domingo, 19 de fevereiro de 2017

O espírito pioneiro é o que nos une sob o feitiço da ... Patagônia!!!!!

Eu gosto de viajar. Sair da minha rotina cotidiana é fundamental para eu não "entrar em parafuso". Além de me manter estável emocionalmente, viajar leva minha alma a um mundo novo. Novas experiências vão se descortinando frente aos meus olhos. É viver um sonho acordada...e sonhar é delicioso, como eu disse a uma amiga outro dia: sonhar é flutuar nas mãos do destino. Ao postar uma foto outro dia, resumi meu pensamento assim: "Sonho ao olhar o horizonte! Penso na aventura e desventura de procurar dentro dos meus sonhos quem eu sou verdadeiramente. Faço uma reflexão filosófica e de autoconhecimento. Em pensamento, tomo resoluções. Sou um ser "desejante". Quero muito colocar em prática tudo que meus pensamentos arquitetam. E assim eu levo a vida, ou será que é ela quem me leva?



Sim, é ela quem me leva ... e a muitos lugares. Porém há lugares especiais. Há um lugar que nos conecta, integra e unifica com a natureza, nos desvincula das nossas percepções sem distorcer o funcionamento da realidade. Esse lugar se chama ... Patagônia.

Assistindo alguns documentários no Canal BBC Earth sobre vida selvagem, deparei-me com três episódios chamados Wild Patagônia, com imagens maravilhosas, cujo texto inicial, dizia assim: "Em algum lugar remoto do planeta há uma selva sul-americana. Nessas paisagens extremas habitam animais estranhos e maravilhosos. Dos picos das Cordilheiras dos Andes, passando pela estepe seca e deserta até litorais banhados por águas que estão entre as mais violentas do mundo. Viver aqui exige coragem e determinação. Há oportunidades incríveis para alguns. Para outros é batalha pela sobrevivência. O espírito pioneiro é o que os une sob o feitiço da ... Patagônia". E esses episódios passaram a povoar meu imaginário desde então...

Eu já conhecia um pouquinho da Patagônia quando estive em 2010 (Ushuaia/Punta Arenas navegando) e 2014 (El Calafate), mas queria conhecer as estepes secas e desertas e seus animais estranhos e maravilhosos. Comecei a traçar planos. Os amigos Viviane de Luccia e Alejandro Olmos (guia competentíssimo) resolveram encarar e explorar esse novo roteiro comigo. Agora você vai poder acompanhar um pouco dos quase 4 mil km que percorremos nesse lugar incrivelmente mágico. 

Nosso roteiro contando só a rota principal, sem contar as estradas secundárias que percorremos.

Vamos só combinar, vou chamar de lifer espécies novas que nunca registrei e que poderiam ocorrer também no Brasil, com o nome popular aqui adotado (e-Bird ou Wikiaves). As espécies que não se enquadram nesse perfil receberão nome em inglês e/ou espanhol. Todas terão nomes científicos. Ao fim de cada relato diário tem o link para as listas (com fotos) no meu perfil no e-Bird.

24/01/17 (terça-feira)

Eu e Viviane saímos 6.45h do Aeroporto de Cumbica. Receosa por voar com as Aerolíneas Argentinas, posso dizer que a experiência foi muito boa. A escala em Buenos Aires foi bem tranquila. Chegamos no horário previsto em Comodoro Rivadavia. Esta cidade é considerada a capital nacional do petróleo. Situada na costa do Golfo San Jorge, na província de Chubut, é uma das cidades produtoras de energia mais importantes da Argentina e conta com uma indústria mecânico-metalúrgica de alta qualidade procedente de sua tradição petroleira. Possui também o maior parque eólico da América do Sul e aposta ao desenvolvimento de energias limpas e renováveis para a proteção do meio ambiente.

Alejandro já nos esperava. O dia estava bonito, fazia um gostoso calor. A fome de passarinho era tanta que nem pensamos em almoçar. Fomos direto para Rada Tilly, em busca do lindo Mergulhão-de-orelha-amarela (Podiceps occipitalis). Lá chegando, vimos muitos bichos aquáticos. A laguna era bem grande, por isso os bichos ficavam um pouco distante. De repente vimos um pequeno bandinho de mergulhões. Eles se aproximaram o suficiente para fazermos fotos bonitas. Depois vimos um bando grande mais ao longe, mas não se aventuraram a chegar mais perto. Foi lifer para a Viviane e "melhoraifer" para mim. Na cerca ao lado da laguna, um Quiriquiri (Falco sparverius) deu show. Além disso fizemos outros bichos bem interessantes.

Viviane e eu
Mergulhão-de-orelha-amarela (Podiceps occipitalis)
Quiriquiri (Falco sparverius) 
Após começarmos com sucesso a nossa expedição seguimos em direção ao sul. Alejandro, com seus olhos de águia, avistou uma revoada ao longe, na beira da praia. Era um ninhal de Trinta-réis-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea). Havia milhares de aves, um espetáculo deslumbrante. Iam e vinham do mar com peixinhos no bico para os gulosos filhotes. Os que estavam no chão não se importavam com as pessoas transitando pelo local. Havia muitos turistas também interessados na movimentação. Eram muitos ovos e filhotinhos recém-nascidos espalhados. Tinha que se andar com extremo cuidado. O ninhal se estendia por mais de 1 km2. 

Eu, perdidona no meio de tantas aves
Alejandro Olmos e Viviane de Luccia
Levando o lanchinho - Trinta-réis-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea) 
Aguardando o lanchinho - Trinta-réis-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea) 
Filhote de Trinta-réis-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea)
Na praia havia um bando lindo de Imperial Shag ou Imperial Cormorant (Phalacrocorax atriceps). Fizemos bonitas fotos do bando. Ainda avistamos Piru-piru (Haematopus palliatus) e o primeiro pinguim da viagem, um perdido Pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus).

Imperial Cormorant (Phalacrocorax atriceps)

Piru-piru (Haematopus palliatus)
Pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus)

Continuamos nosso caminho e chegamos na simpática localidade de Caleta Olivia, onde fizemos nossa primeira pernoite. Escolhemos um hotel de frente pro mar chamado Costanera Del Sur. Eu recomendo. A luz na Patagônia é apenas a melhor do mundo. Passava das 19:30h e ainda podíamos clicar sem estresse. Na frente do hotel, a praia, com maré baixa, permitia observar uma grande quantidade de aves "ciscando" nas pedras. Havia batuíras, maçaricos, piru-piru, gaivotas e até mesmo quero-quero. Fiz meu primeiro lifer da viagem: Maçarico-de-bico-fino (Calidris bairdii). Jantamos no próprio hotel, pra poder acordar cedo no dia seguinte e prosseguir viagem.

Maçarico-de-bico-fino (Calidris bairdii). 
Veja a lista no e-Bird com fotos aqui:


25/01/17 (quarta-feira)

Após o café da manha, saímos de Caleta Olivia percorrendo a Ruta Nacional 3. No caminho, o Alejandro parou para observarmos uma colônia de leão-marinho-da-patagônia (Otaria flavescens), na expectativa de vermos a Pomba-antártica (Chionis albus). Nunca imaginei ver tantos bichos assim juntos. Pombas não havia nenhuma, mas gaivotas - Dolphin gull (Leucophaeus scoresbii), havia um montão. Foi meu "momento nat geo". Emocionei demais.

"momento nat geo"

"momento nat geo"

Dolphin gull (Leucophaeus scoresbii), 

Seguindo adiante, paramos diversas vezes na beira da estrada para clicar alguns bichos que eu tinha muita vontade de ver, como um tipo de perdiz de penacho, a Elegant crested-tinamou (Eudromia elegans). Vimos também Gavião-de-costas-vermelhas (Geranoaetus polyosoma) e muitas "eminhas" - Lesser rhea (Rhea pennata). E pude fazer mais um lifer, a Agachadeira-mirim (Thinocorus rumicivorus). De presente, ainda vi um Grande-Tatu-peludo - Large Hairy Armadillo ou Big Hairy Armadillo (Chaetophractus villosus).
 
Ruta Nacional 3

Agachadeira-mirim (Thinocorus rumicivorus)

Elegant crested-tinamou (Eudromia elegans)

Large Hairy Armadillo ou Big Hairy Armadillo (Chaetophractus villosus). 

Chegando em Porto Deseado, fomos direto contratar um passeio de barco para ir à uma Pinguinera. Na entrada da Darwin Expeditions, um savacu jovem ou Socó-dorminhoco (Nycticorax nycticorax) tirou onda de modelo e fez caras e bicos pras minhas lentes.
 
Socó-dorminhoco (Nycticorax nycticorax) 
Em seguida almoçamos e fomos descansar um tiquinho no Hotel Los Acantilados.  
 
Almoço substancioso

Após um delicioso "sono da beleza", partimos para um lugar conhecido por lá como "La ría Deseado". La ría Deseado se forma na foz do rio Deseado. É um estuário de grande importância biológica, por isso foi declarado Reserva Natural Provincial. Na sua margem norte está localizada a cidade de Puerto Deseado. Uma ría é um antigo leito fluvial ocupado pelo mar. É um local cheio de canais, bem intrincado para andar, pois possui margens escarpadas, 40 km de extensão e muitas estradinhas com entroncamentos. Graças ao Alejandro fizemos uma exploração bem legal do lugar, por terra. 

La ría Deseado 

Eu, procurando uma coruja nas entranhas da ría Deseado 

Nosso objetivo maior era encontrar os Cormorán Gris ou Red-legged cormorant (Phalacrocorax gaimardi). E encontramos. Nossa! Para mim foi um dos bichos "top" da viagem. Lindos de morrer. Foi já no fim do dia. O vento estava bem cortante. Vimos bem de pertinho o Blackish oystercatcher (Haematopus ater), primo próximo do nosso piru-piru. De acordo com o Alejandro, ele já tem sido avistado no Uruguai, e em breve deverá aportar as praias e estuários do sul do Brasil. Questão de tempo.
 
Eu e Viviane clicando os Gaimardi - Red-legged cormorant (Phalacrocorax gaimardi)

Eu clicando os Gaimardi - Red-legged cormorant (Phalacrocorax gaimardi)

Red-legged cormorant (Phalacrocorax gaimardi)

Red-legged cormorant (Phalacrocorax gaimardi)

Red-legged cormorant (Phalacrocorax gaimardi)
Blackish oystercatcher (Haematopus ater) 
Ah! O vento patagônico...esse é de te elevar aos céus... quisera ter asas para ele me levar bem para o  alto. E lá de cima, planar como fazem os condores e urubus.


Viviane, Eu e Alejandro

Retornamos pra Puerto Deseado ao cair da noite. Do pátio do Hotel Los Acantilados pude apreciar um pôr-do-sol fantástico.


Saímos para jantar num restaurante chamado Puerto Cristal Parrila-Mariscos-Trattoria, cuja comida era muito boa, mas o garçom era um porre, mal educado e carrancudo. Detesto gente assim.

Veja lista completa no e-Bird com fotos aqui:


26/01/17 (quinta-feira)

Nosso passeio de barco com a Darwin Expeditions estava previsto para 9:00h.  Navegaríamos até a "Isla Pingüino", localizada na sudeste de Puerto Deseado, mais ou menos uns 25 km de distância. Esta ilha foi declarada um Parque Marinho por ser um dos lugares de maior biodiversidade marinha da Patagônia. Existe nela a única colônia de Pinguim-de-penacho-amarelo (Eudyptes chrysocome) de toda a costa patagônica. Na ida, a guia Rossana fez as recomendações de praxe e ressaltou os cuidados que devíamos ter ao desembarcar e caminhar pelos caminhos cheios de ninhos e pinguins, bem como se livrar de prováveis ataques de skuas (mandriões).

... o lendário farol em ruínas... 

O barco que nos levou

Fizemos um pit-stop para apreciar uma colônia de leões-marinhos e para nossa alegria, eu e Viviane fizemos mais um lifer, finalmente a Pomba-antártica (Chionis albus) deu o ar da graça. Havia Red-legged cormorant (Phalacrocorax gaimardi) com céu azul ao fundo de doer os olhos e muitos Magellanic cormorant (Phalacrocorax magellanicus).

Pomba-antártica (Chionis albus)

Red-legged cormorant (Phalacrocorax gaimardi)

Magellanic cormorant (Phalacrocorax magellanicus)

Na trilha até os penachudos havia muitos Pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus), inclusive filhotinhos esbanjando fofurice. 

Pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus)

Pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus)
Eu, fascinada, mas morrendo de calor

E tínhamos que tomar cuidado também com o ar, pois sofríamos ataques aéreos de mandriões-chileno (Stercorarius chilensis) e antártico (Stercorarius antarcticus). Davam rasantes sobre nossas cabeças e vinham direto atacar os nossos rostos e barrigas. Tínhamos que nos defender levantando as câmeras. A Viviane tentou registrar esses momentos, mas são muito ligeiros.

Eu sofrendo um ataque...
Me encolhendo toda, quando o "torpedo" descia em minha direção

mandrião-chileno (Stercorarius chilensis) e mandrião-antártico (Stercorarius antarcticus)

O Blackish oystercatcher (Haematopus ater) parecia até domesticado de tão perto que nos deixou chegar. Pude melhorar a foto do Maçarico-de-bico-fino (Calidris bairdii) e ainda fazer uma foto com as duas espécies de mandriões da ilha, mostrando as diferenças de um pro outro. Havia também muitos Gansos-de-magalhães (Chloephaga picta).

Blackish oystercatcher (Haematopus ater) 

mandrião-chileno (Stercorarius chilensis) e mandrião-antártico (Stercorarius antarcticus)

Mas o deleite todo foi ver os "penachudos" - Pinguim-de-penacho-amarelo (Eudyptes chrysocome) ... ai (suspiro). Como foi delirante fotografá-los tão de pertinho, mesmo sob um calor escaldante de 35° e a guia da Darwin incomodando o Alejandro, porque eu e Viviane sempre ficávamos pra trás, clicando "só mais um pouquinho". Ela ficava o tempo todo pedindo pra gente se apressar, mas não tinha jeito, a gente até que tentava, mas quem conhece a gente, sabe que não resistimos a tanta fofurice.
  
Eu, clicando os "penachudos"

Pinguim-de-penacho-amarelo (Eudyptes chrysocome) 

Filhotes de Pinguim-de-penacho-amarelo (Eudyptes chrysocome) 

O passeio dura 6 horas, servem um lanchinho, água e suco. No retorno pudemos apreciar golfinhos (toninhas) nadando ao redor do barco.

Após desembarcar, ainda clicamos alguns "patinhos" no Puerto Cristal, ao lado do restaurante do garçom chato. Lindas Capororocas (Coscoroba coscoroba), uma família inteira de Marreca-oveira (Anas sibilatrix) e muitas Marrecas-parda (Anas georgica) desfilaram sob a mira das nossas lentes.
 
Capororoca (Coscoroba coscoroba)
Marreca-oveira (Anas sibilatrix)

Marrecas-parda (Anas georgica)

Resolvemos dar uma última passadinha na Ría Deseado e tentar mais uma vez ver a Lesser Horned Owl (Bubo Magellanicus), mas não logramos êxito. Seguimos em direção ao sul avistando muitos guanacos e "eminhas" - lesser rhea (Rhea pennata). Havíamos parado algumas vezes para fotografar a Agachadeira-mirim (Thinocorus rumicivorus). De repente, eu digo, "volta, volta, volta, eu vi bichinhos no acostamento". E tinha sim, um super lifer desejado pela Viviane: a Batuíra-de-papo-ferrugíneo (Oreopholus ruficollis). Foi muito gostoso proporcionar esse presente para minha amiga e grande companheira de viagem.
 
Agachadeira-mirim (Thinocorus rumicivorus)

Batuíra-de-papo-ferrugíneo (Oreopholus ruficollis)

E continuando a viagem, eu queria mesmo era fazer guanacos pulando a cerca ou no horizonte com o por do sol. Achamos um bando e toca esperar eles pularem a cerca. Detalhe: a cerca havia sido derrubada e os pulinhos eram de 20 cm, no máximo 50. he he ehe. Mas o pôr-do-sol eu consegui.

Guanacos saltando

Guanaco com filhote mamando

Guanaco ao pôr-do-sol
Guanaco ao pôr-do-sol

A gente ia dormir em uma localidade chamada Três Serros, que eu pensava ser uma cidade, porém não passava de um aglomerado, composto de um hotelzinho estilo filme Bagdá Café, posto de gasolina, restaurante e conveniência. Nem igreja tinha, o que gerou zoação comigo até o final, pois eu disse que vilinha que se preze tem que ter igrejinha. Estava muito quente e lá nem se cogita em ar condicionado, é sempre calefação e por isso dormimos com janela aberta, local térreo, imagina o que isso significa para uma paulista. Acordava no meio da noite, olhava a janela aberta com desconfiança, fechava os olhos, e pedia pro anjinho da guarda me guardar. Heheheheheh

Veja lista completa no e-Bird com fotos aqui:


27/01/17 (sexta-feira)

E lá vamos nós novamente. Tomamos café, compramos guloseimas e toca pra frente rumo à Porto San Julién. Saímos por volta de 8.33h. Nesse "meio tempo, o tempo mudou". Esfriou e nublou. Coisas da Patagônia. Isso não foi o pior. Pior foi chegar num piquete, onde puseram pneus a queimar no meio da estrada. Ficamos algum tempo parados esperando liberarem. Haja paciência. Enfim seguimos para nosso destino, com chuva e frio, mas eis que depois o tempo abriu (Santa Clara é minha protetora, sempre). Além desse tipo de coisa na estrada, temos que tomar muito cuidado com guanacos e eminhas nas pistas...
 
Piquete
Foto feita dentro do carro em movimento

A Ruta Nacional 3 é sempre um lugar cheio de bichos, principalmente de belos exemplares de Gavião-de-costas-vermelhas (Geranoaetus polyosoma). Fiz a foto mais linda dessa espécie e que vai virar quadro em casa. Ainda vimos Falcão-de-coleira (Falco femoralis) e Lesser rhea (Rhea pennata). Íamos de olho no acostamento, pois a gente queria mesmo uma espécie muito especial: Gaúcho-chocolate (Neoxolmis rufiventris), que durante a viagem toda sequer deu as caras.
 
Gavião-de-costas-vermelhas (Geranoaetus polyosoma)

Chegamos em Puerto San Julién e fomos até um local lotado de bichos. Um lugar amplo, que tem muito a ser explorado. 


Havia uma variedade imensa de aves. Capororoca (Coscoroba coscoroba), Crested duck (Lophonetta specularioides), Mergulhão-grande (Podiceps major), Flamingo-chileno (Phoenicopterus chilensis), Biguá (Phalacrocorax brasilianus), Imperial cormorant (Phalacrocorax atriceps), Socó-dorminhoco (Nycticorax nycticorax), Piru-piru (Haematopus palliatus), Blackish oystercatcher (Haematopus ater), Magellanic oystercatcher (Haematopus leucopodus) e Maçarico-grande-de-perna-amarela (Tringa melanoleuca), e outros pequeninos que você pode conferir pelas listas linkadas abaixo. 

Diversas aves
Imperial cormorant (Phalacrocorax atriceps), 

Imperial cormorant (Phalacrocorax atriceps), 

Pelas normas ornitológicas da Argentina, nós "laifamos", só que não, o que pensamos ser um Maçarico-galego (Numenius phaeopus), na verdade era um Maçarico-de-bico-torto (Numenius hudsonicus), que não era novidade pra nenhuma das duas. Mudanças ocorridas na classificação do Brasil (elevação de subespécie à espécie), ainda não confirmada pelo South American Classification Committee – SACC. Pelo menos foi o que entendi. Bom, antes de constatar o equívoco, o suposto maçarico-galego rendeu uma bela comemoração com cerveja especial e tudo mais, no Naos Restaurant em Puerto San Julién.

maçarico-galego/maçarico-de-bico-torto (Numenius phaeopus/hudsonicus)

Comemorando ...

Em Comandante Luis Piedrabuena, tentamos ver se achávamos alguns bichos e nada. Fomos visitar o Parque Nacional Monte León. Bastante árido e com lindas paisagens, mas quase nenhuma ave interessante. Clicamos de longe o Cinnamon-bellied ground-tyrant (Muscisaxicola capistratus) e um bandinho de Patagonian yellow-finch (Sicalis lebruni) deu mole.
 
Parque Nacional Monte León

Paisagens surreais

Cinnamon-bellied ground-tyrant (Muscisaxicola capistratus) 

Patagonian yellow-finch (Sicalis lebruni)

Seguimos para Rio Gallegos, onde nos hospedamos no Hostel Oviedo. A gente procurava por hospedagem no GPS, uma vez que viajamos com direção definida, mas paradas indefinidas, sem hora para sair ou chegar, sendo assim não fizemos nenhuma reserva. Esse Oviedo não era lá aquelas coisas, mas deu pra descansar. Saímos pra comer uma pizza e essa estava deliciosa. Só não guardei o nome do lugar.

Veja lista completa no e-Bird com fotos aqui:

28/01/17 (sábado)

Levantamos cedo e fomos procurar aves por uma estradinha de chão árida e cascalhada, mas que poderia nos mostrar muitas espécies novas, a RN 1, Estrada Del Fin Del Mundo (não tinha nome mais adequado) pertencente ao município de Güer Aike. 

Agachadeira-mirim (Thinocorus rumicivorus)

Lesser rhea (Rhea pennata) 

Ela nos levaria de volta à RN3 e consequentemente à balsa, cuja travessia nos faz entrar e sair do Chile pra se chegar à Ushuaia. Ocorre que poderosos "senhores feudais" simplesmente "privatizaram" a dita entrada que ligaria uma à outra, colocando uma porteira no local. Isso nos fez retornar por onde viemos, perdendo um tempo precioso. E não bastasse isso, prepare-se para a burocracia em 4 passos (leia-se 4 guichês diferentes em cada uma das aduanas). E, sim, você tem que passar por quatro aduanas. Sair da Argentina, entrar no Chile, atravessar de balsa (depois de uma espera sei lá de quanto tempo), depois sair do Chile e entrar novamente na Argentina. Dizem que se o carro for alugado, a burocracia aumenta. Não sei se a demora era devido ao final de semana, ou se é sempre assim, mas pareceu uma eternidade, quase me fazendo arrepender por ter ido para lá e não ter retornado de Rio Gallegos. 

Na parte chilena pegamos 40 km de cascalhos poeirentos e lotado de caminhões (em breve será pavimentada - obras já iniciada). Dureza. Com isso, a noite chegou e não conseguimos chegar a Ushuaia. Dormimos em Rio Grande, num lugar bem aconchegante, espaçoso e barato. Pelo menos isso compensou. Se tinha alguma ave? Sim, até teve listinha.
 
Transbordador=balsa
Veja lista completa no e-Bird com fotos aqui:


29/01/17 (domingo)

Logo cedinho, partimos de Rio Grande para Ushuaia. O caminho no início era árido, cheio de fazendas, mas ao nos aproximarmos de Ushuaia a paisagem começou a mudar até ficar deslumbrante, porém bem mais frio.

Paradinha no Rio Ewan Sur - Rio Grande

Paradinha no Rio Ewan Sur - Rio Grande

Quase em Ushuaia

Beleza sem igual - bosques de lengas

Uma selfie pra variar...

Chegando em Ushuaia, clicamos um Petrel-gigante (Macronectes giganteus) nadando tranquilamente na orla. Pausa para fotinha com bandeira brasileira cedida gentilmente por motociclistas roraimenses super gracinhas. O frio nos direcionou a uma comidinha substanciosa. Pedimos cordeiro no almoço com direito a lifer de cerveja.

Petrel-gigante (Macronectes giganteus)

 
Pausa para fotinha com bandeira brasileira, se o vento deixar...

Lifer de cerveja

... cordeiro

Na parte da tarde fomos até o Parque Nacional Tierra del Fuego, situado a 12 km da cidade de Ushuaia. Logo no início clicamos Austral parakeet (Enicognathus ferrugineus). O destaque ficou para o Cisne-de-pescoço-preto (Cygnus melancoryphus), um casal e dois filhotes nadavam tranquilamente num lago, e sentadas, tendo diante uma paisagem digna de uma tela de Monet, pudemos clicar até enjoar (se é que isso é possível pra duas taradas por aves e fotografia como eu e a Viviane). Outra espécie bonita de clicar foi o Flying steamer-duck (Tachyeres patachonicus).
 
Eu e Viviane clicando os quatro Cisne-de-pescoço-preto (Cygnus melancoryphus)
Cisne-de-pescoço-preto (Cygnus melancoryphus)
Eu clicando o Flying steamer-duck (Tachyeres patachonicus)
Flying steamer-duck (Tachyeres patachonicus)

Para atrair pequenas aves o Alejandro disparou a vocalização de uma espécie de caburé, a Austral pygmy-owl (Glaucidium nana) - adorei o nome científico. E não é que o próprio bichinho veio conferir. Só não deu fotão. Também clicamos um monte de aves pequenas, como o Dark-bellied cinclodes (Cinclodes patagonicus), Black-chinned siskin (Spinus barbatus), Austral blackbird (Curaeus curaeus), Austral thrush (Turdus falcklandii) e Thorn-tailed rayadito (Aphrastura spinicauda).

Dark-bellied cinclodes (Cinclodes patagonicus)

Austral blackbird (Curaeus curaeus)

Cabe ressaltar o charme e a fotogenia do senhor Zorro Colorado/Culpeo Fox (Lycalopex culpaeus). Não, não é personagem de filme de bang-bang, apenas uma raposinha patagônica, muito arisca em todos os lugares que a avistamos, mas que nesse dia, parecia estar mais com sede e fome do que preocupada com nossa presença.
 
Culpeo Fox (Lycalopex culpaeus)

Culpeo Fox (Lycalopex culpaeus)

O dia não podia terminar mais lindo, com um arco-íris pra colorir ainda mais nossa vida. E assim espero que continue.

Patagônia e suas muitas faces...
Olha a carinha de felicidade das duas...
Veja lista completa no e-Bird com fotos aqui:


30/01/17 (segunda-feira)

Resolvemos tentar ver pinguins-rei com a Rumbo Sur. Visitaríamos, durante 6 horas de navegação pelo Canal de Beagle, a Isla de Los Lobos (leões-marinhos), Ilha dos Pássaros, Farol Les Eclaireurs e a Isla San Martillo (pinguinera). 

Farol Les Eclaireurs

Ilha dos Pássaros

Ansiosa por ver o pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus), torcendo muito por um bom tempo, iniciamos a navegação em meio a um vento bem frio. Mas Santa Clara me protegeu, como sempre e o tempo estava bastante firme. Enquanto quase todos permaneceram dentro do aconchego e calorzinho da cabine do barco, nós três, após um gostoso cappuccino, permanecemos o tempo todo do lado de fora, buscando as aves que passavam por nós. 

Só na moleza...

E lá vamos nós...os pinguins que nos aguardem...

E que delícia quando chegamos à Isla Martillo, de longe eu vi que havia muitos Gentoo penguin (Pygoscelis papua) em meio aos Pinguins (Spheniscus magellanicus). Mas faltava sua majestade... Eis que no meio daqueles milhares de “serumaninhos" saltitantes surgem dois (apenas dois!) Pinguins-rei (Aptenodytes patagonicus), deitados, eu diria até mesmo, prostrados de cansaço, no meião de tudo. Clic, clic, clic, e a Câmera não queria parar... Ai que vontade de descer que eu fiquei, juro. Retornamos com o sentimento de missão cumprida.
 
Pinguim (Spheniscus magellanicus)

Gentoo penguin (Pygoscelis papua)

Pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus)

Passamos a tarde entre compritas e passeios ao redor da orla buscando mais espécies. A gente queria a Pipixcan ou Gaivota-de-franklin (Leucophaeus pipixcan), mas só apareceu um bando de Gaivota-maria-velha (Chroicocephalus maculipennis), muito parecida com a primeira. As gaivotas Dolphin gull (Leucophaeus scoresbii) fizeram poses espetaculares para as nossas lentes. 

Um Kelp goose (Chloephaga hybrida) se exibia no mesmo lugar onde em março de 2010, fazendo fotos para a Revista Cavallino, eu o fotografei e coloquei na legenda um simples "ave na orla". Desconhecia quase tudo de aves. Na época, eu sequer cogitava que um dia eu seria uma "fanática e obsessiva" observadora de aves. E pra fechar o dia, vários “patinhos” passaram desfilando pelas minhas lentes, entre eles Marreca-colhereira (Anas platalea), Marreca-oveira (Anas sibilatrix) e o Crested duck (Lophonetta specularioides).
 
Dolphin gull (Leucophaeus scoresbii)

Gaivota-maria-velha (Chroicocephalus maculipennis)

Kelp goose (Chloephaga hybrida)

Marreca-colhereira (Anas platalea)

Marreca-oveira (Anas sibilatrix)

Para comemorar nada melhor do que um jantar com um dos seres saídos das profundezas do oceano mais famosos de todos: a centolla (Lithodes santolla), uma espécie de caranguejo gigante. Não é um prato baratinho, mas não deixe de experimentar pelo menos uma vez na vida.

Dormimos nesta noite foi o Hostel Rio Ona. Fomos muito bem atendidos. Ela nos ofereceu todo o conforto que necessitávamos para descansar e fazer o longo caminho de volta até Comodoro Rivadavia.

Veja lista completa no e-Bird com fotos aqui:


31/01/17 (terça-feira)

E toca o barco pra frente, digo, o carro. E lá vamos nós de novo passar por todo aquele trâmite burocrático. Eis que ao chegar à aduana argentina, a primeira delas, a Viviane descobre que não sabe onde colocou seu papelzinho de entrada (entrou com RG e não com passaporte). Lógico que uma viagem tão maravilhosa tinha que ter um momento de estresse. Olha mala, bolsa, bolsos, bolsinhas, pochetes, chão do carro e nada, também, um papelito mínimo, que mais parecia um reles comprovante de cartão de crédito. E o que fazer? Eu já imaginava, se fosse no Brasil, a gente teria a maior dor de cabeça, só que não, os agentes da aduana argentina foram hiper super mega compreensivos, olharam no sistema (sim eles tem sistema, mesmo no Fin Del Mundo) e nos liberam tranquilamente. O resto da "passagem" transcorreu sem transtornos ou longas esperas. Estava muito cansada, mesmo assim permaneci de vigília para ver se avistava o Gaúcho-chocolate (Neoxolmis rufiventris) ou o Gavião-cinza (Circus cinereus). Nada, nada! Alguns penosinhos pelo caminho, mas nada que merecesse destaque.

Dormimos em  Comandante Luis Piedrabuena, que meu cérebro me traia e insistia em dizer "quando mesmo chegaremos a Pedro Bueno?" Kkkkkkkkkkkk o que o cansaço não faz... he he he

Pernoitamos na Hosteria El Alamo, onde dou 10 para o atendimento e conforto. Já não posso dizer o mesmo do restaurante El Nano. Quando pedimos a conta, a moça (uma faz tudo do restaurante, ou era dona ou gerente), foi de total falta de clareza, pra não dizer desonestidade. Primeiro não trouxe a conta pra conferirmos, só mencionou o total bem acima do que eu calculei mentalmente. Inconformada, logo eu, uma virginiana nata. Conferi com o cardápio e o valor não fechava. Eu a intimei a se explicar e trazer a conta por escrito, o que ela fez demoradamente à mão e de cara feia. Primeiro ela cobrou um prato que não pedimos, segundo, ela cobrou os valores do que pedimos muito acima do que estava no cardápio. Eu reclamei e ela ficou se explicando de um jeito mais cara de pau do mundo, tipo, é que o cardápio estava desatualizado, etc. Cansada demais pra bater boca, eu paguei, virei as costas e saí de cara amarrada, contando até 10 pra não enfiar a mão na cara da sujeita. Então ela chamou o Alejandro e devolveu parte do que ela cobrara a mais. Se foi má-fé ou erro crasso, não sei, mas eu não recomendo esse lugar.

01/02/17 (quarta-feira)

Simbora, que ainda tem chão. Fomos em direção à Porto San Julién para tentar o Gavião-cinza (Circus cinereus). De repente o Alejandro pára o carro no acostamento e diz algo do tipo "mirem el "cinereus" en nuestro camino" (sim ele habla espanhol, pois é uruguaio He He eh). Desespero que sempre acompanha um avistamento de um lifer desejado, nem dei conta de desatar o cinto de segurança, ao vê-lo voar ao lado da minha janela, nem eu, nem a Vivi demos conta de fotografá-lo. Quando finalmente desci do carro, ele já ia longe, muito longe. Sabe aquela vontade de chorar que dá na hora, pois é, deu, mas fazer o que? Incompetência misturada com desespero e falta de sorte, dá nisso... 

Andamos um tempão na esperança que ele retornasse e nada. Alejandro, ah! Santo Alejandro! Disse-nos que conhecia um ponto provável dele aparecer. E lá fomos nós para uma estradinha de cascalho, beirando a costa e ... tcham tcham tcham tcham, eis que avistamos ele pousado no chão de longe, lifer garantido...mas nada de fotão. E lá se foi ele céu afora bem longe.

Gavião-cinza (Circus cinereus). 

Continuamos por este caminho e de repente ouvimos um indivíduo vocalizar, duas fêmeas, uma adulta e outra jovem. Desta vez pulei do carro correndo e me coloquei a postos. O Alejandro ligou o play-back e as duas quase pousaram em nossas cabeças...vieram prontamente e fizemos lifer com fotão. Lifer com foto bonita é igual ganhar na loteria sozinha.

Gavião-cinza (Circus cinereus)

Gavião-cinza (Circus cinereus) 
Viviane tão feliz da vida quanto eu...

De tão feliz, já estava até perdendo a linha eh ehheheheheh

Fechou com chave de ouro, né...bora seguir adiante. Acabou? Nãããooooooo.

Seguimos para Caleta Olívia onde novamente nos hospedamos no Costanera Del Sur. Mas antes demos uma paradinha pra se deliciar com a colônia de leões-marinhos novamente.

Leões-marinhos
Veja lista completa no e-Bird com fotos aqui:


02/02/17 (quinta-feira)

Levantamos cedo e fomos tentar mais um lifer: a Andorinha-do-sul (Progne elegans). E desta vez demos sorte, ela estava por toda a cidade. Demos uma última passadinha na Laguna Rada Tilly, já próxima de Comodoro Rivadavia. 

Andorinha-do-sul (Progne elegans)

O Alejandro "playbecou" o Lenheiro-de-rabo-comprido (Asthenes pyrrholeuca). Depois de mais de 15 minutos surgiram dois, chatinhos de doer, só ficavam embrenhados, dei sorte de uma hora um deles mostrar a carinha por milésimos segundos, suficiente pra um foco meia boca, ante a total falta de contraste e de bem longe. Mas valeu mesmo. Aliás, a viagem toda valeu. Geralmente, em viagem longa, nos últimos dias o cansaço bate tão forte que me dá uma vontade louca de voltar pra casa. Desta vez não, foi uma tristeza embarcar de volta, dava vontade de explorar mais e mais.


Carinha de feliz? Eu...ha haa ha hah aha Só...

Eu voltarei. El Macá tobiano, zampullín tobiano, o pimpollo tobiano (Podiceps gallardoi) nos aguarda, né Viviane e Alejandro?

Veja lista completa no e-Bird com fotos aqui:


--------x----------

Por hora é o que tenho pra contar. Estou alguns relatos de viagens maravilhosas atrasados (Equador e Tour Costa do Nordeste em 2016). Ambos já começados e não finalizados. Então aproveitei as imagens e informações ainda quentinhas na "cachola" e resolvi escrever sobre esta viagem e publicar logo. É minha primeira grande viagem deste ano e merece destaque.

Só posso agradecer a amiga queridíssima e super "parça" nessa viagem, Viviane de Luccia. Espero que estejamos juntas em muitas outras ainda. Calma, tranquila, excelente observadora, é a rainha do Wikiaves, a mulher que detém o maior número de espécies que ocorrem no Brasil. E fica aqui um agradecimento especial ao amigo e grande guia Alejandro Olmos, que topou essa empreitada, sem ao menos saber o que enfrentaria com duas mulheres exigentes, que buscam lifers e já detém mais de 1.200 espécies registradas, das que ocorrem em território brasileiro. Conduziu-nos com sua costumeira maestria e paciência, bom humor e tranquilidade, dirigindo por quase quatro mil km, mesmo com febre alta e dor de garganta. (Viviane, que bom que levou remédios para isso - foi a salvação do Alejandro).

Eu digo sempre que a última viagem foi a melhor da minha vida e a próxima sempre superará. Será? Malas arrumadas pra Patagônia, desta vez chilena, numa empreitada bem diferente do que estou habituada. Vinte pessoas num navio, esperando pra ver baleias, enquanto euzinha quero mais é ver albatrozes, "patinhos", pardelas e petréis, e porque não baleias?

Espero que a Naná se conforme da "mamis" passar mais um tempo fora. Essa "serumaninha" de quase 18 anos é o amor da minha vida e tem que aguentar a minha ausência por longos períodos na vidinha dela.
 
Chegando no aeroporto de Cumbica
FIM
*
*

*

7 comentários:

  1. Lindíssima fotos !!!! Parabéns pelo seu trabalho e dos guias. Obrigado por compartir sua experiência e relato da viagem, através dele tenho a oportunidade de conhecer novas espécies.

    ResponderExcluir
  2. Que legal Silvia, obrigado por compartilhar esta aventura! Abraço!

    ResponderExcluir
  3. De tirar o fôlego! Belo texto e fotos deslumbrantes!

    ResponderExcluir
  4. Adorei a postagem Silvia, as fotos do gavião-de-costas-vermelhas estão espetaculares. Aliás, teu blog está lindo, muito bem organizado, cuidado, layout simples e intuitivo, parabéns viu! Abraçãoo

    ResponderExcluir

Obrigada por visitar meu Blog pessoal!