quinta-feira, 26 de julho de 2018

PA - Expedição Mãe-de-taoca-arlequim - De Santarém à Itaituba no Pará

Embora com atraso, segue o relato, que estava escrito pela metade, sobre a "Expedição Mãe-de-taoca-arlequim",  realizada no período de 31/10 a 12/11 de 2017.  Em geral demoro 7  a 8 dias para finalizar um post de viagem, desta vez foram 7 ou 8 meses ... apenas...rs rs rs


mãe-de-taoca-arlequim (Rhegmatorhina berlepschi

Quando surgiu a ideia de passarinhar pelo Pará, a “moda” no meio era ir para Parauapebas, desejo que ainda irei realizar em 2018. Conversando com o amigo ornitólogo Pablo Cerqueira (Pinima Birding Brazil) , durante o Avistar 2017, falamos sobre o endemismo Belém e sobre Santarém/Itaituba. Sabe aquele friozinho na barriga que dá só de imaginar conhecer um lugar pouco explorado das nossas florestas, pois é, foi o que senti na hora. Pedrinhas de gelo pareciam saltitar atrás do meu umbigo. Minha câmera foi dominada por um assanhamento sem fim. Todo dia eu era obrigada a ouvi-la dizer: “E aí, mamis, decidiu quando vamos?” rs rs rs


Vou fazer um aparte aqui. Eu conquistei o direito de colocar minha bandeirinha do Estado do Pará em 2013, quando numa viagem com amigos pelo norte do Mato Grosso pedi para atravessar a fronteira dos dois Estados, pela BR-163, a fim de clicar um passarinho qualquer. Eu esperava que a BR-163, rodovia que liga Tenente Portela, no Rio Grande do Sul, a Santarém, no Pará, fosse ladeada por florestas ao adentrar o Estado. Que desolação. Desmatamento por todos os lados. Uma lástima. Fiquei com gosto amargo na boca. Fiz um periquito e um urubuzinho e quis voltar logo para Matupá/MT, onde eu estava hospedada.

meu colete de fotógrafa

Baseada nessa experiência eu fiquei com um pé atrás quando soube que íamos de Santarém a Itaituba (que carinhosamente eu apelidei de "Itubaína" (refrigerante sabor tutti-frutti), pelas BR-163 e BR-230 e que iríamos passarinhar em suas bordas.

Um pouco da BR 230 - Rodovia Transamazônica

Quando eu era “menina-pequena lá em Presidente Prudente”, época de imaginário fértil e de grandes esperanças na humanidade, ouvia falar da construção da Transamazônica. Ela ia cortar uma grande floresta e levar o progresso para o Norte e Nordeste do País. Suas margens seriam “colonizadas” e com isso se eliminaria a pobreza dessas regiões do País. Progresso era a palavra da moda, e eu juro, nunca imaginei que ela causaria tanto mal ao Brasil. Hoje eu sei que o projeto jamais primou pela conservação do meio-ambiente, cujo custo ambiental, pagamos um alto preço. Ao longo dos anos as florestas deram lugar a fazendas de gado, madeireiras e mineradoras – nem sempre legalizadas e muitas vezes acobertadas por políticos (engoli o palavrão aqui) e gente poderosa.

Passarinhando nas bordas da Rodovia Transamazônica  (Itaituba/PA)


Projetada para ter mais de 5 mil km ligando as regiões Norte e Nordeste do Brasil com Peru e Equador, esperava-se que nossa produção seria escoada até o Pacífico, gerando riquezas para a população. Mas seu ponto final foi em Lábrea, 687 quilômetros antes e foi um fracasso total. Inaugurada há 43 anos,  mais da metade da estrada, 2,2 mil quilômetros, não é asfaltada. Durante o período de chuva, de seis meses, é quase impossível transitar. A maior parte da via não possui sinalização e iluminação.  

A poeirenta Transamazônica
Como diz a frase na música Homem primata dos Titãs: ”...eu não sabia que o homem criava e também destruía, homem primata, capitalismo selvagem...

OBS: A Rodovia Transamazônica (BR-230) é uma rodovia brasileira, criada durante o governo do presidente Emílio Garrastazu Médici (1969 a 1974), sendo uma das chamadas "obras faraônicas" devido às suas proporções enormes, realizadas pelo regime militar. É a terceira maior rodovia do Brasil, com 4 223 km de comprimento, ligando a cidade de Cabedelo, na Paraíba à Lábrea, no Amazonas, cortando sete estados brasileiros: Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas. É classificada como rodovia transversal. Em grande parte, principalmente no Pará e no Amazonas, a rodovia ainda não é totalmente pavimentada. (Wikipedia)

Dando continuidade ao que comentei no início, combinamos, eu, Viviane de Luccia e Marco Guedes de fazermos a expedição com o amigo Pablo Vieira Cerqueira, que é um grande especialista em aves amazônicas e um extraordinário guia. Ela ganhou o nome de Expedição mãe-de-taoca-arlequim, uma espécie rara que até então só contava com 3 registros fotográficos no site Wikiaves, nossa bíblia quando se trata de pesquisar aves silvestres. Eu vou descrever em texto e fotos um pouco das emoções vivenciadas durante essa deliciosa expedição, tão bem idealizada e planejada pelo Pablito.

Sentimento que me bateu quando caminhei pela Várzea de Santarém/PA

Dia 31/10/2017 - terça-feira

Viajamos no dia 31/10 bem cedo. Chegar a Santarém é um pouco complicado. Voo com escala e conexão. Então melhor chegar com calma, descansar pra começar o dia seguinte com tudo que se tem direito. Pablito chegou enquanto o aguardávamos no bar do aeroporto e em seguida passamos pela locadora, pegamos o veículo alugado por ele e seguimos pra Alter do Chão, uma pequena e aconchegante vila turística.  Fizemos check in no Hotel Borari, cujo dono foi muito simpático com a gente. 

Eu, Marco Guedes e Viviane de Luccia no avião

Marco, eu, Pablo e Viviane no aeroporto

Viviane e eu passeando pela orla de Santarém

Saímos para um passeio pelo centro da vila e à noite retornamos para jantar e experimentar uma deliciosa caipifruta de taperebá no Bora Bar, do qual ficamos fregueses. 


Eu e a deliciosa caipifruta de taperebá

Aproveitamos e fizemos o briefing dos lifers (espécies de aves nunca avistadas) de cada um. Terminei a noite com um delicioso sorvete de cupuaçu da Arco-Íris da Amazônia e um colarzinho de muiraquitã* no pescoço pra dar sorte.

Eu e o sorvete de cupuaçu
*Muiraquitã é um amuleto feito de pedra ou argila, em formas de animais, principalmente sapinho e traz felicidade e sorte a quem o possui. Há diversas lendas indígenas sobre ele, uma pesquisa no Google vai mostrar todas elas.

Dia 01/11/2017 - quarta-feira

Acordamos não muito cedo, tomamos um rápido café e seguimos para a várzea conforme previsto no nosso planejamento (roteiro pré-enviado pelo Pablo). Não era muito longe. O primeiro bicho do dia foi um araçari-de-bico-branco (Pteroglossus aracari), outros bichinhos bem interessantes apareceram, mas nenhum era lifer. No entanto, fizemos bela fotos como, por exemplo, do papa-formiga-vermelho (Formicivora rufa). O beija-flor-de-garganta-verde (Amazilia fimbriata) deu um show buscando seu néctar numa flor vermelha. (confira ao fim de cada dia as listas postadas no e-Bird)

Seguimos para Ponta de Pedras - um lugar lindo, de areias brancas - para almoçar no Restaurante Panela de Barro, onde pude provar a deliciosa cerveja Tijuca/Cerpa com um peixe, que, ai, “meodeosdosséu”, só de lembrar dá água na boca. 

Ali mesmo ao redor do restaurante, pudemos fazer algumas fotos bacanas dos bichinhos que estavam dando mole, como a guaracava-de-barriga-amarela  (Elaenia flavogaster) e o iratauá-grande (Gymnomystax mexicanus).

Panela de Barro

Aves da manhã
Mas o suspense permanecia. Procuramos lifers o dia todo e nada. Mas o Pablo tinha uma carta na manga. Seguimos todos para a UFOPA Campus Tapajós, onde o professor Edson Lopes nos aguardava. Em seguida ele nos mostrou o tuim-santo (Forpus passerinus), que era lifer pra mim e pro Marco. O bichinho esbanja "fofurice". 

tuim-santo (Forpus passerinus)
Satisfeitos com as fotos, fomos conhecer um pouco do Campus, procurando mais aves. Um gavião-carijó (Rupornis magnirostris) estava de olho no bando de periquito-da-campina (Brotogeris versicolurus), com certeza, ali, logo ele ia conseguir o seu jantar. 

Vimos ainda pica-pau-de-peito-pontilhado (Colaptes punctigu), picapauzinho-barrado (Picumnus cirratus), ferreirinho-estriado (Todirostrum maculatum) e três espécies de urubus. Mas o show mesmo ficou por conta do colaborativo joãozinho (Furnarius minor) e de um filhotão de sabiá-branco (Turdus leucomelas), que jurava estar completamente camuflado. rs rs rs


Voltamos ao Hotel, descansamos um pouco (o sono da beleza rs rs rs). E de novo, no fim do dia fomos tomar um aperitivo no Bora Bar e nos deliciar com caipifrutas de taperebá e sorvete de cupuaçu. 

Quando fui olhar a vitrine no estabelecimento vizinho (Arco-Íris da Amazônia), um rapaz, que depois soube ser dono do lugar, me abordou e me perguntou se eu era observadora de aves. "Sim, sou" - tão óbvio com aquelas roupas de fiscal do Ibama rs rs rs. Aí choquei com a segunda pergunta: Você é a Silvia Linhares?  Oi? Quem? Como assim? "Sim, sou eu mesma". E ele respondeu, eu sou o Pedro, amigo da Adriane Kassis e ela me falou que você estaria por aqui. "Ah! Tá, muito prazer". Quase achei que estava ficando famosa hehehehehehe. 

Eu e Pedrinho




Lista  e-Bird do dia 01/11/2017 - Várzea de Santarém - clique aqui
Lista  e-Bird do dia 01/11/2017 - UFOPA Campus Tapajós - clique aqui

Dia 02/11/2017 - quinta-feira

Saímos cedo para o porto (5:30h), e embarcamos rio Tapajós adentro, parecia mais um mar, o vento era tão forte, mas tão forte, que elevava a embarcação e fazia a gente pular feito fruta dentro de um liquidificador. Finalmente chegamos ao nosso destino, o Canal do Jari. Navegar no Canal foi bem tranquilo. Muitas aves bonitas, uma luz maravilhosa para fotografar. Fosse ou não ave comum, lá estava a gente clicando tudo. Cheguei a enquadrar quatro espécies de garça num frame só.
 
Navegando no Canal do Jari

Quatro espécies de garças (branca grande, branca pequena, azul e vaqueira)

E a quinta passou por cima das nossas cabeças (garça-moura)

Aportamos no rancho do Seu Edevaldo e d. Rosângela, um simpático e falante casal. Ouvimos muitas histórias interessantes, tomamos um delicioso cafezinho com biscoitos de castanha-sapucaia, preparado pela d. Rosângela. Saímos pro mato ao redor do rancho pra ver se encontrávamos alguns bichos legais.

D.Rosângela, Branco, nosso piloteiro, Seu Edevaldo, Eu, Viviane, Marco e Pablito 

Consegui fotos de um casal de garrinchão-de-barriga-vermelha (Cantorchilus leucotis), pica-pau-de-topete-vermelho (Campephilus melanoleucos), ariramba-de-cauda-verde (Galbula gálbula) e choca-d'água (Sakesphorus luctuosus)

Mas a festa do dia ficou por conta do joão-escamoso (Cranioleuca muelleri), que diferente de toda “craniolouca” que conheci, o casal se mostrou tranquilo para as fotos. Foi o lifer do dia.  


Vimos um roedor muito bonitinho, um bichinho da família Echimyidae, chamado Toró (Dactylomys dactylinus).

Toró - nome popular do roedor Dactylomys dactylinus

Já no píer, um casal de canário-do-amazonas (Sicalis columbiana) permitiu fotos bem bacanas.


O retorno foi mais tranquilo e não teve o efeito liquidificador da ida. Almoçamos de novo no Restaurante Panela de Barro na Ponta de Pedras onde eu devorei três mousses de cupuaçu (ô trem bão, viu!). Descansamos à tarde no hotel Borari.

À noite petiscamos na pracinha no já costumeiro e tradicional Bora Bar, ao som de uma bandinha de meninas que deixou a todos encantados.  Espia o videozinho a seguir...


E eu confesso, estava me sentindo iluminada por estar ali vivendo momentos tão intensos ao lado de amigos tão preciosos. E juro que esse sentimento não era efeito da caipifruta de taperebá, nem das luzes dos postes. Era dentro da minha alma. rs rs rs

Eu e Pablo
Marco e Viviane


Lista  e-Bird do dia 02/11/2017 - Canal do Jari - clique aqui
Lista  e-Bird do dia 02/11/2017 - Margens do Canal do Jari - clique aqui

Dia 03/11/2017 - sexta-feira

A ideia era passarinharmos na Floresta Nacional do Tapajós em Belterra, sendo pela manhã na torre e à tarde nas trilhas. Para isso o Pablo precisou de autorização do gestor (ICMBio/INPA), e por regra, uma pessoa iria nos acompanhar. 

O dia começou à noite. Explico melhor: acordamos 2:30h da manhã e eu fui pra cozinha do hotel às 3:00h para fritar ovos e fazer café. Ovos fritos com pão é a salvação, se não do mundo, mas dos passarinheiros (dizeres da grande amiga Vanilce Carvalho). A ideia era começar bem cedo. Ao chegar lá fomos recebidos no portão pelo biólogo e pesquisador Marcos Silva, que nos acompanhou até a torre.
 
Fritando ovos (eu sei, tá?)
No alto, Marco, Vivi, eu, Pablo e Marcos Silva

Andamos por uma trilha mata adentro até chegar à torre. É realmente surreal, tudo envolto por tons "dégradés" de verde. Árvores muito altas ladeiam a torre, que tem mais de 40 metros de altura. Eu me senti em Manaus na Torre do JB. Super segura e fácil de subir. Do alto o visual é espetacular. 

Como bem disse o amigo Robson Czabam sobre a ida dele lá: “Mais incrível ainda é vermos que apesar da altura em que estávamos (40 metros), vimos muitas árvores ao nosso redor passar com folga da altura da torre, entre 50 e 60 metros de altura. Aquela sensação que tínhamos no chão era, afinal, verdadeira. Poucas vezes presenciei tantas árvores gigantes tão próximas umas das outras.“ 

Poderia ter mais passarinhos lá no alto, mas talvez por conta do tempo abafado, lua cheia, sei lá, poucos foram o que se aproximaram para uma boa foto.  Consegui dois importantes registro na torre: arapaçu-barrado-do-tapajós (Dendrocolaptes certhia ridgwayi)  e bacacu-preto (Xipholena lamellipennis) - antigo nome: anambé-de-rabo-branco

No entanto ver de pertinho a saripoca-de-gould (Selenidera gouldii) é algo de sonho para passarinheiro, pois meus encontros com ela sempre foram a centenas de metros de distância. Ainda rolaram mais algumas subespécies bem legal de registrar, como o araçari-de-bico-branco (Pteroglossus aracari aracari) e araçari-de-pescoço-vermelho (Pteroglossus bitorquatus reichenowi). Esse último é uma subespécie que apresenta faixa branca na base da mandíbula, não possuindo o colar amarelo separando o papo marrom do peito vermelho. E ainda teve o pica-pau-bufador (Piculus flavigula magnus), entre outros.


Lanchamos e seguimos para algumas trilhas dentro da Flona. Uma delas nos levou a um bando de tiriba-de-hellmayr (Pyrrhura amazonum amazonum), que era lifer só pra mim. Infelizmente elas não chegaram perto pra fazer fotão como eu gostaria.

Partimos em seguida para a Trilha Interpretativa Terra Rica, um conceito de trilha que me agradou muito. Nela pude ter um encontro com uma ave muito esperada e bonita: o arapaçu-do-tapajós (Campylorhamphus procurvoides cardosoi). 


Além dele, um macuru-pintado (Notharchus tectus) apareceu bem no alto. Uma fêmea de saurá (Phoenicircus carnifex) deu um baile na gente na tentativa de fazer uma foto bacana dela. 


Apesar de já termos conseguido importantes avistamentos, o calor asfixiante prenunciava que o período de chuvas estava por chegar, fazendo com que a floresta ficasse um pouco mais silenciosa e os bichos mais escondidos. Confesso que minhas expectativas eram maiores. Mas enfim...a natureza reina absoluta e dela podemos apenas colher seus frutos.

Chegamos em Alter do Chão bem no final do dia. A noite estava deslumbrante. Lua cheia maravilhosa. Lá fomos nós para o Bora Bar degustar uns peixinhos com caipifruta de taperebá.  


Pablo, eu, Viviane e Marco


Lista  e-Bird do dia 03/11/2017 - Torre da Flona - clique aqui
Lista  e-Bird do dia 03/11/2017 - Trilha da Flona - clique aqui
Lista  e-Bird do dia 03/11/2017 - Trilha da Flona - Base Terra Rica - clique aqui


Dia 04/11/2017 - sábado

Novamente a gente ia passarinhar na Floresta Nacional do Tapajós em Belterra e por isso acordamos muito cedo de novo, após os ovos fritos e café passadinho na hora, lá fomos nós pro mato, mas hoje o dia não estava pra peixe, ops, digo, pra aves.


De importante mesmo, só um gavião-de-cabeça-cinza ou gavião-gato  (Leptodon cayanensis) pousado, um anambé-branco-de-bochecha-parda e um arapaçu-pardo (Dendrocincla fuliginosa). 



Na trilha, achamos uma ave, que era lifer apenas pra mim: choquinha-de-olho-branco (Epinecrophylla leucophthalma), mas a foto ficou tão ruim, mas tão ruim, que preferi utilizar a que fiz outro dia, embora não tivesse ficado tão melhor que a desse dia.

A parte da tarde nós tiramos para descansar e arrumar as malas, uma vez que no dia seguinte partiríamos para Itaituba. À noite fomos a um lugar diferente. 

Sombreados pela luz do luar, empolgados e cheios de expectativas com o novo lugar que nos esperava, fomos ao Espaço Gastronômico de Alter do Chão, onde um “jambu-santo” nos fez conhecer um pouco mais das delícias do Pará. 

Comemorando nossa estada em Alter do Chão e os lifers conquistados

Pablo e Marco

Eu e Viviane

Lista  e-Bird do dia 04/11/2017 - Trilha da Flona - clique aqui

Dia 05/11/2017 - domingo

Acordamos cedo e tivemos que enfrentar um pequeno transtorno: problemas com o pneu do carro, que estourou e não tinha borracharia aberta em Alter do Chão. 

Contatamos a Localiza que não tinha outro carro para substituir, mas disseram que em Itaituba a gente conseguiria fazer a troca. Impossível ir até lá no estado que o pneu se encontrava. Estava previsto um trajeto de quase 400 km, em sua maior parte de terra, e inclusive uma balsa. Então o gerente da Localiza conseguiu uma borracharia em Santarém para a gente arrumar o pneu. E lá fomos nós. O borracheiro disse que o pneu estava “lascado”, que ele daria um jeitinho, mas era arriscado viajar com o pneu daquele jeito. Foi um tal de põe e tira todas as malas do porta-malas que vou te contar. Hoje quando lembro, dou muitas risadas, mas que foi um saco, foi. rs rs rs 


Isso tudo nos levou toda a manhã. Aproveitamos e almoçamos em Santarém, no delicioso Piracema. 


Já já chega o surubim grelhado...

Seguimos nosso caminho, e pra ajudar, um trecho da estrada estava interditado pelo Exército que efetuava obras em uma ponte. Lá ficamos nós um tempão parados, um calor dos infernos e nenhum passarinho pra distrair. 


Depois fomos rodando até chegar na balsa que atravessa para o centro da cidade de Itaituba, do outro lado do Rio Tapajós. Lá nos esperava o guia Gilberto Nascimento, que conhece tudo por aquelas bandas. Ele nos conduziu até a Pousada Portal do PARNA Amazônia, onde iríamos permanecer até o retorno à Santarém.   


Chegando na pousada, fomos recebidos pelos super simpáticos donos Marly e Cleison. A pousada oferece além da hospitalidade, cordialidade, excelentes refeições e uma paisagem deslumbrante com vista para o rio Tapajós.

Nos instalamos, fizemos uma refeição e fomos nos ajeitar pra dormir.

Dia 06/11/2017 - segunda-feira

De acordo com o nosso roteiro, iríamos percorrer as trilhas do Parque Nacional da Amazônia, e  passarinhar de voadeira nas ilhas do rio Tapajós, mas que acabamos não fazendo por falta de condições propícias, embora o rio estivesse lindo de se admirar.

Do quintal da pousada

Bem cedinho, após um farto café da manhã, que incluiu tapioca (a-do-ro!!!!) e outras guloseimas, seguimos para a Trilha do Tracoá



Tivemos um dia intenso. Comecei com um liferzão. O pinto-do-mato-de-cara-preta (Formicarius analis). Estava muito escuro, mas fiz o que pude e o que a câmera me possibilita fazer. Depois meio longe, sem dar chance de foto boa, outro lifer: mãe-de-taoca (Phlegopsis nigromaculata).

Logo em seguida, pudemos apreciar uma fartura de aves. A curica-urubu (Pyrilia vulturina), apesar de não ter se aproximado e possibilitado uma merecida foto, foi uma alegria imensa registrá-la. Também nos deparamos com um bando misto muito bom. Algumas choquinhas, limpa-folhas e arapaçus fizeram a nossa festa. Destaque para a choquinha-de-olho-branco (Epinecrophylla leucophthalma), limpa-folha-de-sobre-ruivo (Philydor erythrocercum), chirito/chirito-do-bambu (Ramphocaenus melanurus) - o novo nome  popular parece nome de refri vagabundo  rs rs rs - para quem não sabe é o antigo bico-assovelado e arapaçu-marrom (Dendrocolaptes hoffmannsi).


Admiro muito quem consegue fazer foto bonita e no limpo desses bichos, pois mesmo com um bom equipamento, os bichos são inquietos, a mata é muito escura, tem muitos galhos e folhas na frente, o que dificulta o foco e uma boa foto. Por mais que o guia tente fazer o bicho se mostrar, nem sempre é possível  fazer algo mais do que um mero registro. Mas sempre resta a esperança que na próxima tentativa eu consigo. 

Um exemplo de emaranhado total, daqueles que você torce para o bichinho pousar no galho limpo, só que não... rs rs rs

Antes de voltar pudemos admirar uma ariranha pegar seu filhotinho na boca e leva-lo para uma das margens. Acho que estava ensinando a pescar. 


Sem contar no tanto de flores e bichos diferentes que paramos para olhar no caminho. 


E falando em caminho, pegamos cada trecho que afff... "meodeoz", não sei como a gente conseguiu passar.


pensa num caminho difícil, descida íngreme, pinguela e subida íngreme

mereceu até um descanso depois...

Após um delicioso almoço, saímos para procurar uns pontos interessantes nas bordas da estrada. Fiz mais alguns bichinhos interessantes: capitão-de-peito-marrom (Capito brunneipectus), gavião-branco (Pseudastur albicollis) e novamente o bacacu-preto (Xipholena lamellipennis), antigo Anambé-de-rabo-branco, sempre muito longe e no alto.


No fim do dia nossa reunião na varanda era sempre muito festiva. A gente comemorava os lifers  e conversávamos sobre amenidades e o que iríamos fazer no dia seguinte. Depois vinha nosso farto jantar e muitas bebidinhas com frutas para degustar. Subir as escadas, cujos degraus eram pouco anatômicos, depois das caipifrutas e muita comida gostosa era um exercício penoso, que nem te conto. rs rs rs

Vivi, Gilberto, eu, Pablo, Marco e Marly, a proprietária

Lista  e-Bird do dia 06/11/2017 - Trilha do Tracoá - clique aqui
Lista  e-Bird do dia 06/11/2017 - Transamazônica - clique aqui

Dia 07/11/2017 - terça-feira

Todo amanhecer na Pousada era pura poesia, o céu, tingido de tons laranjas, anunciava mais um dia quente. Enquanto a gente se fartava no café da manhã, os olhos se fartavam com uma paisagem de cair o queixo.


Iríamos começar pela manhã na Trilha do Açaizal. Só que antes demos uma passadinha na sede do ICMBio tentar um bichinho que costuma dar mole por lá, o rapazinho-carijó (Bucco tamatia), havia muita neblina e o bichinho ao contrário dos agitados, nem se dignou a se mexer e muito menos sair no limpo.

Na parte da tarde fomos pra Trilha da Piçarreira.  Vivi conseguiu um importante lifer pra ela: a tovaquinha, depois de um tempão tendo adentrado a mata com o Pablo. Estava bem escuro sob a mata densa. A fim de clicar o barbudo-de-pescoço-ferrugem (Malacoptila rufa) num ponto mais adiante, e antes que escurecesse, saí em disparada na frente com o guia  e amigo Gilberto, uma vez que não era lifer pro Marco nem pra Vivi. Chegando lá, ele estava pousado num lugar bem escuro. A lente se recusava a focar, parti para o foco manual e quando tentava ajustar o foco, o pessoal chegou atrás e ele foi embora e não voltou mais. Saiu um único borro-lifer. Quem sabe um dia eu faço um melhoraifer, né?

andando pelas trilhas

uma pausa para descanso ... bendito leque

Destaque do dia: rapazinho-de-colar (Bucco capensis), patinho-de-coroa-branca (Platyrinchus platyrhynchos), rabo-branco-rubro (Phaethornis ruber), cantador-estriado (Hypocnemis striata) e arapaçu-concolor  (Dendrocolaptes certhia concolor).


Nós retornávamos das trilhas cansados, suados, literalmente acabados, mas sempre muito bem humorados, e não faltavam brincadeiras e palhaçadas, com muitas risadas. E olha a cara do Pablo na foto abaixo. Devia estar pensando: onde fui arrumar esse bando de doido? rs rs rs Ô saudades disso tudo.

Diversão não faltou...

Mas no final da noite sempre vinha mais alegria, ainda mais depois que o Pablito nos presenteou com uma cachaça com jambu. Aí foi covardia. Ele esvaziava meu copo e dizia que não era ele não. kkkkkkk



Lista  e-Bird do dia 07/11/2017 - Base do Uruá - clique aqui
Lista  e-Bird do dia 07/11/2017 - Trilha do Açaizal - clique aqui
Lista  e-Bird do dia 07/11/2017 - Trilha Da Piçarreira - clique aqui

Dia 08/11/2017 – quarta-feira

Quando chega lá  pela metade de uma expedição longa, a gente começa a sentir um certo esgotamento físico e emocional (não sei se todo mundo é assim, mas eu sou). Os pássaros parecem colaborar pra que isso se agrave, pois somem na mata, e quando aparecem é para causar mais estresse ainda, pois ou estão muito longe ou na brenha ou pipocam para todos os lados, ou pior ainda, sequer aparecem. 

O dia amanheceu meio sinistro, totalmente esquisito, nublado, abafado e acho que sofri muita influência disso. 

Na estrada o primeiro lifer, apenas pra mim, uma jacupiranga (Penelope pileata), que cliquei de dentro do carro, meio longe, quase não conseguia focar. Foi sofrido. E esse oitavo dia foi todo assim, duas baitas espécies, todas lifers: formigueiro-de-cara-ruiva (Myrmelastes rufifacies) e corneteiro-da-mata (Liosceles thoracicus), e o resultado apenas borro-lifers. Nem por decreto quiseram facilitar. 

Acho que quando a expectativa da gente é muito grande e os desejos não se realizam, a frustração faz um estrago enorme no nosso íntimo. Haja força pra superar.


Eu passei assim o dia todo, mesmo tendo um encontro razoável com um udu-de-bico-largo (Electron platyrhynchum) e uma fêmea de chupa-dente-grande (Conopophaga melanogaster). Já era o oitavo dia da expedição e nada da mãe-de-taoca-arlequim (Rhegmatorhina berlepschi).

Ninguém é de ferro, bora tirar um descanso no meio do caminho

Mas no final do dia deu pra elevar a alma a um estágio mais animado. E eis que um casal de arapaçu-de-bico-comprido (Nasica longirostris) às margens da Rodovia Transamazônica, resolve deixar a gente fazer foto bonita, fazendo nosso humor voltar ao normal. 

E em meio a um por do sol de tirar o fôlego, o dia nos deixou e voltamos pra pousada para a nossa "festa noturna" costumeira.



Lista  e-Bird do dia 08/11/2017 - Transamazônica - clique aqui
Lista  e-Bird do dia 08/11/2017 - Trilha da Capelinha - clique aqui
Lista  e-Bird do dia 08 /11/2017 - Transamazônica  - clique aqui

Dia 09/11//2017 - quinta-feira

O dia amanheceu bonito, mas de repente começou a chuviscar. A chuvinha cessou e fomos para a trilha da Gameleira na parte da manhã. 


Andamos muito, e só lembro que de repente eu vi uma cobra se rebolando na minha frente no chão. Eu comecei a saltitar como se pudesse sair flutuando por cima dela. E dizia: "ai, ai, ai, Pablo, tem uma cobra aqui embaixo". O Pablo imediatamente descobriu a causadora do alvoroço. Era uma inofensiva cobrinha. Ele nos deu uma aula sobre a bichinha e depois soltou-a no mato para que ela continuasse sua vida e nós as nossas. 




Colocamos blind e nada de os bichos colaborarem como deviam. Mas deu pra ver alguns bem interessantes, apesar de tudo. 
 
Pablo testando o blind na pocinha

Era o nono dia da nossa expedição, mas não era o qualquer dia, era "O DIA!!!", iríamos nos dedicar a procurar aquela que deu nome à nossa expedição: a mãe-de-taoca-arlequim (Rhegmatorhina berlepschi). Sendo que nos dias anteriores a gente tentara e nada. Já escaldada em Rondônia, por tentar aquela que seria a cereja do bolo e nem tchum (choca-de-garganta-preta (Clytoctantes atrogularis)), eu estava apreensiva e com a barriga cheia de bloquinhos de gelo. Será? Passei o dia tentando respirar e não me preocupar. Mas juro que foi difícil.

Num determinado local da trilha, nossos grandes guias Pablo e Gilberto ouviram sua vocalização, nos posicionaram da melhor forma, eu fui colocada no meio, tendo Viviane à minha esquerda e Marco à direita. Pediram que não nos mexêssemos, rs rs rs. Nessas alturas eu mal conseguia respirar, que dirá me mexer.  

 E ela aproximou-se, no meio da brenha, como todas as mães-de-taoca. Havia uma única janela, só que de onde eu estava tinha uma folha bem na frente dela, me atrapalhando, e por mais que eu tentasse, mesmo nas pontas dos pés, abaixando, rebolando prum lado e pro outro, não conseguia foco que prestasse (foto 1 - sem crop).

Foto 1

Eu precisaria dar um passo para qualquer dos lados, mas se fizesse isso, com certeza ia tomar uma bifa da galera. A Vivi desesperada, não conseguia vê-la, e o Marco só no clique. Deu vontade de sair correndo. Mas quem saiu dali foi nossa princesa. Os guias penalizados, tentaram tudo para que ela voltasse, porém sem sucesso. 

De repente o Gilberto entrou no mato e volta, levando eu e Viviane para onde ele a avistara novamente, mas bem longe, estava difícil ver onde - a olho nú, nem pensar - mas consegui localizá-la (foto 2 sem crop) com a lente no talo e com foco manual fui clicando (foto 3 - sem crop). Só havia um buraquinho, e eu puxei a Viviane na minha frente, e fui mostrando com calma onde ela estava. 

Foto 2

Foto 3
E numa das tentativas ela conseguiu seu sonhado lifer. Todos conseguimos. Não foi a foto dos sonhos, mas foi um avistamento dos sonhos. Até hoje me pergunto, como consegui ficar calma nesta hora depois de todo o desespero que passei. Um pouco depois, aí vi que mal me segurava em pé.  As pernas estavam bambas, os olhos em lágrimas, feliz por mim, pelo Marco e pela Vivi e pelos nossos queridos guias. Não tem como descrever tal emoção. Nos abraçamos e lembro de pedir para soltar um palavrão bem alto: foi um PQP daqueles. rs rs rs


Mas as emoções não pararam por aí, mais um lifer muito desejado. Terminei o dia vendo um lindo casal de Ararajuba (Guaruba guarouba) namorando sobre a minha cabeça... isso não tem preço.


Fomos pro meio da Transamazônica ver se havia algum bichinho dando sopa por lá, nem tinha, mas os leques da Viviane fizeram um sucesso danado. Contei pro Ciro Albano que a gente tinha conseguido a "arlequim" ele fez um meme e pediu pra eu tirar foto do Pablo com o leque. Pedido atendido e extrapolado. Todo mundo foi obrigado a ser fotografado com o leque.

o meme do Ciro - Pablo e a mãe-de-taoca-arlequim

A festa do leque

Em clima de festa retornamos à Pousada e preparamos uma surpresa pra Viviane. Ela havia atingido  1400ª espécies fotografadas no Wikiaves, e os meninos e eu recolhemos mangas do chão (aliás deliciosas) e fizemos o nº 1400 numa mesa para ela.



Comemorando as 1400 espécies da Viviane

O dia foi intenso e muito comemorado. Mas não acabou não, tem mais.

Lista  e-Bird do dia 09/11/2017 - Trilha Da Gameleira- clique aqui
Lista  e-Bird do dia 09/11/2017 - Trilha Da Piçarreira - clique aqui

Dia 10/11/2017 - sexta-feira

Décimo dia da nossa expedição. Acordamos cedo e fomos para a Trilha do Açaizal. Uma surpresa nos aguardava, um daqueles momentos extasiantes, que só quem é ornitófilo de verdade pode entender. Um Uirapuru-verdadeiro (Cyphorhinus arada interpositus) dando mole!!!!

Ele deu um show para nossas lentes e nossos ouvidos. Estrelíssima do dia, não tem como não sair de alma lavada depois de ouvir esse pequeno entoar sua canção. Quando ele canta, a floresta pára, diz a lenda. E como diz o Pablito: "Uma das aves mais lendárias da Amazônia, com um canto muito melodioso e calmo e por cantar principalmente em horários de pouca atividade das outras aves, surgiu a lenda que quando o uirapuru canta toda a floresta se cala para ouví-lo cantar. Toda a floresta eu não sei, mas eu sempre paro quando ele está por perto."  E eu também. 


 Ainda rolou mais um lifer, o vite-vite-uirapuru (Tunchiornis ochraceiceps).


Voltamos para a Pousada onde fiz mais uma amiga com o nome Viviane: a Viviane Maria Lourenço. A gente se fala pelo Face até hoje.
 
Eu, Marly, nossa anfitriã, Marco, Viviane 1 e Viviane 2, Pablo e Gilberto

E o dia terminou com uma bela caipifruta com pinga com jambu e muita alegria. 


Lista  e-Bird do dia 10/11/2017 - Trilha do Açaizal - clique aqui
Lista  e-Bird do dia 10/11/2017 - Trilha da Piçarreira- clique aqui
Lista  e-Bird do dia 10 /11/2017 - Transamazônica  - clique aqui

Dia 11/11/2017 – sábado

Sábado era o último dia na pousada. Pela manhã nós "transzamazonamos". E a BR 230 não decepcionou, trazendo para suas bordas lindas aves. Dentre elas um lindo gavião-branco (Pseudastur albicollis) e uma linda choquinha-de-asa-comprida (Myrmotherula longipennis). E para completar três ararajubas (Guaruba guarouba) pousadas "tagarelando" ficaram fazendo pose para a gente. Além disso, flores, borboletas e fungos renderam ótimas fotos. 



Na parte da tarde, os rapazes foram até Itaituba arrumar o pneu que novamente deu problema e nós ficamos. Peguei a Canon SX50 e fiz muitas fotos da bela paisagem que se descortinava na frente da pousada.  



Na parede da Pousada, a Marly (nossa anfitriã) tem uma veste indígena completa pendurada, que eu fiquei encantada. Ela me autorizou experimentar. Ficamos empolgadas e a Viviane fez um ensaio meu com a linda roupitcha. Rimos muito e assim nossa tarde transcorreu em clima de alegria e fim de festa.


O jantar de despedida na Pousada Portal da Amazônia da Expedição Mãe-de-taoca-arlequim, que foi sucesso total, contou com uma turma nova que acabara de chegar. Na foto a turma da Expedição e os novos amigos. Na foto eu, Josiclaudio (ICMBio) , as duas Vivianes, Marco, Pablo, Marly e Cleison (donos da Pousada), Rodrigo Cambará (ICMBio), Gilberto, um dos nossos guias e grande amigo e Gerson (ICMBio). O gatinho eu não lembro o nome rs rs rs

A despedida em alto estilo

 Lista  e-Bird do dia 11 /11/2017 - Transamazônica  - clique aqui

Dia 12/11/2017 – domingo

Saímos cedinho da pousada, após as despedidas de praxe, e pegamos a estrada de volta, cansados mas felizes. O Pablo é dotado de um sensor pra passarinho que é brincadeira, sabe para que ele parou? Para fotografarmos um tiziu (Volatinia jacarina). Calma, não era um tiziu qualquer, era todo branquinho, pois sofria de leucismo. E ainda fui fazendo mais fotos pelo caminho para marcar bolinhas vermelhas no meu mapinha do Wikiaves.


E com um jantar de despedida na orla do Rio Tapajós em Santarém terminou nossa longa e feliz jornada transamazônica. 



Lista  e-Bird do dia 12 /11/2017 - Transamazônica  - clique aqui

 Deixo aqui no final algumas recomendações:
  1. Não economize repelente. Principalmente nas florestas amazônicas, onde há muitos vetores de doenças tropicais. Eu não peguei nenhum carrapato, embora o resto do pessoal tenha pego quase todos os dias.
  2. Fotografe todos os bichos na sua frente, muitas subespécies serão alçadas à espécie plena algum dia. Sem aquela de “Ah! Esse eu já tenho". Faça melhoraifers, red-ball-lifers, municipal-lifers e voilá! Seja um passarinheiro feliz.  
  3. Florestas amazônicas são sempre muito fechadas e entranhadas, quanto menos gente melhor. Não vá com grupos grandes, o barato pode sair caro.
  4. Quando você começa a aumentar sua lista de espécies (tendo como referência o Wikiaves),  consequentemente suas chances de lifers diminuem, sobrando só bicho cascudo. Torna-se muito difícil viajar em grupo por conta desse afunilamento. Nem sempre a sua vontade é a vontade do restante e vice-versa. Mas se não tiver jeito, relaxe e aproveite.
  5. Divirta-se sempre. A graça e a magia de passarinhar reside nesse quesito.

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3 comentários:

  1. Maravilha de aventura Silvia, realmente uma dessas é de tirar o fôlego de nós leitores ! Parabéns !!!!!!!!

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  2. Que delícia recordar desta maravilhosa aventura num relato tão saboroso Sílvia, obrigado!!

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