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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
É uma atividade muito atraente para o fomento do turismo e economia de muitas comunidades locais. Ela gera emprego e renda e proporciona um círculo vicioso de ganhos.
É movida pela necessidade do homem de se ausentar da turbulência das grandes cidades e querer se conectar cada vez mais ao mundo natural. Essa necessidade aliada ao desenvolvimento da tecnologia, tem feito a observação de aves crescer exponencialmente.
Os equipamentos que possibilitam observar com maiores detalhes ou realizar capturas de imagens, das mais diversas formas, tais como como binóculos, telescópios, monóculos, câmeras, filmadoras, câmeras trap, drones, gravadores de som, estão cada vez mais avançados e acessíveis para grande parcela da população.
Eventos correlacionados se multiplicam. Tivemos o grande Avistar em maio desse ano, e só eu tenho 3 palestras em 3 Estados diferentes do Brasil no segundo semestre, elevando a busca por "avistar" aves a patamares nunca antes vistos.
Plataformas especializadas não param de ser criadas, incentivando a participação cada vez maior da sociedade em todas as faixas de idade e sexo.
Cada vez mais fotógrafos como eu abandonam algum nicho comercial da fotografia e passam a se dedicar à vida silvestre, principalmente às coloridas e atraentes aves.
Dessa forma acabamos por entrar em um mundo que pouco conhecíamos, mas que vem sendo desbravado aos poucos.
Percebo que nas duas últimas décadas, aqui no Brasil, passamos a interagir cada vez mais com o mundo acadêmico da ornitologia, anteriormente de domínio único de estudiosos da área. Isso vem nos propiciando conhecer parte do ecossistema interligado às aves.
E como tudo que é novo, nem sempre sua essência é bem compreendida por ambos os lados. Muitos dos cientistas não sabem lidar com essa "invasão" e se sentem forçados, tal como algumas aves, a defender seus territórios.
É um grande desafio. Todos sabemos que é preciso estabelecer regras, mas ambos os lados precisam ter empatia para tal. Porém, nem todos sabem ou conseguem fazer isso.
Lados? Como assim, não estamos ou devíamos estar todos do mesmo lado, defendendo o nosso cada vez mais empobrecido e judiado meio ambiente? Né?
O ser humano sempre foi e será um bicho complexo, complicado e muito belicoso, que adora criar polêmica e controvérsia. Sua necessidade de dominância, implicância, discordância e outras atitudes que me dão ânsia, é quase um deserto sem fim. Muito pouco produtivo, diga-se de passagem.
Atribuem comportamentos de forma generalista, como se todos abusassem das formas de atrair aves, cujo único e irrestrito objetivo seria fazer um lifer ou foto espetacular. (lifer = espécie nova).
Concordo que faria e faz todo sentido recomendar e até exigir-se moderação. Porque ser moderado é a tônica da vida. Agora achar que predamos o meio ambiente apenas para coletar mais um lifer, valha-me Nossa Senhora dos Ornitólogos e Passarinheiros Apaixonados, como diria, meu querido amigo Bruno Rennó.
Falando em coletar, esses mesmos críticos esquecem que parte das coletas feitas por cientistas da área, nem sempre bem preparados, muitas aves acabam morrendo ou tem partes amputadas em redes de neblina ou são abatidas sem o mínimo dó por tiros certeiros para serem dissecadas em seus gabinetes ventilados de museus ou laboratórios. Ah! Mas isso é necessário em prol da ciência, diriam eles. Siimmmm, se feito com moderação, né? Viu como é fácil jogar pedra de ambos os lados.
Mas farei isso amanhã pois são 00:01h e preciso dormir.
Meu ano de 2023
Este ano, eu pensei que ia ser mais parado, só que não. Meu primeiro semestre foi agitadíssimo e não tive tempo de postar tudo que gostaria aqui no bloguinho. Mas aos poucos irei postando.
Comecei o ano no Sítio Espinheiro Negro, da querida Jô Bernardes, fazendo um day-use para comemorar o aniversário do amigo Ney Matsumura, onde pude confraternizar com vários amigos.
Depois fiz mais um bate-e-volta até a cidade de Cachoeira de Minas – MG para encontrar-me com os queridos Wagner Loureiro e Luzete Amaral com vistas a registrar uns arapapás.
Tenho amigos no Pará muito queridos e por eles foi me elogiado um grande ornitólogo maranhense, que já era meu amigo nas redes sociais: Luis de Morais ( @luix_morais - @hileiaexpeditions )
Às vezes eu conversava com ele pelo whatsapp, porém só trivialidades, mas sempre considerando esse jovem talentoso, fosse na música ou nas artes gráficas. Em setembro de 2022 eu disse a ele que gostaria de ir ver o “lagartão”, no caso esse é o apelido que dei ao jacu-estalo por ele estudado.
Este ano (2023) em março, voltamos a nos falar e ele me disse que se eu fosse para lá, seria bom eu saber que teríamos uma missão muito difícil. Isso não é novidade para mim. Mas é o que mais gosto de fazer e já estou acostumada: superar obstáculos, seja na minha vida pessoal, seja na observação de aves.
Também havia a possibilidade de fazer três subsespécies: joão-teneném-preto (Synallaxis rutilans omissa), polícia-do-mato (Granatellus pelzelni paraensis) e o papinho-amarelo (Piprites chloris grisescens). Esses três últimos poderão ser “splitados”, ou seja, podem ganhar o status de espécie plena a qualquer momento - é o que chamo de "future-lifer", nome dado pelo meu querido amigo Guto Carvalho.
Só salientando que Caxias dista de Açailândia 610 km, algo entre 8 a 9 horas de estrada. Resumindo: um dia inteiro rodando sem muito ter o que fazer.
Luis enviou um pequeno plano com o que tentaríamos fazer em cada dia. Decidi colocar um dia a mais para o jacu-estalo, considerando o grau de dificuldade e a chance mínima de um encontro produtivo.
Antes de contar como foi cada dia saiba um pouco mais sobre a ave que deu nome a essa expedição.O jacu-estalo (Neomorphus geoffroyi)
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Ilustração by Flávio Sousa (Look Birdwatching) com base na minha foto |
O jacu-estalo (Neomorphus geoffroyi) é uma das 147 espécies de aves que pertence à família Cuculidae. Essa família possui 33 gêneros. O jacu-estalo pertence ao gênero Neomorphus. Este grupo é exclusivo da América do Sul e Central e 4 das 5 espécies listadas ocorrem no Brasil.
O jacu-estalo é conhecido no Brasil também como acanati-de-bico-verde, taiaçuíra, taiaçuguira, aracuã-da-mata, jacu-estalo-de-bico-verde, aracuão, jacu-porco, jacu-queixada, jacu-bagunceiro e jacu-mulambo.
São aves terrestres, solitárias e esquivas, difíceis de observar entre a vegetação. São relativamente grandes, com cerca de 50 cm de comprimento.
Uma característica distintiva do grupo é uma crista azulada na cabeça. A plumagem é muito variável e colorida, o dorso é verde-azeitona, com reflexos metálicos. A zona da garganta e/ou peito apresenta também um aspecto escamoso.
As asas são curtas, largas e arredondadas. Tem pernas robustas e poderosas com orientação dos dedos dos pés em zigodáctilo, isto é, posicionados dois para a frente e dois para trás.
Apesar de seu grande tamanho e aparência marcante, esta espécie é difícil de observar nos densos sub-bosques das florestas que habita. É extremamente adaptado para um estilo de vida terrestre, usando suas pernas fortes para correr e pular no chão da floresta com uma agilidade impressionante.
Vocalização: pio baixo monossilábico descendente “uu”. Os pios se seguem em intervalos de 3 a 4 segundos durante vários minutos. Inquieto, produz forte estalo ou até matraqueia batendo as mandíbulas, lembrando o bater dos dentes do porco-do-mato.
- Neomorphus geoffroyi geoffroyi (Temminck, 1820) - ocorre nas florestas do leste da Bahia, no Recôncavo Baiano até a divisa com o Espírito Santo;
- Neomorphus geoffroyi salvini (P. L. Sclater, 1866) - ocorre dos alagados da Nicarágua até a Costa do Oceano Pacifico da Colômbia;
- Neomorphus geoffroyi aequatorialis (Chapman, 1923) - ocorre da região tropical do sudeste da Colômbia até o leste do Equador e norte do Peru;
- Neomorphus geoffroyi australis (Carriker, 1936) - ocorre no sul do Peru e no noroeste da Bolívia
- Neomorphus geoffroyi dulcis (E. Snethlage, 1927) - ocorre no Leste do Brasil no leste do estado de Minas Gerais, no estado do Espírito Santo e no estado do Rio de Janeiro.
- Neomorphus geoffroyi amazonicus (Pinto, 1964) – ocorre ao sul do rio Amazonas, no leste do Pará, norte de Mato Grosso até o oeste do Maranhão.
(fonte: Wikipedia, Wikiaves e e-Bird)
Algumas curiosidades sobre o jacu-estalo
1 - Ele é um "primo" do famoso Papa-léguas do desenho que passava na TV nos "antigamente". (Road Runner and Coyote) 😁🦊 Na realidade o papa-léguas do desenho é o Geococcyx californianus e habita o sudoeste americano e México.
2 - Seu primeiro nome científico Neomorphus me lembrou dois personagens do filme Matrix: Neo e Morpheus. Aliás, eu diria com certeza que nosso Neomorphus habita realmente uma "Matrix" - realidade simulada por computador, criada por máquinas sencientes (evolução da inteligência artificial) para subjugar a população humana. (link para saber mais sobre o filme aqui).
A diferença que o nosso "Neo-Morpheus" é realidade, embora faça parte do "mundo dos sonhos" de todos os passarinheiros. Recomendo assistir o filme se você não entendeu o que eu disse aqui.
3 - No Wikiaves, o primeiro registro postado foi feito por câmera trap em 2007 na Bahia. Aqui quero destacar a primeira mulher que teve o privilégio de fotografar ao vivo e a cores esse fantasminha no Brasil: a passarinheira Marcia Tavares, cearense muito querida pelo nosso meio e por mim, embora não a conheça pessoalmente ainda, apenas por falta de oportunidade. Hoje conversando comigo, ela me contou sua experiência e vi que foi muito parecida com a minha, apenas tive um pouco mais de sorte que ela na hora de fazer as fotos.
Bom, chega de enrolar né? Bora contar como foi o dia a dia da "criatura aqui" atrás da "criatura lá".
03 de Julho de 2023 - segunda-feira
Meu voo estava previsto para sair 22:45h de Guarulhos e chegar no meio da madrugada em Teresina no dia 04. Há outros voos e companhias fora desse horário, mas como eu ia usar milhas, esse foi o mais conveniente. 💲💲💲
Para evitar trânsito, procurei ir cedo para o aeroporto, mas quem diz que estava tranquilo. Começo de férias e todo mundo querendo "fugir" da cidade, aí já viu né. Chegando no aeroporto, fui para o lounge da cia aérea, onde do lado de fora, pela vidraça, havia uma linda lua cheia, prenúncio que vinha coisa boa por aí.
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
04 de Julho de 2023 - terça-feira
Alguém descansou? Quase nadinha. Rapidinho eu e o amigo Ronaldo Francisco apanhamos o Luis e seguimos em busca do "lagartão".
Esse dia foi dedicado totalmente a "ele". Fomos em vários pontos, não me lembro se sete ou oito. Ficávamos um determinado tempo em um e quando o resultado era vinte a zero, a gente partia pro próximo.
Não, Patrick Pina, não tinha "tenébrio de chocolate", aliás não tinha tenébrio nenhum, nem milho, painço, rede de neblina, apenas balinha de café no meu bolso, pois a falta de sono estava acabando comigo.
Foi assim: a gente chegava, colocava um blind, sentava num banquinho e sequer respirava, a ordem do "Coronel Morais" era não se mexer por nada, nem o "zoinho". Qualquer estalo por perto eu fazia sinal de interrogação com os olhos e recebia um resposta murmurada: é o vento, é a rendeira, é não!
O Luis sabe das coisas, conhece cada estalinho que o bicho dá, cada passinho no mato meio seco e fechado e para onde o "sujeito" está se dirigindo. Ele vem estudando o bicho com afinco, para tortura da oposição.
Playback? Sim, de vez em quando uns estalinhos. Mas os estalinhos mais altos vinham da minha coluna, pescoço, joelhos, que mal estavam se aguentando em pé. 😂😂😂
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Arquivo pessoal Luis de Morais |
Depois de horas esperando, 💤😴🥶🥵🤢🤮 de vários deslocamentos infrutíferos, de dormir sentada no banquinho, de sonhar com um café ☕️, com uma cama macia, eis que ...
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Arquivo pessoal Luis de Morais |
Sim, num dos pontos, "ele" deu sinal de vida. Quando o Luis percebeu, pediu que nós nos levantássemos muito devagar, sem mexer a cabeça ou o corpo e preparássemos as câmeras. Tudo murmurado. Adrenalina total, sono foi parar na estratosfera. O olhar passou a perscrutar a floresta em busca do vulto até enxergar um movimento por trás da brenha. O estalo se intensificou e se misturou às batidas do coração.
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Luis de Morais |
Mas gente, gente, calma, não deu foto nesse dia do "lagartão", mas teve coisa legal pelo caminho, como flores, insetos e uma linda ariramba-de-cauda-ruiva (Galbula ruficauda).
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
05 de Julho de 2023 - quarta-feira
Já descansada, após uma noite bem dormida, acordei cedão, cheia de gás. Tínhamos mais um dia para tentar ver o "bichão". Tomamos café com calma e lá fomos nós repetir o script do dia anterior com algumas inovações de local.
Num dos pontos, estávamos a postos, naquele conhecido marasmo de sempre, porém sempre antenados, até que a coisa aconteceu. Só lembro do Luis falar pra levantar bem devagar, sem nenhum movimento brusco, sem movimentar a cabeça de um lado para o outro, etc etc etc. Nem lembro quais foram os etecéteras porque eu parecia um zumbi nessa hora.
Eu fiz isso em câmera mega super hiper lenta. Respiração zero. Aí ele apontou onde o "bicho" estava. Na brenha, no alto de uma árvore, mas dava pra ver - eu vi, eu vi ... woo woo - eu vi e fotografei. 🥳🤘🤟🖖😍😱📷
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
Então afastei um pouco pro Ronaldo ficar onde eu estava, porque só de um único buraquinho era possível ver e registrar o "bicho". 🎯
Nisso nosso antenado guia percebeu que era um casal e que um deles estava se deslocando pelo chão, apesar da vontade de gritar de alegria, de pular, de comemorar, me obriguei novamente a me mover em câmera lenta e continuar sem respirar, sem sequer piscar, porque menos de 10 segundos depois um deles pousou num tronco lá no fundão.
Minha Senhora dos Ornitólogos e Passarinheiros Apaixonados, como diz meu amigo Bruno Rennó. O bicho estava lá, paradinho, no maior estilo idealizado pela querida Daniela Maia, no limpo, na altura dos olhos, sem galhinho na frente.
E acha que eu tinha emocional pra isso? Olha minhas primeiras fotos, agora imagina minha R7 fazendo 30 fotos erradas de uma única clicada, porque, sim, ela faz 30 fotos por segundo num único apertão e tudo isso silenciosamente.
Meu anjinho da guarda chamado Luis dizia, calma, olha se a câmera tá direitinho, se a foto saiu. Pedi a ele que pegasse o celular no bolso do meu colete e fosse registrando o momento.
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uma das primeiras fotos Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares by Luis de Morais |
Já tínhamos clicado o suficiente para dizer que o orgasmo fora múltiplo.🤣🤣🤣🥳🥳🥳
Eu olhava para o "bicho" e ele olhava pra mim. Na minha fantasia de conto de fadas, eu comecei a imaginar que ele era um príncipe encantado e que se apaixonara por mim. Abaixei e me apoiei no tronco que nos separava. Cliquei até doer o dedo, o joelho, os olhos. Não sei quanto tempo isso durou. E então ele acenou com a cabeça, virou-se e foi embora.
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Olho no olho Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Momento da partida Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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jacu-estalo (Neomorphus geoffroyi) Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
Eu sempre digo que energia boa e sintonizada, limpa toda a inveja, toda impureza, todo sentimento ruim que é direcionado pelas pessoas maléficas, que só sabem cobiçar o sucesso dos outros.
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares by Luis de Morais |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
Pera, não vai embora não, ainda tem muita história com emoção. Pra finalizar essa primeira parte vou deixar um vídeo maravilhoso para você se emocionar como eu.
Acapella cover arrangement of the Lord Of The Rings OST "In Dreams" written and composed by Howard Shore.
Continuando a saga...
Em alguns lugares, paramos pra fazer andorinhões, e o Luis ficava falando nas minhas "oreias": Pega! Pega! Pega! E o bicho passando lá no fim do mundo, mais rápido que um fórmula um desgovernado.
Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
Em Juriti-pupu, digo, Juriti-cupu, ops, Buriti-pupu, eita! ah! tá: Buriti-cupu (só lembrar de suco de buriti com cupuaçu), 😁😁😁😁 eu fiz uma pombo-pupu, pois não achei uma juriti-pupu, pra brincar com o nome que eu me enroscava toda pra falar kkkkkkk
Mas deu bom, no posto de gasolina que paramos tinha pombos e rolinha-fogo-apagou, e um mato florido com um lindo beija-flor-de-garganta-verde dando mole.
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
Chegamos em Açailândia no final do dia, deixamos o Luis na casa dele e nos instalamos no hotel, onde apaguei de sono e cansaço.
06 de Julho de 2023 - quinta-feira
Acordamos bem cedo, pois nosso destino estava a quase duas horas de onde estávamos. Tomamos café no caminho. Teríamos um longo dia até escurecer e procurarmos um dos meus principais "targets": a corujinha-de-belém (Megascops ater).
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Ronaldo Francisco |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
07 de Julho de 2023 - sexta-feira
Nesse dia nosso destino estava mais perto, uma meia hora da cidade, por ser mais tranquilo, eu dormi um pouco mais. Saímos por volta das 6:30h e o dia estava lindíssimo, tanto que não resisti e pedi para parar.
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Ronaldo Francisco |
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Arquivo pessoal Ronaldo Francisco |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
Já esgotadíssima de tanto cansaço, eu pedi para ficar no hotel depois do almoço, onde obviamente dormi a tarde toda. Preferi deixar os meninos irem "caçar" passarinho sozinhos. Mas acredita que os dois foram para o parquinho. Eu tenho a prova. Olha aí embaixo a foto. Crianças, bagh!!!! 😂😂😂
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Arquivo pessoal Ronaldo Francisco |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
08 de Julho de 2023 - sábado
Por volta das 6 horas a gente fez a paradinha pro café. Abençoada paradinha. Luis tinha feito um delicioso café e eu me empanturrei com minha bebida favorita.
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Luis de Morais |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal de Luis de Morais e Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
E assim terminou o nosso dia, mais um sem as "tiribosas", leia-se tiriba-pérola (Pyrrhura lepida coerulescens) ou simplesmente (Pyrrhura coerulescens).
09 de Julho de 2023 - domingo
Voltamos ao local das tiribas. Era no nosso último dia em Açailândia. Fizemos o mesmo esquema do dia anterior, café no mato. E longas caminhadas vasculhando os céus e todos os locais onde poderíamos achá-las.
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Aquela foi a embaúba. Arquivo pessoal Ronaldo Francisco e Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
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Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares |
As metas foram atingidas e os desafios superados. Poderia ter sido diferente? Sim. Mas seria ruim? Nãooooooo.
A alegria e sinergia do grupo já teria valido a pena. Poder dividir essa alegria com um amigo como Ronaldo que me foi apresentado por um super querido amigo baiano, o mestre Luis Trinchão, não tem preço. Ter conhecido o Luis pessoalmente e comprovado que dividimos o apreço e o carinho pelas aves, pelos estudos, pelo mundo natural, o gosto pelas artes, pela música, por dar boas risadas das coisas da vida, já fez valer a viagem.
Além disso, ter conhecido pessoas bacanas pelo caminho, como funcionários dos hotéis que ficamos, donos ou funcionários de restaurantes onde nos alimentamos, a dona da padaria que fez um café especial para mim sem açúcar quando me ouviu contar porque não tomava café com açúcar, ou a avó do Luis que todos os dias nos esperava no portão só fez somar às alegrias dessa expedição.
E isso sem contar todos os amigos pelo Brasil afora torcendo por mim, vibrando com cada postagem que a gente fazia contando um pouco dessa história.
Jamais vou conseguir palavras suficientes que bastem para fechar essa postagem como ela merece.
Realmente não tem preço. É vida. É o espetáculo da vida. A celebração da vida, e falando nisso, quero terminar esse post com uma música fantástica, de um dos maiores talentos que já habitou esse planeta.
É uma das músicas mais conhecidas de todos os tempos, We Are The Champions da banda britânica Queen, também é uma música sobre superação. Inspirada no universo dos esportes, a música fala sobre vitória compartilhada, sobre triunfo e celebração.
É um hino que deve nos unir nas vitórias e nas derrotas; uma celebração da vida e uma afirmação do nosso ser, que nos diz que até nos momentos mais difíceis podemos sair vitoriosos.
Silvia, seu relato me levou a reviver cada momento! Foi incrível! De todas as espécies buscadas eu queria mesmo era o "lagartão", como você apelidou o famigerado jacu-estalo. Nunca vi um bicho tão esquivo ficar tão tranquilo com nosso presença. Ele parecia interagir conosco. Foi, como você bem expressou, surreal! Momento pra não se esquecer jamais. Luis usou de todo seu conhecimento para nos brindar com essa façanha. Ele mesmo estava incrédulo. Vá Luis, conclua seu mestrado, faça seu doutorado, pois capacidade e garra não lhe faltam. Obrigado por nos propiciar essa experiência ímpar. Parabéns Silvia por suas conquistas e por incentivar tantos passarinheiros pelo mundo afora.
ResponderExcluirFoi um prazer enorme contar com seu companheirismo. Mais que um irmão, um grande e querido amigo. Foi muito ... nossa... sem palavras aqui.
ExcluirJá iniciei a leitura sabendo que seria mais uma aventura bv Silvia, que sempre nos transmite as emoções de forma incrível, mais uma vez, parabéns Silvia pelo maravilhoso relato !!!!!!!!!
ResponderExcluirObrigada meu querido, faltou dizer que você é padrinho dessa passarinhada, pois me fez confiar nos trabalhos do Luis, que agora é como um filho para mim. E Ronaldo já se candidatou a ser sogro dele kkkkkkkkkkkkk
ExcluirRodrigo Agostinho. Silvia..... uma delícia ler toda essa saga. Parabéns pelos encontros mágicos com nossa biodiversidade. Saudades. Abração.
ResponderExcluirQuerido Rodrigo, sei que vocês sabem exatamente como foi essa emoção. Saudades também. Bora combinar uma expedição. Sei que sua agenda é complicada, mas a gente ajeita.
ExcluirComo não se emocionar com um relato desses. Infelizmente, ainda não consigo vivência tudo isso tão de perto, mas só em sentir toda essa mistura de sentimentos aqui no seu artigo, Silvinha. Já me deixam mega feliz. Parece que estou lá do seu lado sentindo tudo isso na pele. Obrigada por compartilhar esse momento fantástico. Você sabe o que penso sobre o desabafo. Estamos num apreendizado constante. Sempre existiram pessoas para falar mal ou generalizar as coisas! Isso é fato! O importante é seguimos fazendo o nosso melhor. E parabéns pelo lagartão!! Quero um dia vê-lo correndo/voando pela mata feito um foguete rsrs.
ResponderExcluirFran
Pois é minha querida Fran, tudo o que fazemos com amor, com amor volta. Mas a gente segue feliz por ser feliz e ter gente como você ao redor. Feliz dia do Amigo. Grande beijo no seu coração.
ExcluirParabéns por mais um belo relato, além de um muito consistente desabafo.
ResponderExcluirObrigada querido Vitinho. Você me conhece bem e me entende, né?
ExcluirParabéns Sílvia! Um sincero desabafo e um belíssimo relato de uma maravilhosa expedição com lifer super especiais! Abs. Paulo M Silveira
ResponderExcluirObrigada meu amigo Paulo. Fico feliz que tenha gostado.
ExcluirUm espetáculo de expedição !!!
ResponderExcluirValeu querido Ney, até a cervejinha na próxima quarta.
ExcluirParabéns Silvia! A gente não consegue parar de ler enquanto não chega ao final. Sensacional. Você há muito é inspiração para mim e com certeza para um sem
ResponderExcluirnúmero de mulheres. Obrigada. Abraço. Maria Marta.
Obrigada Maria Marta. Não imagina como fico feliz com seu feedback. É muito bom inspirar pessoas.
ExcluirPrimeiramente parabéns pelos fantásticos registros feitos e seu relato sempre rico e impressionante da expedição. Penso que em algum momento, tudo que você relata no blog, poderia muito bem ser publicado em formato de um livro, certamente é uma obra que não temos no Brasil e seria uma forma de preservar toda essa experiência para as futuras gerações. Sobre o seu desabafo acredito que o conhecimento é sempre uma faca de dois gumes: pode abrir horizontes mas também gerar arrogância para quem se sente "superior" aos demais. Certamente, medindo prós e contras, os observadores ajudam a preservar as aves, e o meio ambiente como um todo, muito mais do que poderiam prejudicar; ainda alavancam o conhecimento científico, economias locais e etc. Não enxergar isso é agir com má fé e prepotência.
ResponderExcluirObrigada Renato, seu comentário é muito producente. Espero que esse nosso apelo alcance muitas pessoas do nosso meio. Saudações.
ExcluirMaravilha de relato! Obrigado por compartilhar conosco sua experiência em detalhes.
ResponderExcluirGuilherme Serpa
Obrigada Guilherme.
Excluir"Quem faz mal para as aves são os caçadores, gaioleiros, traficantes, receptadores e compradores de aves silvestres, os desmatadores sem escrúpulos, os que ateiam fogo para destruir, os garimpos ilegais e outros crimes hediondos contra a nossa mãe-natureza, já tão escassa de recursos."
ResponderExcluirConcordo 100%.
"Isso (melhor forma possível de preservar a natureza) só aconteceria com o fim da raça humana,.."
Pertinente.
"Mais amor e menos agressividade."
Apoiada!
"Agradeço se você leu até aqui e compreendeu o meu desabafo."
Disponha! É sempre um enorme prazer ler e reler várias vezes o que você escreve.
Seria ótimo se os outros 99 do top 100 escrevessem pelo menos 5% do que você escreve compartilhando
dicas.
"...fazendo tricô e crochê."
Rolei no chão de tanto rir.
"O estalo se intensificou e se misturou às batidas do coração. "
"...eis que ele sumiu"
Silvia, a minha taquicardia acelerou só de ler isso...
Isto é pior do que tomar uma ducha de água fria. Risos...
" fosse caminhando vagarosamente, sem movimentos bruscos, e se possível, sem tirar o olho dele"
Tenho uma experiência parecida com mamíferos no Parque Estadual Paulo Cesar Vinha, se eu baixar o olho o bicho cai fora.
"Eu olhava para o "bicho" e ele olhava pra mim."
Fui obrigado e ler essa frase umas dez vezes. Sensacional! Adrenalina nas alturas.
"E o bicho (andorinhão) passando lá no fim do mundo, mais rápido que um fórmula um desgovernado. "
Risos...
Parabéns mais uma vez por esse incrível relato. Sou fã incondicional seu e do Luis Morais.
Abraços capixabas de Hilton Monteiro Cristovão, Vitória-ES
Que legal, Silvia! Amei seu relato tão rico em detalhes! Obrigada por nos inspirar!
ResponderExcluirUm cheiro!
Valeu muito
ExcluirQue massa seu relato, Silvia! Tão divertido e detalhado! Parabéns por aumentar sua lista de lifers e muito obrigada por nos inspirar! Um cheiro!
ResponderExcluirObrigada minha querida. Fico muito feliz.
ExcluirUma super leitura, simplesmente sensacional.
ResponderExcluirMuito feliz pela sua super viagem, e feliz pelo desabafo que com toda certeza serviu para todos nós que amamos as aves nos atentarmos em nos unir em prol delas.
Muito Obrigado por compartilhar.
Obrigada meu querido amigo. Assim que tiver um tempo disponível vou relatar essa nossa Expedição. Inspiração não falta.
Excluir