sábado, 9 de junho de 2018

Como ser e viajar mais leve. Da teoria à prática.

Hoje quando terminava de arrumar mais uma mala de viagem, “viajei em pensamentos” ... passei, como num filme, pelos vários momentos de transformação que eu sofri com o passar dos anos. E isso se refletiu até no meu modo de arrumar mala para viajar. Meu coração ficou mais leve, embora o corpo mais pesado kkkkkk. Ainda bem que a mala acompanhou o coração.



Eu me recordo da época que eu ia viajar a trabalho (Caixa Econômica/MZ - Brasília), mesmo que fosse para ficar um dia, eu tinha que levar uma mala com pelo menos dois a três pares de meias finas, pares de sapatos extra, várias roupas que combinassem e um monte de tranqueira. As unhas, sobrancelhas, cabelos, tinham que estar impecáveis. Eu vivia estressada para dar conta de tudo. Com agenda de trabalho lotada, pouco tempo sobrava para diversão. O resultado foi um assustador AVCi. Hoje, felizmente, 99,9% superado.

Momentos na Caixa

Mas o que foi que mudou além dos fios de cabelo branco extras que ganhei, novas rugas enfeitando a minha pele e um pouco de volume corporal? Vamos lá, ... antigamente eu tinha a esperança que um príncipe encantado ia surgir do nada, me tirar da "floresta" e me levar para o seu "castelo". Hoje eu espero um (a) amigo (a) me tirar do meu "castelo" e me levar para a "floresta" (literalmente) para ver passarinhos ... simples assim.

Tanta coisa deixou de ser relevante. Foram grandes e sutis mudanças, tanto fisicamente como na alma. Nem todas fáceis de entender e aceitar. Algumas parecem simples, como mudar a cor dos cabelos. Além de ser um jeito de disfarçar os brancos que não param de se instalar (he he he he), sempre reflete um processo de mudança interna. Chega um momento em que a gente passa a viver as mudanças de humores com mais segurança, sem deixar mexer tanto com a auto-estima.

No decorrer da nossa vida perdemos muito tempo batalhando com nossa bagagem emocional, colocada em nós desde que viemos ao mundo, ou até antes disso. Gastamos além de tempo, muita energia. E quando cresce, a gente recebe um bombardeio de cobranças, tanto das pessoas ao nosso redor, como do próprio mundo, que tenta nos impor formas de ser e parecer: bonita, gostosa, pele lisa, cabelos sedosos e brilhantes, corpo escultural, maquiagem 24 horas por dia, roupas top de linha, primeira em tudo, fluente nisso, fluente naquilo, mestre nisso, doutora naquilo, etc, e para cada exigência dessas, lógico existe um produtinho ou curso miraculoso pronto pra deixar você "perfeita" embora com os bolsos vazios e a cabeça cheia. Agora eu pergunto: perfeita pra que?

Produção? Só para fazer look de passarinho

Ficamos anos e anos procurando "o fio da meada" para desenrolar o novelo, até que um dia percebemos que não nos resta muito tempo para isso. Por vezes insistimos em coisas e pessoas que não nos servem ou que não foram feitas para nós. Quando aceitamos que nem tudo foi feito pra gente, que as inseguranças do passado não merecem sobreviver, aprendemos a descartar tudo isso e a não depender da aprovação alheia para sermos felizes.

Aceitando a vida como ela é conseguimos seguir adiante, buscando e experimentando novas sensações. É preciso trazer para o nosso dia a dia coisas que nos deem prazer e paz.

E isso não é fácil. Muitos vezes temos que abrir mão dos nossos desejos e sonhos, de pessoas, de lugares, de trabalhos e até das nossas manias...Aliados a isso precisamos deixar de menosprezar nossos feitos e conquistas. É trabalho de formiguinha, com muitas "idas e vindas". E por isso um constante aprendizado. É preciso se livrar das culpas, dos pesos extras (e não falo de gordura corporal não). Para prosseguir é preciso bagagem leve, entender que nada é eterno, tudo é mutável e que não se pode controlar tudo.

 Ninféia Rosa (Nymphaea rubra)

É preciso antes de tudo coragem para entender que o universo é infinito, porém nosso tempo é finito. O tempo presente é o único que temos, por isso ele se chama “presente”. Tento fazer desse presente meu maior presente, livrando-me daquilo que ainda pesa para poder seguir mais leve.

Esse ano resolvi esvaziar metade da minha casa, e consegui me livrar de muita coisa, de muito apego. Isso ajudou muito meu emocional. Ano a ano venho fazendo com que minha agenda seja preenchida daquilo que traz paz ao meu espírito, que não me encha de pesos desnecessários. Ah! Você deve pensar, depois de aposentada é fácil falar isso. Mas comece aos poucos... vá se libertando, se desapegando...

Já experimentou tirar seus sapatos no trabalho? É libertador ... experimente!

Trabalhando sem sapatos - Foto antiga feita por um amigo na Caixa em Brasília

Por menos sapatos de salto e mais pés descalços. Mais cabelos desarrumados e mais flores no caminho. Menos modos e mais liberdade. 

Menos frescuras e mais risadas. Mais kkkkkkkk e menos mi-mi-mi.


Mas voltando à minha mala e a facilidade e praticidade em se viajar mais leve sem que falte nada. Como organizar isso. Primeiro, defina os objetivos da viagem e como vai estar o tempo e a temperatura no local. No meu caso é fotografar passarinho e o principal é o equipamento e seus acessórios. Isso é imprescindível. Calculo a quantidade de roupa pelos dias que vou ficar. Dependendo da viagem (muitos deslocamentos ou não), calculo se eu posso lavar roupas no caminho ou não. Se não der para lavar, levo uma blusa de passarinhar para cada dia, duas calças de passarinhar, umas duas blusinhas bem fininhas para por na hora do jantar, se for o caso.

Na maior parte do tempo, eu chego do mato, janto, tomo banho e vou dormir. Perneiras é imprescindível. A minha é de tecido balístico e fácil de levar. Levo boné ou chapéu de pano e uma capa de chuva. Uma bota de caminhada, uma chinela e uma sapatilha são suficientes. Meias grossas, um pijama levinho e roupa íntima para uso diário. Vai tudo em saquinhos com zíper. Findo isso, três nécessaires são preparadas: uma contendo itens de toalete, outra com repelentes diversos, e a última com remédios que uso ou que poderei usar numa emergência. O tripé depende da conversa com o guia. Se ele achar que vai ser necessário eu levo, caso contrário é um peso a menos.


Pronto, mais passarinhos, diversão e menos estress!!! 

Falando em diversão...ouça, a seguir,  a música do Titãs - Diversão.




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domingo, 3 de junho de 2018

SP - Passarinhando com os amigos pós-Avistar 2018

Esse ano, como eu disse no post anterior, recebi quatro amigos em casa que vieram para participar do Avistar Brasil. A Jeanne Martins Nascimento (Cuiabá/MT), grande amiga e irmã de coração de longa data (nos conhecemos ano passado em abril, mas tenho certeza que essa amizade transcende encarnações, pois sinto que a conheço a muito tempo), o Gabriel Bonfá, capixaba de Linhares, que foi meu grande parceiro no 1º Birding Photo Challenge, promovido pela Reserva Natural Vale e os mineiros Luiz Fernando Matos (que hoje reside em Canaã dos Carajás/PA) e Fábio Morais Giordano (BeHagá) que eram amigos virtuais e se tornaram amigos na vida real desde então.

Para mim essa foi a foto da viagem toda. Tem coruja, lua, então tem poesia. 
A coruja e a lua
"A coruja despertou, cantou a beleza da lua na noite clara que se formou.
O dia era passado, passado também foi o seu amor, 
pois, a lua se havia minguado com medo de sentir dor. 
Pobre lua...Não sabe que a coruja lhe segue fase por fase, 
temendo que se esconda ou  fuja pelas esquinas que dobram ruas nas movimentadas cidades...
Mas a lua segue em sua sina rodando o mundo que roda também, 
Ilumina a noite e a todos fascina mas sua liberdade não dá a ninguém. 
Chora a coruja em seu canto noturno, pois, sabe que ama o amor que não tem..."(autoria: Aisha)

Minha missão pós-Avistar era acompanhá-los em uma passarinhada por alguns dos meus lugares preferidos do Estado de São Paulo. Preparei um roteiro com muito carinho e esmero para que vivessem momentos inesquecíveis. Troquei ideia com os guias, recebi indicações de amigos, pesquisei hotéis, estudei os trajetos e finalmente cheguei num roteiro factível e que pudesse encantá-los.

Nosso roteiro

Dia 20/05 - domingo

Saímos do Ibutantan, onde estava sendo realizado o Avistar e almoçamos próximos à minha casa. Em seguida fomos para o Parque Ibirapuera, nossa primeira aventura e de ônibus para variar um pouco. Lá fizemos fotos bonitas e rolou até um importante lifer para o pessoal: marreca-caneleira (Dendrocygna bicolor). Foi um dia bem descontraído depois de todo o agito do Avistar.

Almoçando no Top Center na Av. Paulista

Dentro do ônibus

Nós num momento de descontração

Jeanne, Fábio, Gabriel e Luiz Fernando

Jeanne imaginando as fotos que faria dos biguás a sua frente
Luiz Fernando clicando os bichinhos aquáticos às na margem do lago

E não podia faltar "selfie"

Gabriel clicando by Jeanne

Gabriel by Jeanne

Fabio Giordano by Jeanne

Eu, Gabriel e Luiz Fernando by Jeanne

"Vida longa e próspera", nós, by Jeanne
E o entardecer pedia por fotos. Uma luz incrível nos iluminava. (by Sil)
foto by Jeanne

Eu by Jeanne

Um pouco dos meus cliques no Parque

o destaque do dia: marreca-caneleira.

Veja as fotos do dia no meu perfil no e-Bird - Ibirapuera - Clique aqui


Dia 21/05 - segunda-feira

Acordamos bem cedo na segunda, abasteci o tanque do Ruber Ranphocelus (meu Duster cor de sangue) e em seguida deixamos o Gabriel no aeroporto. Partimos buscar o amigo e guia Marco Silva na casa dele e seguimos para a Represa Guarapiranga, onde um barco super bacana, ajeitado pelo amigo Rodrigo Agostinho, nos aguardava. A meta era conseguir uma boa foto do mergulhão-grande (Podicephorus major), que para alguns era lifer e para outros, inclusive eu, era melhoraifer. Foi uma manhã deliciosa. O barco tinha flores, petiscos e cervejas. Um luxo!

E antes de partir, bora checar as redes sociais. kkkkkk

Jeanne, Marcão, eu, Luiz Fernando e Fábio

Melhor impossível!!!

Quer moleza? Então segura o boné e "simbora"

Uma flor para uma flor - Jeanne e Marcão

Jeanne e Marcão 

Marcão só curtindo o povo clicando o mergulhão (by Jeanne)

Lá vai o "pato" -  eu by Jeanne

Luiz e eu clicando o mergulhão-grande (by Jeanne)

Luiz Fernando clicando o mergulhão - by Silvia

Jeanne clicando o mergulhão

Comemorando o grande lifer do dia

um pouquinho das aves que cliquei na Represa

Lista no e-Bird - Represa GuarapirangaClique aqui


Saindo da marina, seguimos até a delegacia perto da casa do Marco Silva, onde reside um casal de gavião-asa-de-telha (Parabunteo unicinctus). Um indivíduo estava no alto de uma antena. Não quis  colaborar muito. Penso que estava mais preocupado em conseguir um almoço.

Fábio, Marcão e Luiz Fernando conferindo as fotos do gavião

o gavião-asa-de-telha by Sil

Lista no e-Bird - 89° Delegacia de PolíciaClique aqui


E falando em almoço, retornamos a fim de almoçar em frente de casa no restaurante Pimenta Rosa. Arrumamos a bagagem e pegamos estrada com destino à Salesópolis onde nos hospedamos no Hotel Soares Camargo, de excelente padrão e preço.

Simbora descer a serra ... 

O querido amigo e guia Elvis Japão e sua esposa Nanda vieram jantar conosco perto do hotel, num local muito agradável chamado Estância Chopperia e Pizzaria

Nosso jantar - Nanda, Fabio, Jeanne, Elvis, Eu e o Luiz Fernando

Jeanne curtindo os novos amigos Elvis e Nanda

Aproveitamos para combinar o horário e os "targets"do dia seguinte e degustar, como sobremesa, as deliciosas palhas italianas que a Nanda prepara. Nosso alvo principal seria o bicudinho-do-brejo-paulista (Formicivora paludicola).

Dia 22/05 - terça-feira

Saímos cedo e o nosso alvo infelizmente não deu muito mole para foto "padrão Instagram".

E o dia na serra começou com uma beleza ímpar

... a primeira "selfie" do dia.


Jeanne fazendo um close do Fábio

A galera clicando o bicudinho

Procurando novos pontos

oiiii ... cadê o bicudinho?

Após algumas tentativas em outros pontos sem muito sucesso, partimos para ver outros bichinhos. Ainda consegui fotografar o olho-falso (Hemitriccus diops), fruxu (Neopelma chrysolophum) e joão-pobre (Serpophaga nigricans), além de alguns detalhes que sempre me chamam a atenção.







E no Museu de Energia, a subida não foi fácil, mas deu pra chegar lá em cima...

Selfie de despedida, com a cachoeira de fundo

Alguns bichinhos que cliquei por lá

Lista no e-Bird - Salesópolis - Clique aqui 


Após o delicioso  almoço oferecido pelo Elvis e Nanda, abastecemos (ainda sem preocupação, embora os rumores da greve dos caminhoneiros chegassem até nós) e seguimos para Ubatuba, nossa próxima parada.

Nanda e eu 

Chegamos na Pousada Kaliman a tempo de jantar e tomar uma cervejinha na beira da praia. O local é pé na areia e fica na praia Praia do Sapê. Combinamos com o nosso guia Fabio Souza, indicado pelo amigo Marco Cruz, o horário e ponto de encontro no dia seguinte.

Pousada Kaliman (foto do site  deles)

A primeira cerveja do dia ... 

finalizando a tarde na praia...

Dia 23/05 - quarta-feira

Após tomarmos café numa padaria próxima, partimos para uma trilha na Lagoinha. No período da tarde paramos no seu Jonas, onde eu e Jeanne ficamos clicando os comedouros e bebedouros e os rapazes foram para umas trilhas próximas.

Registrando o nascer do sol na Pousada

Clicando o cuiu-cuiu na beira da estrada

Gravando ... 

Uma selfie do grupo todo
Alguns passarinhos que cliquei pela manhã

Alguns amigos chegaram por lá, entre eles o Bruno Arantes acompanhando a americana Jessie Barry e em seguida o amigo José Dionísio Bertuzzo, de Campinas, com o guia Marcos Eugênio.

Luiz Fernando clicando nos comedouros do Seu Jonas...

Fábio Giordano clicando nos comedouros...

Jeanne clicando nos comedouros...
Beija flores do quintal do Seu Jonas (by Sil)

Resultado de algumas fotos minhas feitas nos comedouros

Uma notícia começava a nos assombrar: a greve dos caminhoneiros. Os postos começavam a ficar sem combustível. Nessa noite abasteci o quanto coube e jantamos bem pertinho da pousada num gostoso lugar chamado Prime Grill Restaurante.

Lista no e-Bird - Ubatuba - Trilhas - Clique aqui
Lista no e-Bird - Sítio Folha Seca - Clique aqui


Dia 24/05 - quinta-feira

Arriscamos uma ida até a Fazenda Angelim e passamos a manhã por lá. Retornamos para almoçar e coube a mim a decisão de subir para Campos do Jordão ou retornar para São Paulo.

Amigos clicando na Angelim

A exuberância da Mata Atlântica...

Que bicho será?

Eu no primeiro plano, os rapazes lá na frente (by Jeanne)

A última selfie do dia

Um lindo melhoraifer feito por mim na Angelim

Lista no e-Bird - Ubatuba Fazenda Angelim -  Clique aqui


O amigo Marco Cruz, de Taubaté havia nos informado que lá para aquelas bandas "de cima" não havia mais um posto com combustível.

Eu havia conseguido encher o tanque em Ubatuba, após uma fila de mais de uma hora, fiz cálculos, considerando a pesada subida pela Rodovia Oswaldo Cruz e resolvi encarar até Campos do Jordão, onde o amigo e guia Thiago Carneiro nos aguardava. Se de lá chegaria ou não à São Paulo, eu não sabia, e se os voos da galera seriam cancelados ou não era mais uma incógnita. Mas bora passarinhar e deixar as preocupações pra depois. Nessas horas sempre conto com minha sorte e intuição para tudo dar certo. 

Para mim foi uma subida tensa, por dois motivos, minha pouca experiência com esse tipo de estrada de curvas abruptas e a greve dos caminhoneiros. Para meu "co-piloto" e passageiros do banco traseiro não pareceu tensa, eles dormiram quase toda a íngreme subida. kkkkkkkk

Chegamos ainda com luz do dia e fomos nos instalar nos chalés do amigo Rodrigo Popiel (Chalés Ninho das Aves). Eu conhecia o primeiro dos chalés, mas os novos não. Os chalés que ele dispõe são maravilhosos e com preços acessíveis. Além disso a avifauna do seu quintal é tão massa que nem dá vontade de sair pra outro canto. Ocupamos dois chalés, o dos Tucanos e o da Coruja-listrada.

Chalé dos Tucanos

O Rodrigo avisou que duas corujas listradas estavam frequentando o quintal assim que escurecia. Ficamos antenados. E lá pelas tantas ouvi uma delas piar. Foi o suficiente pra eu chamar todo mundo e ir procurar a bela que não decepcionou. Nessa noite, resolvi acompanhar o grupo e não peguei a câmera. Bateu um arrependimento que nem te conto. Ver aquela lindeza nos olhando de pertinho foi pra bambear as pernas. Mesmo assim foi legal observar apenas com os olhos seus movimentos silenciosos em meio à mata e a felicidade dos amigos em registrá-la.

Foto by Luiz Fernando Matos 
Veja também no Wikiaves: Foto coruja-listrada (Strix hylophila) por Luiz Fernando Matos

Depois disso lanchamos no chalé, comemorando o dia com cervejas e refrigerante (além de pinga com jambu, né Jeanne?) 😂😃😄😅😆 e fomos dormir.


Dia 25/05 - sexta-feira

Acordar no meio da mata com uma parede de vidro separando você e a natureza não tem preço.  Levantamos, tomamos café e seguimos em direção ao centro da cidade para buscar o amigo e guia Thiago Carneiro. O amigo Marco Cruz, de Taubaté, atendendo ao nosso convite, veio se juntar ao grupo e nos aguardava junto com o Thiago.

Fábio, Jeanne, Marco Cruz, Thiago, Luiz Fernando e eu

O bicho mais esperado da manhã era o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea). O bando não nos decepcionou e fizemos fotos muito bonitas. Passamos a manhã toda em busca de lindas aves.



Fotos by Sil

Almoçamos no Cacerola, da queridíssima Carol, (só faltou a sobremesa de creme e damasco). Mas com a greve chegando ao seu auge, o abastecimento estava ficando comprometido. No período da tarde, mais procura por aves bonitas. Nem todas colaboraram como queríamos. A saudade (Lipaugus ater) não quis nada com a gente e  nos largou na saudade.




Luiz e Thiago em busca de aproximar-se do canário-do-brejo
Luiz Fernando e eu

Outras aves viraram verdadeiras obras de arte nas mãos de quem curte observar e fotografar, como era o caso do nosso grupo.

No Bosque do Silêncio

Bichinhos que registrei no dia

Ao levar o Thiago em casa, fomos explorar o quintal dele e um falcão-caburé (Micrastur ruficollis) deu o ar da graça e possibilitou fazer fotos dele pousado. Foi um momento inesquecível ouvir, ver e fotografá-lo.


Comemorando o fantasminha do quintal do Thiago

Olha só a cara de satisfação do Thiago

No fim do dia, o amigo Marco Cruz retornou para Taubaté e o Thiago e sua esposa Juliana resolveram nos acompanhar até a casa do Rodrigo, onde rolou pizza e cerveja, além de um super e gostoso bate-papo.

A coruja listrada (Strix hilophila), mais uma vez,  não decepcionou e desta vez eu não posso me queixar. Consegui fotaça dela com a lua ao fundo, e depois bem de pertinho. Foi um momento super especial. O amigo Fábio que também não havia fotografado ela no dia anterior, também fez fotão. Comemoramos muito.


A greve dos caminhoneiros estava me deixando preocupada com o retorno à São Paulo, por isso evitamos circular por mais lugares promissores de aves. Isso só deixou gostinho de "quero mais".

 Lista no e-Bird - Campos do Jordão - Clique aqui


Dia 26/05 - sábado

O dia amanheceu bonito e após um café na padaria, saímos tentar ver mais bichinhos "tchans" evitando circular excessivamente.


clicando o grimpeiro


bichinhos do dia

Ao retornar, mais uma vez o quintal do Rodrigo nos brindou com lindas aves. Desta vez foi o gaturamo-bandeira (Chlorophonia cyanea) para mim o mais belo do gênero.


Lista no e-Bird - Campos do Jordão Clique aqui


Após muitas fotos, ajeitamos nossas bagagens no carro e fomos almoçar no Restaurante Rota 77.

irmãs gêmeas, separadas ao nascer kkkkkkkk

 a despedida do Thiago ... 

Só lembrando, 😃😄😅😆 geralmente é com G, normalmente é com N e o tucano-de-bico-verde diz...


Despedimos do Thiago e pegamos estrada, sempre de olho na autonomia de combustível. Consegui chegar sem sustos, apesar do receio. Ufa!

Jeanne preparou arroz com omelete para o jantar, que foram acompanhados de croasonhos de churrasco que busquei no Top Center. O Luiz lavou a louça. Outra tensão no ar. E os voos da galera? Seriam ou não cancelados? Aparentemente tudo ok.


Dia 27/05 - domingo

Acordamos e fomos ao Mercadão Municipal comer pastel, de metrô, lógico. Antes uma passadinha básica na rua 25 de março que é caminho. "Nem doeu", conhecendo aquele lugar, eu diria que estava relativamente vazio. Paguei meus pecados de 2018, pois eu passei duas vezes esse ano pela 25. kkkk Foi um passeio bem legal e divertido, mas o coração estava começando apertar.  

nós no metrô

Na 25

no Mercadão
Comendo o famoso pastel no Hocca Bar

E no fim deu tudo certo, o pessoal conseguiu ir para o aeroporto, todos retornaram para suas casas e a minha ficou vazia, deixando um vazio também no meu peito. Enfim, tudo retorna ao normal, espero que meus convidados tenham gostado desses dias. E que voltem sempre. Temos muitos lugares bacanas pra visitar e passarinhar aqui no meu Estado. Foram mais de 800 km rodados nesses 10 dias de muita alegria e passarinhos.

E agora? Deixa eu falar mais um pouquinho?

Nesse eterno vai-e-vem do mundo atual, onde pessoas entram e saem da sua vida, descartando "amizades" como se fosse um simples botão de deixar de seguir ou desfazer amigos, é muito bom saber que ainda podemos contar com pessoas de carne e osso ao nosso redor e desfrutar de bons momentos e coisas em comum (nem sempre comuns, mas tá valendo 😂😃😄😅😆)

Não tem como medir o preço de um cuidado, de um carinho, de uma gentileza, de uma palavra de alento, de um abraço, de um bom dia, de um boa noite, de um aparo, do compartilhamento de uma alegria. Conquistar amigos é fácil. Mantê-los é um grande aprendizado e requer tempo e paciência. Você pára e se pergunta como. Chama-se edificar. Assentar tijolinho por tijolinho. É preciso aprender a conciliar o seu eu com os das pessoas ao seu redor, respeitando as diferenças, o jeito de se expressar, aceitar as limitações e compreender o momento de cada um. Há algumas palavras que fazem uma amizade ser duradoura: compreensão, tolerância e afeto. É isso que torna os amigos Grandes Amigos.

Atraia ...
Na segunda-feira p.p. acordei achando tudo estranho, senti falta dos bom-dias, dos risos, das brincadeiras, de dividir o café, de sair ver passarinhos, enfim de todos os momentos que desfrutamos nesses 10 dias. Tanto dos amigos que estavam aqui em casa, como dos que se juntaram durante as nossas aventuras. Estão fazendo muita falta.

As pegadas silenciosas pelos aposentos contíguos ao meu quarto se faziam ouvir no meu coração e somente nele, porque a casa era só silêncio, quebrado pelo barulho da cidade grande lá fora. Coisas de Silvia.

A leveza e grandeza dos pequeninos detalhes

Mas a ausência física, por mais dolorida que seja, será sempre acalentada pelas lembranças e terá sempre cheiro de café fresco e quente. Os risos e gargalhadas ecoarão por um bom tempo nos meus ouvidos e borbulharão feito cerveja gelada em dia de calor. E a leveza desses sentimentos voarão pelos céus sem destino e sem pressa de chegar feito os passarinhos que tantos gostamos. Esse apego é meu defeito e assumo isso sem receio de parecer piegas. 

A natureza úmida como meus olhos no momento em que termino este post...

Nessa correria do dia a dia, de valores efêmeros e amizades/dezamizades instantâneas, eu torço para que momentos como esses deixem marcas que não se apaguem nunca. Que meus amigos vão e voltem, que outros amigos se acheguem, mas que essas amizades durem o suficiente para que a felicidade nunca saia da minha memória e do meu coração.

Prreciso dizer mais?

Em homenagem a todas as amizades, passadas, presentes e futuras, deixo um vídeo contendo uma linda e pertinente música cantada por James Taylor para encerrar esse post. (com legenda e tradução)



Caso não esteja conseguindo abrir o vídeo aqui clique neste link

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