segunda-feira, 20 de julho de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia


Hoje, 20 de julho de 2020, comemora-se o dia do amigo -  "A data foi criada pelo argentino Enrique Ernesto Febbraro. Ele se inspirou na chegada do homem à lua, em 20 de julho de 1969, considerando a conquista não como uma vitória científica, mas uma oportunidade de se fazer amigos em outra parte do universo".

Falando em universo, o meu  hoje está praticamente restrito às paredes do meu apartamento, mas quem tem amigos queridos, ganha oportunidades de fazer coisas únicas na vida. Nesse quesito, posso dizer que sou mesmo uma agraciada.

Enquanto aproveito o solzinho aqui pela janela da sala, tomando um licorzinho bem leve após o almoço, olhando "a selva" que me cerca, resolvi escrever. 


Antes de contar como foi passarinhar em Monteiro Lobato e Peruíbe durante essa pandemia, senti necessidade de escrever outras coisas. Então aguente firme ou kkkkkkk, se quiser, pule essa parte e vá direto para a próxima.


Vou contar um pouco da minha história. Sim, vou contar coisas sobre uma Silvia que poucos conhecem, essa pessoinha difícil, caprichosa, mas muito persistente e determinada.

Um belo dia na minha vida resolvi que queria mudar de emprego e ir embora da minha cidade natal, Presidente Prudente. Já formada em direito e com OAB nas mãos, eu trabalhava no Fórum local, no cartório criminal da minha cidade, embora gostasse das pessoas, o tipo de trabalho me incomodava muito. Imagina, eu usava máquina de datilografia ainda e essas pilhas de processos abaixo não eram fakes, eram o nosso dia a dia.


Eu apenas queria ir embora da minha cidade. Eu não tinha pretensões de ser advogada, mas sim juíza. Estudei muito, madrugadas inteiras e finalmente passei num concurso que me permitia correr atrás dos meus sonhos. Não. Não foi para Juíza, mas para escriturária da Caixa Econômica Federal em Brasília. Tive um começo difícil por lá, mas aos poucos conquistei uma posição de destaque na matriz e segui carreira interna.
 
Palestrando em algum Ministério em Brasília

Uma das equipes que integrei em Brasília na matriz da Caixa.

Morei sozinha muitos anos, sempre viajando a trabalho, ao qual eu me dedicava inteiramente. Então no final de 2002 eu sofri um AVCi, acontecimento que veio para me mostrar os limites entre a vida e a morte e que havia outros caminhos a seguir. Já era noiva na época, então me mudei pra São Paulo, casei-me e alterei muitas coisas na minha vida. Foram mais de dois anos afastada do trabalho por determinação médica.

Eu me recuperei bem e retornei ao trabalho, já transferida para São Paulo. Com algumas limitações impostas pelo AVCi, eu fui obrigada a interromper o meu hobby anterior, que era criar bijuterias e passei a me interessar por fotografia. Não me tornei uma grande fotógrafa, mas gosto do que faço. <-comentário bem no estilo virginiano perfeccionista kkkkk.

Primeiro passei a registrar o automobilismo e os autódromos. Fiz uma excelente carreira nesse nicho. As aves vieram na sequência e, como uma grande teia de aranha, me aprisionaram a alma. Desde então passaram a receber parte de mim e eu o retorno que só a natureza pode nos dar: paz e beleza. As aves vieram pra ficar e permanecerão sempre. Disso tenho certeza.

Com o fim do meu casamento, voltei a morar sozinha. Veio a aposentadoria e, após isso, comecei a viajar mais, a conhecer mais lugares e mais pessoas. Veja a seguir duas fotos do meu último dia de trabalho na Caixa. 

A festa de despedida

Meu último ponto

O resultado foi que consegui fotografar mais de 80% das espécies do Brasil, ocupando o posto número 1 do site Wikiaves até esta data, o que faço com muita honra e orgulho, pois é fruto do meu amor pelas aves, esforços contínuos, muita superação e lógico, escolha de bons guias e lugares incríveis para fotografá-las.

Como excelente gerente de projetos que fui na Caixa em Brasília, aprendi a planejar cada momento vindouro das minhas viagens. Um dos meus pânicos eram as viagens ao exterior, por não falar inglês nem espanhol. Fui pela primeira vez sozinha ao Uruguai e depois ao México (leia mais aqui) no ano passado. Este ano atravessei o oceano pela primeira vez indo até a África do Sul, esta na companhia de amigos super queridos (leia mais aqui). Duas viagens marcantes e memoráveis.

Ai voltar da África não imaginava o que viria a seguir. Uma pandemia sem precedentes tornou sombrios cada novo amanhecer. Todos os dias somos bombardeados com notícias ruins, mortes, contágios, falências, desemprego em massa. Eu me considero privilegiada, estou aposentada pelo serviço público faz 5 anos, direito que adquiri após longos anos de trabalho. Dessa forma, a pandemia me atingiu de forma diferente de muitos amigos, principalmente aqueles que dependem do turismo e comércio/prestação de serviço para sobreviver.

Já morando sozinha há um bom tempo, não encontrei muita dificuldade em manter minha rotina. Agi como se estivesse no intervalo entre uma viagem e outra. Só que não. Os dias foram passando e a solidão, que eu imaginava que não me afetaria, foi trazendo sombras e uma enorme tristeza para o meu coração. As energias foram abandonando o meu corpo e os sorrisos da minha alma foram se apagando aos poucos. A poesia começou a me abandonar. Renovava um pouco com o contato virtual via redes sociais. Mas não tinha e nem tenho ideia até quando isso manteria meu espírito vivo. Nessas alturas da pandemia, manter o corpo vivo já faz diferença. Triste constatação essa, mas verdadeira.

Os amigos mais próximos tinham uma visão do meu estado que nem eu mesma estava tendo. O Marco Cruz é um desses. Após recusar seus primeiros convites para passarinhar durante a pandemia, no último, ainda estava em dúvida, quando ele me ligou e perguntou, taxativamente, que horas eu passaria pra pegar ele em Taubaté pra irmos passarinhar com o Marcelinho. Graças às constantes mensagens do guia Marcelo Indinho, eu sabia o que acontecia diariamente no sítio do Flavio e Flaviana em Monteiro Lobato.

Passarinhando em Monteiro Lobato

Saí de São Paulo no sábado 5 horas da manhã. São quase 140 km até Monteiro Lobato, mas antes eu ia entrar em Taubaté. Estava escuro ainda. Só começou a clarear quando cheguei perto de Taubaté, mais de 100 km depois de eu sair de casa. Quando entrei em Taubaté, lógico que eu tinha que errar o caminho após interpretar o GPS errado. E esse "fdp" é meio confuso nas rotatórias kkkkk ou será que sou eu? Essa coisa tipo "pegue a 4ª saída e entre na primeira à esquerda na rua X sentido Y..." sempre faz eu me enrolar. Já estava indo em direção à Ubatuba, quando o Marco, me acompanhando pelo wapp em tempo real, me ligou e avisou que eu estava indo na direção errada. Sem problemas, o GPS já estava recalculando, ele sempre me coloca de volta no rumo certo. Quisera na nossa vida fosse assim também kkkkkk

Apanhamos o Marcelinho e lá fomos nós três mascarados em direção a Monteiro Lobato. Isso me fez lembrar dos filmes de faroeste do Jesse James. Todo mundo mascarado e atirando bem ... e como! Eu fiz mais de 1000 disparos num único dia. Só que minha arma é uma câmera e mira passarinhos. kkkkk



No caminho fizemos um rápido pit stop, tomamos um café quentinho, e eu aproveitei pra comprar mel e própolis para abastecer meu estoque de poções mágicas.

Chegamos no sítio do casal Flaviana e Flávio e mal olhamos os comedouros. Fomos direto para trilha, que nos conduz a um espaçoso "hide" (abrigo camuflado no meio da mata). Mal chegamos e uma papa-taoca-do-sul  (Pyriglena leucoptera) saiu da trilha e pulou no meu celular. 

Momento espetacular, ver o bichinho se aproximar sem medo, lembrando que ele está em área particular, bem preservada e cuidada pelos proprietários, com apoio do guia Marcelinho. Como disse o Marco Cruz: "Essa papa-taoca aí é de outro mundo. Apareceu do nada, ninguém fez nada pra atraí-la."


Instalados com tripé por trás do "blind", pudemos nos deliciar de espécies que toda hora se aproximavam do local, algumas bem difíceis. O Marco de um lado e eu do outro. E ele me dizia, olha o cabecinha castanha naquele galho. Qual galho? Na esquerda. Hum...eu olhava e tinha uns 10 galhos à esquerda... kkkkkk cheguei a sugerir enumerar os galhos para ficar mais fácil ver do buraquinho no "blind". Aí bastava dizer, no galho 3 à esquerda. A gente riu muito de bobagens tipo esta.

Além da espevitada papa-taoca-do-sul (Pyriglena leucoptera), alguns bichinhos mais comuns deram um show pra gente. Menciono a juriti-de-testa-branca (Leptotila rufaxilla), sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris), sabiá-coleira (Turdus albicollis), japuíra (Cacicus chrysopterus), pula-pula-assobiador (Myiothlypis leucoblephara), tiê-preto (Tachyphonus coronatus), saíra-amarela (Stilpnia cayana) e trinca-ferro (Saltator similis), dentre outros.

Mas o legal mesmo foi melhorar os registros da cigarra-bambu (Haplospiza unicolor) e do cabecinha-castanha (Thlypopsis pyrrhocoma). Ainda caminhamos um pouco por algumas trilhas e consegui melhorar o difícil tapaculo-preto (Scytalopus speluncae). Mas passarinho é um bichinho tinhoso, eles podem aparecer num dia e no outro não.  Essa é a magia de passarinhar.


A Flaviana serviu o almoço numa mesa grande ao ar livre. Delícia de almoço. Fazia tempo que não comia com tanta vontade.

A tarde o Marco ficou atrás de uns bichinhos numa trilha e eu e Marcelinho voltamos para o "hide". A luz foi se despedindo em torno das 17 horas. Fiz registros da saracura-do-mato (Aramides saracura), choquinha-de-dorso-vermelho (Drymophila ochropyga), marianinha-amarela (Capsiempis flaveola), maria-preta-de-bico-azulado (Knipolegus cyanirostris), tesoura-cinzenta (Muscipipra vetula) e tiê-de-topete (Trichothraupis melanops)

Voltamos à sede, onde o amigo Roberto Torrubia e o casal amigo Alberto e Mariane Monteiro haviam chegado. 

E não podia faltar selfie com os amigos queridos, em que pese todo mundo estar de máscara.

Após um cafezinho com bolo, seguimos a pé pela estrada e fizemos fotão do bacurau-ocelado (Nyctiphrynus ocellatus). Lembrando que, sempre de máscara e mantendo a distância. E assim terminou um belo jejum de quatro meses.



Espera, não acaba por aí. 

Peruíbe/SP

Alguns dias atrás, o Fábio Barata, guia e proprietário do Mochileiros Hostel e Observação de Aves, havia comunicado que a saracura-do-mangue (Aramides mangle), lifer que eu vinha procurando ha algum tempo, com resultados sempre frustrantes, estava aparecendo em Peruíbe. 

Eu queria muito ir e, por essas coincidências do destino, duas queridas amigas (Viviane De Luccia e Leila Esteves) estavam agendadas para ir lá. Não havia data disponível para mim, então a Leilinha conversou com o Barata e ele permitiu que eu as acompanhasse durante o day-use na última segunda (11).

Chegamos lá e após cruzar com a querida Elisa Focante, única hóspede da pousada, fomos até o local da saracura. O Barata colocou nós três sentadinhas em cadeiras e pediu silêncio e atenção. Como há um comedouro num muro nas cercanias, havia muitos passarinhos para nos distrair. Entre eles três espécies de sabiás: sabiá-branco (Turdus leucomelas), sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) e sabiá-poca (Turdus amaurochalinus). E alguns bem coloridos como o tiê-sangue (Ramphocelus bresilius) e a maravilhosa saíra-sapucaia (Stilpnia peruviana). O show ficou também por conta de uma avezinha que não se importa de usar máscara: a lavadeira-mascarada (Fluvicola nengeta). Deu foto de quadro.

A Leila, de repente, procurou o celular no bolso e não achou. Imaginou que ficara no carro, mas se saísse dali para procurar poderia perder a saracura. O Barata foi até lá. Dito e feito, quando ele voltou a bela já estava desfilando na nossa frente. Ela costuma vir comer frutas que caem no chão do comedouro do muro vizinho.

Só lembro da Leila, sem se mexer, dizer algo do tipo, "tá vindo" e a lindona colocou a cabeça pra fora do mangue. Pé ante pé, se esgueirando, um olhar de soslaio em nossa direção e outro para a banana no matinho, ela acabou caminhando sem medo, indo se deliciar enquanto a gente só metralhava. Bem tranquila, virou pra gente e ainda fez pose, para a nossa felicidade e do amigo Barata, que aguardava de longe.  






Só teve uma parte ruim, a gente comemorou muito, mas não pode se abraçar como é nosso costume. A gente tentava manter sempre a distância onde dava. 


Finalizamos a parte da manhã com muitas fotos legais além do hiper mega super lifer. Destaque para a figuinha-do-mangue (Conirostrum bicolor), tachuri-campainha (Hemitriccus nidipendulus), dentre outros, mas o bichinho que eu queria muito fazer uma boa foto, o bico-assovelado, (que até hoje não sei porque foi rebatizado com um nome que parece marca de refrigerante vagabundo) não saiu bem na foto, infelizmente o chirito (Ramphocaenus melanurus) vai ficar para a próxima.


Depois de comer uma peixada deliciosa num restaurante local, voltamos para os comedouros da pousada, onde a querida Elen, esposa do Barata, nos aguardava com café quentinho. Sentada de pés para cima, fiz fotos até dizer chega ou enquanto a luz permitiu. 

Eu por Fábio Barata

Dois lindos pica-paus fizeram a gente dar pulos de alegria: pica-pau-de-cabeça-amarela (Celeus flavescens) e pica-pau-verde-barrado (Colaptes melanochloros). Mas quem coloriu a nossa tarde foram os seguintes "passarinhos": tiriba (Pyrrhura frontalis), gralha-azul (Cyanocorax caeruleus), saíra-de-chapéu-preto (Nemosia pileata), saíra-sete-cores (Tangara seledon), saíra-militar (Tangara cyanocephala), saí-azul (Dacnis cayana) e saí-verde (Chlorophanes spiza).




A despedida - Foto by Leila Esteves

Aqui as listas da passarinhada em Peruíbe:

Voltamos pra São Paulo parecendo três crianças. Com o mesmo sentimento de dever cumprido que voltamos da África do Sul. Dormi feito anjo, mais de 9 horas, sem aquela agitação que eu percebia no meu corpo nas noites da semana anterior. E confesso, nem vi a semana passar.

Conclusão

Passarinhar faz bem para o corpo e alma. Pode não curar ou evitar o Covid-19, mas aumenta a felicidade e, com isso nossa sagrada imunidade. O resultado é o nosso bem estar geral, fazendo os efeitos colaterais do isolamento social e estresse desaparecerem por completo.

Eu estava a 120 dias dentro de casa, praticamente quase sem por o pé para fora do portão. Saí raríssimas vezes. Malhei, comecei a estudar inglês, tratei fotos, fiz poemas, mas estava no limite do limite. Eu sei viver bem sozinha, mas uma vez que estou sempre viajando, dificilmente estou sem pessoas ao meu redor.

Sim, nesses último tempos o que mais fiz foi refletir sobre a vida, e devo refletir mais um bocado ainda. Teve dias aqui que eu me senti uma idiota completa. Isso por conta de ter deixado de fazer muitas coisas que eu tive oportunidade e vontade de fazer. Sim, nenhum arrependimento do que fiz, mas muitos do que não fiz.

Mas isso vai mudar pra 2021. Pode ter certeza. A vida é um sopro, e nunca se sabe quando ela vai nos abandonar. A gente nunca gosta de pensar essas coisas. E, mesmo eu já tendo enfrentado uma UTI e ter ficado entre a vida e a morte ou, pior, uma cadeira de roda, acho que ainda não tinha adquirido a consciência que tenho hoje. Mas sempre é tempo de reconectar-se, de procurar por coisas que se perderam nas areias do tempo e recomeçar.

Mas bora rir um pouco pra concluir de vez esse post. 
Vou deixar uma série de piadinhas infames que uma amiga postou outro dia e chorei de tanto rir:

- Troco massa, arroz e açúcar por papagaio. Preciso falar com alguém.
- Se virem que saí do Grupo, me coloquem de novo. É o desespero pra sair pra algum lugar.
- Nem em meus sonhos mais loucos, imaginei entrar mascarada no Banco e pedir dinheiro.
- Nunca pensei que minhas mãos iam consumir mais álcool que meu fígado. Nunca...
- A Quarentena parece uma série da NETFLIX, quando achamos que vai acabar, sai a próxima  temporada...
- Eu estou gostando da máscara, no supermercado passei por duas pessoas pra quem eu devo dinheiro e não me reconheceram.
- Se queixaram que 2020 tinha  poucos feriados. Como estão agora?
- Preciso manter distância social da geladeira... Testei positivo para gordura abdominal.
- Alguém sabe se a segunda quarentena se repete com a mesma família ou podemos trocar?
- Faltam duas semanas para que nos digam que faltam duas semanas para nos dizerem que faltam duas semanas.
- Não vou acrescentar 2020 à minha idade. Nem o usei!
- Queremos nos desculpar  publicamente com 2019 por tudo o que falamos dele.
- Essas mulheres que pediam a Deus que o marido ficassem  mais  tempo em casa... Como estão agora?
- Minha lavadora de roupas só aceita pijamas, coloquei um Jeans... e ela me mandou a mensagem #ficaemcasa 😷🏠.
- O primeiro que eu encontrar em 31 de Dezembro chorando pelo ano que se vai, vou encher de porrada.
- Depois de passar por toda esta angústia, só nos falta saber que a vacina será um supositório... e dos grandes ...


E para terminar uma música do Guns N' Roses: Patience





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3 comentários:

  1. Como sempre, uma delícia viajar com você em suas estórias!
    Também pensei em legendar os galhos do "hide": galho da direita ou da esquerda nao estava dando certo! Rsrsrsrs
    Foram muitas emoções mesmo mas, estar novamente entre pessoas, foi algo como uma lifer: pra guardar no coração!

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  2. Simplesmente maravilhoso seu relato. Viajei e registrei essas aves com você. Parabéns pelo lifer, pela vida e pelos registros. Beijos com saudades.

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  3. Excelente! Parabéns por mais um relato maravilhoso!

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