez mais veloz e estonteante, por isso tento me desapegar cada vez mais. Sofro menos quando diminuo minhas expectativas. Sou daquelas que gosta de jogar conversa fora enquanto toma um café, de visitar amigos, de abraçar, de dançar, de ensinar o pouco do que aprendi, de preferência não por vídeo (é o que temos nessa época pandêmica). Resumindo, gosto de ver a vida passar lentamente, aproveitando e saboreando cada minuto. E isso está bem difícil nesses tempos.

Não me encaixo na rapidez da "geração Instagram" (OBS: tenho perfil no IG desde 2010, mas não gosto do rumo que essa rede social tomou - coisas de Silvia 😂😂😂😂). Essa geração a quem me refiro quer tudo na velocidade deles. Te seguem de manhã e se percebem que você não os seguiu, já te desseguem à tarde. É muito vazio, muito pobre. Será que dar dois cliques numa imagem tornou-se sinônimo de gosto de você, me importo com você? Que coisa mais infeliz um mundo em que mais curtidas e seguidores são mais importantes que cuidar bem das pessoas, do planeta e da natureza.  

Silvia, o que é isso? É um post sobre viagem ou sobre a vida? Bom, eu não consigo dissociar uma coisa da outra. Por enquanto sou só mais uma sobrevivente nesta "guerra" contra um inimigo invisível: a COVID19. 

sexta-feira, 30 de abril de 2021

AC - Expedição Chandless - Desbravando o desconhecido


Parque Estadual Chandless
Arquivo pessoal: Silvia Linhares

Viajar é uma das coisas mais importantes da minha vida, seja na vida real ou em pensamento. Eu sempre digo que viajo três vezes numa única viagem, quando planejo, quando realizo e quando a recordo. Viajar por outras realidades desbravando o desconhecido é um presente dos deuses. É usar os cinco sentidos em busca da inebriante satisfação do corpo e da alma. Uma sensação de infinitude. Puro e simples prazer. Sem medo de ser feliz. Sem passado ou futuro. Apenas presente. Como eu disse, um presente dos deuses. E essa viagem que vou lhes contar a seguir foi realmente um grande presente.

O ano de 2019 foi um ano intenso, cheio de viagens sensacionais. Eu mal chegava de uma e já me preparava para outra. Descarregava os cartões, postava os lifers (novas espécies fotografadas) e já partia para a próxima. Com isso houve um acúmulo muito grande de fotos pra tratar, para postar no Wikiaves, nas listas do eBird, bem como descrever cada aventura aqui no meu Bloguinho. E assim eu virei o ano com muitas pendências. 

terça-feira, 2 de março de 2021

RN - A bandeirinha que faltava

Agora em março completa um ano que retornei da minha primeira grande expedição atravessando o Atlântico. Passei duas semanas na África do Sul (veja como foi clicando aqui). E eu achando que 2020 seria o ano das grandes aventuras, só que não. Esse ano continua tão complicado como o ano passado, por razões que nem gosto de pensar. Estou tentando fazer tudo do jeito mais normal possível, talvez como dizem por aí, um novo normal.

RN - Do Mar ao Sertão 

Eu tinha (tinha não, tenho ainda) planos de fazer uma expedição chamada Amigos e Aves do Nordeste, começando em Salvador, subindo de carro todo o Nordeste, ir conhecendo amigos virtuais, revendo os já conhecidos, sempre passarinhando com eles. A ideia era pra acontecer em 2020, assim que descansasse da chegada da África. Surpreendida pela pandemia, fui obrigada a suspender a ideia. Já havia inclusive entrado em contato com alguns amigos para materializar esse sonho. Eu queria muito fotografar no Rio Grande do Norte, único Estado que faltava para completar as 27 bandeirinhas do meu colete de fotografia (meu objetivo sempre foi clicar pelo menos um passarinho em cada Unidade Federativa do Brasil).

Como eu disse no meu último poema no Bloguinho II: "... nem sempre as coisas acontecem como a gente gostaria..." 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Serra do Japi

Aí você quer ficar quietinha em casa aguardando a segunda onda da pandemia ser controlada e, de repente, é surpreendida por um convite irrecusável de uma pessoa muito especial. A jornalista Giulia Bucheroni me encaminhou à Gabriel Ferraz, que ligou para ver se eu topava participar de uma missão muito importante. Falar com dois jornalistas da EPTV sobre observação de aves e os benefícios para a saúde. Como dizer não para isso. Mas onde? Onde tiver passarinho... uai... e agora?

O que você faz? Liga para o amigo Guto Carvalho e diz, posso ir aí no Japi essa semana? Explica tudo e ele responde: "vem amanhã cedo, vai ter uma janela de sol". Pá de lá, pá de cá, tudo combinado, arrumei a tralha toda para poder sair bem cedo. 

De manhãzinha, passei pegar a Carol, esposa do Guto e, sem errar o caminho, graças à "copilota" ao meu lado, lá fui eu para o Japi encontrar com o Guto, Heitor Moreira e o Rodrigo Sargaço. Após um cafezinho passado na hora, eu e Guto saímos até o portão esperar os dois.

Lógico que eu aproveitei para passarinhar um pouquinho antes. De cara o Guto me mostrou um sovi (Ictinia plumbea) voando alto e rodeando a lua que acabara de ir dormir.


Assim que os dois chegaram, começamos a trocar ideias e eu passei a responder algumas perguntas do Heitor, enquanto o Rodrigo registrava tudo. 

domingo, 6 de dezembro de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Capítulo IV - Iporanga e Eldorado

Eu ando um pouco sem inspiração para escrever e contar algumas das aventuras vividas durante esta pandemia. Acho que essa segunda onda que chegou foi onde “caiu a ficha” e a tristeza bateu à minha porta. Estou relutando pra que ela não entre. O confinamento só não é pior que a própria doença. Amigos e familiares sendo contaminados, pessoas perdendo entes queridos. Está ficando difícil manter o sorriso no rosto e os pensamentos positivos e esperançosos diante de um quadro tão escabroso assim. 
  
O mundo não está tão cor-de-rosa como antes e chora pelos elos perdidos
Foto by Silvia Linhares

Meu organismo vem se rebelando e eu tenho feito tudo que posso para que ele mantenha o equilíbrio que sempre foi meu orgulho. Enfim, distrações não faltam aqui em casa, e confesso, tem muita coisa pra fazer, o que falta mesmo é ânimo. Se não fosse o apoio e carinho que recebo dos amigos virtuais e de algumas pessoas próximas a mim, acho que seria muito pior.

Ao som de Stairway To Heaven da antiga e insubstituível banda Led Zeppelin, a inspiração que eu necessitava bateu em retorno e, enquanto "banqueteio" os ouvidos, as palavras começam a ser desenhadas na minha mente.

“...In the tree by the brook / There's a songbird who sings / Sometimes all of our thoughts are misgiven / It makes me wonder..."

“... Numa árvore perto do riacho / Há um pássaro que canta / Às vezes, todos os nossos pensamentos estão equivocados / Isso me faz pensar ..."


 
Led Zeppelin - Stairway To Heaven

Vamos voltar no tempo um pouquinho. Setembro é o mês que começa a primavera. Um dos meus meses preferidos. As flores começam a desabrochar. Os passarinhos ficam mais felizes. A natureza começa a nos brindar com cenas, cores e momentos que vão marcar para sempre nossa memória.

Esse ano, apesar da pandemia, tão nefasta, e de muitos lugares estarem fechados para visitação neste período, aos poucos, com todos os cuidados possíveis, eu acabei indo a um lugar que não batia os olhos há algum tempo. Fui ao Vale do Ribeira (Baixo Ribeira - municípios de Eldorado e Iporanga). 

O Vale do Ribeira é uma região localizada no sul do estado de São Paulo. Compõe-se de 25 municípios. Abriga 61 por cento da mata atlântica remanescente no Brasil, 150.000 hectares de restinga e 17.000 hectares de manguezais.

sábado, 22 de agosto de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Capítulo III - Miracatu

O que mais tem me ajudado nessa pandemia é a existência dos amigos, seja por conta do carinho virtual do dia a dia, seja por conta dos convites para passarinhar, para tomar um chá da tarde com bolo ou um simples cafezinho. Fazer foto de passarinho ajuda também, ao lado de um amigo fica ainda melhor.

saíra-militar (Tangara cyanocephala

terça-feira, 18 de agosto de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Capítulo II - Dois passarinheiros e diversos destinos

Uma viagem do outro mundo! Ops! Nãooooo! Apenas uma viagem com o amigo Raimundo. Foi assim que comecei a descrever a "tour" para ver passarinhos paulistas que eu e meu amigo Raimundo Carvalho, de Paraupebas/PA, fizemos recentemente. Uma passarinhada descompromissada, improvisada, mas intensa, cheia de emoções, de risos, companheirismo e amizade, que ficará para sempre marcada na minha história. 

Primeiro que aconteceu no meio de uma pandemia. E segundo porque eu nunca acreditei que ele realmente viria. Só ressaltando que eu vivia fazendo "ornitobullying" com ele, mostrando alguns dos seus lifers (aves nunca registradas por ele) que apareciam na minha janela, tipo o sabiá-laranjeira e o periquito-rico. Acredite, muita gente ainda nunca viu essas duas espécies, super comuns para a gente aqui em Sampa City.

Sabiá e Periquito na frente da janela de um dos quartos aqui de casa

E olha, eu nunca havia dirigido tanto em tão pouco tempo, nem ido a tantos lugares aqui perto de uma vez só. Mas quer saber se valeu a pena? Então continue lendo.

Em janeiro deste ano, quando eu contei pra ele uma ida com minha amiga Leila ao Seu Jonas em Ubatuba e mostrei as fotos, ele me disse brincando "Ubatuba nos aguarde, não há lugar melhor do que São Paulo para um passarinheiro como eu". Ele planejava ir ao Peru em suas próximas férias, mas não tinha dado certo. Aí ele me confessou que sonhava passarinhar em São Paulo. Disse que se pudesse vir seria a salvação de suas férias. Eu disse, então venha, uai! Na época, eu prometi pra ele que, caso ele viesse, ele teria a melhor companhia, a melhor motorista, iria aos melhores lugares e contaria com os melhores guias. É o que costumo fazer quando recebo meus amigos por aqui durante o pré ou pós Avistar Brasil.

No final de fevereiro ele estava confirmando suas férias para agosto e disse que gostaria muito de vir à São Paulo. Mal processei as mensagens dele em relação a isso, pois eu só tinha cabeça pra uma coisa: a viagem dos meus sonhos. Eu me preparava para ir para a África. Viagem que foi mesmo dos sonhos (leia como foi clicando aqui).

sábado, 25 de julho de 2020

SP - Peruíbe/SP (Mochileiros)

Peruíbe/SP


Alguns dias atrás, o Fábio Barata, guia e proprietário do Mochileiros Hostel e Observação de Aves, havia comunicado que a saracura-do-mangue (Aramides mangle), lifer que eu vinha procurando há algum tempo, com resultados sempre frustrantes, estava aparecendo em Peruíbe. 

Eu queria muito ir e, por essas coincidências do destino, duas queridas amigas (Viviane De Luccia Leila Esteves) estavam agendadas para ir lá. Não havia data disponível para mim, então a Leilinha conversou com o Barata e ele permitiu que eu as acompanhasse durante o day-use na última segunda (11).

Chegamos lá e após cruzar com a querida Elisa Focante, única hóspede da pousada, fomos até o local da saracura. O Barata colocou nós três sentadinhas em cadeiras e pediu silêncio e atenção. Como há um comedouro num muro nas cercanias, havia muitos passarinhos para nos distrair. 

Entre eles três espécies de sabiás: sabiá-branco (Turdus leucomelas), sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) e sabiá-poca (Turdus amaurochalinus). E alguns bem coloridos como o tiê-sangue (Ramphocelus bresilius) e a maravilhosa saíra-sapucaia (Stilpnia peruviana). O show ficou também por conta de uma avezinha que não se importa de usar máscara: a lavadeira-mascarada (Fluvicola nengeta). Deu foto de quadro.

A Leila, de repente, procurou o celular no bolso e não achou. Imaginou que ficara no carro, mas se saísse dali para procurar poderia perder a saracura. O Barata foi até lá. Dito e feito, quando ele voltou a bela já estava desfilando na nossa frente. Ela costuma vir comer frutas que caem no chão do comedouro do muro vizinho.

Só lembro da Leila, sem se mexer, dizer algo do tipo, "tá vindo" e a lindona colocou a cabeça pra fora do mangue. Pé ante pé, se esgueirando, um olhar de soslaio em nossa direção e outro para a banana no matinho, ela acabou caminhando sem medo, indo se deliciar enquanto a gente só metralhava. Bem tranquila, virou pra gente e ainda fez pose, para a nossa felicidade e do amigo Barata, que aguardava de longe.  


arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Só teve uma parte ruim, a gente comemorou muito, mas não pode se abraçar como é nosso costume. A gente tentava manter sempre a distância onde dava. 

arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Finalizamos a parte da manhã com muitas fotos legais além do hiper mega super lifer. Destaque para a figuinha-do-mangue (Conirostrum bicolor), tachuri-campainha (Hemitriccus nidipendulus), dentre outros, mas o bichinho que eu queria muito fazer uma boa foto, o bico-assovelado, (que até hoje não sei porque foi rebatizado com um nome que parece marca de refrigerante vagabundo) não saiu bem na foto, infelizmente o chirito (Ramphocaenus melanurus) vai ficar para a próxima.

arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Depois de comer uma peixada deliciosa num restaurante local, voltamos para os comedouros da pousada, onde a querida Elen, esposa do Barata, nos aguardava com café quentinho. Sentada de pés para cima, fiz fotos até dizer chega ou enquanto a luz permitiu. 

Eu por Fábio Barata

Dois lindos pica-paus fizeram a gente dar pulos de alegria: pica-pau-de-cabeça-amarela (Celeus flavescens) pica-pau-verde-barrado (Colaptes melanochloros). Mas quem coloriu a nossa tarde foram os seguintes "passarinhos"tiriba (Pyrrhura frontalis), gralha-azul (Cyanocorax caeruleus), saíra-de-chapéu-preto (Nemosia pileata), saíra-sete-cores (Tangara seledon), saíra-militar (Tangara cyanocephala), saí-azul (Dacnis cayana) e saí-verde (Chlorophanes spiza).

arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

A despedida - Foto by Leila Esteves

Aqui as listas da passarinhada em Peruíbe:

Voltamos pra São Paulo parecendo três crianças. Com o mesmo sentimento de dever cumprido que voltamos da África do Sul. Dormi feito anjo, mais de 9 horas, sem aquela agitação que eu percebia no meu corpo nas noites da semana anterior. E confesso, nem vi a semana passar.

Conclusão

Passarinhar faz bem para o corpo e alma. Pode não curar ou evitar o Covid-19, mas aumenta a felicidade e, com isso nossa sagrada imunidade. O resultado é o nosso bem estar geral, fazendo os efeitos colaterais do isolamento social e estresse desaparecerem por completo.

Eu estava a 120 dias dentro de casa, praticamente quase sem por o pé para fora do portão. Saí raríssimas vezes. Malhei, comecei a estudar inglês, tratei fotos, fiz poemas, mas estava no limite do limite. Eu sei viver bem sozinha, mas uma vez que estou sempre viajando, dificilmente estou sem pessoas ao meu redor.

Sim, nesses último tempos o que mais fiz foi refletir sobre a vida, e devo refletir mais um bocado ainda. Teve dias aqui que eu me senti uma idiota completa. Isso por conta de ter deixado de fazer muitas coisas que eu tive oportunidade e vontade de fazer. Sim, nenhum arrependimento do que fiz, mas muitos do que não fiz.

Mas isso vai mudar pra 2021. Pode ter certeza. A vida é um sopro, e nunca se sabe quando ela vai nos abandonar. A gente nunca gosta de pensar essas coisas. E, mesmo eu já tendo enfrentado uma UTI e ter ficado entre a vida e a morte ou, pior, uma cadeira de roda, acho que ainda não tinha adquirido a consciência que tenho hoje. Mas sempre é tempo de reconectar-se, de procurar por coisas que se perderam nas areias do tempo e recomeçar.