sábado, 25 de julho de 2020

SP - Peruíbe/SP (Mochileiros)

Peruíbe/SP


Alguns dias atrás, o Fábio Barata, guia e proprietário do Mochileiros Hostel e Observação de Aves, havia comunicado que a saracura-do-mangue (Aramides mangle), lifer que eu vinha procurando há algum tempo, com resultados sempre frustrantes, estava aparecendo em Peruíbe. 

Eu queria muito ir e, por essas coincidências do destino, duas queridas amigas (Viviane De Luccia Leila Esteves) estavam agendadas para ir lá. Não havia data disponível para mim, então a Leilinha conversou com o Barata e ele permitiu que eu as acompanhasse durante o day-use na última segunda (11).

Chegamos lá e após cruzar com a querida Elisa Focante, única hóspede da pousada, fomos até o local da saracura. O Barata colocou nós três sentadinhas em cadeiras e pediu silêncio e atenção. Como há um comedouro num muro nas cercanias, havia muitos passarinhos para nos distrair. 

Entre eles três espécies de sabiás: sabiá-branco (Turdus leucomelas), sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) e sabiá-poca (Turdus amaurochalinus). E alguns bem coloridos como o tiê-sangue (Ramphocelus bresilius) e a maravilhosa saíra-sapucaia (Stilpnia peruviana). O show ficou também por conta de uma avezinha que não se importa de usar máscara: a lavadeira-mascarada (Fluvicola nengeta). Deu foto de quadro.

A Leila, de repente, procurou o celular no bolso e não achou. Imaginou que ficara no carro, mas se saísse dali para procurar poderia perder a saracura. O Barata foi até lá. Dito e feito, quando ele voltou a bela já estava desfilando na nossa frente. Ela costuma vir comer frutas que caem no chão do comedouro do muro vizinho.

Só lembro da Leila, sem se mexer, dizer algo do tipo, "tá vindo" e a lindona colocou a cabeça pra fora do mangue. Pé ante pé, se esgueirando, um olhar de soslaio em nossa direção e outro para a banana no matinho, ela acabou caminhando sem medo, indo se deliciar enquanto a gente só metralhava. Bem tranquila, virou pra gente e ainda fez pose, para a nossa felicidade e do amigo Barata, que aguardava de longe.  


arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Só teve uma parte ruim, a gente comemorou muito, mas não pode se abraçar como é nosso costume. A gente tentava manter sempre a distância onde dava. 

arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Finalizamos a parte da manhã com muitas fotos legais além do hiper mega super lifer. Destaque para a figuinha-do-mangue (Conirostrum bicolor), tachuri-campainha (Hemitriccus nidipendulus), dentre outros, mas o bichinho que eu queria muito fazer uma boa foto, o bico-assovelado, (que até hoje não sei porque foi rebatizado com um nome que parece marca de refrigerante vagabundo) não saiu bem na foto, infelizmente o chirito (Ramphocaenus melanurus) vai ficar para a próxima.

arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Depois de comer uma peixada deliciosa num restaurante local, voltamos para os comedouros da pousada, onde a querida Elen, esposa do Barata, nos aguardava com café quentinho. Sentada de pés para cima, fiz fotos até dizer chega ou enquanto a luz permitiu. 

Eu por Fábio Barata

Dois lindos pica-paus fizeram a gente dar pulos de alegria: pica-pau-de-cabeça-amarela (Celeus flavescens) pica-pau-verde-barrado (Colaptes melanochloros). Mas quem coloriu a nossa tarde foram os seguintes "passarinhos"tiriba (Pyrrhura frontalis), gralha-azul (Cyanocorax caeruleus), saíra-de-chapéu-preto (Nemosia pileata), saíra-sete-cores (Tangara seledon), saíra-militar (Tangara cyanocephala), saí-azul (Dacnis cayana) e saí-verde (Chlorophanes spiza).

arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

A despedida - Foto by Leila Esteves

Aqui as listas da passarinhada em Peruíbe:

Voltamos pra São Paulo parecendo três crianças. Com o mesmo sentimento de dever cumprido que voltamos da África do Sul. Dormi feito anjo, mais de 9 horas, sem aquela agitação que eu percebia no meu corpo nas noites da semana anterior. E confesso, nem vi a semana passar.

Conclusão

Passarinhar faz bem para o corpo e alma. Pode não curar ou evitar o Covid-19, mas aumenta a felicidade e, com isso nossa sagrada imunidade. O resultado é o nosso bem estar geral, fazendo os efeitos colaterais do isolamento social e estresse desaparecerem por completo.

Eu estava a 120 dias dentro de casa, praticamente quase sem por o pé para fora do portão. Saí raríssimas vezes. Malhei, comecei a estudar inglês, tratei fotos, fiz poemas, mas estava no limite do limite. Eu sei viver bem sozinha, mas uma vez que estou sempre viajando, dificilmente estou sem pessoas ao meu redor.

Sim, nesses último tempos o que mais fiz foi refletir sobre a vida, e devo refletir mais um bocado ainda. Teve dias aqui que eu me senti uma idiota completa. Isso por conta de ter deixado de fazer muitas coisas que eu tive oportunidade e vontade de fazer. Sim, nenhum arrependimento do que fiz, mas muitos do que não fiz.

Mas isso vai mudar pra 2021. Pode ter certeza. A vida é um sopro, e nunca se sabe quando ela vai nos abandonar. A gente nunca gosta de pensar essas coisas. E, mesmo eu já tendo enfrentado uma UTI e ter ficado entre a vida e a morte ou, pior, uma cadeira de roda, acho que ainda não tinha adquirido a consciência que tenho hoje. Mas sempre é tempo de reconectar-se, de procurar por coisas que se perderam nas areias do tempo e recomeçar.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

SP - Passarinhando durante a pandemia - Capítulo I - Monteiro Lobato


Hoje, 20 de julho de 2020, comemora-se o dia do amigo -  "A data foi criada pelo argentino Enrique Ernesto Febbraro. Ele se inspirou na chegada do homem à lua, em 20 de julho de 1969, considerando a conquista não como uma vitória científica, mas uma oportunidade de se fazer amigos em outra parte do universo".

Falando em universo, o meu  hoje está praticamente restrito às paredes do meu apartamento, mas quem tem amigos queridos, ganha oportunidades de fazer coisas únicas na vida. Nesse quesito, posso dizer que sou mesmo uma agraciada.

Enquanto aproveito o solzinho aqui pela janela da sala, tomando um licorzinho bem leve após o almoço, olhando "a selva" que me cerca, resolvi escrever. 


Antes de contar como foi passarinhar em Monteiro Lobato e Peruíbe durante essa pandemia, senti necessidade de escrever outras coisas. Então aguente firme ou kkkkkkk, se quiser, pule essa parte e vá direto para a próxima.


Vou contar um pouco da minha história. Sim, vou contar coisas sobre uma Silvia que poucos conhecem, essa pessoinha difícil, caprichosa, mas muito persistente e determinada.

sábado, 25 de abril de 2020

ZA - A viagem dos meus sonhos - Kruger Nacional Park

ZA - Introdução - A viagem dos meus sonhos - Kruger Nacional Park 


Este foi um dos textos mais difíceis pra escrever e montar. Longo, intenso, quase um livro. Desde que cheguei de viagem, foram mais de 40 dias, isolada em casa sozinha, tratando e separando fotos, alimentando e  revendo listas, construindo palavras com base em pesquisas, memória e criatividade. Havia tanto a mostrar que acabei fazendo uma nova viagem dentro da viagem. Em quarentena sobrou mais tempo e foi mais tranquilo. Então, prepara a cerveja e o petisco e “senta que lá vem história”...

*Será dividido em partes com listas do eBird e links ao final de cada uma delas. Você poderá ouvir  músicas da minha play-list durante a leitura. Se conseguir ler tudo, e chegar no final, que é muito legal, seremos amigos para sempre. 😂 😂 😂 😂 😂 😂 😂

A ave que me motivou a conhecer a África
Fotos: arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Eu nunca imaginei que ao realizar essa viagem as lembranças dela iriam ser um bálsamo para os meus dias de isolamento (ref. COVID-19). Nesse instante, lágrimas rolam pelas minhas faces. Hoje, quando repasso as fotos e os acontecimentos, penso que tinha muito mais coisa para eu conhecer e aproveitar, mas fica para a próxima.

Eu só posso agradecer a todos que participaram, fisicamente ou virtualmente, ou ainda que serviram de inspiração para eu conhecer outro continente.

Em primeiro lugar, obrigada Vivi (Viviane De Luccia) por ter colocado pilha na gente quando já tínhamos desistido de ir. As tardes para discutir essa viagem, regadas a café e bolo de maçã com canela na sua casa foram bastante persuasivas. 😂 😂 😂 😂 😂

Obrigada também pela sempre doce e alegre presença, por todo o trabalho que teve na internet pesquisando e reservando os melhores e mais baratos lugares, para que não voltássemos falidas da viagem. Aproveito para agradecer ao Nelson, que foi nosso guardião, motorista, intérprete, super guia nos dias sem o guia oficial, grande companheiro de passarinhada e grande amigo, além de ser dotado de uma paciência sem tamanho.

Viviane De Luccia
Foto: arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Leila Esteves, que já tinha ido ao Kruger, topou enfrentar o desafio e nos acompanhar, brindando-nos sempre com seu bom humor e companheirismo. 

Leila Esteves
Foto: arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Claudinha (Claudia Brasileiro), super obrigada pelo incentivo e dicas para contratarmos a PKSafaris. Além de poder contar com sua experiência e preciosas dicas, você ainda teve o trabalho de nos colocar em contato com o Bernhard Bekker. Essa sua indicação foi primordial para o sucesso da nossa expedição. Adoraria que você tivesse viajado com a gente.

Bauru - 21/12/2019: arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Bernhard Bekker muito obrigada por nos atender tão bem. Espero ainda poder conhecer você pessoalmente. Não desanime com essa crise global. Seu trabalho é merecedor de muitos aplausos. Não sei se o Translate do Google aqui no Blog vai ajudar você a compreender minhas palavras, mas quero que saiba que minha gratidão será eterna.

E Arno Pietersen, que tão bem nos guiou. Sobre você e seu trabalho eu falarei durante o transcorrer deste texto. Obrigada por tudo. Tenho certeza que vou poder ver você se apresentando no Avistar Brasil (evento brasileiro sobre Aves) e ser novamente guiada por você na África. Espero que o Translate do Google aqui do Blog ajude você compreender um pouco do que escrevi.

Para quem não sabe, Arno é integrante da equipe da PKSafaris, apaixonado pela natureza e fotógrafo experiente e premiado. Profundo conhecedor das aves africanas, foi ele quem deu o tom e o brilho a nossa expedição. 

Odair Villela, Horácio Almeida, Fábio Olmos, Rita Souza, Bruno Arantes Bueno, Willian Menq, Reinaldo de Medeiros, Luana Bianquini, Norton Santos, Jefferson Silva, Margi Moss, vocês foram fonte de inspiração pra mim. Cada um sabe o porquê. Então vou me limitar a agradecer de coração, por tudo, principalmente ao Jefferson, que, inicialmente, iria nos acompanhar nessa viagem.

Por fim, meus amigos João Paulo Krajewski, Roberta Bonaldo, Cristian Dimitrius e Lawrence Wahba, saibam que os documentários de vida selvagem que vocês produzem, são, além de colírio para os meus olhos, a maior fonte de inspiração pra eu me aventurar pelo mundo. Aliás, Lawrence, sua live sobre a África foi sensacional. Eu amei. Faltou incluir a Namíbia naquele seu mapinha, viu?

Eu sei que fazer uma expedição ao Kruger é algo corriqueiro para muitas pessoas, mas para mim teve um significado muito grande, maior do que vocês possam imaginar. Foi a primeira vez que atravessei o Atlântico. Minha primeira experiência dessa magnitude. Agora só me resta aprender inglês e planejar as próximas viagens, assim que tudo isso acabar. Pelo menos o passaporte está renovado por mais dez anos. 😂 😂 😂 😂 😂

Porque a África era o destino dos meus sonhos

Quando estou em casa e ligo a TV é para assistir documentários sobre a vida selvagem em todos os lugares do planeta. E o que mais tem é sobre a África. Eu me lembro de ter acompanhado uma série no canal Animal Planet chamada "No Reino dos Suricatos", produzida pela Oxford Scientific Films, bem dramática, estilo novela mexicana misturada a cenas mafiosas do filme "O poderoso chefão". A série apresentou cenas mostrando brigas em família, intrigas entre clãs por domínio territorial, casos de amor, situações de risco de vida, etc. Fiquei apaixonada e um dos meus maiores desejos passou a ser conhecer de perto uma savana africana e os suricatos, obviamente.


Lugares como Serengeti, Kruger, Etosha, Kalahari, Okavango, Massai Mara, Nilo, Madagascar, etc começaram a povoar os meus sonhos. Tudo tão fascinante e ao mesmo tempo tão distante. Mas sonhos são só sonhos até que você os faça virar realidade.

Eu acho que os sonhos se realizam quando se tem um grande desejo. Depois é só fazer muitas pesquisas e estudos concretos sobre as reais possibilidades, além de um bom planejamento. Mas um pouco de sorte também é necessário e nisso posso ser considerada afortunada.

Fotos e histórias dos amigos também sempre me inspiraram. Em setembro de 2015 eu participei do Avistar Vale-Europeu. Uma das palestrantes, a amiga Luana Bianquini, contou como foi sua experiência pelo Kruger National Park. Eu anotei todas as dicas. Fiquei ainda mais fascinada. E pensei comigo: um dia eu irei!

Em janeiro de 2019 fiz parte de um pequeno grupo de brasileiros que queriam ver aves no Kruger. Infelizmente por razões logísticas não deu certo. A partir de um novo grupo, a viagem começou a ser replanejada e mais uma vez o grupo se desfez.

No decorrer de 2019, nós, eu e as amigas Leila e Viviane decidimos não viajar mais para a África. Pensamos que seria complicado fazermos uma viagem pelo Kruger tipo self-drive (dirigindo no parque por conta própria). Fomos assoladas por milhares de dúvidas. Lá é mão inglesa, quem iria dirigir? Onde iríamos nos hospedar? Dentro ou fora do parque? Quais lugares visitaríamos? Quando ir e quanto gastaríamos?

Mas como eu disse no início, sou uma pessoa de muita sorte. Em conversas com a amiga Claudia Brasileiro, ela sugeriu que eu fizesse a viagem com a mesma empresa que ela e o Rodrigo Agostinho haviam feito: a Private Kruger Safaris, onde os fotógrafos e guias Bernhard Bekker, Hennie Bekker e Arno Pietersen levam turistas do mundo inteiro para conhecer as belezas naturais da África.

Após um chá da tarde na casa da Viviane, mesmo sabendo estar em cima da hora, decidimos ir. O grupo acabou sendo formado por mim, Leila, Viviane e seu esposo. Ante minha falha pessoal de não falar inglês, repassei os contatos à Viviane, que discutiu e combinou um pacote específico com o Bernhard Bekker, cujo guia seria o especialista em aves Arno Pietersen.

A Viviane foi um pouco além e pesquisou todos os lugares aonde iríamos, preço de passagens, onde alugar veículo e onde poderíamos nos hospedar na parte extra pacote. A Leila repassou dicas de quando ela esteve no Kruger. Enquanto isso, fiz pesquisas sobre as aves e hotspots que seriam interessante conhecermos.

Tudo parecia estar tão distante no calendário. Mas o dia chegou e, passou tão rápido, mas tão rápido, que quando vi, já estávamos voltando para casa. E confesso: foi uma das melhores viagens da minha vida.

Indo e voltando da África - imagens da tela no avião
Fotos: arquivo pessoal Silvia Linhares

Pena que assim que chegamos no Brasil, a notícia de que o coronavírus estava se alastrando assustadoramente mudou totalmente nossas rotinas. De repente um pesadelo assolou o mundo, tornando-se parte do dia a dia de todos nós.

Aperte o play e ouça uma música para animar
Imagine Dragons - Birds

Mas falemos de coisas boas. Planejar esta viagem trouxe todos os sentimentos e ações que envolvem um evento desta magnitude. Estresse, ansiedade, muito frio na barriga, estudos e mais estudos, pesquisas de preços, etc. Mas apesar da enorme expectativa, resultou em muita alegria, companheirismo e realizações pessoais. Estar com um grupo repleto de sinergia, um bom guia e uma empresa bem organizada e estruturada faz toda a diferença.

O mais legal é que agora, vendo os documentários da África que sempre me fascinaram, eu consigo identificar a maior parte dos animais e aves que aparecem. Principalmente o som da pomba que apelidamos de "Socorro" (pois sua vocalização onomatopeica é "socorro-socorro"). Trata-se da Cape Turtle-Dove (Streptopelia capicola). Escute o som dela aqui no Xeno-canto.

Cape Turtle-Dove (Streptopelia capicola), a "Socorro"
Foto: arquivo pessoal Silvia Linhares

Com tantas belezas, acabei produzindo mais de 25 mil fotos. Dessas só restaram 10 mil. Como uso uma lente mediana (Canon 100-400 II) eu optei por usar um Teleconverter 1.4x, apesar da qualidade diminuir, a luz, na maior parte das fotos favoreceu as capturas. Obrigada amigo Horácio Almeida por me fornecer esse TC, possibilitando fazer fotos dos bichos mais distantes.

Registrei 180 espécies de aves, sendo 173 novas. As fotos de cada espécie alimentam as 43 listas que produzi durante a viagem e subi no site eBird. Você poderá conhecer cada lista e apreciar as fotos durante a leitura deste texto. Embora nem todas as fotos das aves listadas contaram com pós-validação pelo nosso guia, eu já fiz todas as correções indicadas pelo moderador do eBird. Acredito que está tudo ok.

Além de registrar aves maravilhosas, ainda fiz fotos de muitos mamíferos, insetos e flores selvagens diferentes. Só antílopes foram seis espécies, conforme quadro abaixo: Klipspringer  (Oreotragus oreotragus),  Greater kudu (Tragelaphus strepsiceros), Bushbuck (Tragelaphus sylvaticus),  Waterbuck (Kobus ellipsiprymnus), Nyala (Tragelaphus angasii) e Impala (Aepyceros melampus).

Antílopes
Fotos: arquivo pessoal Silvia Linhares

Flores selvagens
Fotos: arquivo pessoal Silvia Linhares

Fotos: arquivo pessoal Silvia Linhares

** Antes de "viajar" comigo durante o relato diário, leia atentamente o próximo tópico.**

O Parque Nacional Kruger e algumas particularidades

O Parque possui 19.485 km². Está localizado no nordeste da África do Sul, na fronteira com Moçambique. É uma das maiores reservas de animais da África e é formado por montanhas, planícies arborizadas e florestas tropicais. É habitado por mais de 100 espécies de mamíferos (147 de acordo com nosso guia).

A elevada densidade de animais selvagens inclui os maiores mamíferos terrestres chamados de "Big Five": leões, leopardos, rinocerontes, elefantes e búfalos. Para nós faltou o rinoceronte.

Para minha alegria o parque abriga quase 500 espécies de aves, uma mais linda que a outra. 

A maioria das pessoas tem a expectativa de ver os "Big Five". Não é comum as pessoas saberem sobre os "Big Six Birds". Trata-se de uma lista de 6 espécies de aves selecionadas pelos funcionários do parque por sua singularidade.

Desses, assim como no Big 5, faltou um pra completar a nossa lista. São eles Kori Bustard, Lappet-faced Vulture, Martial Eagle, Saddle-Billed Stork, Ground Hornbill e Pel’s Fishing-Owl sendo que esta última a faltante (acho que vou ter que voltar, né?).

Foto: arquivo pessoal Silvia Linhares

O Parque possui dez portões de entrada. Possui também um sistema de trânsito bem disciplinado, com placas indicativas, estradas asfaltadas e algumas de chão (terra), todas bem conservadas. Por norma não pode se pode ultrapassar 50 km/h nas asfaltadas e 40 Km/h nas de terra. Há horários rígidos para entrar e sair dos portões e multas pesadas para quem desobedece.

Existe o Kruger e o Grande Kruger. O Kruger é o próprio Parque Nacional e o Grande Kruger, além de uma parte do Parque, inclui as reservas privadas. Eles não possuem cercas entre si, por isso os animais transitam livremente. Essa delimitação serve apenas para os seres humanos.

Há diversas formas de se hospedar: em lodges, que ficam nas reservas privadas. Normalmente, são lugares bem luxuosos e caros, mas que já incluem um ou dois safáris por dia, bem como as refeições. Considere que dificilmente saem focados apenas em aves, são diversos turistas juntos e a grande maioria ávida por ver os Big 5.

Eu recomendo formar um grupo de passarinheiros amigos e contratar uma empresa que tenha um especialista em aves, como fizemos.

A segunda opção é hospedar-se dentro do Parque. Este possui uma estrutura de hospedagem bem eficiente e diversificada. Conta com vários acampamentos (acho que 17 ao todo), chamados Rest Camps, que são áreas cercadas com eletrificação, onde os visitantes podem pernoitar. Na realidade são parecidos com pequenas vilas, onde se pode circular livremente dentro dos seus limites. Há muitas aves nessas áreas.

Kruger National Park (South African) / Limpopo National Park (Mozambique)

Há vários tipos de acomodação, desde espaço para trailer, motorhome, barracas, com banheiro e cozinha coletivos, até bangalôs e chalés com ar condicionado e banheiros privativos, lembrando que nem todas elas estão disponíveis em todos os Rest Camps. Para verificar a disponibilidade e fazer sua reserva, é preciso acessar o site oficial ou deixar isso a cargo de uma empresa especializada.

Optamos por ficar dentro do Parque, em Rest Camps (fique atento porque as vagas esgotam-se rapidamente). No caso a empresa que contratamos cuidou de todas as nossas reservas. Mesmo quem fica hospedado dentro do Parque precisa pagar a taxa de visitação (pagamos na hora no primeiro portão - não estava incluso no pacote). Custa aproximadamente R$ 100,00 por dia/pessoa e o pagamento é feito via cartão de crédito internacional (não esqueça de liberar seu cartão para compras internacionais antes de viajar) ou em moeda local. Mas eu asseguro, vale cada centavo.

Quase todos os Rest Camps contam com restaurante, posto de combustível e loja (shop). Aí é que mora o perigo, pois tem muita coisa legal pra comprar, desde comida, bebida (inclusive cerveja), roupas, bijuterias, souvenires diversos e até cartões SD, porque pode esperar, se você não levar muitos, vai precisar comprar alguns extras.

Em alguns momentos optamos por fazer as refeições nos restaurantes, depois fizemos nossas próprias refeições e até churrasco regado a cerveja e caipirinha.

O Parque ainda oferece algumas áreas específicas para você fazer piquenique. Vá preparado para isso, não há nada para vender nessas áreas, leve sua comida, sua bebida e que tal uma toalha xadrez pra ficar bem estiloso?

Hospedagem fora do Kruger: Ao terminar nossa expedição guiada optamos por hospedar-nos em guest houses e lodges nos arredores do parque, o que facilitou nossa passarinhada self-drive de mais três dias.

Para aves, a região norte do Parque é, sem dúvida, a melhor. O sul é bastante movimentado, parecia uma Disney em época de férias (foi minha impressão quando estive em Skukuza). Só ressaltar que tanto o avistamento de aves quanto de mamíferos depende um pouco da sorte, mas um guia que conheça bem os costumes dos animais e os principais hotspots faz muita diferença.

Veja abaixo uma tentativa minha de fotografar um leão próximo a Skukuza, dentro de um carro comum.

Foto: arquivo pessoal Silvia Linhares

Embora no momento esteja fechado como tudo em todo o mundo, o Parque abre durante o ano todo. Lá também é hemisfério sul e o Trópico de Capricórnio corta o Parque, por isso as estações do ano e o clima são bem similares ao Brasil.

O período com maior probabilidade de chuva vai de outubro a março. Nós pegamos chuvas em alguns dias, mas passavam logo. Para aves eu tive a recomendação de ir entre dezembro e março, por conta da migração. Embora eu esperasse encontrar muitos insetos fui surpreendida com a quase total ausência deles, mas nunca me descuidei.

Durante o período de abril a setembro, a vegetação deverá estar mais seca, marrom e esparsa. Muitos poços de água e até mesmo rios secarão completamente. Dizem que nesse período é mais fácil ver animais, tanto pela vegetação estar esparsa, quanto pela escassez de água, fazendo os animais se concentrarem nos poucos reservatórios de água.

Regras do Kruger (fonte: sanspark)
– Visitantes devem permanecer em seus veículos e descer apenas em áreas designadas. Nenhuma parte do corpo pode sobressair da janela, teto solar ou qualquer outra parte do veículo. As portas também devem estar sempre fechadas.
– O limite de velocidade é de 50 km/h em estradas de asfalto e de 40 km/h em estradas de terra.
– Fique atento ao horário de fechamento dos portões do parque; visitantes devem estar em seus campings ou fora do parque após estes horários; atrasados podem estar sujeitos a uma multa.
– O visitante não tem permissão para dirigir “off-road” ou em estradas com um sinal que proíbe a entrada.
– Perturbar ou alimentar animais é considerado ofensa grave no Kruger; lembre-se que os animais também veem lixo como comida.
– Visitantes que se hospedarem no parque só podem ficar em um estabelecimento reservado e reconhecido durante a noite, além disso, devem reportar-se à recepção antes de ocupá-lo. O check-in é a partir das 14h e o check-out até às 10h;


A seguir você vai poder acompanhar passo a passo, melhor dizendo, dia a dia, como foi sair do Brasil e fotografar na África do Sul.

Dia 28/02 – sexta feira

Nosso voo saiu de Guarulhos às 17:55h e chegou pontualmente em Johannesburg, às 7:40h do dia 29/03. O horário da África do Sul está 5 horas à frente do horário brasileiro. Ou seja, enquanto no Brasil são 12h, na África do Sul são 17h.

Eu, Leila e Vivi no aeroporto de Guarulhos aguardando o embarque
Foto: arquivo pessoal Silvia Linhares

Saímos do Brasil com aquela euforia normal de quem vai experimentar sapato novo. O nosso voo foi bastante tranquilo, sem escalas. Deu pra descansar bem, apesar da ansiedade dominando.

Dia 29/02 – sábado

Apesar de termos chegado a Johannesburg no horário previsto, (7:40h) estávamos cientes que o nosso tempo de conexão era curto. Nosso voo sairia de Johannesburg às 9:55h e chegaria em Hoedspruit às 10:50h. Pegar a bagagem e passar pela alfândega foi até bem rápido. Você só precisa do certificado internacional de vacinação da febre amarela e o passaporte válido. Se você tem a carteirinha de vacinação do Brasil, você faz o certificado internacional pela internet.

* Uma coisa bem interessante que descobri é que a sigla ZA provém das iniciais do nome do país em neerlandês (holandês) - Zuid-Afrika - embora o neerlandês não seja mais uma das línguas oficiais do país. Em 1925, o africâner juntou-se ao inglês e o neerlandês, e tornou-se a língua oficial. Na Constituição sul-africana de 1961, o neerlandês foi completamente excluído como língua oficial, permanecendo o inglês e o africâner. Em ambas as línguas, as iniciais do país seriam SA (South Africa, em inglês, e Suid-Afrika em africâner). Porém, como o domínio .SA já era usado pela Arábia Saudita, o código .ZA foi adotado.

ZAR é o código para a unidade monetária do país (South African Rand). A moeda oficial da África do Sul é o rand ou rande.

Na chegada haviam funcionários que mediam a temperatura de todo mundo. Eu só não esperava que a pandemia do coronavírus fosse piorar tão rapidamente.

Aí saímos procurar onde seria o reembarque para fazer o novo check-in e despachar novamente as bagagens. No caminho até companhia Airlink, que faria nosso voo, fomos abordados por duas pessoas com coletes de serviço, que julgamos serem funcionários do aeroporto. Eles nos conduziram, gentilmente, até o nosso check-in. No final eram pessoas comuns e queriam 10 dólares de cada um de nós. Como a gente não esperava por isso, demos alguns trocados apenas e saímos correndo para o balcão. Fiquem sempre atento.

A companhia que nos levou é bem pequena, sua logomarca é um bee-eater, ave chamada em português de “abelhuraco”. 

Foto: arquivo pessoal de Leila Esteves e Silvia Linhares

Descemos no pequeno aeroporto da cidade de Hoedspruit, onde pegamos nosso carro alugado (“Santa” Viviane, que planejou, programou e contratou tudo pela internet antes de viajarmos) e seguimos até a cidade de Phalaborwa, distante 75 km do aeroporto de Hoedspruit, já vendo algumas aves pelo caminho.

Recomendo baixar, ainda no Brasil, todos os mapas do Google Maps off-line. Você vai precisar e muito.

A Viviane havia fechado, pela internet, nossa acomodação no Impisi Lodge Safari And Golf Guesthouse, lugar delicioso, onde pernoitamos e ainda passarinhamos um pouco, próximos ao portão do parque. Aí já começou o festival de lifers ou new birds, como aprendemos a dizer com nosso guia na África (referência às novas espécies de aves registradas).

Também fizemos compras num supermercado local. A maioria dos estabelecimentos aceita cartão de crédito internacional (não esqueça de pedir antes de viajar para sua operadora liberar compras no exterior). Nós levamos alguns dólares e rands cambiados aqui no Brasil. Eu recomendo baixar um conversor de moedas off-line no celular, pois a gente perde a noção do valor da moeda.

À noite procuramos um restaurante onde comemos uma pizza e tomamos uma cervejinha pra comemorar nossa chegada. Que coisa mais paulista né? 😂 😂 😂 😂 😂 😂 😂

Foto: arquivo pessoal Leila Esteve, Silvia Linhares e Viviane De Luccia

Nós, brasileiros não estamos acostumados com a mão inglesa de direção. Pode parecer complicado, e até sem sentido dirigir na mão invertida, mas alguns países utilizam a direção na direita para facilitar a dirigibilidade. Nos países que utilizam a mão de circulação inglesa os carros possuem o volante e pedais no lado direito do veículo. Países como Inglaterra, Irlanda, Escócia e País de Gales utilizam a chamada mão inglesa.

Essa forma de direção está relacionada à história da França e da Inglaterra. Segundo relatos, na idade medieval, os cavalos circulavam à esquerda para deixar a mão direita livre para segurar a espada. No século XVIII, Napoleão Bonaparte, que era canhoto, decidiu inverter a situação na França. Assim, França e Inglaterra, que eram países inimigos, passaram a circular nas cidades de forma diferente. Com o tempo, os ingleses começaram a dirigir apenas pela pista da esquerda. Essa tendência pegou e é utilizada até hoje. Algumas ex-colônias britânicas, como Índia, África do Sul e Nova Zelândia, também utilizam a mão da esquerda. No Brasil, a mão de direção segue o padrão mundial. (fonte: site de curiosidades)

O mais engraçado era quando a gente estava no trânsito e vinha um carro em sentido contrário. A mão inglesa deixava meu cérebro confuso, parecia que o carro que vinha em sentido contrário ia bater no nosso. Demorei muito para me acostumar, mesmo estando no banco traseiro.

Bora falar de passarinhos. Fizemos alguns registros bem interessantes durante o dia. Sempre no final de cada dia você poderá conferir as listas no site eBird, clicando no respectivos links.

Fotos: arquivo pessoal Silvia Linhares

Veja como ficou minha primeira lista feita na África do sul
eBird - Sáb 29 fev 2020 - 16:52
Kruger NP--Phalaborwa Gate


ZA - Parte 1 - A viagem dos meus sonhos - Kruger Nacional Park
Dia 01/03 – domingo

Uma música que gosto muito para acompanhar a leitura  
Ed Sheeran - Perfect Duet (with Beyoncé)

Acordamos bem cedinho, tomamos café, passarinhamos nos arredores da casa onde estávamos e também nas proximidades do portão do Parque. Após deixar o pagamento da acomodação, (pasme) no micro-ondas a pedido da proprietária, seguimos para o aeroporto, onde devolvemos o carro alugado e aguardamos a chegada do nosso guia.

Seriam nove dias e oito noites com ele. Começaríamos pelo Rest Camp Mopani, seguiríamos para Punda Maria, Shingwedzi e por último Letaba.

domingo, 15 de dezembro de 2019

Chile - Um bate-e-volta com muita emoção

Esse post vai ter um pouco da história da minha aventura com a Claudia Brasileiro no Chile no final do ano de 2019. Foi um ano muito intenso no que se refere ao que mais gosto de fazer: viajar e fotografar aves. 

Conheci lugares incríveis e pessoas tão incríveis quanto. Fiz milhares de fotos, muitas super legais, outras nem tanto. kkkkk Ainda não consegui relatar todas as viagens, mas algumas já podem ser lidas aqui no Bloguinho.

Hoje eu me sentei para reviver uma viagem que fiz com uma das minhas melhores amigas, a quem considero a melhor fotógrafa de aves do Brasil. A Claudia é focada, perfeccionista, não mede esforços nem sacrifícios para obter a foto dos seus sonhos. 

Foram dois dias fazendo o que mais gostamos de fazer: observação fotográfica de aves. Se quiser acessar o perfil dela no Instagram clique aqui, eu te garanto que vai ser uma overdose, de tanta foto bonita. 

No final de outubro de 2019, eu estava em Alter do Chão com os queridos amigos Adriane Kassis e Marco Cruz (post ainda em construção) e recebo uma mensagem da Claudia.

- "Bora fazer pelágica no Chile?" Só respondi: bora, que dia mesmo?

Ela me explicou que sairíamos na sexta (06/12/19) e voltaríamos na segunda de madrugada. Nessa viagem iríamos eu, ela e o marido dela, o Rodrigo. Um mês antes a Claudia me informou que Rodrigo não poderia ir mais por causa de mudanças na agenda dele.

Quando retornei do Pará não tive tempo de ver a quantas estava nossa futura pelágica e fui logo cuidar da próxima expedição, desta vez para Itacaré na BA, outra viagem sensacional que ainda espero conseguir postar aqui no blog. 

Enquanto eu estava fora, a Claudia, minuciosa como sempre, cuidou de tudo, reserva de carro, hotel, etc. Avisou o dono da empresa que faz a pelágica, o Fernando Segovia Díaz, da Albatross Birding, que eu iria junto. No dia 5 quando recebeu a confirmação da pelágica, ela me avisou pra preparar as malas. Detalhe: já estavam prontinhas. kkkkkkk

Além da saída pelágica cujo sonho era fotografar o albatroz-das-ilhas-chatham (Thalassarche eremita), a Claudinha tinha um target em terra, melhor dizendo em rio, kkkkkk, que era fazer fotão do torrent duck (Merganetta armata), que eu e ela tínhamos visto no Equador, mas bem de longe. 

Veja, a seguir, "A FOTO", tanto do citado albatroz, como dos patos, feitas pela Claudinha. 

Foto: Claudia Brasileiro

Foto: Claudia Brasileiro

Eu também alimentava um sonho para essa viagem. Tinha esperança de ver um inca tern (Larosterna inca), cuja foto a Claudia me mostrara um dia. Na época eu pirei com o bicho. Ele encabeçava a minha lista dos sonhos. Mas vamos em frente contando dia a dia dessa expedição.

sábado, 2 de novembro de 2019

MEX - Do México ao Avistar Brasil 2019

Você deve estar se perguntando o que uma coisa tem a ver com a outra, mas vamos lá, vou contar como tudo começou. Inclusive porque coloquei o título "Do México ao Avistar Brasil 2019". Leia a seguir como foi essa viagem e saiba também um pouco do que foi o grandioso evento sobre aves no Brasil. Tudo descrito com muita emoção e passarinhos.

tela na frente da minha poltrona

Na época que eu fotografava automobilismo (2007 a 2013), eu conheci a Cristiane Thurm, que se tornou uma amiga querida. A gente sempre batia papo entre um cafezinho e outro nas salas de imprensa dos autódromos espalhados pelo Brasil.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

SP - Albatroz à vista

"Fabiooo, albatroz, albatroz à frente." 


Quando ouvi isso, minha mente se libertou do torpor do sono e disse: "Epa!!! Acho que já amanheceu. Boralá?" Foi assim que acordei de sexta pra sábado no dia 19 de outubro p.p a bordo do barco Capitão Ximango.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

MT - Expedição Fazenda Anacã 2019

Minhas andanças pelo Mato Grosso, tendo a Fazenda Anacã como pano de fundo.

06 de junho de 2019

O Mato Grosso é um Estado que faz parte da minha vida desde a minha infância, ainda quando era um único Estado. Tenho muitas recordações e passagens por ele. Mas foi na minha fase adulta que ele tornou-se deveras marcante, graças a sua magnífica avifauna e amigos maravilhosos que encontrei durante as várias passagens que fiz em busca de registrar penosinhos. Todas foram incríveis e somente a primeira que menciono abaixo foi contada aqui no bloguinho.

A falta de tempo e o "depois eu escrevo e posto" foram fazendo eu ficar em débito comigo mesma. Eu pretendia colocar tudo em dia neste mês de julho, mas devido a acontecimentos inesperados e a grande perda que sofri, (a partida do meu "papis") novamente vou postergar um pouco mais.

Vou aproveitar a oportunidade para mencionar todas elas nesse post e quando o tempo e a inspiração me permitirem, pretendo descrevê-las, uma a uma, com maiores detalhes.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

SP - A incansável busca pela guaracava-de-crista-branca (Elaenia chilensis)

Tem passarinhos que passam anos sem que a gente consiga um simples registro deles. Mas tem alguns que se parecem com um espinho enfiado na garganta e só nos dá alívio quando a gente se livra deles. A guaracava-de-crista-branca (Elaenia chilensis) vinha me dando um olé desde março de 2014, onde durante uma passarinhada organizada pelo amigo Edson Endrigo, ela foi avistada de longe, porém não consegui um registro postável. Depois disso, sempre teve um amigo ou guia avisando onde essa migratória criaturinha chilena estava passando, mas nunca dei a sorte de ter vaga na agenda pra ir tentar. Como ela é só uma Elaenia sem gracinha (entendedores entenderão kkkkkkkkkk), a gente não se esforça muito.

Eu by José Dionísio Bertuzzo no Parque Central de Santo André


quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

MS - Passarinhando pelos terras sul-mato-grossenses

Espero que esse post transmita toda a "mágica" que eu senti durante a realização dessa viagem. Ao tentar colocar meus pensamentos e sentimentos em palavras aqui é como se eu estivesse viajando de novo. Então, venha junto, viaje comigo!!

Dando continuidade à recente mega expedição que fiz ao Mato Grosso DO SUL, cuja primeira parte literalmente terminou em pizza - rs rs rs  (leia mais pelo link -> MS -Serra do Amolar e a I Expedição a bordo do Lord do Pantanal), vou fazer alguns esclarecimentos iniciais antes de contar como foi a viagem propriamente dita. Ah! Leia até o final, tem poema e homenagem! Larga de preguiça, vai ... rs rs rs

A beleza escandalosa das araras vermelhas no Buraco das Araras


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

MS - Serra do Amolar e a I Expedição a bordo do Lord do Pantanal

Apesar da demora, consegui concluir mais uma postagem recheada de emoção do começo ao fim. Tudo começou no dia 18 de maio de 2018 (fica tranquilo eu vou pular alguns meses kkkkkk). Era uma manhã de sexta-feira bem tranquila. Saí com os amigos para ir ao "AVISTAR  Brasil" no Instituto Butantã.

Assim que cheguei, o biólogo e passarinheiro, até então apenas amigo virtual, Thomaz Lipparelli, me pegou pela mão, me levou até o estande do Instituto Serra do Amolar e mostrou um folder, em seguida mostrou um vídeo contendo as belezas da desconhecida e secreta Serra do Amolar.

Tuiuiú (Jabiru mycteria) - ave símbolo do Pantanal - Foto by Silvia Linhares

Capa do folder oficial

domingo, 11 de novembro de 2018

SP-MG - Uma viagem pelo cerrado em busca de jóias aladas

Esse ano tive a sorte de fazer incríveis viagens e conhecer pessoas maravilhosas. Algumas eu já postei no Bloguinho. Tenho algumas iniciadas e não postadas ainda. Mas todas elas tem um componente incrível: o companheirismo e a amizade.*
*Amizade: substantivo feminino - sentimento de grande afeição, simpatia, apreço entre pessoas ou entidades. (Google)

Eu vou contar sobre a última, porque foi curtinha e mexeu muito comigo.

Desde que cheguei do Uruguai no final de agosto estou tentando ir fotografar o famoso bacurau-de-rabo-branco (Eleothreptus candicans). Essa ave é ameaçada de extinção. No Brasil, sua ocorrência é bem restrita. Só foi  vista nos Estados de Goiás e Mato Grosso do Sul, na reserva do Parque Nacional das Emas e agora no Triângulo Mineiro no Estado de Minas Gerais. Ano passado estive no PARNA das Emas com a intenção de vê-lo, mas um escorregão numa parte mal conservada de uma das trilhas me levou ao hospital e tive que ficar de repouso. Proibida pelo médico de passarinhar, o jeito foi retornar à Brasília com a amiga Fernanda, perdendo a oportunidade de vê-lo.

bacurau-de-rabo-branco (Eleothreptus candicans)


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

CE - Um pulinho ali em Paracuru pra ver "30R"

Lições de vida que aprendo durante minhas viagens.


Seguindo os conselhos de um grande jornalista e apaixonado incondicional da natureza, meu novo amigo Davi Abreu, de Fortaleza, vou continuar a escrever muito e sempre com o coração, porque quem se der ao trabalho de ler, vai conseguir enxergar bem mais do que um simples relato informativo de viagem. Vai me conhecer um pouco mais porque o que escrevo é o reflexo do que sou. Então vem comigo pra mais uma aventura letrada.

os "Humanlifers" como diz meu amigo Anderson Sandro de Xinguara/PA

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

PA - Carajás e suas lindas aves

Essa expedição para Parauapebas, região de Carajás, estava prevista fazê-la já fazia um bom tempo. Acho que desde 2016 quando recebi um convite de amigos e não tive como ir. Sabia que tinha bichos bacanas pra ver por lá, mas sempre vinham outros compromissos que impediam a sua realização. Aos poucos ela foi tomando corpo e finalmente aconteceu.


Todos que me conhecem sabe que eu adoro curtir três momentos de uma viagem: o antes, o durante e o depois. Desde os primeiros contornos, o planejar, o sonhar, e depois materializar tudo isso, até tratar as fotos e escrever o relato sobre o dia-a-dia da viagem.

É difícil falar de uma expedição sem lembrar os momentos que a antecederam. Essa viagem à região de Carajás/PA, que começou dia 02/08/2018, era tipo uma "viagem gezuismeodeozmesalva", sem roteiro predefinido, aliás sem quase nada definido, o que me angustiou até o último momento antes de entrar no avião. Cheguei a pensar em cancelar. Mas quem conhece minha teimosia, sabe que eu ia “pagar” pra ver. Ignorar, deixar quieto, "xápralá", é o que de melhor podemos fazer nessas horas. Tinha tudo pra não dar certo. Mas antes que você desista de ler, saiba que essa foi uma das melhores viagens que já fiz.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

PA - Expedição Mãe-de-taoca-arlequim - De Santarém à Itaituba no Pará

Embora com atraso, segue o relato, que estava escrito pela metade, sobre a "Expedição Mãe-de-taoca-arlequim",  realizada no período de 31/10 a 12/11 de 2017.  Em geral demoro 7  a 8 dias para finalizar um post de viagem, desta vez foram 7 ou 8 meses ... apenas...rs rs rs


mãe-de-taoca-arlequim (Rhegmatorhina berlepschi

Quando surgiu a ideia de passarinhar pelo Pará, a “moda” no meio era ir para Parauapebas, desejo que ainda irei realizar em 2018. Conversando com o amigo ornitólogo Pablo Cerqueira (Pinima Birding Brazil) , durante o Avistar 2017, falamos sobre o endemismo Belém e sobre Santarém/Itaituba. Sabe aquele friozinho na barriga que dá só de imaginar conhecer um lugar pouco explorado das nossas florestas, pois é, foi o que senti na hora. Pedrinhas de gelo pareciam saltitar atrás do meu umbigo. Minha câmera foi dominada por um assanhamento sem fim. Todo dia eu era obrigada a ouvi-la dizer: “E aí, mamis, decidiu quando vamos?” rs rs rs

sábado, 9 de junho de 2018

Como ser e viajar mais leve. Da teoria à prática.

Hoje quando terminava de arrumar mais uma mala de viagem, “viajei em pensamentos” ... passei, como num filme, pelos vários momentos de transformação que eu sofri com o passar dos anos. E isso se refletiu até no meu modo de arrumar mala para viajar. Meu coração ficou mais leve, embora o corpo mais pesado kkkkkk. Ainda bem que a mala acompanhou o coração.




domingo, 3 de junho de 2018

SP - Passarinhando com os amigos pós-Avistar 2018

Esse ano, como eu disse no post anterior, recebi quatro amigos em casa que vieram para participar do Avistar Brasil. A Jeanne Martins Nascimento (Cuiabá/MT), grande amiga e irmã de coração de longa data (nos conhecemos ano passado em abril, mas tenho certeza que essa amizade transcende encarnações, pois sinto que a conheço a muito tempo), o Gabriel Bonfá, capixaba de Linhares, que foi meu grande parceiro no 1º Birding Photo Challenge, promovido pela Reserva Natural Vale e os mineiros Luiz Fernando Matos (que hoje reside em Canaã dos Carajás/PA) e Fábio Morais Giordano (BeHagá) que eram amigos virtuais e se tornaram amigos na vida real desde então.

Para mim essa foi a foto da viagem toda. Tem coruja, lua, então tem poesia. 
A coruja e a lua
"A coruja despertou, cantou a beleza da lua na noite clara que se formou.
O dia era passado, passado também foi o seu amor, 
pois, a lua se havia minguado com medo de sentir dor. 
Pobre lua...Não sabe que a coruja lhe segue fase por fase, 
temendo que se esconda ou  fuja pelas esquinas que dobram ruas nas movimentadas cidades...
Mas a lua segue em sua sina rodando o mundo que roda também, 
Ilumina a noite e a todos fascina mas sua liberdade não dá a ninguém. 
Chora a coruja em seu canto noturno, pois, sabe que ama o amor que não tem..."(autoria: Aisha)

Minha missão pós-Avistar era acompanhá-los em uma passarinhada por alguns dos meus lugares preferidos do Estado de São Paulo. Preparei um roteiro com muito carinho e esmero para que vivessem momentos inesquecíveis. Troquei ideia com os guias, recebi indicações de amigos, pesquisei hotéis, estudei os trajetos e finalmente cheguei num roteiro factível e que pudesse encantá-los.