sábado, 20 de agosto de 2011

Diário off-road de três fotógrafas “birdwatchers” durante uma semana no Pantanal Norte

Essa viagem só aconteceu porque minha amiga  Carmen Bays me convidou em janeiro desse ano quando eu fiquei encantada com as fotos que ela fez lá em outubro do ano passado. Ela teve um sonho, que era eu sentada numa banqueta fotografando na Transpantaneira.

sonho realizado - foto by Carmen Bays
Convidamos outra amiga,  Mônica Ruiz, que topou na hora. Pesquisei muito, pois queria que a Carmen fizesse algo diferente do que fez ano passado (ir e vir pela Transpantaneira), e optei por fazer um plano de viagem que incluísse Day - use nas pousadas por lá. O Plano recebeu o nome de Tuiuiú e contém os nomes/localização das pousadas e telefones onde iríamos fazer “Day - use” e até uma planilha com os custos estimados. Contatei as pousadas que me pareceram interessantes e anotei tudo.

Nossa aventura começa com um tragicômico episódio. Seria triste se não tivesse tido um final feliz. Carmen é de Joinville e veio na sexta à noite (05/08) para São Paulo. Esqueceu a mochila no bagageiro do avião com TODO o equipamento fotográfico e o note book nela. Ficou em desespero até o moço da companhia entregar sua mochila intacta. A gente nunca presta atenção quando a comissária diz. “Não esqueçam de verificar seus pertences no compartimento superior”.

Saiba que existem 2 pantanais: o da seca (agosto a dezembro) e o da cheia (janeiro a julho). Escolhemos a seca porque é mais acessível andar por todos os caminhos. Mas é mais quente e aumenta a quantidade de mosquitos. Agora era só esperar o dia seguinte para iniciar a nossa aventura.


Eu, Mônica e Carmen - by self timer

1º Dia – Sábado - 06/08/11

Buscamos a Mônica e Zezito (meu marido) nos levou para Cumbica. O voo partiu sem atrasos. Chegamos rapidinho, lembrando que o Mato Grosso tem uma hora a menos no fuso horário.  Pegamos o Prisma alugado (com ar-condicionado – item imprescindível) , paramos em um supermercado e compramos água e algumas guloseimas.

Saímos da cidade guiadas por dois GPS Garmin (da Mônica e da Carmen). Talvez por falta de atualização de mapas fomos induzidas a um erro de caminho, viemos por um caminho muito bom, mas 40 ou 50 km a mais. Não vimos a placa que indicava conversão para Poconé à esquerda onde pegava-se a MT060. Fomos direto pela BR070 e quando paramos para perguntar, fomos orientadas a pegar a MT451 que vai até a MT060 para Poconé.

Foi bom porque fotografamos um João-bobo e uma Garça Real no caminho. Ficamos todas animadas. Ressalte-se que o Governo, tanto estadual como federal parece ter uma tendência em economizar placas de sinalização nas rodovias. Nada no meio do caminho indicava que estávamos indo para Cáceres. O velho mapa de papel resolveria melhor. Veja só as rodovias que citei na imagem abaixo.



Poconé
Chegamos sob um calor infernal em Poconé. Fomos direto fazer o check-in na pousada. Para nossa estadia escolhemos a  Pousada Pantaneira que fica no km 0 da Transpantaneira - Fone: 65-3345-3357 ou Celular: 65-9979-4041 (Apartamento Single - R$   50,00). Esta pousada é simples, mas oferece o básico e o necessário. Tem conexão wi-fi free. Quartos muito limpos e confortáveis, ar-condicionado, frigobar, banheiro privativo e espaçoso. Tem TV. para quem não vive sem uma (não é o meu caso –  eu dispenso).

Pousada Pantaneira.
Tem estacionamento. Há uma churrascaria aberta para almoço, que dizem ser das melhores. Não desfrutamos porque a gente ficava fora o dia todo. Os donos são muito atenciosos e residem no local. Abrem 6:30 para o café da manhã, o que para um lugar quente como Poconé é muito tarde. Tínhamos que sair por volta de 5 da manhã, amanhecendo, onde o calor dava uma trégua. 9 h já se tornava insuportável. De acordo com a Mônica, a pousada lembra o filme Bagda Café.

Há um bom mercadinho na cidade para compras de lanchinhos para um desjejum improvisado.

O bom de ficarmos no Km 0 é estar dentro da cidade de Poconé, poder se ir a uma farmácia, jantar, ir ao mercado ou apenas sair tomar sorvete. Tem uma boa padaria. Após o check-in, fomos direto para a Transpantaneira, depois de tomar um banho de repelente (recomendo  Exposis Gel em cima de um bom protetor solar - sem perfume, de preferência, Exposis spray nas roupas, inclusive meias e coturno prá evitar carrapatos e um Exposis spray para levar na mochila e renovar durante o dia - qualquer farmácia vende). Ficamos até o sol se por, lá pelas 18h. (Ah! Não ganho nada pela propaganda gratuita)

Portal da Transpantaneira
Até o Portal da Transpantaneira é preciso rodar 17 km. Da Pousada até ele, uns 2km são de asfalto, depois terra, estrada muito plana, com muito cascalho e costelinhas. Desliza muito e trepida, mas na parte de terra já se começa a ver aves. Fomos devagar, apreciando a paisagem. Havia bichos esperando por fotógrafos e outros cruzando a estrada. A cada asinha batendo, as três desciam do carro feito loucas com as câmeras nas mãos. Uma boa tele ou compacta com muito zoom são indispensáveis. Às vezes compensava clicar de dentro do carro, pois ao descer, muitos voavam longe...Ah! Nas imediações do próprio portal, tem muitas aves. Vale uma paradinha.

Para jantar indicamos o Tradição (Pç Bem Rondon, 140 – centro - perto do Banco do Brasil), caro para os padrões de Poconé, mas barato para os padrões paulistanos. Eles tem até  disk pizza – 65 9637-8929). Pedimos um filé a parmegiana para três. Deu e sobrou. Dormimos cedo, pois sabíamos que o dia seguinte seria pesado.
2º Dia – Domingo - 07/08/11


Seguindo o nosso Plano Tuiuiú, levantamos cedo, fomos trafegar pela Transpantaneira,. Andamos mais ou menos uns 98 km. O final da Transpantaneira fica no km 146 em Porto Jofre. Não, não é uma cidade ou um porto. É só um lugar onde a Transpantaneira parou e  há um Hotel de alto padrão. Dizem que lá se vê muitas onças. Não fomos até lá por medo, não das onças, mas de não termos autonomia de combustível para voltar. Detalhe, não há postos de gasolina na Transpantaneira.

Quando alguém mencionava Porto Jofre os olhos da Mônica brilhavam. Acho que ela ficou muito frustrada por não termos ido até lá. Mas, mesmo indo só até um pouco mais da metade do caminho, fotografamos muito. Há milhares de aves aquáticas. É fantástico. Há diversos biomas durante o trajeto, mais seco, menos seco, com água sob as pontes, sem água, árvores baixas, altas, campos, etc.

Veado
Capivaras
Lembre-se de andar devagar, não só para apreciar o visual, mas porque há muitos bichos dividindo a  estrada com você.  Veja a variedade de bichos na estrada, desde uma lenta tartaruga, a um rápido veadinho pantaneiro, até o perigoso jacaré.


Tartaruga
Jacaré
Há 126 pontes, a maioria de madeira e um tanto precária. As três primeiras pontes, na altura do km 25 mais ou menos, apresentam a maior concentração de aves (chamamos as águas sob as pontes de “banhado”). Até sentávamos para fotografar.

Olha a Carmen no banhado fotografando
O terceiro banhado é o maior e mais espetacular. Há jacarés, por todas as partes. Paramos no km 33 onde tem uma lanchonete e nos refrescamos. Ao redor dessa lanchonete havia muitos pássaros. Rendeu boas fotos.

Após o retorno à pousada, já no escuro, e um bom banho, um lanche ou jantar caiam bem. Depois tínhamos que baixar as fotos nos notes, recarregar equipamentos (leve uma régua, pois geralmente tem poucas tomadas para tantos carregadores – pilhas, baterias, celular, note, etc). Limpe seu equipamento todos os dias que o pó é de lascar.

Nesse dia, meu macnote e o Lightroom me pregaram uma peça. Um dos cartões (levei 3 de 8 gigas) após baixar umas 400 fotos, parecia ter sido finalizado. O cansaço embota o raciocínio. O software não baixou as fotos integralmente e eu não percebi e quando dei falta delas já tinha formatado o cartão. Eu quase chorei, fiquei muito nervosa, mas a Carmen me acalmou e eu guardei o cartão para recuperar quando chegar. Eram as fotos mais bonitas do dia...*

* Nota: Meu sobrinho levou o cartão para recuperar. Só editando para avisar que ele conseguiu recuperar TUDO!

Obs: Durma o mais cedo que puder e acorde o mais cedo que conseguir. O calor é uma companhia constante.  Das 10 da manhã às 15h (pelo menos em agosto) é impossível até de se mexer, você pede uma rede e um ventilador se puder. E ah! Sim, tome muita, mas muita água. Roupas e sapatos os mais confortáveis possíveis. Cores berrantes assustam as aves. Prefira as neutras ou camufladas. Boné ou chapéu é imprescindível.

O alvorecer e o por do sol são imperdíveis.

Por-do-sol
Nascer-do-sol
3º Dia – segunda-feira - 08/08/11
Fomos fazer nosso primeiro Day - use na  Pousada Piuval - km 10 – É a primeira pousada  da rodovia Transpantaneira. Fica antes do Portal.

O Day - use custa R$ 40,00 por pessoa, incluso almoço, caminhada na trilha e uso da piscina. Reserve uns dias antes para saberem quantas pessoas irão. (os preços mencionados neste são de agosto de 2011, consulte para atualizar)

Bebidas e passeios extras são à parte. O barco custa R$ 120,00 para até 4 pessoas - cavalo R$ 30,00 por pessoa - (065) 9972-0628 - (065) 3345-1338 3345-2317 (reservas@pousadapiuval.com.br)

De cara, eu dei um tremendo fora, chamei  a Cá correndo para fotografar um Tucanuçu numa árvore. E tô que clico, quando ela disse: - "engraçado", ele nem se mexe. Aproximamos-nos e pasmem, era um tucano de madeira e a bestona aqui não percebeu tamanho o alvoroço e o medo do bicho fugir dos meus cliques.


O lugar é maravilhoso. O pessoal é muito gentil e fomos muito bem recebidas pela funcionária Rosário. Seguimos até a Baía Piuval e fizemos o passeio no Rio Bento Gomes. O ninhal com milhares de aves deixa a gente de queixo caído.

Na volta, passamos por uma passarela e subimos numa torre onde pudemos observar todo o pantanal.

O calor estava insuportável, mas valeu a pena. Cenário de filme.

Os dois montes claros contem milhares de aves
O sistema de almoço é self-service, não é nada do outro mundo, comida trivial, dá prá matar a fome. Depois você passa muito tempo sem nada prá fazer, tentando se esconder do calor e tirar uma sonequinha com um vento soprando quente de vez em quando.

Vídeo pesquisado no Youtube

A trilha estava prevista para as 15:30h, até lá, ficamos fazendo uma fotinha ou outra ao redor da pousada, tomando água e sorvete. A piscina estava convidativa, mas não utilizamos porque teríamos que passar filtro e repelente tudo de novo, caso entrássemos na água.

A Carmen achou que o carro apresentava um barulho estranho e teve uma intuição. Resolveu voltar após o almoço para Poconé. Nós ficamos e fomos a fazer trilha. Carmen ligou para a locadora e de pronto enviaram um Doublo no lugar do Prisma porque este estava com sérios problemas.

A Cá voltou buscar a gente lá pelas 20:30 horas. Eu e Mônica fizemos a trilha com o guia Osvaldo (aprendiz esforçado) e um casal francês. Como eles queriam ver bichos e nós aves, o Osvaldo foi com eles na frente e eu e a Mônica fizemos as trilhas sozinhas. Como bem disse a Mônica: O Osvaldo era bom, mas estava dividido entre os franceses e nós.

A torre - modelo padrão nas pousadas
Enquanto íamos para a torre, cruzamos com o Osvaldo e os franceses já retornando. O guia nos deixou para trás e voltou para a sede com o casal. Na volta já no escuro, nós duas perdemos a trilha e topamos com bois que queriam nos perseguir (a Mônica deu um jeito e espantou os mesmos com comandos que ela sabia, eu tremi e quase caí das pernas), pisamos em charcos (morrendo de medo de cobras e jacarés). Tínhamos uma única lanterninha. Depois de tentar achar a mesma trilha de ida para voltarmos,  o guia, preocupado, foi nos buscar de moto. Chegamos sãs e salvas e logo em seguida a Carmen chegou para nos buscar. Achei irresponsabilidade. Um guia nunca pode deixar seus guiados sozinhos. Os franceses que esperassem. Passei muito medo e fiquei muito tensa. Tirando isso, a trilha era maravilhosa e com um guia especializado em aves, teria sido 200 vezes mais proveitosa.

4º dia terça-feira - 09/08/11

Acordamos muito cedo e fomos para os três banhados fotografar antes do 2º Day - use. Foi louco ver os jacarés se alimentando. Eles “rosnavam” muito alto. De lá fomos para a Pousada Portal Paraíso que é do lado direito logo após passar o portal da Transpantaneira (km 17). Custa R$ 35,00 por pessoa e inclui almoço, piscina e uma trilha. O horário é das 7 à 17:30 – pedem prá avisar uns dias antes - Telefone: (65) 3345-2271.

Pousada Portal Paraíso
Show. É realmente um paraíso. O pessoal é muito simpático, e consegui novas espécies de aves. A comida deliciosa foi o ponto alto desse dia. D. Telma cozinha muito bem. E o filho dela é super legal.

Carmen acordando depois de um cochilo
O Matheus faz faculdade de Turismo em Cuiabá, vai e volta todos os dias. São 100 km prá ir e 100 prá voltar. Gostei deles. A pousada é simples, a mais simples de todas. Mas a sensação de vida na fazenda é sensacional. Cochilamos após o almoço e saímos depois para a trilha sob o sol escaldante. Vimos algumas novas e espécies. Voltamos cedo para a nossa Pousada.

Descansamos um pouco e fomos conhecer Porto Cercado onde o SESC tem uma mega infra-estrutura, urbana demais pro meu gosto. No caminho, não tem quase nada de bicho...até lá é tudo asfaltado e apesar de ser uma superestrutura, tira a graça de conviver de modo mais transpantaneiro. Acho que é mais pra turista gringo que não quer se sujar de poeira.

Andamos por uma passarela (a trilha do Tatu) que vai dar no Rio Cuiabá, mas devido à caída da noite não fomos até o fim. No retorno ao carro percebi que o auto-foco da minha tele estava ruim e fiquei muito chateada. Limpei os contatos quando cheguei na pousada e nada da bichinha entrar num acordo comigo.

 5º dia quarta-feira - 10/08/11

Já conformada em ter que usar a lente no modo manual, acordamos muito cedo e fomos para nosso 3º Day - use. Fomos para a  Ueso Pantanal - km 38 - R$ 30,00, incluindo almoço e caminhada – bebidas à parte.  Sonia, a dona, só pede para avisar antes, prá preparar a refeição na quantidade certa. Tel: 0055 65 3391 13 95 ou 0055 65 9968 60 37 - Cel: 0055 / 65 9981 36 09 e-mail : ueso@terra.com.br

Ueso Pantanal
D. Sônia é paranaense e seu esposo suíço. São muito simpáticos. A pousada é interessante, administrada para poucas pessoas, de preferência turistas alemães, já que o casal fala alemão com fluência.

Barco a remo
O Passeio de barco custa R$ 20,00 por pessoa, mas não nos atentamos para a mensagem no site que diz: “Por motivos ecológicos não utilizamos barcos com motor a gasolina.” Até acho louvável, mas não com um calor dos infernos. Chegamos 7:30h na pousada e só uma hora depois saímos para ir até outra pousada (Rio Clarinho) andando por caminhos tortuosos e cheios de buracos a fim de fazer o tal passeio. E pior, com o nosso carro, pois no deles foram os tais turistas alemães.

Antes de ir para o barco, subimos em uma torre alta e pudemos fotografar lá de cima o Rio Claro. Durante o passeio, ficamos cozinhando ao sol, passando muito mal. A canoa parecia nem sair do lugar em que pese os esforços do guia. Voltamos acabadas por volta de 11:00h.  Esse passeio não estava previsto no Plano Tuiuiú. E foi uma fria. Ou melhor, uma quente, pois estava um inferno, o sol impiedoso que só assando nossos miolos e equipamentos. Só não foi perdido de todo, porque duas ariranhas nos brindaram com suas presenças e duas garças-reais esvoaçaram ao nosso redor.

Sofri muito para aprender a fazer foco manual com a tele. No início os resultados foram pífios, mas melhoraram muito ao final.

A trilha foi mais ou menos, o guia (Gilmar - gosta de ser chamado de “Gio ou Dio”) usava camiseta vermelha e short amarelo e entendia quase nada de aves. Aliás, a região carece de guias profissionais.  A maioria dos turistas estrangeiros contrata guias experientes em Cuiabá e deve ser bem carinho. Os da região são apenas “mateiros” esforçados.

Tamanduá-mirim
Onde está o Governo que ao invés de dar bolsa-família, devia se preocupar com a capacitação das pessoas. Muitos nem querem trabalhar e outros quando e se trabalham poderiam desempenhar seu papel de guia muito melhor caso recebessem orientação adequada.

O que compensou o dia foi a gentileza da família que nos recebeu e a aparição no final do dia de um tamanduá-mirim, que fez muitas poses para nossas lentes! Fofo, nunca tinha visto um nem em zoo.

Juro que se pudesse refazer esse dia, teria ido até os banhados e voltado para a pousada para descansar. Eu recomendo um descanso no meio da semana, pois é muito puxado. No final você está tão cansado que não vê a hora de voltar prá casa.

6º dia quinta-feira - 11/08/11

Na quinta-feira, cumprindo o estabelecido no Plano Tuiuiú, levantamos bem cedo, pegamos a estrada, ansiosas, já que as amigas da Mônica haviam nos dito que a Pousada Rio Claro era absolutamente imperdível.

Antes a passadinha básica nos banhados (três primeiras pontes), com direito a um rápido café da manhã improvisado.

Pousada Rio Claro está localizada no município de Poconé, no km 42 da Transpantaneira. contato@pousadarioclaro.com.br   Fone: +55 (65) 3345-1054 / 9982-0796 [plantão]. 

O Day - use custa R$ 39,00 (almoço e trilha – bebidas à parte). Conforme previsto no nosso plano, hoje era o dia de passearmos de barco (o barco custa R$ 150,00 e por três deu R$ 50,00 para cada. Tanto o gerente Cristiano como o guia Sr. Valdir foram nota 10 com a gente. A pousada é bem estruturada e agradável. Tem aves por todos os lados.

Vídeo pesquisado no YouTube

Essa é a Dorotéa
Após um cafezinho (cortesia da casa), partimos de barco (a motor, remo nunca mais). O nosso guia, “Seu” Valdir, mostrou-nos um belo Rio Claro.

Na pousada há um píer que possibilita embarcamos sem ter que andar por estradinhas esburacadas. Muitas aves deram o ar de sua graça. Ponto alto do passeio são as piranhas que o Sr. Valdir joga para os bichos durante o trajeto (um Tuiuiu, um Gavião belo e dois jacarés - Zico e Dorotéa).

Renderam fotos lindas, (nem me lembra como o auto-foco da 100-400 fez falta). É engraçado ver ele chamar os jacarés pelo nome e minutos depois os bichinhos aparecerem...máxima do dia foi o momento do Gavião-belo vindo buscar seu peixe.

Descansamos sob as árvores em redes, espreguiçadeiras, num calor impiedoso e quase sem vento. Após um cochilo, almoçamos e ficamos perambulando pelas cercanias da pousada. Clicamos muito e  conversamos com diversas pessoas. Uma delas foi a  Rosamélia Pizzol, que estava lá com seu marido fotografando aves. Já era o terceiro dia que cruzávamos com os dois. Outra pessoa legal foi a guia Adriana, procedente da Chapada dos Guimarães. Ela nos deu muitas dicas para o sábado, ocasião que visitaríamos a Chapada.

Já na trilha, vimos poucas aves, mas sob a mangueira que nos abrigou do calor durante o dia havia duas espécies de Aratingas fazendo a festa: Periquito-de-cabeça-preta e a Aratinga-de-testa-azul.

É interessante levar um guia de campo dentro do carro (eu usei o Aves do Brasil – Pantanal e Cerrado – Martha Argel e outros – Ed. Horizonte) e um gravadorzinho para anotações ou gravar sons de aves. Uso o Sony ICD-PX820.

Recomendo que entre no Wikiaves e pesquise as aves da cidade e região antes de viajar. Principalmente a época de suas aparições.

7º dia sexta-feira - 12/08/11

O Plano Tuiuiú previa Day - use na pousada Araras, mas a guia Adriana indicou a pousada Curicaca Refugio Ecológico, dizendo ser excelente para aves. E todo mundo concordou em alterar o plano. A idéia era ir bem cedo e voltar depois do almoço para zarparmos para Cuiabá. No sábado cedinho iríamos para a Chapada dos Guimarães.

De novo, o relógio despertou de madrugada e lá fomos nós para a  Curicaca Refugio Ecológico, que fica no Km 25 da Transpantaneira, mais três quilômetros de estrada particular (reservas: hotel@curicaca.com) – R$ 35,00 o Day use.

A estradinha de 3 km
Curicaca Refúgio Ecológico
Esses 3 kilômetros tem pântano dos dois lados e mal dá um carro. Ficamos imaginando o que aconteceria caso viesse um carro em sentido contrário. Não tem um tiquinho de acostamento. O dono, um espanhol muito simpático, explicou que tem áreas de espera.

Você fica em uma delas e olha a reta, se vier alguém você espera, se não, toca em frente. Sei não, pelo menos não cruzamos ninguém para ver se dava certo.

Na estrada havia jacarés andando e dava medo descer para fotografar. A Mônica desceu e eu e a Cá ficamos no carro rezando e imaginando o que faríamos se um jacaré pegasse ela. Acho que continuaríamos a rezar e só...kkkkkkkkk

Chalé reservado para a gente
O Refúgio foi uma surpresa. Fica no meio de um bosque, realmente cheio de aves. Há um corixo (braço do Rio Bento Gomes) na porta do restaurante (mas o passeio era com barco a remo – nem pensar).

Os empregados são super gentis. Reservaram um chalé para a gente passar o dia. Assim, pudemos cochilar depois do almoço com ventilador e banheiro privativo. O lugar é deslumbrante e muito agradável. O guia mateiro nos conduziu por uma trilha que deveria ter muito mais espécies do que ele conseguia nos apontar.

De volta, fomos almoçar. A comida não combina com o bom gosto da pousada. Estava fria e muito ruim. A sobremesa era goiabada picada e creme de leite que deveria ser gelado, mas estava líquido e morno. O cafezinho que deveria estar quente estava frio. No quesito alimentação a nota do Refúgio cai para sofrível, no resto é nota 10. Deu saudade da comidinha da D. Telma do Portal Paraíso. Ô comida boa!


Vídeo pesquisado no YouTube

A Carmen dormiu no chalé e eu e a Mônica aceitamos o convite de um guia profissional que estava lá para acompanhar uma turista européia que veio ao Pantanal para avistar apenas 5 espécies ... (que faltavam na lista dela).

Marcelo Pádua
Eles iam sair mais no fim do dia, então aproveitamos a companhia do Marcelo Pádua, mesmo sob o sol escaldante, para dar uma volta pelas trilhas.

Caramba, não sei de onde saiu tanta ave. Ele fez playback. Imitou uma Caburé (coruja predadora que, por alimentar-se de outras aves, como pardais, sanhaços e, esporadicamente, de beija-flores, ao ser localizada pelas outras aves, é imediatamente cercada e “denunciada”, com pios e vôos especiais.

E ele sabia o nome científico de todas as aves. Nesse momento eu senti saudades dos meus queridos e experientes amigos do CEO. Que diferença faria se um deles estivesse com a gente.

Olha o jacaré que sorriu para a Mônica
A Mônica quis chegar perto do jacaré na margem do corixo para fotografar o bichão. Ele não se fez de difícil e caminhou firme em direção a ela.

É acostumado a receber peixe por ali das mãos do pessoal da pousada, de duas uma, ou achou que ela iria lhe dar comida, ou que ela seria a comida...kkkkkkkk

Voltamos já escurecendo. Colocamos as malas no carro e nos despedimos de Poconé.

8º dia sábado - 13/08/11

Dormimos em Várzea Grande (a Mônica num Hotel e eu e a Cá na cunhada dela que mora lá). Um amor de família. Acordamos cedo e fomos para a Chapada dos Guimarães. A sobrinha e uma amiga da Carmen foram juntas, tornando o passeio ainda mais divertido. 

Seguindo os conselhos da Guia Adriana, fomos primeiro para a estrada Água Fria. Que decepção. Só poeira, calor e um mínimo de aves. Muitos carros passando. Rendeu umas 3 espécies e fotos legais. Inclusive avistamos o João-bobo novamente.

Fomos ao Vale da Benção, abençoado seja esse lugar, tinha árvores altas, riozinho, sombraaaaaaaaa...e muitas aves. Vi e fotografei uma das mais belas de toda a viagem: Udu-de-coroa-azul.

Dali fomos ao famoso cartão postal da cidade: Cachoeira Véu de Noiva. Foi com pura emoção que assisti o voo das Araras-vermelha-grande ao lado do paredão. Dali fomos para a Cachoeirinha onde almoçamos. A Carmen, sua sobrinha e a amiga tomaram banho de cachoeira. Eu apenas molhei os pés que estavam muito inchados, no limite. Havia muita gente e nenhuma ave dando mole prá minha câmera.

Fomos conhecer o Morro dos Ventos e o Mirante do Centro Geodésico...quase nada de aves. Porém, ambos tem uma vista muito bonita. E por fim um sorvete em frente à prefeitura e direto para a pracinha esperar uma multidão de aves. Foi triste e decepcionante. Só pardais e João de Barro. Um ou outro diferente, como o Cauré (falcãozinho).

Já no limite do esgotamento (aprenda a ouvir e a respeitar os limites do seu corpo), retornamos à Várzea Grande, na Grande Cuiabá. Domingo fomos cedo para o Aeroporto. E de bom só as recordações, as amizades que ficaram ou se fortaleceram e muitas fotos...

E as fotos de aves? Em breve muitas aves no meu perfil no Wikiaves Aqui ó

Texto: Silvia Linhares
Fotos: Silvia Linhares - © 2011 - All right reserved

Dicas finais (Revista Viaje Mais adaptadas por mim)

Vá se...
...gosta de natureza...
...não liga para pó ou lama...
...viaja com pouca bagagem...
...se gosta de fazendas...
...quer ver aves e animais...
...aprecia comida e música regional...
...curte fotografar, com calma...
...não liga para acordar cedo...muito cedo...
...não se importa com o carro sacolejando...

Não vá se...
...só quer conforto...
...odeia longas distâncias...
...não gosta de passar calor...
...não curte a vida  simples...
...é alérgico a mosquitos e outros bichinhos infernais...
...prefere ver bichos enjaulados...
...odeia acordar cedo...
...não quer perder as novelas da TV...




17 comentários:

  1. Sílvia.
    Parabéns pelo belíssimo registro!!!
    A viagem realmente foi inesquecível, para vocês e para os leitores!!!
    Abraços.
    Carlos Eduardo Godoy.

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  2. Grande Aventura, Parabéns. Fico no aguardo para ver as lindas fotos no wikiaves.
    Abraço

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  3. Ave, Silvia!
    Puxa agora sim, com este seu roteiro esmiuçado dá pra encarar com tranquilidade o Pantanal e o calor, porque aqui pelo sul estamos com um frio danado se aproximando e amanhã cedinho vamos pra Reserva, com a possibilidade de encarar zero graus, coisas desse nosso Brasilzão maravilhoso!
    Agora vamos ficar ansiosamente aguardando as fotos no Wiki, como prometido!
    Forte abraço e inté logo, que a nossa viagem começa daqui a pouco. Renato Rizzaro

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  4. Muito legal! Pantanal sempre é fantástico!

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  5. Adorei....Parabéns!
    André Briso

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  6. Pantanal é natureza, e natureza é preciosidade desse planeta, parabens Silvia, com esse roteiro não tem mais erro, vou bater lá.

    Abelardo. (Aba)

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  7. Silvia querida, arrasou!

    Consegui viajar com vocês através de suas palavras!

    Que viagem maravilhosa. A viagem dos sonhos de muitos de nós!

    Parabéns!

    Beijinhos,
    Chá

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  8. Uma bela aventura e um relato que serve de guia, parabéns!
    Flavio

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  9. Silvia,

    Este diário ficou um espetáculo e com a sua cara: todo organizado.
    Por certo servirá para muitos que pretendem ir para o Pantanal Norte (Poconé).
    Foi um prazer muito grande mesmo ter estado com você e com a Mônica 8 dias passarinhando.
    O calor foi mesmo demais e o cansaço foi intenso, mas valeu a pena. Faria tudo de novo.
    Ano que vem teremos mais Pantanal e já começo a pensar no mundo de aves lindas que iremos fotografar juntas de novo.
    Obrigada pela companhia, pelas dicas, pela contribuição na identificação das aves para o meu perfil do Wikiaves, pela dedicação em preparar este diário tão útil, pela amizade, por tudo, enfim!

    Abraço,

    Carmen Bays

    OBS.: não consigo postar com identificação de conta Gmail. Não sei por quê.

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  10. Bom dia Silvia, achei muito interessante o relato da sua viagem com suas amigas a Poconé MT, anotei os detalhes que vai me ser útil, na primeira vez que estive la com minha esposa fui de carro moro em Praia Grande,SP, e é muito cansativo, achei a dica interessante de se hospedar no inicio da Transpantaneira e a cada dia visitar uma pousada ou Fazenda por um dia sai bem mais barato, pretendo voltar no inicio de Setembro com minha esposa e desta vez vamos de avião e alugar um carro na locadora que vc indicou, se lembrar de mais alguma dica agradeço.
    Um abraço, Adilson Marques, P. Grande, SP (marques.adilson@gmail.com)

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  11. Olá Sílvia parabéns pelo blog, pelas fotos e seu diário de bordo!

    Vcs se hospedaram no km 0 e a cada dia faziam ida e volta, fazendo day-use para o almoço, correto?
    Parece uma boa estratégia mas só não entendi se é possível fazer ida e volta de toda a Transpantaneira em um dia só e num carro 1.0.
    Estou indo pra lá no final do mês de maio...qualquer dica de alguém que já esteve lá seria útil!
    Abçs

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    1. Carla, em toda a Transpantaneira ida e volta não sei dizer, dizem que o hotel no Porto Jofre vende gasolina, mas não quisemos arriscar. São 140 km ao todo, nós só fomos até o 120 no primeiro dia, escolhemos pousadas para o Day-use até 50 km...

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    2. Obrigada Silvia, vou seguir esta estratégia no meu Plano Marruá! ;.)

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    3. Carla, só não sei se o mês de maio ainda não estará alagado, eu fui em agosto, já no período das secas...

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