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sábado, 19 de julho de 2025

SP - Ilhabela, sempre bela - Lugares preferidos

Seja bem vindo ao meu bloguinho.

Vou começar por uma das culpadas deste post. Leia até o fim e você vai entender.🤣🤣🤣🤣🤣🤣

- "Admito, eu sou a culpada!"
choquinha-de-garganta-pintada (Rhopias gularis

Aos poucos espero atualizar todas as minhas últimas expedições, o que não é tão simples e tão rápido quanto parece.

Gosto que meu bloguinho sirva como dicas e incentivo para observadores e fotógrafos de aves, mas mais que isso, que funcione como um diário para mim. E como boa representante do clã virginiano e discípula do Mr Spock 🖖(Star Trek) eu gosto muito de coisas lógicas e com muitos detalhes. 😬🥴😂

Neste post eu vou falar sobre a Ilhabela e sua importância para a observação de aves.

E também contar como foram minhas idas e principalmente como foi minha última visita à Ilha no feriado do mês de junho/2025. Foi um passeio tão marcante na minha vida que faço questão de postar antes das grandes viagens que já estão rascunhadas.

E como dia 20 de julho é dia do amigo, espero reverenciar vários deles aqui.

Fonte: P i n t e r e s t

Durante todos os dias ao redor do feriado do dia 19/06 - Corpus Christi, além de poder sair de casa, fazer fotos espetaculares mesmo ainda me recuperando de uma cirurgia oftálmica, tive momentos muito especiais, inclusive de fortalecimento de vínculos de amizade já existentes.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

SP - Sítio Espinheiro Negro - Lugares preferidos

A segunda passarinhada deste ano de 2025 aconteceu em um dos meus lugares preferidos aqui no meu Estado, e foi no Sítio Espinheiro Negro.

Como eu disse no 👉post anterior, não vou deixar passar mais nada sem registrar aqui. Mas tudo demanda TEMPO, principalmente a produção de um texto enorme, recheado de fotografias. 

Para postar necessito das minhas fotos (câmera e celular), às vezes fotos dos amigos, e muito texto. Concatenar os textos com as fotos é a parte mais difícil.

No caso dos textos, necessito estar inspirada, bem humorada, sem preguiça, e o pior: estar com a memória "antenada". Muitas vezes necessito pesquisar para poder detalhar e fornecer melhores informações. 

Aí vem a pergunta: melhores informações para quem? Para uma diminuta lista de pessoas que ainda gostam de ler, de "viajar" comigo e até depois planejarem suas viagens com base nas minhas intermináveis histórias e dicas. 

São pessoas especiais, cheias de conteúdo como eu, que acham melhor ler do que ficar perdendo tempo com besteirol em apps do tipo "tique e toque" ou ficar vendo pessoas discutirem sobre besteiras. 

Felizmente minhas estatísticas no bloguinho são razoáveis e ele não depende de propaganda "adsense"  para sobreviver. O bloguinho é puro e só traz minhas histórias, às vezes poéticas, às vezes informativas. 

Mas como sempre digo, cada um é responsável por suas escolhas, e eu escolhi guardar minhas memórias aqui no bloguinho, além de registrá-las no meu e-diary (que tem muita coisa impublicável 😁😁😁). 

Quando eu esqueço de algum detalhe de uma viagem, eu busco aqui, onde eu espero que permaneça registrado por muito tempo, mesmo sendo um aplicativo gratuito. 

E logo vou deixando um conselho, quando quiser ler o texto sentindo toda sua essência, procure fazê-lo por meio de uma tela grande, num note ou computador ou até numa tela de TV. 

O Blogger, ferramenta do Google, não foi criado pensando em celulares. E se puder deixe um comentário assinado com seu nome ao final da leitura. Se não estiver logado no Google, vai ficar como anônimo!

Feito esse preâmbulo, vamos falar desse lugar que amo de paixão: o Sítio Espinheiro Negro (link para o site 👉 aqui e instagram 👉 aqui). 

Seja para ver aves, levar amigos ou simplesmente visitar os donos que eu gosto demais. Jô Bernardes Trnka e Jiri Trnka, vocês são pessoas muito especiais. 😍😍😍

galinha-do-mato (Formicarius colma)
Uma das minhas fotos mais marcantes feita no Sítio

O Sítio Espinheiro Negro

Primeiro vamos contar um pouco da história do Sítio. Recebi um texto da própria Jô Bernardes, onde vou extrair algumas informações para postar aqui. A começar pela linda logomarca, um estilizado tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus).

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

SP - Pousada da Fazenda - Lugares preferidos

O tempo é um bocado cruel. Mas o que é o Tempo? Somente a duração dos fatos? A maneira como contamos os momentos as horas, dias, semanas, meses, anos, séculos, os aniversários, etc?

Ou somente uma grandeza física fundamental? De fato, o conceito de tempo é bastante relativo, não apenas em um contexto cronológico, mas também dentro dos próprios paradigmas vigentes. 

Porque digo isso, porque ao mesmo tempo que reclamo de sua passagem, eu também reclamo que nunca tenho tempo para nada, embora faça inúmeras atividades com o tempo que tenho disponível. 

Mas o pior que o tempo nos faz é causar esquecimentos. Ele vai passando e com eles os fatos e os acontecimentos vão ficando arquivados numa biblioteca imensa chamada memória. E muitas vezes permanecem escondidinhos lá no fundão.

Por isso é importante escrever e ter essas memórias disponíveis. Seja num diário de papel, como fiz a minha vida toda, quando nem se sonhava com os meios eletrônicos, seja por meio de um e-Diário hoje no celular. Ou mesmo num bloguinho como este.

Hoje cedo tomei uma decisão. Qualquer passarinhada que eu fizer a partir de agora, vou registrar aqui, mesmo que em poucas linhas e com apenas algumas fotos. E quando possível, vou recuperar as histórias das passarinhadas antigas e transcrevê-las aqui.

Dentro deste meu novo objetivo, começarei aqui a contar minha primeira passarinhada de 2025, mas antes um preâmbulo do lugar. 

2025 - beija-flor-de-orelha-violeta (Colibri serrirostris)
Arquivo pessoal Silvia Linhares

Observação de Aves em Monte Alegre do Sul/SP e a Pousada da Fazenda.

terça-feira, 16 de julho de 2024

SP - Sítio Macuquinho - Lugares preferidos

Começando uma série aqui no bloguinho falando dos meus lugares preferidos para observação de aves. E começar ao redor de São Paulo fica mais fácil. 

Vou iniciar pelo Sítio Macuquinho em Salesópolis. E nada como uma foto do próprio macuquinho (Eleoscytalopus indigoticus) feito lá nas imediações para começar né?

Foto de 28/06/2023
Arquivo pessoal Silvia F. Linhares

Alguns lugares já até mencionei em postagens, mas não fiz nada especificamente. Esses lugares são especiais e hoje, anos depois de conhecê-los e a seus donos, eu costumo ir para levar amigos ou só para espairecer a cabeça. Além disso quando alguém me pede dicas eu costumo indicar como os meus preferidos.

domingo, 20 de novembro de 2022

SP - Guatapará - Um dia para ficar na história

Quanto custa fazer um lifer?*
* Lifer = espécie nunca antes avistada
Depende! Qual? 
Aquele que você procura anos e anos e nunca encontra.

Esse...
Arquivo pessoal de Silvia Faustino Linhares

Eu te digo: custa um tanque de gasolina, 150 reais de pedágio, quase 300 km pra chegar, mais 300 pra voltar. Tudo num único dia. Mas além disso, custa muita vontade de ir e disposição não só minha, como dos amigos em me levar até ele.

Tão bom quanto o lifer é o bônus quando você ganha human-lifers juntos. Ou melhor, ganha novos amigos e ainda solidifica os já existentes.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

SP - Um depoimento pessoal após dez anos observando aves

Esse mês, a minha amiga Ana Julia Cano, responsável pela comunicação da SAVE - Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil, ONG da qual sou contribuinte (Amigos da SAVE), me convidou para fazer um texto para a coluna do Fauna News - link aqui.

Vou transcrever aqui para que fique guardado no bloguinho e não caia no esquecimento.

Rolinha-do-planalto – Foto: Silvia Linhares

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

SP - Expedição Litoral Norte

Promessa é dívida! Esse post é especial, pois essa expedição foi para lá de especial. Continue lendo e você vai saber o porque. 

Miguel Nema, Larissa Nema, eu e Patrick Pina no topo do Asteróide nº B 612 🙃😁🌍
Foto: Arquivo pessoal Patrick Pina



2021 foi um ano de perdas e ganhos. Acho que para todos. Ainda não fiz a contabilidade, mas acredito que fechou no azul. Nesse último ano fiz amigos maravilhosos, daqueles que passam a ocupar espacinho no coração sem pagar aluguel.

Conheci lugares incríveis. Meus olhos e lentes se deslumbraram em várias ocasiões. Cheguei em 2022 com uma sensação muito boa, sabendo que tenho muito chão ainda, mas que estou pronta para muito mais. Que venha, então!!!!

quinta-feira, 15 de julho de 2021

SP - Expedição "Água Prometida" - Em busca de aves pelágicas

albatroz-de-nariz-amarelo (Thalassarche chlororhynchos)
Foto: Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Amanhecendo na Água Prometida 🌞
Foto: Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Nesse post, vou abordar um pouco do que é uma saída ou passeio pelágico. Mas o que vem a ser pelágico? É um adjetivo que diz respeito ao mar. A palavra pe·lá·gi·co deriva do latim pelagicus. Relativo ao pélago (profundo, longe das costas) ou ao alto mar (ex.: peixe pelágico) = peixe marítimo, do oceano profundo.

No meio da observação de aves é comum a gente ser convidada para uma saída pelágica em busca de aves marinhas que dificilmente você consegue ver em terra. As aves marinhas são aquelas espécies que se adaptaram com grande eficiência ao ambiente marinho e têm como habitat e fonte de alimento o mar. Podem ser divididas em aves marinhas costeiras - encontradas geralmente próximas aos continentes, e aves marinhas oceânicas ou pelágicas, essas, via de regra, costumam ser encontradas em alto-mar.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Serra do Japi

Aí você quer ficar quietinha em casa aguardando a segunda onda da pandemia ser controlada e, de repente, é surpreendida por um convite irrecusável de uma pessoa muito especial. A jornalista Giulia Bucheroni me encaminhou à Gabriel Ferraz, que ligou para ver se eu topava participar de uma missão muito importante. Falar com dois jornalistas da EPTV sobre observação de aves e os benefícios para a saúde. Como dizer não para isso. Mas onde? Onde tiver passarinho... uai... e agora?

O que você faz? Liga para o amigo Guto Carvalho e diz, posso ir aí no Japi essa semana? Explica tudo e ele responde: "vem amanhã cedo, vai ter uma janela de sol". Pá de lá, pá de cá, tudo combinado, arrumei a tralha toda para poder sair bem cedo. 

De manhãzinha, passei pegar a Carol, esposa do Guto e, sem errar o caminho, graças à "copilota" ao meu lado, lá fui eu para o Japi encontrar com o Guto, Heitor Moreira e o Rodrigo Sargaço. Após um cafezinho passado na hora, eu e Guto saímos até o portão esperar os dois.

Lógico que eu aproveitei para passarinhar um pouquinho antes. De cara o Guto me mostrou um sovi (Ictinia plumbea) voando alto e rodeando a lua que acabara de ir dormir.


Assim que os dois chegaram, começamos a trocar ideias e eu passei a responder algumas perguntas do Heitor, enquanto o Rodrigo registrava tudo. 

domingo, 6 de dezembro de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Capítulo IV - Iporanga e Eldorado

Eu ando um pouco sem inspiração para escrever e contar algumas das aventuras vividas durante esta pandemia. Acho que essa segunda onda que chegou foi onde “caiu a ficha” e a tristeza bateu à minha porta. Estou relutando pra que ela não entre. O confinamento só não é pior que a própria doença. Amigos e familiares sendo contaminados, pessoas perdendo entes queridos. Está ficando difícil manter o sorriso no rosto e os pensamentos positivos e esperançosos diante de um quadro tão escabroso assim. 
  
O mundo não está tão cor-de-rosa como antes e chora pelos elos perdidos
Foto by Silvia Linhares

Meu organismo vem se rebelando e eu tenho feito tudo que posso para que ele mantenha o equilíbrio que sempre foi meu orgulho. Enfim, distrações não faltam aqui em casa, e confesso, tem muita coisa pra fazer, o que falta mesmo é ânimo. Se não fosse o apoio e carinho que recebo dos amigos virtuais e de algumas pessoas próximas a mim, acho que seria muito pior.

Ao som de Stairway To Heaven da antiga e insubstituível banda Led Zeppelin, a inspiração que eu necessitava bateu em retorno e, enquanto "banqueteio" os ouvidos, as palavras começam a ser desenhadas na minha mente.

“...In the tree by the brook / There's a songbird who sings / Sometimes all of our thoughts are misgiven / It makes me wonder..."

“... Numa árvore perto do riacho / Há um pássaro que canta / Às vezes, todos os nossos pensamentos estão equivocados / Isso me faz pensar ..."


 
Led Zeppelin - Stairway To Heaven

Vamos voltar no tempo um pouquinho. Setembro é o mês que começa a primavera. Um dos meus meses preferidos. As flores começam a desabrochar. Os passarinhos ficam mais felizes. A natureza começa a nos brindar com cenas, cores e momentos que vão marcar para sempre nossa memória.

Esse ano, apesar da pandemia, tão nefasta, e de muitos lugares estarem fechados para visitação neste período, aos poucos, com todos os cuidados possíveis, eu acabei indo a um lugar que não batia os olhos há algum tempo. Fui ao Vale do Ribeira (Baixo Ribeira - municípios de Eldorado e Iporanga). 

O Vale do Ribeira é uma região localizada no sul do estado de São Paulo. Compõe-se de 25 municípios. Abriga 61 por cento da mata atlântica remanescente no Brasil, 150.000 hectares de restinga e 17.000 hectares de manguezais.

sábado, 22 de agosto de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Capítulo III - Miracatu

O que mais tem me ajudado nessa pandemia é a existência dos amigos, seja por conta do carinho virtual do dia a dia, seja por conta dos convites para passarinhar, para tomar um chá da tarde com bolo ou um simples cafezinho. Fazer foto de passarinho ajuda também, ao lado de um amigo fica ainda melhor.

saíra-militar (Tangara cyanocephala

terça-feira, 18 de agosto de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Capítulo II - Dois passarinheiros e diversos destinos

Uma viagem do outro mundo! Ops! Nãooooo! Apenas uma viagem com o amigo Raimundo. Foi assim que comecei a descrever a "tour" para ver passarinhos paulistas que eu e meu amigo Raimundo Carvalho, de Paraupebas/PA, fizemos recentemente. Uma passarinhada descompromissada, improvisada, mas intensa, cheia de emoções, de risos, companheirismo e amizade, que ficará para sempre marcada na minha história. 

Primeiro que aconteceu no meio de uma pandemia. E segundo porque eu nunca acreditei que ele realmente viria. Só ressaltando que eu vivia fazendo "ornitobullying" com ele, mostrando alguns dos seus lifers (aves nunca registradas por ele) que apareciam na minha janela, tipo o sabiá-laranjeira e o periquito-rico. Acredite, muita gente ainda nunca viu essas duas espécies, super comuns para a gente aqui em Sampa City.

Sabiá e Periquito na frente da janela de um dos quartos aqui de casa

E olha, eu nunca havia dirigido tanto em tão pouco tempo, nem ido a tantos lugares aqui perto de uma vez só. Mas quer saber se valeu a pena? Então continue lendo.

Em janeiro deste ano, quando eu contei pra ele uma ida com minha amiga Leila ao Seu Jonas em Ubatuba e mostrei as fotos, ele me disse brincando "Ubatuba nos aguarde, não há lugar melhor do que São Paulo para um passarinheiro como eu". Ele planejava ir ao Peru em suas próximas férias, mas não tinha dado certo. Aí ele me confessou que sonhava passarinhar em São Paulo. Disse que se pudesse vir seria a salvação de suas férias. Eu disse, então venha, uai! Na época, eu prometi pra ele que, caso ele viesse, ele teria a melhor companhia, a melhor motorista, iria aos melhores lugares e contaria com os melhores guias. É o que costumo fazer quando recebo meus amigos por aqui durante o pré ou pós Avistar Brasil.

No final de fevereiro ele estava confirmando suas férias para agosto e disse que gostaria muito de vir à São Paulo. Mal processei as mensagens dele em relação a isso, pois eu só tinha cabeça pra uma coisa: a viagem dos meus sonhos. Eu me preparava para ir para a África. Viagem que foi mesmo dos sonhos (leia como foi clicando aqui).

sábado, 25 de julho de 2020

SP - Peruíbe/SP (Mochileiros)

Peruíbe/SP


Alguns dias atrás, o Fábio Barata, guia e proprietário do Mochileiros Hostel e Observação de Aves, havia comunicado que a saracura-do-mangue (Aramides mangle), lifer que eu vinha procurando há algum tempo, com resultados sempre frustrantes, estava aparecendo em Peruíbe. 

Eu queria muito ir e, por essas coincidências do destino, duas queridas amigas (Viviane De Luccia Leila Esteves) estavam agendadas para ir lá. Não havia data disponível para mim, então a Leilinha conversou com o Barata e ele permitiu que eu as acompanhasse durante o day-use na última segunda (11).

Chegamos lá e após cruzar com a querida Elisa Focante, única hóspede da pousada, fomos até o local da saracura. O Barata colocou nós três sentadinhas em cadeiras e pediu silêncio e atenção. Como há um comedouro num muro nas cercanias, havia muitos passarinhos para nos distrair. 

Entre eles três espécies de sabiás: sabiá-branco (Turdus leucomelas), sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) e sabiá-poca (Turdus amaurochalinus). E alguns bem coloridos como o tiê-sangue (Ramphocelus bresilius) e a maravilhosa saíra-sapucaia (Stilpnia peruviana). O show ficou também por conta de uma avezinha que não se importa de usar máscara: a lavadeira-mascarada (Fluvicola nengeta). Deu foto de quadro.

A Leila, de repente, procurou o celular no bolso e não achou. Imaginou que ficara no carro, mas se saísse dali para procurar poderia perder a saracura. O Barata foi até lá. Dito e feito, quando ele voltou a bela já estava desfilando na nossa frente. Ela costuma vir comer frutas que caem no chão do comedouro do muro vizinho.

Só lembro da Leila, sem se mexer, dizer algo do tipo, "tá vindo" e a lindona colocou a cabeça pra fora do mangue. Pé ante pé, se esgueirando, um olhar de soslaio em nossa direção e outro para a banana no matinho, ela acabou caminhando sem medo, indo se deliciar enquanto a gente só metralhava. Bem tranquila, virou pra gente e ainda fez pose, para a nossa felicidade e do amigo Barata, que aguardava de longe.  


arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Só teve uma parte ruim, a gente comemorou muito, mas não pode se abraçar como é nosso costume. A gente tentava manter sempre a distância onde dava. 

arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Finalizamos a parte da manhã com muitas fotos legais além do hiper mega super lifer. Destaque para a figuinha-do-mangue (Conirostrum bicolor), tachuri-campainha (Hemitriccus nidipendulus), dentre outros, mas o bichinho que eu queria muito fazer uma boa foto, o bico-assovelado, (que até hoje não sei porque foi rebatizado com um nome que parece marca de refrigerante vagabundo) não saiu bem na foto, infelizmente o chirito (Ramphocaenus melanurus) vai ficar para a próxima.

arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Depois de comer uma peixada deliciosa num restaurante local, voltamos para os comedouros da pousada, onde a querida Elen, esposa do Barata, nos aguardava com café quentinho. Sentada de pés para cima, fiz fotos até dizer chega ou enquanto a luz permitiu. 

Eu por Fábio Barata

Dois lindos pica-paus fizeram a gente dar pulos de alegria: pica-pau-de-cabeça-amarela (Celeus flavescens) pica-pau-verde-barrado (Colaptes melanochloros). Mas quem coloriu a nossa tarde foram os seguintes "passarinhos"tiriba (Pyrrhura frontalis), gralha-azul (Cyanocorax caeruleus), saíra-de-chapéu-preto (Nemosia pileata), saíra-sete-cores (Tangara seledon), saíra-militar (Tangara cyanocephala), saí-azul (Dacnis cayana) e saí-verde (Chlorophanes spiza).

arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

A despedida - Foto by Leila Esteves

Aqui as listas da passarinhada em Peruíbe:

Voltamos pra São Paulo parecendo três crianças. Com o mesmo sentimento de dever cumprido que voltamos da África do Sul. Dormi feito anjo, mais de 9 horas, sem aquela agitação que eu percebia no meu corpo nas noites da semana anterior. E confesso, nem vi a semana passar.

Conclusão

Passarinhar faz bem para o corpo e alma. Pode não curar ou evitar o Covid-19, mas aumenta a felicidade e, com isso nossa sagrada imunidade. O resultado é o nosso bem estar geral, fazendo os efeitos colaterais do isolamento social e estresse desaparecerem por completo.

Eu estava a 120 dias dentro de casa, praticamente quase sem por o pé para fora do portão. Saí raríssimas vezes. Malhei, comecei a estudar inglês, tratei fotos, fiz poemas, mas estava no limite do limite. Eu sei viver bem sozinha, mas uma vez que estou sempre viajando, dificilmente estou sem pessoas ao meu redor.

Sim, nesses último tempos o que mais fiz foi refletir sobre a vida, e devo refletir mais um bocado ainda. Teve dias aqui que eu me senti uma idiota completa. Isso por conta de ter deixado de fazer muitas coisas que eu tive oportunidade e vontade de fazer. Sim, nenhum arrependimento do que fiz, mas muitos do que não fiz.

Mas isso vai mudar pra 2021. Pode ter certeza. A vida é um sopro, e nunca se sabe quando ela vai nos abandonar. A gente nunca gosta de pensar essas coisas. E, mesmo eu já tendo enfrentado uma UTI e ter ficado entre a vida e a morte ou, pior, uma cadeira de roda, acho que ainda não tinha adquirido a consciência que tenho hoje. Mas sempre é tempo de reconectar-se, de procurar por coisas que se perderam nas areias do tempo e recomeçar.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Capítulo I - Monteiro Lobato


Hoje, 20 de julho de 2020, comemora-se o dia do amigo -  "A data foi criada pelo argentino Enrique Ernesto Febbraro. Ele se inspirou na chegada do homem à lua, em 20 de julho de 1969, considerando a conquista não como uma vitória científica, mas uma oportunidade de se fazer amigos em outra parte do universo".

Falando em universo, o meu  hoje está praticamente restrito às paredes do meu apartamento, mas quem tem amigos queridos, ganha oportunidades de fazer coisas únicas na vida. Nesse quesito, posso dizer que sou mesmo uma agraciada.

Enquanto aproveito o solzinho aqui pela janela da sala, tomando um licorzinho bem leve após o almoço, olhando "a selva" que me cerca, resolvi escrever. 


Antes de contar como foi passarinhar em Monteiro Lobato e Peruíbe durante essa pandemia, senti necessidade de escrever outras coisas. Então aguente firme ou kkkkkkk, se quiser, pule essa parte e vá direto para a próxima.


Vou contar um pouco da minha história. Sim, vou contar coisas sobre uma Silvia que poucos conhecem, essa pessoinha difícil, caprichosa, mas muito persistente e determinada.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

SP - Albatroz à vista

"Fabiooo, albatroz, albatroz à frente." 


Quando ouvi isso, minha mente se libertou do torpor do sono e disse: "Epa!!! Acho que já amanheceu. Boralá?" Foi assim que acordei de sexta pra sábado no dia 19 de outubro p.p a bordo do barco Capitão Ximango.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

SP - A incansável busca pela guaracava-de-crista-branca (Elaenia chilensis)

Tem passarinhos que passam anos sem que a gente consiga um simples registro deles. Mas tem alguns que se parecem com um espinho enfiado na garganta e só nos dá alívio quando a gente se livra deles. A guaracava-de-crista-branca (Elaenia chilensis) vinha me dando um olé desde março de 2014, onde durante uma passarinhada organizada pelo amigo Edson Endrigo, ela foi avistada de longe, porém não consegui um registro postável. Depois disso, sempre teve um amigo ou guia avisando onde essa migratória criaturinha chilena estava passando, mas nunca dei a sorte de ter vaga na agenda pra ir tentar. Como ela é só uma Elaenia sem gracinha (entendedores entenderão kkkkkkkkkk), a gente não se esforça muito.

Eu by José Dionísio Bertuzzo no Parque Central de Santo André


domingo, 11 de novembro de 2018

SP-MG - Uma viagem pelo cerrado em busca de jóias aladas

Esse ano tive a sorte de fazer incríveis viagens e conhecer pessoas maravilhosas. Algumas eu já postei no Bloguinho. Tenho algumas iniciadas e não postadas ainda. Mas todas elas tem um componente incrível: o companheirismo e a amizade.*
*Amizade: substantivo feminino - sentimento de grande afeição, simpatia, apreço entre pessoas ou entidades. (Google)

Eu vou contar sobre a última, porque foi curtinha e mexeu muito comigo.

Desde que cheguei do Uruguai no final de agosto estou tentando ir fotografar o famoso bacurau-de-rabo-branco (Eleothreptus candicans). Essa ave é ameaçada de extinção. No Brasil, sua ocorrência é bem restrita. Só foi  vista nos Estados de Goiás e Mato Grosso do Sul, na reserva do Parque Nacional das Emas e agora no Triângulo Mineiro no Estado de Minas Gerais. Ano passado estive no PARNA das Emas com a intenção de vê-lo, mas um escorregão numa parte mal conservada de uma das trilhas me levou ao hospital e tive que ficar de repouso. Proibida pelo médico de passarinhar, o jeito foi retornar à Brasília com a amiga Fernanda, perdendo a oportunidade de vê-lo.

bacurau-de-rabo-branco (Eleothreptus candicans)


domingo, 3 de junho de 2018

SP - Passarinhando com os amigos pós-Avistar 2018

Esse ano, como eu disse no post anterior, recebi quatro amigos em casa que vieram para participar do Avistar Brasil. A Jeanne Martins Nascimento (Cuiabá/MT), grande amiga e irmã de coração de longa data (nos conhecemos ano passado em abril, mas tenho certeza que essa amizade transcende encarnações, pois sinto que a conheço a muito tempo), o Gabriel Bonfá, capixaba de Linhares, que foi meu grande parceiro no 1º Birding Photo Challenge, promovido pela Reserva Natural Vale e os mineiros Luiz Fernando Matos (que hoje reside em Canaã dos Carajás/PA) e Fábio Morais Giordano (BeHagá) que eram amigos virtuais e se tornaram amigos na vida real desde então.

Para mim essa foi a foto da viagem toda. Tem coruja, lua, então tem poesia. 
A coruja e a lua
"A coruja despertou, cantou a beleza da lua na noite clara que se formou.
O dia era passado, passado também foi o seu amor, 
pois, a lua se havia minguado com medo de sentir dor. 
Pobre lua...Não sabe que a coruja lhe segue fase por fase, 
temendo que se esconda ou  fuja pelas esquinas que dobram ruas nas movimentadas cidades...
Mas a lua segue em sua sina rodando o mundo que roda também, 
Ilumina a noite e a todos fascina mas sua liberdade não dá a ninguém. 
Chora a coruja em seu canto noturno, pois, sabe que ama o amor que não tem..."(autoria: Aisha)

Minha missão pós-Avistar era acompanhá-los em uma passarinhada por alguns dos meus lugares preferidos do Estado de São Paulo. Preparei um roteiro com muito carinho e esmero para que vivessem momentos inesquecíveis. Troquei ideia com os guias, recebi indicações de amigos, pesquisei hotéis, estudei os trajetos e finalmente cheguei num roteiro factível e que pudesse encantá-los.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

RJ - SP - As duas primeiras passarinhadas de 2018 - Dourado e Itatiaia

Preâmbulo

Resolvi relatar as duas primeiras passarinhadas deste ano num único post. A primeira foi pra Dourado/SP (de lá à Mineiros do Tietê e Olímpia) com o guia e amigo Cal Martins. A segunda para a região de Itatiaia (de lá à Angra dos Reis e Paraty) com o guia e amigo Hudson Martins Soares.

Fotos: by Cal Martins e Hudson Martins Soares

Ambas finalizadas com o sucesso esperado. Uma longa caminhada começa com o primeiro passo, já dizia o pensador Lao-Tsé. Estou muito feliz de partir das 1400 espécies fotografadas em direção às 1500, número que pretendo atingir até 31 de dezembro deste ano, preenchendo com um X a lista de aves do CBRO* (v. 2015) que totaliza 1919 espécies, destas apenas 1871 fotografadas e postadas no site Wikiaves. A próxima lista deve aumentar  muito devido ao número de subespécies que alcançarão o estatus de espécie plena.

*O CBRO reconhece no Brasil 1919 espécies, das quais 30 carecem de documentação física e constituem a lista secundária.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

SP - Eu quero passarinhar!!!! Usando o método 5W3H


Há tempos atrás recebi uma demanda para falar no Avistar Brasil sobre o Quero Passarinhar, grupo no Facebook que congrega pessoas que gostam de fotografar/observar aves livres na natureza. Este ano, ao me decidir falar, resolvi dar um formato diferente ao tema e falar um pouco de como eu me decido, onde, quando e como passarinhar. Como não consegui gravar a palestra, atendendo a pedidos, vou relatar aqui no blog um pouco de como foi, usando inclusive algumas telas da apresentação e incrementando um pouco mais.