sábado, 30 de julho de 2016

A magia da Floresta Amazônica e seus pássaros encantados

Em agosto de 2015 eu estive em Manaus com a amiga Fernanda e conheci a Vanilce e Luiz Fernando Carvalho, dois guias competentíssimos, que tem muita história pra contar. Ano passado eu não fiz nenhum "trip-report" como esse, mas foi uma viagem fantástica, onde pude registrar dois bichos dos sonhos, o Galo-da-serra (Rupicola rupicola) e o Gavião-real (Harpia harpyja).

Galo-da-serra (Rupicola rupicola)  - 25/08/2015
Gavião-real (Harpia harpyja) - 27/08/2015
Estivemos lá num momento conturbado da vida da Vanilce (problemas de saúde), e mesmo assim, ela nos acompanhou por algum tempo, mostrando sua força e uma energia de tirar o chapéu. Comemorei meu aniversário (28/08) na Torre do MUSA (Museu da Amazônia), e mesmo frágil naquele momento, ela participou. Eu fiquei muito feliz por tê-los conhecido. Na foto abaixo, além dos dois, minha grande amiga Fernanda Fernandes (x), o Marcelo Barreiros com dois dos seus clientes, Felipe Lima Queiroz e Aline Mattos, que comemoraram junto com a gente.

28/08/2015 - Torre do MUSA
Este ano, ao receber um e-mail promocional da Cia Aérea Gol - destino Manaus, não tive dúvidas, escrevi pra Vanilce se ela podia me guiar. E de pronto, ela me respondeu qual o período que ela teria disponível. Ela perguntou quantas pessoas e eu respondi que, a princípio, iria sozinha.

Sim, seria minha primeira expedição sozinha. Apesar de adorar viajar com os amigos, eu queria experimentar a sensação de viajar sozinha, de escolher sozinha meus próprios "hot spots", de ver as aves que eu escolhesse. Minha lista de lifers (espécies novas ainda não fotografadas) era difícil (cascuda, como diz a Vanilce), com bichos que talvez demandassem um dia todo, como o maú (Perissocephalus tricolor) por exemplo. Não seria justo com quem me acompanhasse ficar a mercê da minha lista em busca de tão difíceis espécies.

Bom, decisão tomada, passagem comprada, recebi uma sugestão de roteiro. Os dois traçaram um roteiro com base na minha lista de lifers de bichos e eu iria também aproveitar para fazer "melhoraifers" (melhorar as fotos anteriores). Eduardo Fernandes, essa expressão eu roubei de você, por intermédio do Bruno Rennó.

Como todos sabem, a Floresta Amazônica é mágica, mas a observação de aves é dificílima e demanda guias "porretas", com muita experiência, bastante conhecimento das aves e dos pontos quentes, além de muita determinação e paciência. E isso sobra na Vanilce e no Luiz Fernando.

08/04/2016 - sexta-feira

Mas vamos ao "trip report". Saí de São Paulo cedinho. Destino Manaus. Cheguei lá na hora do almoço. O Luiz Fernando foi me buscar e almoçamos ali do lado do aeroporto Eduardinho, onde aluguei um carro da Thrifty. Depois de almoçar, seguimos para um lugar chamado Praia Dourada. Seria para tentar a gralha-da-guiana (Cyanocorax cayanus). Procuramos por um tempo e nada dela aparecer. Haveria outras oportunidades. Vanilce juntou-se a nós na parte da tarde e terminamos o dia assistindo um impressionante show dos periquitos-de-asa-branca (Brotogeris versicolurus).

periquito-de-asa-branca (Brotogeris versicolurus)
Eu by Vanilce
Você não faz ideia do que é ver uma avenida movimentadíssima com milhares de periquitos surgindo de tudo quanto é lado. Veja só, como ficou num vídeo feito com celular.


09/04/2016 - sábado

Neste dia, estava previsto no roteiro uma ida à Torre do MUSA (Museu da Amazônia) e ao Ramal do Pau Rosa. No entanto, a Vanilce e o Luiz souberam que aconteceria um evento no MUSA, com a participação de muitas pessoas na Torre, o que terminaria por acabar com a tranquilidade de uma boa passarinhada. A sugestão foi mexer no roteiro. Decidimos explorar as bordas da BR319 ao longo do municípios Careiro da Várzea e outros e dependendo do tempo até o Careiro. A meu convite, a amiga Priscilla Diniz iria nos acompanhar. Após apanhá-la em sua casa, nós quatro seguimos para balsa no Porto da CEASA. O encantamento começa logo na balsa, poder ver o encontro das águas é fantástico (Rio Negro e Solimões). Fiquei muito emocionada.

Eu, Priscilla, Vanilce e Luiz Fernando
Encontro das águas Rio Solimões e Rio Negro
Mostrando o encontro das águas via satélite
Chegando em Careiro da Várzea, a ideia era irmos atrás da ariramba-de-barba-branca (Galbula tombacea), mas como chovia muito, resolvemos seguir alguns quilômetros atrás das "sapirocas".  Ah! As sapirocas...- o que nós rimos! A Priscilla enrolou a língua e ao invés de perguntar se íamos ver as saripocas (no caso a saripoca-de-coleira - Selenidera reinwardtii), ela disse, "as sapirocas". Imagina o tanto que a "alugamos" a viagem inteira.

andorinhas sob a forte chuva
Andamos quase 200 km até Beruri e foi super dez. A chuva ia ficando pra trás, mas vinha nos seguindo. Antes que ela chegasse, conseguimos avistar muitos bichos, como pipira-de-máscara (Ramphocelus nigrogularis),  japu-verde (Psarocolius viridis), coroa-de-fogo (Heterocercus linteatus), gavião-de-anta (Daptrius ater), coleiro-do-norte (Sporophila americana), periquito-testinha (Brotogeris sanctithomae),  picapauzinho-avermelhado (Veniliornis affinis), surucuá-pequeno (Trogon ramonianus), entre outros. O mais engraçado é que alguns limites de municípios estão bem no centro da estrada, se o bicho está de um lado é um município, se ele atravessa já é outro.
 
japu-verde (Psarocolius viridis)
coleiro-do-norte (Sporophila americana)
pipira-de-máscara (Ramphocelus nigrogularis)
Além das aves, tenho outra paixão, as flores silvestres. E quando chove, elas suplicam para ser fotografadas, deixando escorrer gotas de água em suas pétalas, como se fossem lágrimas de felicidade.


O duro era olhar pra trás e ver a chuva chegando. Assim que ela passou por nós, resolvemos voltar, sem as "sapirocas" de Beruri...rs rs rs

Olha a chuva aí, gente...!!!!!
No retorno paramos para tentar a ariramba-de-barba-branca (Galbula tombacea) e pimba, essa deu show. Com seu colorido brilhante, parecia estar se preparando para um desfile de carnaval. O casal de choca-d'água (Sakesphorus luctuosus) também não fez feio. Mas quem arrebentou na pose foi o arapaçu-ferrugem (Dendroplex kienerii). Na ida anterior em 2015, lá em Anavilhanas, eu tinha feito ele, mas tipo "foto somente para registro pessoal", ou seja um baita de um borrão.

ariramba-de-barba-branca (Galbula tombacea)
arapaçu-ferrugem (Dendroplex kienerii)
choca-d'água (Sakesphorus luctuosus) - fêmea
choca-d'água (Sakesphorus luctuosus) - macho
Uma preguiça, "preguiçosamente" fez muito charme pra gente.  Mas o dia mesmo foi do gavião-do-igapó (Helicolestes hamatus) e do pica-pau-de-peito-pontilhado (Colaptes punctigula).

Preguiça
pica-pau-de-peito-pontilhado (Colaptes punctigula)
gavião-do-igapó (Helicolestes hamatus)
A curica-verde  (Graydidascalus brachyurus), que no início da manhã, sem luz nenhuma, tinha sido avistada, deu show no final do dia degustando seu jantar em dupla.

curica-verde  (Graydidascalus brachyurus)
Mas o dia não seria completo sem um atentado Synallaxis para nos dar aquele trabalhão. Valeu senhor joão-teneném-becuá (Synallaxis gujanensis). Eu fui mais rápida que você e, mesmo de longe, consegui te clicar por inteiro, antes de você se esconder de novo.

joão-teneném-becuá (Synallaxis gujanensis)
10/04/2016 - domingo

Mantendo a programação inicial, o dia seria dedicado à Marchantaria + Várzea do Iranduba. Pela manhã, pegamos um barco no porto da CEASA, atravessamos o encontro das águas e partimos para algumas ilhas do rio Solimões. Novamente a Priscilla nos acompanhou. Já navegando, começou a chover horrores. Tivemos que ficar com o barco parado um tempão, de vez em quando a chuva dava uma trégua e arriscávamos uma descidinha em algum ponto, foi onde fiz o famigerado alegrinho-do-rio (Serpophaga hypoleuca). Esse eu havia feito fotão dele ano passado, a menos de dois metros de distância, mas tive problemas com os arquivos no cartão e fiquei sem fotos do bichinho. Mas antes que eu pudesse fazer "aquela" foto, a chuva engrossou e precisamos nos deslocar para o lado da Ilha Nova no Careiro.

...o rio mais parecia o mar...
Ali fiz o joão-de-barriga-branca (Synallaxis propinqua), outro bichinho difícil de sair no limpo.

joão-de-barriga-branca (Synallaxis propinqua)

Foi um gostoso passeio de barco pelo Rio Solimões e só não foi melhor por conta da chuva que caiu e nos fez ficar mais tempo no barco parados do que fotografando. Numa das tréguas vimos um bando de iratauá-pequeno (Chrysomus icterocephalus). Difícil registrar por conta do agito das águas, mas foi bem bacana ver o bando e até que rolou umas fotos bonitinhas.

iratauá-pequeno (Chrysomus icterocephalus)
iratauá-pequeno (Chrysomus icterocephalus)
Guarda bem essa história do "tem um bem-te-vi-rajado dando mole no sol". Contou-nos a Priscilla uma história sobre um amigo chamado Filipe, que gosta de natureza, mas ainda não entende muito de passarinhos, é um aprendiz enfeitiçado. Daí eles foram passarinhar uma semana antes de eu chegar em Manaus (ela, o Filipe, a Vanilce e o Luiz, o Robson e a Eleonora). Eles já estavam no final da passarinhada e pararam no lugar que eu fotografei a choca-selada (Thamnophilus cryptoleucus). Eles tinham acabado de ver uma ave bem difícil por ali. Aí veio o Filipe todo empolgado, rindo de orelha a orelha e falou, cheio de empolgação, apontando para um galho - "gente, gente, tem um bem-te-vi-rajado dando o maior mole ali no sol". E ninguém deu atenção para ele na hora. Coitado! Imagino a cara de copo d'água que ele ficou.

Foi então que vimos um bem-te-vi (nem tinha sol), mas imitamos o moço falamos quase em coro... "gente,  gente, tem um bem-vi dando o maior mole ali no sol" e caímos na maior gargalhada. E assim ficou criado o verbo "filipar". kkkkkkkk

A manhã foi maravilhosa apesar da chuva ter atrapalhado um pouco. Tudo terminou em muitos risos e cervejinha na hora do almoço.

Vanilce e eu "cervejando"
Depois do almoço, seguimos para a várzea de Iranduba, onde fizemos fotos incríveis. Já estive nesse adorável local antes, mas dessa vez foi mais legal, pois consegui prestar mais atenção aos detalhes, como uma vitória-régia florida, por exemplo.


A bela cigana (Opisthocomus hoazin) fez pose enquanto degustava uma deliciosa salada verde. nem se importou com nossa presença. O coleiro-do-norte (Sporophila americana), desta vez, veio bem perto e arrasou no modelito preto e branco. Já o joão-da-canarana (Certhiaxis mustelinus) só ficou de longe e não quis nada com a gente. A bela jaçanã (Jacana jacana) desfilou com seus pés estrambólicos e finos no tapete verde. Ainda teve gavião-belo (Busarellus nigricollis), joãozinho (Furnarius minor), frango-d'água-azul (Porphyrio martinicus), mãe-da-lua-gigante (Nyctibius grandis), entre outros.

cigana (Opisthocomus hoazin)
cigana (Opisthocomus hoazin)
coleiro-do-norte (Sporophila americana)
jaçanã (Jacana jacana)
joão-da-canarana (Certhiaxis mustelinus)
Amazonas é isso: muita água...água benta, água santa, água pra café...alimento, fonte de vida...

No retorno à Manaus, em meio aos carros passando, parei para clicar um ninho de maracanãs-do-buriti (Orthopsittaca manilatus). Essa espécie é simbólica para mim, pois com ela, fotografada em Brasília, eu comemorei a minha 1000ª espécie de ocorrência no Brasil.

maracanãs-do-buriti (Orthopsittaca manilatus)
11/04/2016 - segunda-feira

Nesse dia fizemos a programação que estava prevista para o dia 09/04. Torre do MUSA + Ramal do Pau Rosa. Logo cedo, para animar, o primeiro lifer do dia, papagaio-diadema (Amazona autumnalis). Ele não chegou pertinho, mas consegui fazer foto bacana ante a falta de luz do amanhecer.

papagaio-diadema (Amazona autumnalis)
Eu na Torre, by Vanilce
Eu e Vanilce by Luiz Fernando
Melhorei a foto do poiaeiro-da-guiana (Zimmerius acer). Realizei um desejo: ver e fotografar o belo assobiador-do-castanhal (Vireolanius leucotis). Esse último, ainda não é a foto que eu gostaria, mas já valeu, e como!

poiaeiro-da-guiana (Zimmerius acer)
assobiador-do-castanhal (Vireolanius leucotis)
O macuru-de-pescoço-branco (Notharchus macrorhynchos) foi o modelito do dia. Um espetáculo! Ficou paradinho para ser fotografado. Ah! se todos ficassem, assim, quietinhos. O duro era decidir se eu clicava ele ou o ferreirinho-pintado (Todirostrum pictum) que estava dando mole no outro quadrante da torre.

ferreirinho-pintado (Todirostrum pictum)
macuru-de-pescoço-branco (Notharchus macrorhynchos)
E ainda vieram pertinho para conferir o agito o bico-chato-da-copa (Tolmomyias assimilis) e o vite-vite-camurça (Hylophilus muscicapinus). Foi um belo "melhoraifer". O pica-pau-barrado (Celeus undatus) deu o ar da graça, mas de longe.

vite-vite-camurça (Hylophilus muscicapinus)
Para colorir ainda mais o nosso dia, o tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus) estava animadíssimo e se desfez em poses e bicos.

tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus)
Passamos uma bela manhã na Torre. Não havia tanto movimento de aves como a gente gostaria, mas valeu muito a pena. Sempre vale.

Saindo da torre demos uma passada no local das gralhas-da-guiana (Cyanocorax cayanus)...e nada. Há muitas casas no local, não sei se são invasões ou não. Uma das casas me chamou a atenção, havia dúzias de garrafas vazias de pingas empilhadas no quintal. É no mínimo estranho. Será que as pessoas ali beberam tudo isso ou são apenas acumuladores de garrafas vazias ?

Será que tudo isso foi entornado por uma pessoa só? 
Saímos dessa estradinha e paramos na beira do asfalto procurando as gralhas. Havia uma cerca, o Luiz até cogitou pular e procurar lá dentro da mata. Como eu tinha caminhado um pouco até uma curva, avistei uma placa que me indicou algo do tipo "não entre aqui nunca". Seria difícil explicar para o delegado da Polícia Federal (dona do terreno) que pulamos a cerca atrás de passarinho.


Paramos para almoçar no Fish Maria...eita peixe gostoso, de lamber os dedos e os beiços.

Fish Maria Amazônia
Depois do almoço fomos até o Ramal do Pau Rosa. Este é um lugar que sempre promete muito. Está sendo degradado aos poucos, o que é uma pena. Não teve aquela dúzia de aves como era esperado, pois as fruteiras não estavam no auge.

Mas foi onde vivenciei um dos momentos mais especiais da viagem. Aliás foi onde eu vi "a ave da viagem" [o maú (Perissocephalus tricolor) que me desculpe], mas esse me amoleceu as pernas. Sim, eu estou falando do belo formigueiro-ferrugem (Myrmoderus ferrugineus). Foi minha obra de arte de toda a tour! Só eu sei a dificuldade que foi clicar o bichinho, num dia escuro, no meio de tanta brenha, ISO 8000, velocidade baixa, sem tripé. Eu segurei a respiração, travei os braços e fiz os disparos. No começo ele estava embrenhado, mas a perícia dos meus dois guias trouxe o bicho no limpo, me fazendo ganhar o dia. Foi um presentão colocado diante dos meus olhos pela Vanilce e o Luiz Fernando.

formigueiro-ferrugem (Myrmoderus ferrugineus)
Agora o mais difícil foi fazer a Vanilce e o Luiz pararem de me dizer, cheios de empolgação "Vai, vai, agora, agora, agora, no limpo, vai, vai"... kkkkkkk. A adrenalina percorre meu ser e eu fico tensa de um tanto que travo total, nem consigo configurar a câmera decentemente. Mas nesse dia, foi tranquilo, só consigo lembrar de mim mesma me dizendo internamente: "calma, respira, calma, fotometra primeiro, respira, agora segura o ar, não respira, solta o dedo"... parece brincadeira, mas é assim que funciona, se eu deixar, minha mente em desespero, ela age a minha revelia e só depois vou ver as porcarias que faço...kkkkkkkkkkkkk

Fomos ver algumas fruteiras e um gaturamo-de-barriga-branca (Euphonia minuta) deu show. Ele se deliciava, numa gula sem igual, dos frutos no quintal de uma propriedade onde a gente parou.

gaturamo-de-barriga-branca (Euphonia minuta)
Teve um outro momento que preciso descrever, foi muita fofurice num "serumaninho" só. Na casa onde sempre vamos, tem uma família de caseiros super legal. A gente estava indo até a beira do riozinho quando vimos uma menininha chorando escondida atrás de uma árvore. Seu pai e seu irmão já haviam tomado banho no rio e ela não. Conversamos com ela e entre soluços, ela nos explicou que não podia ir sozinha, pois sua mãe ficaria brava. Então nós a acompanhamos em seu banho e ela ficou muito feliz e nós também. Seu nome é Giovana e ela é uma bonequinha linda. Espero que esta pequena tome gosto pelas aves e quando crescer, se torne uma excelente guia como a Vanilce.

...o choro da Giovana...

...andando a pequenos passos, ela chegou até a refrescante água...
o banho de Giovana...
Demos mais alguns rolês na esperança de encontrar mais aves, só que não. No entanto, eu gostei do modelito numa entrada de sítio, acho que vou copiar para a próxima festa. Repara só nos detalhes...Eh eh eh eh

"Oi, você vem sempre aqui?" rs rs rs
12/04/2016 - terça-feira

No dia seguinte fomos para Presidente Figueiredo, mais precisamente para Balbina, um lugar que eu sempre repito: adoraria morar.

Antes de ir pra Balbina, passamos pela RPPN Cachoeira da Onça, pagamos o ingresso e fomos andar na trilha, chegamos até ouvir o maú (Perissocephalus tricolor), mas muito longe. Antes que despencasse a maior chuva do mundo consegui fazer dois lifers, embora com foto apenas para registro pessoal. O uirapuru-de-garganta-preta (Thamnomanes ardesiacus) foi um deles, ave que permaneceu o tempo todo no alto das copas das enormes árvores amazônicas. Depois uma choquinha-de-barriga-parda (Epinecrophylla gutturalis). Em relação a este registro, concordo com o Robson Czaban. "É uma ave que se movimenta de forma frenética, tornando bem difícil o registro. Quase sempre o foco sai errado."

Como a forte chuva que caía não passava nunca, resolvemos ir embora. 

RPPN Cachoeira da Onça 
Para compensar a ausência de passarinhos, o almoço foi uma deliciosa tapioca no Café Priscila. Uma salgada e uma doce para a sobremesa e muito suco de cupuaçu...

Tapiocas no Café Priscila
Dali fomos para o Ramal de Mari-Mari e a chuva deu uma trégua, apesar de permanecer bem nublado. Lugar que gostei muito. Ao chegar lá, a Vanilce e o Luiz ouviram o barranqueiro-camurça (Automolus ochrolaemus). Achamos ele num um único buraquinho, tive que me abaixar no último. Coitado dos joelhos, mas pelo menos consegui focar mais ou menos o danado...nesse momento havíamos nos encontrado com o Robson Czaban, que vinha em sentido contrário.

barranqueiro-camurça (Automolus ochrolaemus)
O Robson me mostrou um belo lifer: o jacamaraçu (Jacamerops aureus), que estava pousado num fio. Vá ser bonito assim noutro planeta...Daí fui chegando, chegando, chegando, sempre fotografando, pensando que ele podia ir para um galho bacana perto do fio, só que não, ele simplesmente se mandou. Mas do outro lado da estrada tinha uma linda pomba-amargosa (Patagioenas plumbea), e eu lembrei dos amigos Tietta e Fred, que adoram columbídeos.

jacamaraçu (Jacamerops aureus)
pomba-amargosa (Patagioenas plumbea)
Mas as emoções não pararam por aí, a gente queria encontrar o raro anambé-fusco (Iodopleura fusca). E havia quatro deles, se alimentando no alto, muito no alto, tipo no último andar da floresta, o céu branco, nublado, um contraluz de doer os olhos. Fiz o que deu.

 anambé-fusco (Iodopleura fusca)

Pensa que acabou? Não, os incansáveis guias queriam mais, e não pensa que eu estava achando ruim kkkkkkkkkk. Ainda rolou bico-encarnado (Saltator grossus), maria-fiteira (Lophotriccus vitiosus) - um milagre conseguir foco nessa coisinha irrequieta e minúscula pulando no alto das copas. E depois um bando de curica-caica (Pyrilia caica) pousou por perto, mas estavam longe demais para uma foto decente. É um bicho lindo de doer, mas são muito ariscas. Um dia eu volto para fazer um "melhoraifer".

maria-fiteira (Lophotriccus vitiosus)
curica-caica (Pyrilia caica)

Já voltando para me preparar para a corujada, deparamos com um bando de aracuã-pequeno (Ortalis motmot). Achamos que ia ser moleza. Ô bandinho safado, assim que me viram, correram pra dentro da mata. Precisava tanto medo? kkkkkkkk O máximo que consegui foi um passando a estrada que nem um raio, só isso, nem postei...esse ficou me devendo e encabeça a lista negra de aves a buscar na próxima ida pra lá. Dois anos seguidos, dois dribles. Taí algo insuportável para um fotógrafo de aves, uma ave tirar ondinha com a sua cara tipo "ó, eu tô aqui, fui!".

aracuã-pequeno (Ortalis motmot)
E para fechar o dia que começou mal, mas teve uma tarde esplendorosa, tinha que ser uma noite especial. Logo depois de clicar um belo exemplar de murucututu (Pulsatrix perspicillata), nada melhor do que um encontro com uma coruja que faltava na minha lista. Agora eu posso dizer que vi e registrei a tão esperada corujinha-orelhuda (Megascops watsonii). Impossível não se emocionar, quando a sua 21ª espécie de coruja brasileira, dentre as 22 possíveis, está na sua frente, olhando pra você...Foi ... foi...ixi, nem consigo explicar...talvez a palavra "arrebatador" caiba aqui.

murucututu (Pulsatrix perspicillata)
corujinha-orelhuda (Megascops watsonii)
13/04/2016 - quarta-feira

Hoje o dia foi na deliciosa Trilha da Sussuarana. Começamos com uma arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) nos avisando "em voz alta" que ali era território dela. Clicamos um monte daqueles pequeninos choquinha-isso, choquinha-aquilo, tipinhos que gostam de ficar embrenhados e/ou no alto das copas.

arara-vermelha-grande (Ara chloropterus)
Mas o gostoso mesmo é quando uma ave bonita se apresenta fazendo Caras & Bicos como foi a ariramba-de-bico-amarelo (Galbula albirostris). Pensa na felicidade de um fotógrafo quando consegue melhorar uma espécie. A história é assim: um dia você vai ao local e o bicho dificulta e a foto é só um registro pessoal, meses depois você vai de novo, a ave facilita e o resultado fica mais que demais...

ariramba-de-bico-amarelo (Galbula albirostris)
Adoro também quando  encontro um Buconídeo. Avistamos um rapazinho-de-colar (Bucco capensis)..., que fofurinha, dava vontade de ficar só olhando...parece mesmo um bichinho de pelúcia.

rapazinho-de-colar (Bucco capensis)
Logo em seguida demos de encontro com formigas-de-correição. São formigas carnívoras, conhecidas por se organizarem em expedições periódicas de milhares de indivíduos..  E você pensa logo numa mãe-de-taoca. E não é ela que ela apareceu mesmo, ou melhor, quase apareceu. Só veio conferir e me deixar numa sofrência só. As formigas vinham aos milhares em nossa direção, eu tentando clicar a belezinha da mãe-de-taoca (talvez Gymnophytis rufigula), mas ela só se afastava. Enquanto isso as formigas se aproximavam vorazmente, e subiam na bota, nas roupas, ferroando as pernas e me assustando muito. Não tem mãe-de-taoca que valha esse sofrimento.

formigas-de-correição
mãe-de-taoca (qual? não sei rs rs rs) - tá vendo ela ali? rs rs rs 
Dava agonia. O jeito foi contornar, mas o meu alvo desapareceu na floresta e me deixou na mão...Mas pelo menos o arapaçu-da-taoca (Dendrocincla merula) eu consegui.

arapaçu-da-taoca (Dendrocincla merula)
Após o almoço improvisado no meio da mata, resolvemos andar até uma deliciosa cachoeira. As aves da Amazônia tem o dom de abdução após o almoço. Simplesmente você não ouve um pio. Para não judiar muito, ainda surgiu uma novidade bico-chato-de-rabo-vermelho (Ramphotrigon ruficauda). Fora isso, a trilha era só silêncio.

bico-chato-de-rabo-vermelho (Ramphotrigon ruficauda)
E a gente andando, andando...calor insuportável, pés doloridos, enfim, chegamos na cachoeira. Belíssima e pura tentação...dava vontade de pular de cabeça. Ah! mas não vou tirar a roupa pra tomar banho não. Não mesmo? E toca tirar a bota para refrescar os pés. E em seguida, que tal um pouquinho de água de cachoeira nos cabelos. Não foi suficiente? Que tal entrar na água de roupa mesmo? Foi pura delícia! Um raro momento de relaxamento e ausência de preocupação. E "bora" jogar conversa fora. Vontade de ir embora?... nenhuma. Ah! Se não fossem as nuvens escuras se aproximando...

primeiro o pé
depois só a cabeça...
...quer saber? "simbora" lavar a alma...
... e ainda rolando papo feminino com direito à hidromassagem natural e tudo mais...faltou a cervejinha.
...mas não podia faltar selfie...
Olha a cara de felicidade da gente...
Daí, já com as energias renovadas, hora de arrumar as tralhas e pegar o caminho de volta, pois uma tempestade se armava ao longe...que ao longe nada, estava bem em cima da gente. Foi só começar a andar que ela castigou. Caia baldes de água. Tivemos que colocar capa de chuva, proteger equipamento. Detalhe: sobre a roupa totalmente molhada...Que desconforto! E o carro não chegava nunca...ufa, nem acreditei quando chegamos nele. Que aventura! Próxima vez eu levarei roupa de banho.

Voltamos para a Vila de Balbina, direto para o ponto dos beija-flores. Mais um lifer se manifestou nas cercanias. Luiz e Vanilce localizaram a choca-bate-cabo (Thamnophilus punctatus). Mas o show mesmo ficou por conta do beija-flor-brilho-de-fogo (Topaza pella), dono absoluto do local. A segunda vez sempre é melhor! Agora consegui fazer foto decente e digna de sua beleza fenomenal. Que brilho! Que bicho bonito!

choca-bate-cabo (Thamnophilus punctatus)
beija-flor-brilho-de-fogo (Topaza pella)
Entre aves, flores, borboletas e cogumelos encerramos o dia. E aí direto para a casa da D. Valda, onde nos esperava uma comidinha caseira para ninguém botar defeito. Com direito a wi-fi gratuito no fundo do quintal...né, Vanilce? kkkkkkkkkkk


cogumelo que lembra casca de laranja
cogumelos

14/04/2016 - quinta-feira

Resolvemos voltar na Trilha da Cachoeira da Onça atrás do maú. O portão que deveria abrir às 7 estava fechado, mas não havia nada nem ninguém para vir abrir. Parecia estar fechado com cadeado. Um senhor que veio buscar um material lá chegou e nos deixou entrar.

Embora tivéssemos ficado mais de uma hora esperando, não foi um tempo perdido, pois enquanto aguardávamos, eu e Luiz Fernando atravessamos a estrada em busca de uma vocalização que ele tinha ouvido. Foi quando eu "filipei". Um garrinchão-coraia (Pheugopedius coraya) "dando mole, no sol". Pensa na sorte grande, senti que ganhei na loteria ao clicar esse bichinho. Quem conhece aves sabe o tanto que os bichos dessa família são difíceis de sair no limpo.

garrinchão-coraia (Pheugopedius coraya)
garrinchão-coraia (Pheugopedius coraya)
Como não havia ninguém por perto para nos atender, fomos direto para a trilha. Entre flores e lindos cogumelos chegamos a um bom ponto de aves. Logo de cara um macuru (Nonnula rubecula). Existiam apenas dois registros para o Estado do Amazonas, este foi o terceiro e fiquei muito feliz em encontrá-lo. Mais um pouco e consegui melhorar e muito o meu arapaçu-bico-de-cunha (Glyphorynchus spirurus).



macuru (Nonnula rubecula)
arapaçu-bico-de-cunha (Glyphorynchus spirurus)
Gavião é sempre uma surpresa, se não for um ninho conhecido, você nunca sabe quando o bicho vai surgir. E enquanto Luiz Fernando chamava o maú, a Vanilce ouviu e localizou pousado um gavião-de-cara-preta (Leucopternis melanops). Bicho bonito! Foi uma festa!

gavião-de-cara-preta (Leucopternis melanops)
gavião-de-cara-preta (Leucopternis melanops)
E vamos nos concentrar no maú (Perissocephalus tricolor). Minha segunda vez no Amazonas, e desta vez queria realizar meu sonho desde que ouvi sua vocalização a primeira vez. No primeiro dia que estivemos neste local, estava uma chuva só. Ouvimos ele muito longe. Deixou gostinho de quero mais. Quando voltamos, depois de muito chamá-lo, nada, nada...Desespero total. Aí passamos a ouvi-lo. Mas nada de vê-lo. Como só os fracos desistem, entramos na mata, pra deleite dos micuins, que fizeram a festa, e seguimos em direção ao som. Aí comecei a ver o vulto. Passava muito no alto e no meio das copas, sempre se escondendo. Foto só borrão e de raspão, ou de bunda pra mim ...E de repente, conseguimos ver e fotografar o bichinho no limpo, embora no alto!!!! Valeu Vanilce e Luiz Fernando. Foi D+++++!!!!!

Primeiro só um vulto...
E quando ele sai no limpo, pego foco, ele fica de costas pra mim...indecente! rs rs rs
maú (Perissocephalus tricolor)
maú (Perissocephalus tricolor)
Sabe o que as duas bobocas estão dizendo aqui? maúuuuuuuuuuuuuuuuu \o/ \o/


Mas ainda tinha mais emoção, depois desse presentão tinha que ter um espezinhado synallaxis para me atazanar a vida. Sabe aquele buraquinho minúsculo, que você mal enxerga o que tem no meio...sim, esse tinha, um bonitinho, pequenino e infernal synallaxis...ainda bem que eu acabei encontrando ele bem no meio do buraquinho e clicando. Obrigada, joão-teneném-castanho (Synallaxis rutilans), por ficar paradinho enquanto a minha câmera tentava enxergar você.

joão-teneném-castanho (Synallaxis rutilans)
Já passando da hora do almoço eu ainda registrei mais dois da turminha dos marronzinhos e não estou falando dos guardas de trânsito de São Paulo não kkkkkkkkk. São os arapaçus - arapaçu-de-bico-vermelho (Hylexetastes perrotii) e arapaçu-assobiador (Xiphorhynchus pardalotus). Guia tem que ser muito bom de olhos e ouvidos mesmo, pois para mim os arapaçus são todos iguais...

arapaçu-assobiador (Xiphorhynchus pardalotus)
arapaçu-de-bico-vermelho (Hylexetastes perrotii)
Após um chato episódio com o gerente que nem vale a pena mencionar, pois soube essa semana que ele foi demitido, fomos comemorar o maú e demais lifers com uma deliciosa tapioca no Café Priscila.

De lá retornamos para Manaus, onde paramos numa ponte para ver uns bichinhos. Surgiu um casal de pica-pau-barrado (Celeus undatus) se alimentando. Muito lindos. 

pica-pau-barrado (Celeus undatus)
Deste lugar só consigo lembrar do meu fracasso para alimentar os peixinhos, né Vanilce...rindo sozinha aqui...Essa eu só conto pessoalmente numa rodinha de bar kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Só posso dizer que meu corpo amoleceu de tanto rir, eu me escorei na mureta da ponte e fui deslizando até sentar no chão, sem forças para levantar. A gente olhava uma para a cara da outra e se desmanchava em gargalhadas...chegando chorar de anto rir...


foto feita em cima da ponte
Finalmente chegamos em Manaus, eu precisava passar no MUSA para acertar o ingresso da segunda-feira, já que não tinha ninguém na secretaria para receber. Eis que fui recebida na portaria pelo senhor... falcão-de-peito-laranja (Falco deiroleucus). Esse fazia parte da dream-list. Foi emocionante, apesar de não ter muita luz, o céu estava azul, o bicho muito alto, mas fazendo pose. Eu observei mais do que fotografei, pois era um sonho ver esse bicho. Ele estava arrumando as penas, observando o local, para mim foi puro deleite.

falcão-de-peito-laranja (Falco deiroleucus)
15/04/2016 - sexta-feira

Último dia de passarinhada. Logo cedo fomos para Manacapuru. É um ramal muito legal, e sempre traz surpresas festivas. Fiz lindas fotos do besourão-de-bico-grande (Phaethornis malaris). Parece até que o bico acendeu... 

besourão-de-bico-grande (Phaethornis malaris)
O cantador-amarelo (Hypocnemis hypoxantha) estava passando por ali e quase pousou na minha mão. Foi um belo "melhoraifer".

cantador-amarelo (Hypocnemis hypoxantha)
Agora fazer um lifer, com foto bonita, é um prazer inexplicável pra quem não é fotógrafo. E esse casal de formigueiro-de-cara-preta (Myrmoborus myotherinus) facilitou.

formigueiro-de-cara-preta (Myrmoborus myotherinus) - fêmea
formigueiro-de-cara-preta (Myrmoborus myotherinus) - macho
Ainda vimos um bandinho de periquito-de-asa-dourada (Brotogeris chrysoptera) sendo observados no alto por um Cauré (Falco rufigularis), louco para garantir seu jantar. Ainda bem que eles sabem se camuflar...quase que nem eu conseguia achá-los.

periquito-de-asa-dourada (Brotogeris chrysoptera)
Dali seguimos para a várzea de Iranduba, onde ficamos algumas horas. Tem bichinho que dá gosto fotografar. Alguns realmente colaboram. Esse ferreirinho-estriado (Todirostrum maculatum) estava a fim de ser capa. Deu até um ensaio...


ferreirinho-estriado (Todirostrum maculatum)
ferreirinho-estriado (Todirostrum maculatum)
Ver um socó-boi (Tigrisoma lineatum) já é legal, mas vê-lo caminhar sobre as vitórias-régias (Victoria amazonica), planta que alimentou a minha infância com histórias do nosso folclore como a Iara, mãe d'água, não tem preço.

socó-boi (Tigrisoma lineatum)
Conseguimos ver o joãozinho (Furnarius minor) bem de pertinho. Melhorando o registro, sempre.

 joãozinho (Furnarius minor)
Aí quem aparece para encerrar o dia? Um joão-de-peito-escuro (Synallaxis albigularis). Esse deu trabalho...mas consegui pelo menos um registro. Vou fazer reclamação ao sindicato das aves sobre o comportamento dos synallaxis. Eles vieram à Terra para azucrinar a vida dos fotógrafos de aves... kkkkkkk.  O Robson Czaban disse que o sindicato vai argumentar comigo pois, apesar das dificuldades, eu consegui 100% dos Synallaxis da região: propinqua e albigularis na várzea, rutilans na floresta e gujanensis na capoeira. 

joão-de-peito-escuro (Synallaxis albigularis)
No final da tarde fomos ao INPA visitar o Mario Cohn-Haft. Eu não o conhecia pessoalmente, mas já o admirava pelo seu conhecido trabalho com as aves. Foi emocionante esse contato ao vivo e à cores. Ele teve o maior trabalhão de me mostrar todo o seu aparato de trabalho, inclusive as aves coletadas na Serra da Mocidade/RR. Na oportunidade, conheci pessoalmente o até então amigo virtual Thiago Laranjeiras. Vai ter passarinhada em breve né Thiago?

Só faltou uma cervejinha para fechar o dia. Tá me devendo essa, heim Mário?!!!

Luiz Fernando, Eu, Mário, Vanilce e Thiago Laranjeiras
Luiz Fernando, Eu, Mário, Vanilce e Thiago Laranjeiras
Segurando o passarinho da coleção
Eu e Mário
16/04/2016 - sábado

Dia de vir pra casa. Sempre um misto de tristeza e alegria. Alegria por retornar ao lar e tristeza pelo fim de mais uma expedição. Posso dizer com certeza que foi uma das minhas melhores viagens e uma experiência única. Acho que teria sido diferente se eu tivesse viajado sozinha mas não contasse com a companhia e o carinho dos amigos Vanilce e Luiz Fernando. Eu me senti em família, principalmente na casa da D. Valda, mãe da Vanilce. Essa é a parte mais valiosa da viagem toda.

Quanto à competência dos dois como guia, nem preciso falar nada, pois quando fui em 2015 pela primeira vez, fiz 64 lifers e nessa agora fiz 46, sem contar as inúmeras melhorias de fotos. Fecho meus olhos e escuto a Vanilce dizendo, abaixa mais um pouquinho, ali, ali, ali ó e apontava o laser para um minúsculo buraquinho. E o Luiz então, que nunca me deixou desistir de um synallaxis. Os dois unidos procurando sempre colocar as raridades na frente dos meus olhos. Tem melhor que isso? Só "dois isso"!!!!

Amizade: o bem mais precioso do ser humano

O Amazonas é um Estado muito rico em avifauna, quase metade das espécies do Brasil ocorre nele. Ainda tenho chances de fazer 244 novas espécies lá, por isso pretendo voltar muitas e muitas vezes, não só pelas aves, mas por ser um lugar que meu espírito se sente em paz, com pessoas que me fazem bem, com belezas que enchem meus olhos e minhas lentes de alegria. E sem falar que eu adorooooo as comidas regionais, os sucos e sorvetes que só tem por lá!

Da próxima vez, vou seguir os conselhos do Robson Czaban (#Robsonsemface): "Vendo seu percurso por aqui, eu sugiro que na próxima vez você visite a margem direita do rio Madeira."

Não é mesmo, Vanilce e Luiz Fernando. Já podem ir preparando o novo roteiro.

Quem quiser conhecer todas as aves fotografadas é só acessar o Meu Perfil no site Wikiaves.

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