sexta-feira, 8 de outubro de 2021

SP - Um depoimento pessoal após dez anos observando aves

Esse mês, a minha amiga Ana Julia Cano, responsável pela comunicação da SAVE - Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil, ONG da qual sou contribuinte (Amigos da SAVE), me convidou para fazer um texto para a coluna do Fauna News - link aqui.

Vou transcrever aqui para que fique guardado no bloguinho e não caia no esquecimento.

Rolinha-do-planalto – Foto: Silvia Linhares


Dez anos observando e fotografando aves. “Mas tudo isso já?! Você não enjoa?”. Não mesmo! Muita gente compara a atividade ao preenchimento de um interminável álbum de figurinhas. Outros dizem que é uma verdadeira terapia. Há quem diga que é um meio muito gostoso para fazer novos amigos. Eu digo que é tudo isso e mais um pouco. Além de ser um grande desafio pessoal.

Como tudo na vida, observar aves exige uma constante ultrapassagem de barreiras. Nesses dez anos, precisei muitas vezes superar inúmeras dificuldades, tanto físicas como mentais, para atingir os objetivos propostos por mim mesma. Em contraposição, eu recebi uma quantidade infindável de realizações pessoais. O prazer de produzir algo, de participar de algo, de contribuir para a conservação do planeta e de poder fazer a diferença é indescritível, mesmo que seja num percentual ínfimo.

Estou constantemente aprendendo algo. Hoje, posso dizer que o conhecimento que recebi e recebo por parte das pessoas, entidades, sites, redes sociais ou livros me tornou um ser riquíssimo. Transbordante. Tão transbordante que parte desse conhecimento já consigo repassar para os observadores iniciantes e até para alguns mais experientes.

Se eu for discorrer sobre isso, acho que escreveria umas 30 páginas. Então, vou resumir numa simples frase: observar e fotografar aves é um caso de amor. Brota do coração e fim.

Comecei quase por acaso. Acredito que, de alguma forma, o destino se encarregou de me mostrar um caminho em que eu poderia ser mais feliz e encontrar a minha verdadeira essência.


Silvia Linhares – Foto: Raimundo Carvalho


É comum as pessoas me perguntarem qual foi o momento mais marcante nesses dez anos. Difícil escolher apenas um, porque o prazer de observar uma ave e buscar o melhor momento para capturar uma bela imagem dela é sempre único.

Todavia, não resta dúvida de que alguns são mais emocionantes que outros. Você sabe quando isso acontece: as pernas fraquejam, as mãos ficam trêmulas e os olhos vertem lágrimas.

Um desses momentos foi quando avistei a rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis). Sua redescoberta e as ações para sua conservação, levadas à prática pela SAVE Brasil (Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil), parecem filme de ficção. O dia que eu bati meus olhos pela primeira vez naquela minúscula criaturinha, me faltou ar e muito pouco para eu desmaiar de emoção. Eu a chamei de rolinha da esperança. Há um post aqui no bloguinho contando como foi cada minuto desse encontro e o que ele significou na minha vida.

Rolinha-do-planalto – Foto: Silvia Linhares


Eu ficaria aqui descrevendo inúmeros momentos extasiantes como esse. Chegar até aqui com mais de duas mil espécies registradas, muitas delas raras, ameaçadas ou icônicas como a harpia, saíra-apunhalada, soldadinho-do-araripe, pato-mergulhão, jacutinga, choquinha-de-alagoas, entre outros, me faz ver que estou no caminho certo e que ainda há muito por vir.

Mas aproveito o espaço desta coluna para contar um segundo momento que me fez sentir um dos seres mais privilegiados da nação passarinheira. Foi o dia no qual pude ver e fotografar uma ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), que está extinta na natureza desde 2000 – uma das causas de seu desaparecimento foi o tráfico.


Exemplar de ararinha-azul, espécie que inspirou o personagem Blu, da animação Rio – Foto: Silvia Linhares

Em 26 de fevereiro de 2012, estive na Fundação Lymington com colegas do CEO (Centro de Estudos Ornitológicos). Nessa ocasião, conheci o Presley, um dos 73 indivíduos de ararinha que existiam no mundo. Foi um dos últimos da espécie que teve o privilégio de viver parte da sua vida na natureza. Lá na Fundação, ele tinha um viveiro só para ele, onde tive a oportunidade de fazer alguns registros. Após seu resgate, Presley ainda viveu por quase 10 anos, período no qual foram feitas várias tentativas de reprodução em cativeiro – sem sucesso, no entanto. Foi inspirado nele que Carlos Saldanha criou o filme Rio. Estima-se que quando ele faleceu, em junho de 2014, tinha em torno de 40 anos.

Meu maior sonho é um dia poder registrar as ararinhas livres em seu habitat. Torço pelo sucesso dos envolvidos no projeto de reintrodução da espécie na natureza, entre eles a SAVE Brasil.


Tráfico e perda de habitat fizeram a ararinha-azul não existir mais na natureza – Foto: Silvia Linhares

Mesmo que às vezes eu fique descrente, sempre mantenho acesa a esperança de que um dia um milagre vai acontecer e as coisas mudarão. Que não haverá mais tráfico de animais silvestres nem desmatamento. Que um dia o ser humano vai se dar conta que a desvalorização da vida e o descaso com a natureza trará consequências irreparáveis para a sua própria espécie.

Finalizo destacando que tudo que preciso na vida é de uma árvore lotada de passarinhos. Segue um trecho poético do meu amigo pernambucano Nelson Barros:

“Árvore é o ser vivo mais generoso do mundo. Fruta que alimenta, folha e casca que cura doença. Oxigênio. Sombra. Árvore é mãe. Eu penso que matar uma árvore é como matar uma mãe. É matar o sagrado. Matar uma floresta é matar o humano e o divino. É matar o homem e matar Deus.
Pense nisso.”

#nãomatarás
#nãodesmatarás


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domingo, 15 de agosto de 2021

TO - Conhecendo as aves do Tocantins II

Essa foi minha segunda viagem ao Tocantins. A primeira, em 2015, você pode saber como foi acessando por esse link. A que vou descrever nesse post aconteceu em 2019, de 04 a 12 de agosto. 

Desta vez fui convidada pelo amigo Raimundo Carvalho. Eu já o conhecia de Parauapebas / Carajás onde havia passarinhado em 2018 (link aqui). Ele veio de Carajás de carro e nos encontramos em Palmas. Ao todo foram oito dias intensos, de muitos passarinhos e muita diversão. Nosso guia foi o já conhecido amigo Marcelo "Bravo MDMC" Barbosa (Missão Dada, Missão Cumprida). Se você leu a minha primeira ida ao Tocantins, vai entender esse apelido. 

04 ago 2019 - Domingo

Já estava tudo previamente combinado entre eles dois e então, no dia 4 foi só ir pro aeroporto, uma pequena conexão em Brasília e logo lá estava eu com os dois me esperando com uma geladinha para abrir "os trabalhos". Veja abaixo uma "selfie" durante a conexão, minha saída de Brasília, cidade que morei tantos anos e que ainda me emociona quando piso em seu solo e a primeira cervejinha com a dupla já em Palmas.

Arquivo pessoal: Silvia Faustino Linhares

05 ago 2019 - Segunda-feira

Segunda-feira! Que comecem os trabalhos! Às 6 da manhã já estávamos na estrada. Nosso destino: Cachoeira da Roncadeira no Taquaruçu. Alguns minutos depois que saímos do hotel, paramos numa padaria para o costumeiro e necessário cafezinho. 

Logo depois entramos e paramos numa estradinha com um lindo cerrado, onde, se não me falha a memória, eu retornei ao carro para buscar algo e me perdi dos meninos que tinham adentrado a mata atrás de algum passarinho. Eu sentei na beira da estrada enquanto aguardava e fiquei clicando o amanhecer. Uma das fotos rendeu um lindo poema (link para o poema aqui).

"A luz que me ilumina"
Arquivo pessoal: Silvia Faustino Linhares

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

TO - Conhecendo as aves do Tocantins I

Assistindo a uma “live” esses dias, a convite da amiga Simone Mamede, sobre observação de aves no Tocantins, acabei percebendo que não descrevi nenhuma das viagens que fiz a esse Estado e olha que foram duas – 2015 e 2019. Em 2015 foi quando eu conquistei o direito de costurar a bandeirinha do Tocantins no meu colete. A expedição de 2019 você pode acessar clicando aqui.

Arquivo pessoal: Silvia Faustino Linhares

Busquei recordações na cabeça e no computador e resolvi fazer um pequeno resumo de cada uma das duas viagens a esse paraíso das aves.

2015 – Conhecendo as aves do Tocantins 

quinta-feira, 15 de julho de 2021

SP - Expedição "Água Prometida" - Em busca de aves pelágicas

albatrozes-de-nariz-amarelo (Thalassarche chlororhynchos)
Foto: Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Amanhecendo na Água Prometida 🌞
Foto: Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Nesse post, vou abordar um pouco do que é uma saída ou passeio pelágico. Mas o que vem a ser pelágico? É um adjetivo que diz respeito ao mar. A palavra pe·lá·gi·co deriva do latim pelagicus. Relativo ao pélago (profundo, longe das costas) ou ao alto mar (ex.: peixe pelágico) = peixe marítimo, do oceano profundo.

No meio da observação de aves é comum a gente ser convidada para uma saída pelágica em busca de aves marinhas que dificilmente você consegue ver em terra. As aves marinhas são aquelas espécies que se adaptaram com grande eficiência ao ambiente marinho e têm como habitat e fonte de alimento o mar. Podem ser divididas em aves marinhas costeiras - encontradas geralmente próximas aos continentes, e aves marinhas oceânicas ou pelágicas, essas, via de regra, costumam ser encontradas em alto-mar.

domingo, 20 de junho de 2021

MG - Ibitipassarinhando em Minas Gerais

águia-serrana (Geranoaetus melanoleucus)
Foto: arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Esse ano está sendo tão difícil ou até mais quanto o ano passado. É muita tensão por todos os lados. Essa pandemia e outras doenças vem levando muitos amigos. É muita dor. É a carga mais pesada que já enfrentei nesse meu pouco mais de meio século de vida. O mundo está estranho. As pessoas estão estranhas. Eu estou estranha.

"A vida é tão efêmera. Esse mês perdi amigos super queridos e essas briguinhas nas redes sociais tornaram-se tão superficiais perante isso" - escrevi isso para uma amiga hoje quando conversávamos sobre pessoas e atitudes. Sim, eu venho me sentindo atropelada com tantas coisas acontecendo simultaneamente. Exercer a tolerância e por rédeas na própria implicância está cada dia mais difícil.

A vida tornou-se um "jogo" cada vez mais veloz e estonteante, por isso tento me desapegar cada vez mais. Sofro menos quando diminuo minhas expectativas. Sou daquelas que gosta de jogar conversa fora enquanto toma um café, de visitar amigos, de abraçar, de dançar, de ensinar o pouco do que aprendi, de preferência não por vídeo (é o que temos nessa época pandêmica). Resumindo, gosto de ver a vida passar lentamente, aproveitando e saboreando cada minuto. E isso está bem difícil nesses tempos.

Não me encaixo na rapidez da "geração Instagram" (OBS: tenho perfil no IG desde 2010, mas não gosto do rumo que essa rede social tomou - coisas de Silvia 😂😂😂😂). Essa geração a quem me refiro quer tudo na velocidade deles. Te seguem de manhã e se percebem que você não os seguiu, já te desseguem à tarde. É muito vazio, muito pobre. Será que dar dois cliques numa imagem tornou-se sinônimo de gosto de você, me importo com você? Que coisa mais infeliz um mundo em que mais curtidas e seguidores são mais importantes que cuidar bem das pessoas, do planeta e da natureza.  

Silvia, o que é isso? É um post sobre viagem ou sobre a vida? Bom, eu não consigo dissociar uma coisa da outra. Por enquanto sou só mais uma sobrevivente nesta "guerra" contra um inimigo invisível: a COVID19. 

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Chile - Um bate-e-volta com muita emoção

Esse post vai ter um pouco da história da minha aventura com a Claudia Brasileiro no Chile no final do ano de 2019. Foi um ano muito intenso no que se refere ao que mais gosto de fazer: viajar e fotografar aves. 

Conheci lugares incríveis e pessoas tão incríveis quanto. Fiz milhares de fotos, muitas super legais, outras nem tanto. kkkkk Ainda não consegui relatar todas as viagens, mas algumas já podem ser lidas aqui no Bloguinho.

Hoje eu me sentei para reviver uma viagem que fiz com uma das minhas melhores amigas, a quem considero a melhor fotógrafa de aves do Brasil. A Claudia é focada, perfeccionista, não mede esforços nem sacrifícios para obter a foto dos seus sonhos. 

Foram dois dias fazendo o que mais gostamos de fazer: observação fotográfica de aves. Se quiser acessar o perfil dela no Instagram clique aqui, eu te garanto que vai ser uma overdose, de tanta foto bonita. 

No final de outubro de 2019, eu estava em Alter do Chão com os queridos amigos Adriane Kassis e Marco Cruz (post ainda em construção) e recebo uma mensagem da Claudia.

- "Bora fazer pelágica no Chile?" Só respondi: bora, que dia mesmo?

Ela me explicou que sairíamos na sexta (06/12/19) e voltaríamos na segunda de madrugada. Nessa viagem iríamos eu, ela e o marido dela, o Rodrigo. Um mês antes a Claudia me informou que Rodrigo não poderia ir mais por causa de mudanças na agenda dele.

Quando retornei do Pará não tive tempo de ver a quantas estava nossa futura pelágica e fui logo cuidar da próxima expedição, desta vez para Itacaré na BA, outra viagem sensacional que ainda espero conseguir postar aqui no blog. 

Enquanto eu estava fora, a Claudia, minuciosa como sempre, cuidou de tudo, reserva de carro, hotel, etc. Avisou o dono da empresa que faz a pelágica, o Fernando Segovia Díaz, da Albatross Birding, que eu iria junto. No dia 5 quando recebeu a confirmação da pelágica, ela me avisou pra preparar as malas. Detalhe: já estavam prontinhas. kkkkkkk

Além da saída pelágica cujo sonho era fotografar o albatroz-das-ilhas-chatham (Thalassarche eremita), a Claudinha tinha um target em terra, melhor dizendo em rio, kkkkkk, que era fazer fotão do torrent duck (Merganetta armata), que eu e ela tínhamos visto no Equador, mas bem de longe. 

Veja, a seguir, "A FOTO", tanto do citado albatroz, como dos patos, feitas pela Claudinha. 

Foto: Claudia Brasileiro

Foto: Claudia Brasileiro

Eu também alimentava um sonho para essa viagem. Tinha esperança de ver um inca tern (Larosterna inca), cuja foto a Claudia me mostrara um dia. Na época eu pirei com o bicho. Ele encabeçava a minha lista dos sonhos. Mas vamos em frente contando dia a dia dessa expedição.

06 de dezembro - sexta-feira


Saí de São Paulo na sexta dia 06 de dezembro às 10:15h, com chegada prevista para 14:25h. Iria ficar aguardando a Claudia no aeroporto, pois ela ia em outro voo e chegaria apenas no começo da noite, caso não conseguisse antecipar. 

As emoções já começaram dentro do avião. A passagem sobre os Andes é fenomenal. Eu fiz muitas fotos pela janela com o celular. Parece outro planeta.

Sobrevoando os Andes
Foto: Arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

sexta-feira, 30 de abril de 2021

AC - Expedição Chandless - Desbravando o desconhecido


Parque Estadual Chandless
Arquivo pessoal: Silvia Linhares

Viajar é uma das coisas mais importantes da minha vida, seja na vida real ou em pensamento. Eu sempre digo que viajo três vezes numa única viagem, quando planejo, quando realizo e quando a recordo. Viajar por outras realidades desbravando o desconhecido é um presente dos deuses. É usar os cinco sentidos em busca da inebriante satisfação do corpo e da alma. Uma sensação de infinitude. Puro e simples prazer. Sem medo de ser feliz. Sem passado ou futuro. Apenas presente. Como eu disse, um presente dos deuses. E essa viagem que vou lhes contar a seguir foi realmente um grande presente.

O ano de 2019 foi um ano intenso, cheio de viagens sensacionais. Eu mal chegava de uma e já me preparava para outra. Descarregava os cartões, postava os lifers (novas espécies fotografadas) e já partia para a próxima. Com isso houve um acúmulo muito grande de fotos pra tratar, para postar no Wikiaves, nas listas do eBird, bem como descrever cada aventura aqui no meu Bloguinho. E assim eu virei o ano com muitas pendências. 

Em 2020 eu me preparei exclusivamente durante os meses de janeiro e fevereiro para ir para a África do Sul e, quando voltei, estávamos em pandemia e logo em seguida em "lockdown" (confinamento). Demorei a internalizar o que estava acontecendo. Vieram muitas mudanças de rotina, muitos planos foram por água abaixo, muito choro foi engolido, enfim ... a gente precisou encher o tempo e a cabeça e buscar sobreviver ao confinamento de alguma forma. Confinamento que teve algumas pausas e voltou, perseverando até os dias de hoje. Por isso eis-me aqui aproveitando o tempo e colocando um pouco de ordem nas minhas coisas.

Decidi começar por uma das viagens mais complexas e intensas que fiz em 2019. Havia um bom tempo que vinha conversando com o amigo Ricardo Plácido sobre uma possível ida ao Parque Estadual Chandless, que fica no município de Manoel Urbano no Acre. Salvo engano desde 2017, logo depois que voltamos da nossa expedição à Serra do Divisor (leia mais aqui e aqui). 

Ricardo é biólogo da Secretaria de Meio Ambiente do Acre (SEMA) e atualmente gestor do PE Chandless. Na época formatamos um projeto que visava avaliar o potencial da observação de aves no Parque. Eu lembro bem como foi, por um bom tempo o plano ficou parado e foi quase esquecido. O Ricardo estava sempre enrolado em outros projetos e eu viajando por aí. Quase desistimos, até que um dia falamos seriamente e resolvemos por este plano em execução.

Arquivo pessoal: Silvia Linhares
 
No início definimos ir eu e ele apenas, mas achei que o resultado poderia ser melhor se fosse gente com experiência maior que a minha. Chamei o amigo Guto Carvalho, que, a princípio topou, mas posteriormente declinou do convite por causa de compromissos inadiáveis. 

Em um dos nossos "happy hours" aqui em São Paulo, o amigo Fabio Olmos perguntou quais eram meus próximos destinos, quando citei o Chandless, ele disse que interessava muito conhecer esse lugar, que gostaria de nos acompanhar e que, inclusive tinha um projeto para apresentar ao Governo do Acre sobre utilização de UCs. Falei com o Ricardo sobre a possibilidade do Fabio ir com a gente e ele concordou. 

Conversando num grupo de WhatsApp sobre o Chandless e minha provável ida, o amigo e profundo conhecedor de aves amazônicas Robson Czaban disse que gostaria muito de ir com a gente e conhecer o Chandless. Novamente falei com o Ricardo e assim fechamos a equipe do projeto em cinco pessoas, pois Jesus Rodrigues, gestor do Parque na época, iria nos acompanhar. No entanto, Jesus teve problemas e não pode ir. 

Iríamos nós quatro e mais uma equipe de apoio da SEMA, entre eles o Valfredo (motorista, barqueiro, chefe de navegação e logística), na realidade ele era o nosso "MacGyver", resolvia tudo que é problema que surgia. Juntou-se a nossa equipe a agente administrativa da SEMA, Darlete Oliveira, a quem carinhosamente apelidei de Dadá. Foi ela quem cuidou da gente o tempo todo, estilo mãezona mesmo. Ai que saudades do cafezinho da Dadá, do pão com ovo bem cedo, da tapioca e do jeito carinhoso de nos tratar.
 

terça-feira, 2 de março de 2021

RN - A bandeirinha que faltava

Agora em março completa um ano que retornei da minha primeira grande expedição atravessando o Atlântico. Passei duas semanas na África do Sul (veja como foi clicando aqui). E eu achando que 2020 seria o ano das grandes aventuras, só que não. Esse ano continua tão complicado como o ano passado, por razões que nem gosto de pensar. Estou tentando fazer tudo do jeito mais normal possível, talvez como dizem por aí, um novo normal.

RN - Do Mar ao Sertão 

Eu tinha (tinha não, tenho ainda) planos de fazer uma expedição chamada Amigos e Aves do Nordeste, começando em Salvador, subindo de carro todo o Nordeste, ir conhecendo amigos virtuais, revendo os já conhecidos, sempre passarinhando com eles. A ideia era pra acontecer em 2020, assim que descansasse da chegada da África. Surpreendida pela pandemia, fui obrigada a suspender a ideia. Já havia inclusive entrado em contato com alguns amigos para materializar esse sonho. Eu queria muito fotografar no Rio Grande do Norte, único Estado que faltava para completar as 27 bandeirinhas do meu colete de fotografia (meu objetivo sempre foi clicar pelo menos um passarinho em cada Unidade Federativa do Brasil).

Como eu disse no meu último poema no Bloguinho II: "... nem sempre as coisas acontecem como a gente gostaria..." 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Serra do Japi

Aí você quer ficar quietinha em casa aguardando a segunda onda da pandemia ser controlada e, de repente, é surpreendida por um convite irrecusável de uma pessoa muito especial. A jornalista Giulia Bucheroni me encaminhou à Gabriel Ferraz, que ligou para ver se eu topava participar de uma missão muito importante. Falar com dois jornalistas da EPTV sobre observação de aves e os benefícios para a saúde. Como dizer não para isso. Mas onde? Onde tiver passarinho... uai... e agora?

O que você faz? Liga para o amigo Guto Carvalho e diz, posso ir aí no Japi essa semana? Explica tudo e ele responde: "vem amanhã cedo, vai ter uma janela de sol". Pá de lá, pá de cá, tudo combinado, arrumei a tralha toda para poder sair bem cedo. 

De manhãzinha, passei pegar a Carol, esposa do Guto e, sem errar o caminho, graças à "copilota" ao meu lado, lá fui eu para o Japi encontrar com o Guto, Heitor Moreira e o Rodrigo Sargaço. Após um cafezinho passado na hora, eu e Guto saímos até o portão esperar os dois.

Lógico que eu aproveitei para passarinhar um pouquinho antes. De cara o Guto me mostrou um sovi (Ictinia plumbea) voando alto e rodeando a lua que acabara de ir dormir.


Assim que os dois chegaram, começamos a trocar ideias e eu passei a responder algumas perguntas do Heitor, enquanto o Rodrigo registrava tudo. O meu querido amigo Guto, meu "manager" e guia nessas horas de improviso, acompanhava tudo, sugerindo os melhores pontos do Japi para fazermos as tomadas de cena, mostrando os passarinhos e ainda fazendo o making of






Guto mostrando som de aves para o Heitor

domingo, 6 de dezembro de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Capítulo IV - Iporanga e Eldorado

Eu ando um pouco sem inspiração para escrever e contar algumas das aventuras vividas durante esta pandemia. Acho que essa segunda onda que chegou foi onde “caiu a ficha” e a tristeza bateu à minha porta. Estou relutando pra que ela não entre. O confinamento só não é pior que a própria doença. Amigos e familiares sendo contaminados, pessoas perdendo entes queridos. Está ficando difícil manter o sorriso no rosto e os pensamentos positivos e esperançosos diante de um quadro tão escabroso assim. 
  
O mundo não está tão cor-de-rosa como antes e chora pelos elos perdidos
Foto by Silvia Linhares

Meu organismo vem se rebelando e eu tenho feito tudo que posso para que ele mantenha o equilíbrio que sempre foi meu orgulho. Enfim, distrações não faltam aqui em casa, e confesso, tem muita coisa pra fazer, o que falta mesmo é ânimo. Se não fosse o apoio e carinho que recebo dos amigos virtuais e de algumas pessoas próximas a mim, acho que seria muito pior.

Ao som de Stairway To Heaven da antiga e insubstituível banda Led Zeppelin, a inspiração que eu necessitava bateu em retorno e, enquanto "banqueteio" os ouvidos, as palavras começam a ser desenhadas na minha mente.

“...In the tree by the brook / There's a songbird who sings / Sometimes all of our thoughts are misgiven / It makes me wonder..."

“... Numa árvore perto do riacho / Há um pássaro que canta / Às vezes, todos os nossos pensamentos estão equivocados / Isso me faz pensar ..."


 
Led Zeppelin - Stairway To Heaven

Vamos voltar no tempo um pouquinho. Setembro é o mês que começa a primavera. Um dos meus meses preferidos. As flores começam a desabrochar. Os passarinhos ficam mais felizes. A natureza começa a nos brindar com cenas, cores e momentos que vão marcar para sempre nossa memória.

Esse ano, apesar da pandemia, tão nefasta, e de muitos lugares estarem fechados para visitação neste período, aos poucos, com todos os cuidados possíveis, eu acabei indo a um lugar que não batia os olhos há algum tempo. Fui ao Vale do Ribeira (Baixo Ribeira - municípios de Eldorado e Iporanga). 

O Vale do Ribeira é uma região localizada no sul do estado de São Paulo. Compõe-se de 25 municípios. Abriga 61 por cento da mata atlântica remanescente no Brasil, 150.000 hectares de restinga e 17.000 hectares de manguezais.

sábado, 22 de agosto de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Capítulo III - Miracatu

O que mais tem me ajudado nessa pandemia é a existência dos amigos, seja por conta do carinho virtual do dia a dia, seja por conta dos convites para passarinhar, para tomar um chá da tarde com bolo ou um simples cafezinho. Fazer foto de passarinho ajuda também, ao lado de um amigo fica ainda melhor.

saíra-militar (Tangara cyanocephala

terça-feira, 18 de agosto de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Capítulo II - Dois passarinheiros e diversos destinos

Uma viagem do outro mundo! Ops! Nãooooo! Apenas uma viagem com o amigo Raimundo. Foi assim que comecei a descrever a "tour" para ver passarinhos paulistas que eu e meu amigo Raimundo Carvalho, de Paraupebas/PA, fizemos recentemente. Uma passarinhada descompromissada, improvisada, mas intensa, cheia de emoções, de risos, companheirismo e amizade, que ficará para sempre marcada na minha história. 

Primeiro que aconteceu no meio de uma pandemia. E segundo porque eu nunca acreditei que ele realmente viria. Só ressaltando que eu vivia fazendo "ornitobullying" com ele, mostrando alguns dos seus lifers (aves nunca registradas por ele) que apareciam na minha janela, tipo o sabiá-laranjeira e o periquito-rico. Acredite, muita gente ainda nunca viu essas duas espécies, super comuns para a gente aqui em Sampa City.

Sabiá e Periquito na frente da janela de um dos quartos aqui de casa

E olha, eu nunca havia dirigido tanto em tão pouco tempo, nem ido a tantos lugares aqui perto de uma vez só. Mas quer saber se valeu a pena? Então continue lendo.

Em janeiro deste ano, quando eu contei pra ele uma ida com minha amiga Leila ao Seu Jonas em Ubatuba e mostrei as fotos, ele me disse brincando "Ubatuba nos aguarde, não há lugar melhor do que São Paulo para um passarinheiro como eu". Ele planejava ir ao Peru em suas próximas férias, mas não tinha dado certo. Aí ele me confessou que sonhava passarinhar em São Paulo. Disse que se pudesse vir seria a salvação de suas férias. Eu disse, então venha, uai! Na época, eu prometi pra ele que, caso ele viesse, ele teria a melhor companhia, a melhor motorista, iria aos melhores lugares e contaria com os melhores guias. É o que costumo fazer quando recebo meus amigos por aqui durante o pré ou pós Avistar Brasil.

No final de fevereiro ele estava confirmando suas férias para agosto e disse que gostaria muito de vir à São Paulo. Mal processei as mensagens dele em relação a isso, pois eu só tinha cabeça pra uma coisa: a viagem dos meus sonhos. Eu me preparava para ir para a África. Viagem que foi mesmo dos sonhos (leia como foi clicando aqui).

segunda-feira, 20 de julho de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Capítulo I - Monteiro Lobato


Hoje, 20 de julho de 2020, comemora-se o dia do amigo -  "A data foi criada pelo argentino Enrique Ernesto Febbraro. Ele se inspirou na chegada do homem à lua, em 20 de julho de 1969, considerando a conquista não como uma vitória científica, mas uma oportunidade de se fazer amigos em outra parte do universo".

Falando em universo, o meu  hoje está praticamente restrito às paredes do meu apartamento, mas quem tem amigos queridos, ganha oportunidades de fazer coisas únicas na vida. Nesse quesito, posso dizer que sou mesmo uma agraciada.

Enquanto aproveito o solzinho aqui pela janela da sala, tomando um licorzinho bem leve após o almoço, olhando "a selva" que me cerca, resolvi escrever. 


Antes de contar como foi passarinhar em Monteiro Lobato e Peruíbe durante essa pandemia, senti necessidade de escrever outras coisas. Então aguente firme ou kkkkkkk, se quiser, pule essa parte e vá direto para a próxima.


Vou contar um pouco da minha história. Sim, vou contar coisas sobre uma Silvia que poucos conhecem, essa pessoinha difícil, caprichosa, mas muito persistente e determinada.

sábado, 25 de abril de 2020

ZA - A viagem dos meus sonhos - Kruger Nacional Park

ZA - Introdução - A viagem dos meus sonhos - Kruger Nacional Park 


Este foi um dos textos mais difíceis pra escrever e montar. Longo, intenso, quase um livro. Desde que cheguei de viagem, foram mais de 40 dias, isolada em casa sozinha, tratando e separando fotos, alimentando e  revendo listas, construindo palavras com base em pesquisas, memória e criatividade. Havia tanto a mostrar que acabei fazendo uma nova viagem dentro da viagem. Em quarentena sobrou mais tempo e foi mais tranquilo. Então, prepara a cerveja e o petisco e “senta que lá vem história”...

*Será dividido em partes com listas do eBird e links ao final de cada uma delas. Você poderá ouvir  músicas da minha play-list durante a leitura. Se conseguir ler tudo, e chegar no final, que é muito legal, seremos amigos para sempre. 😂 😂 😂 😂 😂 😂 😂

A ave que me motivou a conhecer a África
Fotos: arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Eu nunca imaginei que ao realizar essa viagem as lembranças dela iriam ser um bálsamo para os meus dias de isolamento (ref. COVID-19). Nesse instante, lágrimas rolam pelas minhas faces. Hoje, quando repasso as fotos e os acontecimentos, penso que tinha muito mais coisa para eu conhecer e aproveitar, mas fica para a próxima.

Eu só posso agradecer a todos que participaram, fisicamente ou virtualmente, ou ainda que serviram de inspiração para eu conhecer outro continente.

sábado, 2 de novembro de 2019

MEX - Do México ao Avistar Brasil 2019

Você deve estar se perguntando o que uma coisa tem a ver com a outra, mas vamos lá, vou contar como tudo começou. Inclusive porque coloquei o título "Do México ao Avistar Brasil 2019". Leia a seguir como foi essa viagem e saiba também um pouco do que foi o grandioso evento sobre aves no Brasil. Tudo descrito com muita emoção e passarinhos.

tela na frente da minha poltrona

Na época que eu fotografava automobilismo (2007 a 2013), eu conheci a Cristiane Thurm, que se tornou uma amiga querida. A gente sempre batia papo entre um cafezinho e outro nas salas de imprensa dos autódromos espalhados pelo Brasil.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

SP - Albatroz à vista

"Fabiooo, albatroz, albatroz à frente." 


Quando ouvi isso, minha mente se libertou do torpor do sono e disse: "Epa!!! Acho que já amanheceu. Boralá?" Foi assim que acordei de sexta pra sábado no dia 19 de outubro p.p a bordo do barco Capitão Ximango.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

MT - Expedição Fazenda Anacã 2019

Minhas andanças pelo Mato Grosso, tendo a Fazenda Anacã como pano de fundo.

06 de junho de 2019

O Mato Grosso é um Estado que faz parte da minha vida desde a minha infância, ainda quando era um único Estado. Tenho muitas recordações e passagens por ele. Mas foi na minha fase adulta que ele tornou-se deveras marcante, graças a sua magnífica avifauna e amigos maravilhosos que encontrei durante as várias passagens que fiz em busca de registrar penosinhos. Todas foram incríveis e somente a primeira que menciono abaixo foi contada aqui no bloguinho.

A falta de tempo e o "depois eu escrevo e posto" foram fazendo eu ficar em débito comigo mesma. Eu pretendia colocar tudo em dia neste mês de julho, mas devido a acontecimentos inesperados e a grande perda que sofri, (a partida do meu "papis") novamente vou postergar um pouco mais.

Vou aproveitar a oportunidade para mencionar todas elas nesse post e quando o tempo e a inspiração me permitirem, pretendo descrevê-las, uma a uma, com maiores detalhes.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

SP - A incansável busca pela guaracava-de-crista-branca (Elaenia chilensis)

Tem passarinhos que passam anos sem que a gente consiga um simples registro deles. Mas tem alguns que se parecem com um espinho enfiado na garganta e só nos dá alívio quando a gente se livra deles. A guaracava-de-crista-branca (Elaenia chilensis) vinha me dando um olé desde março de 2014, onde durante uma passarinhada organizada pelo amigo Edson Endrigo, ela foi avistada de longe, porém não consegui um registro postável. Depois disso, sempre teve um amigo ou guia avisando onde essa migratória criaturinha chilena estava passando, mas nunca dei a sorte de ter vaga na agenda pra ir tentar. Como ela é só uma Elaenia sem gracinha (entendedores entenderão kkkkkkkkkk), a gente não se esforça muito.

Eu by José Dionísio Bertuzzo no Parque Central de Santo André


quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

MS - Passarinhando pelos terras sul-mato-grossenses

Espero que esse post transmita toda a "mágica" que eu senti durante a realização dessa viagem. Ao tentar colocar meus pensamentos e sentimentos em palavras aqui é como se eu estivesse viajando de novo. Então, venha junto, viaje comigo!!

Dando continuidade à recente mega expedição que fiz ao Mato Grosso DO SUL, cuja primeira parte literalmente terminou em pizza - rs rs rs  (leia mais pelo link -> MS -Serra do Amolar e a I Expedição a bordo do Lord do Pantanal), vou fazer alguns esclarecimentos iniciais antes de contar como foi a viagem propriamente dita. Ah! Leia até o final, tem poema e homenagem! Larga de preguiça, vai ... rs rs rs

A beleza escandalosa das araras vermelhas no Buraco das Araras


terça-feira, 15 de janeiro de 2019

MS - Serra do Amolar e a I Expedição a bordo do Lord do Pantanal

Apesar da demora, consegui concluir mais uma postagem recheada de emoção do começo ao fim. Tudo começou no dia 18 de maio de 2018 (fica tranquilo eu vou pular alguns meses kkkkkk). Era uma manhã de sexta-feira bem tranquila. Saí com os amigos para ir ao "AVISTAR  Brasil" no Instituto Butantã.

Assim que cheguei, o biólogo e passarinheiro, até então apenas amigo virtual, Thomaz Lipparelli, me pegou pela mão, me levou até o estande do Instituto Serra do Amolar e mostrou um folder, em seguida mostrou um vídeo contendo as belezas da desconhecida e secreta Serra do Amolar.

Tuiuiú (Jabiru mycteria) - ave símbolo do Pantanal - Foto by Silvia Linhares

Capa do folder oficial