terça-feira, 13 de novembro de 2012

Bird “WHAT”?

BIRDWATCHING! Essa palavrinha difícil significa um hobby maravilhoso praticado em todo o mundo: A Observação de Pássaros.

Texto e fotos: Silvia Linhares
(All right reserved / Todos os direitos reservados - proibida a reprodução desse texto ou suas fotos sem mencionar autoria)

Parece estranho, a princípio, mas o Birdwatching envolve a descoberta de um mundo de beleza, cores e harmonia, muitas vezes em cenários paradisíacos. Observar pássaros geralmente envolve caminhadas por parques, matas e reservas naturais, visitando novos destinos e paisagens a cada passeio. Também vale por um monte de sessões de terapia, pois é uma oportunidade de descanso e relaxamento mental, cada vez mais necessário ao homem urbano. Sem falar das amizades que surgem em torno da prática. É comum a reunião em pequenos grupos para as saídas de observação, conhecidas como “passarinhadas”. Em locais seguros, também pode ser praticado sozinho, aproveitando para fazer reflexões pessoais, por exemplo.

Filhotes de Coruja-buraqueira (Athene cunicularia)
Burrowing Owl - – Tremembé/SP
O Birdwatching pode ser praticado por pessoas de todas as idades e de várias formas. Há os que se contentam simplesmente em observar, com binóculos, as aves em seus jardins e quintais. Alguns artistas desenham, pintam ou desenvolvem artesanato baseado nas aves que avistam. Outros se tornaram grandes escritores pesquisando sobre aves/ornitologia. Conheço muitos fotógrafos que se dedicam a fazer imagens das aves com amor e afinco. Não existe contraindicação. Estima-se que nos Estados Unidos exista em torno de 70 milhões de pessoas que se dedicam de alguma forma ao birdwatching, um quarto da população do país.

Papa-piri (Tachuris rubrigastra)
Many-colored Rush Tyrant – Tavares/SP
Em me encaixo na turma dos fotógrafos. Eu trabalho como fotógrafa de automobilismo e, há dois anos me tornei uma “birdwatcher”. Passei a estudá-las, a conhecer mais sobre as espécies e seus hábitats. Só não consigo decorar os nomes científicos… rsrsrs. Também, tem cada um tão impronunciável que valha-me Deus. Acha mesmo que eu ia chamar uma “Andorinha-Pequena-de-Casa” de Pygochelidon Cyanoleuca? Isso eu deixo para os ornitólogos. No início, eu não conseguia distinguir os pássaros. Para mim, tudo era bem-te-vi, pato ou urubu. O mais barulhento era o quero-quero. Corujas eram todas iguais. O resto era simplesmente chamado de “passarinho”.

Pingüim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus)
Magellanic Penguin - Isla Magdalena - Patagonia Chilena
Hoje me considero uma “ornitófila”, verdadeira apaixonada pelos penosinhos na natureza. Com os nomes populares estou indo bem. Já identifico grande parte da nossa avifauna. Das 1.800 espécies listadas pelo CBRO (Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos) quase 450. Mas o que eu gosto mesmo é de fotografá-las mesmo que eu já tenho fotografado antes. O que me importa é produzir uma imagem bonita, que encha minha alma de prazer.
Tuiuiú (Jabiru mycteria) – Jabiru - Transpantaneira - Poconé/MS
Bom, e para ser observador de aves tem que ter conhecimento e câmera fotográfica? Não! Isso vai depender de você querer registrar a imagem por meio de uma câmera ou apenas na sua mente.

Tenho uma amiga de 65 anos que viaja apenas com um bom binóculo, uma cadernetinha e uma caneta. Ela observa e anota o que observou. Para ela o prazer está em trazer a imagem até seus olhos e gravá-las em sua mente. Já outro amigo meu, de 15 anos, gosta de fazer os dois, olhar de binóculo e fotografar. E, às vezes, ainda grava a vocalização da ave. Essa nova geração é multiprocessadora, não sei como conseguem…rsrsrs

Pica-pau-do-campo (Colaptes campestris)
Campo Flicker - Fazenda Estrela - Aquidauana/MS
Mas como iniciar no birdwatching?

Você pode começar a observar da sua janela ou no seu quintal. Consegue perceber quantas aves viu ou ouviu? E durante uma caminhada no parque? Você já reparou quantos cantos e espécies diferentes que existem? Você também pode aproveitar suas viagens ou passeios em parques, clubes de campo, sítios ou fazendas para observá-las. Vai se surpreender como elas estão presentes no seu dia a dia e você nunca notou.

E como identificá-las?

Eu uso guias de campo, com fotos ou desenhos e pequenos textos – são livros de pequeno formato para levar na mochila. Pesquiso muito no site wikiaves.com.br. Se você fotografá-las, é só criar uma conta gratuita no Wikiaves e postar suas fotos. Se não souber a espécie, não se preocupe, a comunidade dos birders é muito atenciosa e vai te ajudar a identificar. E você estará contribuindo no mapeamento das aves do Brasil. O Wikiaves é um grande banco de dados sobre o tema.

Mas a melhor forma de iniciar é associar-se a um grupo mais experiente. Eu faço parte de uma associação chamada CEO – Centro de Estudos Ornitológicos. Mas há muitos grupos falando a mesma “língua”. O Facebook é cheio deles. Quando você passa a fazer parte de um grupo, a troca se torna muita intensa, surgem grandes amizades e delas grandes “passarinhadas” (passeios com finalidade de ver as aves daquela localidade).

O contínuo aprendizado e a leitura de livros relacionados com as aves e a natureza ampliam nossos conhecimentos, muitas vezes bem diverso da nossa atividade profissional cotidiana, o que mantém nossa mente ativa e cheia de novidades. O aprofundamento técnico dependerá do maior ou menor interesse pela atividade.

Como se equipar

O binóculo é o mais comum dos equipamentos. Ajuda a identificar a ave distante e também permite apreciar detalhes da plumagem. O ideal para esta atividade são binóculos com aumentos entre 7 e 10X. Outras qualidades importantes do binóculo são sua leveza e luminosidade.

Muitos apreciam gravar os sons e usam pequenos gravadores digitais ou até os próprios celulares.

Para fotografia, quanto mais zoom melhor. Os equipamentos profissionais permitem melhores registros, mas são mais pesados e caros e exigem maior conhecimento sobre fotografia. As compactas com zoom acima de 24x são mais lentas entre um disparo e outro, mas em contrapartida, são mais leves e baratas. Algumas situações vão exigir um mínimo de conhecimento de fotografia, tipo como configurar abertura, velocidade e ISO. Nada do outro mundo. Esse conhecimento pode ser adquirido pesquisando a internet ou trocando experiência com outros “photobirders“.

As roupas devem ser discretas para não espantar as aves. Isto não significa que tenha que parecer um oficial do exército. Basta que seja de algum tom de verde ou marrom. Chapéu/boné, botas ou galochas (serve coturno ou perneiras), protetor solar, repelentes de insetos (indico o Exposis) são primordiais para o conforto e segurança de uma boa passarinhada. Use tênis apenas quando a área for limpa com trilha bem definida e de fácil visibilidade.

Eu, por Carlos Godoy - Aquidauna/MS
É preciso caminhar em silêncio e com muita cautela. Gestos bruscos assustam as aves, ao passo que, andando lentamente, conseguimos nos aproximar bastante delas. Andar direto em direção a uma ave pode espantá-la, mas se andar em zig-zag elas se assustam menos. Por questão de segurança ou por relacionamento, sempre é bom fazer os passeios de observação de aves acompanhados por uma ou mais pessoas. Prefira grupos pequenos, pois assustam menos as aves. Elas são muito suscetíveis à silhueta humana e ao zunzunzum de conversas e cochichos.

Há guias especializados que, com sua experiência na identificação e localização de aves, propiciam maior número de avistamentos num único período.

As aves são mais ativas nas primeiras horas da manhã e nas últimas horas do dia. Mas muitas espécies estão ativas durante o dia todo e há, também, aquelas com hábitos noturnos como corujas e bacuraus. Durante o período reprodutivo, que se inicia no final do inverno e vai até a primavera e verão, as aves estão muito ativas defendendo seus territórios e construindo seus ninhos e, em geral, cantam muito. É um excelente período para observação, mas evite perturbar as aves nestes locais, estressá-las ou expô-las ao perigo. Mantenha-se sempre a uma distância prudente de ninhos e locais de alimentação. Use com moderação flash e outras fontes de luz artificial.

Enfim, atente sempre para a preservação da nossa biodiversidade. As aves dependem da natureza tanto quanto nós, sendo muito agradável conviver em harmonia.

Fonte de pesquisa: Centro de Estudos Ornitológicos

2 comentários:

  1. Muito legal e informativo seu blog!

    Parabéns!!!

    Rick & Elis Simpson.

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  2. Excelente artigo Silvia!

    Dalcio Dacol

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