quinta-feira, 26 de julho de 2018

PA - Expedição Mãe-de-taoca-arlequim - De Santarém à Itaituba no Pará

Embora com atraso, segue o relato, que estava escrito pela metade, sobre a "Expedição Mãe-de-taoca-arlequim",  realizada no período de 31/10 a 12/11 de 2017.  Em geral demoro 7  a 8 dias para finalizar um post de viagem, desta vez foram 7 ou 8 meses ... apenas...rs rs rs


mãe-de-taoca-arlequim (Rhegmatorhina berlepschi

Quando surgiu a ideia de passarinhar pelo Pará, a “moda” no meio era ir para Parauapebas, desejo que ainda irei realizar em 2018. Conversando com o amigo ornitólogo Pablo Cerqueira (Pinima Birding Brazil) , durante o Avistar 2017, falamos sobre o endemismo Belém e sobre Santarém/Itaituba. Sabe aquele friozinho na barriga que dá só de imaginar conhecer um lugar pouco explorado das nossas florestas, pois é, foi o que senti na hora. Pedrinhas de gelo pareciam saltitar atrás do meu umbigo. Minha câmera foi dominada por um assanhamento sem fim. Todo dia eu era obrigada a ouvi-la dizer: “E aí, mamis, decidiu quando vamos?” rs rs rs

sábado, 9 de junho de 2018

Como ser e viajar mais leve. Da teoria à prática.

Hoje quando terminava de arrumar mais uma mala de viagem, “viajei em pensamentos” ... passei, como num filme, pelos vários momentos de transformação que eu sofri com o passar dos anos. E isso se refletiu até no meu modo de arrumar mala para viajar. Meu coração ficou mais leve, embora o corpo mais pesado kkkkkk. Ainda bem que a mala acompanhou o coração.




domingo, 3 de junho de 2018

SP - Passarinhando com os amigos pós-Avistar 2018

Esse ano, como eu disse no post anterior, recebi quatro amigos em casa que vieram para participar do Avistar Brasil. A Jeanne Martins Nascimento (Cuiabá/MT), grande amiga e irmã de coração de longa data (nos conhecemos ano passado em abril, mas tenho certeza que essa amizade transcende encarnações, pois sinto que a conheço a muito tempo), o Gabriel Bonfá, capixaba de Linhares, que foi meu grande parceiro no 1º Birding Photo Challenge, promovido pela Reserva Natural Vale e os mineiros Luiz Fernando Matos (que hoje reside em Canaã dos Carajás/PA) e Fábio Morais Giordano (BeHagá) que eram amigos virtuais e se tornaram amigos na vida real desde então.

Para mim essa foi a foto da viagem toda. Tem coruja, lua, então tem poesia. 
A coruja e a lua
"A coruja despertou, cantou a beleza da lua na noite clara que se formou.
O dia era passado, passado também foi o seu amor, 
pois, a lua se havia minguado com medo de sentir dor. 
Pobre lua...Não sabe que a coruja lhe segue fase por fase, 
temendo que se esconda ou  fuja pelas esquinas que dobram ruas nas movimentadas cidades...
Mas a lua segue em sua sina rodando o mundo que roda também, 
Ilumina a noite e a todos fascina mas sua liberdade não dá a ninguém. 
Chora a coruja em seu canto noturno, pois, sabe que ama o amor que não tem..."(autoria: Aisha)

Minha missão pós-Avistar era acompanhá-los em uma passarinhada por alguns dos meus lugares preferidos do Estado de São Paulo. Preparei um roteiro com muito carinho e esmero para que vivessem momentos inesquecíveis. Troquei ideia com os guias, recebi indicações de amigos, pesquisei hotéis, estudei os trajetos e finalmente cheguei num roteiro factível e que pudesse encantá-los.

terça-feira, 29 de maio de 2018

SP - Avistar Brasil 2018

O Avistar Brasil é o maior encontro de observadores de aves das Américas, reunindo num só espaço ornitólogos, fotógrafos, ornitófilos, biólogos, enfim, todos aqueles que amam as aves e a natureza. Acontece uma vez por ano no Ibutantan/SP. Conta com diversas atrações: entre elas muitas lojinhas de produtos de interesse dos observadores, estandes com informações sobre destinos para passarinhar, workshops, palestras, cursos e atividades para todas as idades. Das treze edições participei de seis. Duas delas como palestrante solo. Nas demais com o quadro das Birding Ladies, onde conto com amigas para montar a apresentação.


O mais gostoso do Avistar é o reencontro com os amigos. Muitos dos que conhecemos só pelas redes sociais, acabam se tornando amigos de "carne e osso". Os três dias passam muito rápido, nem sempre conseguimos participar das atividades que nos interessam, já que muitas são simultâneas. Mas todos os momentos somam conhecimento e trocas. E é isso que conta.

domingo, 1 de abril de 2018

AM - RR - 1° de abril - Dia da mentira - #sóquenaum

Hoje é um dia muito especial. Sim é comemorada a Páscoa! Feliz Páscoa para todos. Mas não é só por isso. É um dia que eu pensava que nunca chegaria. Que a minha lista de espécies de aves fotografadas ultrapassasse todas as barreiras que eu julgava impossível. 


Os 20 primeiros colocados no Wikiaves

É um dia que eu teria que fazer uma lista gigantesca das pessoas que me ajudaram a chegar aonde cheguei e agradecer um por um. Praticamente impossível. Por isso, sem incorrer em risco de esquecer ou desmerecer alguém, eu irei apenas mencionar os responsáveis pela chegada na reta final, ocorrida durante a última expedição que se encerrou na segunda próxima passada. Em breve essa viagem será minuciosamente relatada aqui no bloguinho.

Fotos feitas em Roraima e Amazonas
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segunda-feira, 5 de março de 2018

MG - A rolinha da esperança (Columbina cyanopis)

Desde que o ornitólogo Rafael Bessa divulgou seu fabuloso encontro ocorrido em junho de 2015 com a Rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), espécie criticamente ameaçada de extinção e que ficou 75 anos sem registros e por isso já figurava como provavelmente extinta na natureza, fiquei esperando e sonhando com o momento em que eu iria registrá-la. (leia um resumo da história do Rafael aqui

Rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis)

Sabia que seria uma emoção muito forte, que ia demorar até que toda estrutura fosse montada para sua proteção, uma vez que era sabido que elas viviam num paraíso muito frágil. Após árduo trabalho, a SAVE Brasil (Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil) conseguiu adquirir a área onde as rolinhas vivem atualmente. Elas agora têm uma reserva com seu nome. Graças a uma parceria da SAVE Brasil com a Rainforest Trust, uma área de 593 hectares foi adquirida para proteger os campos rupestres, habitados pela espécie.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

RJ - SP - As duas primeiras passarinhadas de 2018 - Dourado e Itatiaia

Preâmbulo

Resolvi relatar as duas primeiras passarinhadas deste ano num único post. A primeira foi pra Dourado/SP (de lá à Mineiros do Tietê e Olímpia) com o guia e amigo Cal Martins. A segunda para a região de Itatiaia (de lá à Angra dos Reis e Paraty) com o guia e amigo Hudson Martins Soares.

Fotos: by Cal Martins e Hudson Martins Soares

Ambas finalizadas com o sucesso esperado. Uma longa caminhada começa com o primeiro passo, já dizia o pensador Lao-Tsé. Estou muito feliz de partir das 1400 espécies fotografadas em direção às 1500, número que pretendo atingir até 31 de dezembro deste ano, preenchendo com um X a lista de aves do CBRO* (v. 2015) que totaliza 1919 espécies, destas apenas 1871 fotografadas e postadas no site Wikiaves. A próxima lista deve aumentar  muito devido ao número de subespécies que alcançarão o estatus de espécie plena.

*O CBRO reconhece no Brasil 1919 espécies, das quais 30 carecem de documentação física e constituem a lista secundária.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

ES - 1º Birding Photo Challenge


O verdadeiro espírito birdwatching (foto Léo Merçon)

Nem tudo são flores na observação de aves, ainda mais quando o evento é competitivo. Só que não. Quando fui convidada pelo Gustavo Magnago para participar do 1º Birding Photo Challenge fiquei com muita vontade de ir, mas fiquei logo imaginando como seria isso na prática.

Eu sou daquelas que “adora” uma competição - bem longe de mim. Embora eu adore me superar, superar meus medos e barreiras e enfrentar desafios, não gosto de competir com outras pessoas.

A vida já é uma eterna competição pela sobrevivência. A gente já nasce competindo pelo carinho dos pais. Durante boa parte da nossa juventude passamos competindo pra vencer. No meu caso, joguei volei durante mais de 15 anos, atividade altamente competitiva e desgastante. As "migas" crescem juntas competindo pelos melhores "boys magias" do pedaço e vice-versa. (rs rs rs) Depois passamos anos e anos no trabalho. Particularmente a competição acirrada no trabalho quase me custou a vida (tive um AVCi por estresse e excesso de trabalho). Infelizmente poucas vezes nos ensinam que compartilhar é melhor do que competir.

domingo, 1 de outubro de 2017

AC - O Império das aves cascudas e a Expedição Choca-do-acre – Parte I

Se você não gosta de "textão", melhor fechar essa página ou deixar pra ver outra hora. Mas se tem curiosidade para saber como foi essa expedição, então, “senta, que lá vem história”. Foram mais de 11 mil fotos pra escolher e tratar, em menos de 15 dias escrevi 20 páginas e fiz alguns vídeos. Dividi em duas partes (parte II aqui) para facilitar. Viaje comigo a partir de agora. E deixe seu comentário no final, vou apreciar muito!!!


O Estado do Acre está localizado no extremo oeste do Brasil, em uma área de transição entre a Cordilheira andina e as terras baixas amazônicas. Das 1.300 espécies de aves existentes na Amazônia, já passam de 700 as registradas no Acre. A tendência é aumentar, pois muitas ainda estão em estudo, aguardando apenas a confirmação pelos ornitólogos competentes pra isso.
 
Acre - O Império das aves cascudas

Porque chamo as aves de “cascudas”? Ave cascuda é o jeito que a grande amiga Vanilce Carvalho, de Manaus, descreve aquele tipo de ave difícil de registrar, seja pela sua raridade, seja pelas dificuldades que o ambiente apresenta ou mesmo pelo comportamento da própria ave.

E o Acre sai na frente disparado no “quesito ave cascuda”. Os ambientes que as encontramos são os mais inóspitos do país. Por essa e outras o Acre “está na moda”, dizem os amigos passarinheiros. Talvez por se tratar de lugar pouco explorado, com novas espécies ainda sendo descobertas, o poder atrativo da região só aumenta.

AC - O Império das aves cascudas e a Expedição Choca-do-acre – Parte II

O Parque Nacional da Serra do Divisor é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral da natureza. Criado através do decreto Nº 97.839 em 16/06/89, situa-se no extremo oeste do Acre, na fronteira com o Peru. É o ponto mais Ocidental do país e abrange os municípios de Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo e Rodrigues Alves.

É considerado o local de maior biodiversidade da Amazônia. A floresta tropical aberta é o tipo de vegetação predominante e seguramente a mais preservada da Amazônia brasileira. Várias espécies endêmicas vegetais e animais são encontradas devidas, em parte, à sua proximidade com o ecossistema andino, numa região de transição das terras baixas da Amazônia e as montanhas dos Andes. Possui uma área de 843.000 hectares, sendo o quarto maior parque nacional brasileiro. É administrado pelo ICMBio. Grande parte de seu território ainda é preservado e faço votos que continue assim.

a famosa choca-do-acre (Thamnophilus divisorius), que deu o nome a nossa expedição

A origem do nome vem do relevo (geografia) da região onde se encontra um divisor natural das águas das bacias hidrográficas do rio Ucayali (Peru) e rio Juruá (Brasil). Na região também são encontrados valiosos vestígios fósseis. O rio Juruá nasce no Peru e banha os estados do Acre e Amazonas, no Brasil. Deságua no rio Solimões, em um percurso de aproximadamente 3 000 quilômetros.

Abriga comunidades indígenas e ribeirinhas, por isso é de grande importância para a região, servindo como hidrovia para essas diversas comunidades, já que rodovias são inexistentes na maior parte de seu curso. O rio Moa é um afluente do rio Juruá, possui muitas cachoeiras e corredeiras. A Serra do Divisor é a única cadeia de montanhas acreanas.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

AM - Expedição "Mãe-de-taoca". Os encantos da floresta amazônica.


mãe-de-taoca-de-cauda-barrada (Gymnopithys salvini
É preciso muita disposição, inspiração e dados para montar um bom e agradável relato de viagem para postar no bloguinho. Sou muito exigente e para postar mal feito prefiro não postar. Porém nem sempre a gente consegue conciliar disposição com inspiração.  Antecedendo essa última ida para Manaus, lembro exatamente como eu estava: ansiosa, chateada com alguns fatos pessoais na minha vida e sofrendo com a abstinência de passarinhada. 

Porém, durante e após a viagem é que eu tive a noção do tanto que é importante para mim fazer uma bela e feliz passarinhada. Sim, minha alma necessita dos encantos e sonhos que só as florestas e seus rios podem proporcionar. Além do que, estar entre bons amigos é essencial e faz muito bem para a saúde.

Passarinhar é bom demais, cura todos os males, inclusive dores de amor, dores de cotovelo, da coluna, dos joelhos e até dor de barriga rs rs rs. Ver passarinhos engrandece a alma!  
Passarinhe sem moderação!!! 🐧🐦🐤🐥🦆🦅🦉

quarta-feira, 7 de junho de 2017

SP - Eu quero passarinhar!!!! Usando o método 5W3H


Há tempos atrás recebi uma demanda para falar no Avistar Brasil sobre o Quero Passarinhar, grupo no Facebook que congrega pessoas que gostam de fotografar/observar aves livres na natureza. Este ano, ao me decidir falar, resolvi dar um formato diferente ao tema e falar um pouco de como eu me decido, onde, quando e como passarinhar. Como não consegui gravar a palestra, atendendo a pedidos, vou relatar aqui no blog um pouco de como foi, usando inclusive algumas telas da apresentação e incrementando um pouco mais.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

ARG - UR - O espírito pioneiro é o que nos une sob o feitiço da ... Patagônia!!!!!

Eu gosto de viajar. Sair da minha rotina cotidiana é fundamental para eu não "entrar em parafuso". Além de me manter estável emocionalmente, viajar leva minha alma a um mundo novo. Novas experiências vão se descortinando frente aos meus olhos. É viver um sonho acordada...e sonhar é delicioso, como eu disse a uma amiga outro dia: sonhar é flutuar nas mãos do destino. Ao postar uma foto outro dia, resumi meu pensamento assim: "Sonho ao olhar o horizonte! Penso na aventura e desventura de procurar dentro dos meus sonhos quem eu sou verdadeiramente. Faço uma reflexão filosófica e de autoconhecimento. Em pensamento, tomo resoluções. Sou um ser "desejante". Quero muito colocar em prática tudo que meus pensamentos arquitetam. E assim eu levo a vida, ou será que é ela quem me leva?



Sim, é ela quem me leva ... e a muitos lugares. Porém há lugares especiais. Há um lugar que nos conecta, integra e unifica com a natureza, nos desvincula das nossas percepções sem distorcer o funcionamento da realidade. Esse lugar se chama ... Patagônia.

Assistindo alguns documentários no Canal BBC Earth sobre vida selvagem, deparei-me com três episódios chamados Wild Patagônia, com imagens maravilhosas, cujo texto inicial, dizia assim: "Em algum lugar remoto do planeta há uma selva sul-americana. Nessas paisagens extremas habitam animais estranhos e maravilhosos. Dos picos das Cordilheiras dos Andes, passando pela estepe seca e deserta até litorais banhados por águas que estão entre as mais violentas do mundo. Viver aqui exige coragem e determinação. Há oportunidades incríveis para alguns. Para outros é batalha pela sobrevivência. O espírito pioneiro é o que os une sob o feitiço da ... Patagônia". E esses episódios passaram a povoar meu imaginário desde então...

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Rondônia - Passarinhando pelas áreas remotas da Floresta Amazônica

Finalmente o dia da expedição idealizada pelo guia, amigo e biólogo Bruno Rennó chegou. Quem o conhece, dispensa comentários, quem ainda não, fica a dica, o Bruno é top. Conhece muito as aves amazônicas e sabe como encontrá-las como ninguém. Possui ouvido biônico e nenhum piado passa desapercebido por ele. É um explorador nato. Além do mais, destaque para seu bom-humor, é constante e contagiante.

cancão-da-campina (Cyanocorax hafferi) 

A nossa expedição foi desafiante e se concentrou em três áreas principais: Campinas de Humaitá, Tabajara e Igarapé São João no Parque Nacional dos Campos Amazônicos, por isso vou dividi-la em partes para facilitar a leitura e acompanhamento das emoções do nosso dia a dia:


Primeira Parte - Porto Velho até as Campinas de Humaitá


Campinas de Humaitá - Essa área está localizada na margem esquerda do rio Madeira, entre os limites dos municípios de Humaitá-AM, Canutama-AM e Porto Velho-RO. Os principais ambientes existentes são as áreas de campina ou campinarana (significa “falso campo”) e a floresta de terra firme. Centenas de espécies e raridades podem ser encontradas nessa região. Um dos principais destaques do local é a possibilidade de encontrar 6 das 15 espécies novas de aves descritas para a Amazônia em 2013. Ficamos baseados em Porto Velho, num bom hotel, o Ecos Hotel Conforto, usufruindo de bons restaurantes. Fazíamos saídas a lugares que não excediam 100 km. Retornávamos todos os dias, inclusive para almoçar, ou almoçávamos no caminho para ganhar tempo.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A saga da sanã-de-cara-ruiva (Capítulos I, II)

Capítulo I - Quando você tem tudo para se sentir frustrada, só que não...

Um amigo seu, guia muito competente, descobre e registra uma ave super rara, em extinção e com poucos pontos registrados no Brasil. Você fica sabendo e resolve ir vê-la. Chama sua amiga para ir junto. Sabíamos que seria uma empreitada difícil, mas não impossível.

sanã-de-cara-ruiva (Laterallus xenopterus

21/03/2016 (segunda-feira)

Eu e a amiga Viviane de Luccia saímos de São Paulo na segunda pela manhã. Chegamos em Dourado no meio da tarde, com um calor pra não deixar Pantanal nenhum com ciúmes. Encontramos o amigo e guia Cal Martins, e lá fomos nós pro meio do brejo tentar ver e fotografar a sanã-de-cara-ruiva (Laterallus xenopterus). Ela vocalizou algumas vezes, mas não se aproximou, atribuímos à excessiva temperatura. Olhamos os dois ninhos, e não havia mais nada, as sanãzinhas já haviam se mandado com suas mamães para o meio do mato, sabe se lá aonde. Bom, tínhamos o dia seguinte. Seria mais certo encontrá-las nas primeiras horas da manhã.

sábado, 30 de julho de 2016

A magia da Floresta Amazônica e seus pássaros encantados

Em agosto de 2015 eu estive em Manaus com a amiga Fernanda e conheci a Vanilce e Luiz Fernando Carvalho, dois guias competentíssimos, que tem muita história pra contar. Ano passado eu não fiz nenhum "trip-report" como esse, mas foi uma viagem fantástica, onde pude registrar dois bichos dos sonhos, o Galo-da-serra (Rupicola rupicola) e o Gavião-real (Harpia harpyja).

Galo-da-serra (Rupicola rupicola)  - 25/08/2015
Gavião-real (Harpia harpyja) - 27/08/2015
Estivemos lá num momento conturbado da vida da Vanilce (problemas de saúde), e mesmo assim, ela nos acompanhou por algum tempo, mostrando sua força e uma energia de tirar o chapéu. Comemorei meu aniversário (28/08) na Torre do MUSA (Museu da Amazônia), e mesmo frágil naquele momento, ela participou. Eu fiquei muito feliz por tê-los conhecido. Na foto abaixo, além dos dois, minha grande amiga Fernanda Fernandes (x), o Marcelo Barreiros com dois dos seus clientes, Felipe Lima Queiroz e Aline Mattos, que comemoraram junto com a gente.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Canastra - Lá vem o pato, pataqui, patacolá. Quá-quá

23/06/2016 (quinta-feira)

No dia 23 eu e o amigo Norton Santos resolvemos ir ver o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) na Serra da Canastra. Pegamos estrada o dia todo. E eu e o Ruber Ramphocelus (meu Duster) mandamos ver. No caminho apanhamos o guia e amigo Geiser Trivelato, que mora em Jacutinga/MG. Ficamos hospedados no Hotel Chapadão da Canastra em São Roque de Minas, lugar muito legal da nossa amiga Renilda Dupin. À noite jantamos um delicioso surubim com queijo canastra no Recanto do Surubim, cujo prato estava fazendo parte do Festival Gastronômico do Queijo Canastra. Delicioso. Ainda passamos no supermercado para comprarmos lanchinhos para o dia seguinte.

Geiser, eu e Norton
24/06/2016 (sexta-feira)

Acordamos cedo, dia lindo, frio mas com muito sol se anunciando. Tomamos café numa padaria que abre às 6 horas da manhã e seguimos para o PARNA Canastra. 


Após esperar o portão abrir fomos direto para Casca D’Anta, parte alta. Mais ou menos direto, porque havia muitas coisas lindas no caminho e um luz fenomenal. 

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Conhecendo as aves de Alagoas e um pouquinho de Sergipe

26/02/2016 (sexta) 
Fazia tempo que eu queria conhecer as aves de Alagoas. Meu maior desejo era fazer uma foto do pintor-verdadeiro. A amiga Ester Ramirez já havia me convidado, mas ainda não tinha tido oportunidade. Um belo dia resolvi ir. Contatei o guia Sergio Leal, que conhece todos os lugares e a avifauna do Estado. Guia exemplar, conservacionista, cuidadoso, super ético, um artista com artesanato e agora um grande amigo. Eu convidei o amigo Emerson Kaseker para ir e ele me acompanhou nesta aventura. Cheguei em Maceió e fiquei hospedada no Hotel Palmanova.

Fotos: Silvia Faustino Linhares - © 2016 All rights reserved / No usage permited without prior written consent 
Todos os direitos reservados / Não use sem permissão por escrito

27/02/2016 (sábado) 
Acordamos cedo e partimos de Maceió para Piranhas, onde conheci o Instituto Palmas.
Fui parando para registrar uma ave pelo menos em cada município alagoano. Em Senador Rui Palmeira/AL fiz uma foto linda do cardeal-do-nordeste (Paroaria dominicana) na altura dos olhos de dentro do carro no acostamento.

cardeal-do-nordeste (Paroaria dominicana)
Na frente do Instituto fiz uma foto inusitada. Um belo felino caçando, sim, um gatinho fofo, mas muito esperto.


terça-feira, 26 de abril de 2016

Os fantasminhas da floresta. Passarinhando em Joinville/SC

Vamos falar de Joinville/SC. Não foi a primeira vez que fui até lá fotografar aves. Já tinha estado lá em outra oportunidade, a convite da grande irmã de coração Carmen Bays, onde vi espécies raras e fiz muitos fotos legais. 

Nos últimos tempos o amigo passarinheiro Vilde Florêncio, além de excelente fotógrafo, tem encontrado pontos super quentes para fotografar bichos difíceis. Aqueles que eu chamo de fantasminhas da floresta. O processo foi trabalhoso. Ele ajeitou um cenário, o mais natural possível e passou a por grãos para os bichos. Eles vem em busca de alimentos e se expõem para fotos. Mas ele foi além, criou abrigos camuflados, com banquinhos, onde é só sentar, armar o tripé, a câmera e esperar. A espera pode ser cansativa, mas os bichos vem. Uma hora vem. Aí é só clicar.

Abrigo camufladíssimo (foto by Vilde)
19/02/2016 (sexta)

Em fevereiro deste ano fui com o amigo Emerson Kaseker para Joinville. Chegamos na sexta na hora e fomos para o hotel. De lá o Vilde nos levou ao ponto quente onde "suas crianças" vem buscar os grãozinhos. Você senta, monta a câmera no tripé e aguarda. Não pode conversar nem ficar se movimentando. As aves só aparecem quando o silêncio é total.

terça-feira, 29 de março de 2016

Passarinhando no Maranhão e no Piauí II

25/01/2016 (segunda-feira)
Eu e o amigo Emerson Kaseker saímos de São Paulo às 23:50h. Nosso destino: São Luis, no Maranhão. O nosso guia, Thiago Rodrigues, nos aguardava no aeroporto. Infelizmente nosso grupo contou com o desfalque do grande amigo Henrique Moreira, que sofreu um acidente de bicicleta, poucos dias antes da partida, resultando em algumas fraturas. Chegamos por volta de duas e pouco da madruga e após retirar o carro na locadora Hertz (um Prisma), seguimos para descansar um pouco numa pousada próxima à cidade de Raposa, chamada Vila do Mar. Descansamos algumas horinhas, ansiosos pelo passeio do dia nas dunas de Raposa. Nosso roteiro incluía São Luis, Raposa, Arari, Caxias e Teresina e Altos, no vizinho Estado do Piauí.
 
Nosso roteiro
26/01/2016 (terça-feira)
Bem cedinho, tomamos café e fomos para Raposa, direto para o molhe de pedras embarcar rumo às dunas onde iríamos fotografar algumas aves costeiras. Havia muitas aves. Um deleite para os olhos. Numa só manhã cliquei quatro novas espécies (lifers): batuíra-bicuda (Charadrius wilsonia), trinta-réis-miúdo (Sternula antillarum), trinta-réis-de-bico-preto (Gelochelidon nilotica) e maçarico-de-costas-brancas (Limnodromus griseus).

batuíra-bicuda (Charadrius wilsonia)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Passarinhando no Maranhão e Piauí. A diferença entre passarinhar e caçar passarinho.

Recentemente tive duas experiências com jovens no Piauí e Maranhão que me fizeram chorar, porém de maneiras diferentes. A primeira foi de emoção.Uma doce experiência. O nosso guia Thiago Rodrigues, após agendamento prévio, nos levou passarinhar na Flona de Palmares em Altos/PI. O lugar por si só já encanta, mas a recepção pelos guarda-parques se superou. Merecem um prêmio em gentileza. Fomos muito bem recebidos. Pudemos entrar cedo na Unidade e fotografar algumas das raridades que habitam o local. Fomos acompanhados pelo Lucas, guia local, mediante uma taxa simbólica.   

Thiago Rodrigues, Eu (Silvia Faustino Linhares) e Emerson Kaseker

A gestão do Sr. Gaspar Alencar está de parabéns. Mas ele foi além. O Lucas, que por acaso é seu filho, vem realizando um projeto de observação de aves com crianças e jovens da comunidade local. Ele treinou o Peterson, que eu tive a felicidade de encontrar nas trilhas com seus "discípulos". 

Emerson, eu no meio, ao meu lado de boné o Lucas e do outro lado o Peterson

Óbvio que isso me emocionou mais do que encontrar e fotografar o “grilinho-de-caxias” (nova espécie de ave que ainda está em estudo). É esse tipo de trabalho que me faz acreditar que as futuras gerações tem salvação. O Peterson veio nos mostrar com sua pequeníssima compacta uns passarinhos que ele clicou. Ô dó! Não dava prá ver nada. Mas isso me encantou. A admiração pelo nosso equipamento, vestimenta, etc fez os olhinhos das crianças brilharem e os meus se encherem de lágrimas. Saímos de lá com uma promessa, encaminhar guias de campo para que essa turminha se apaixone cada vez mais pelos penosinhos, evitando que no futuro a segunda experiência que tive se repita.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Águas da Prata/SP - Primeira passarinhada do ano de 2016

Eu sou uma das idealizadoras e criadora do Grupo Quero Passarinhar no Facebook. Esses dias o amigo Glauco Tonello postou no Grupo uma foto de uma avezinha que eu vinha procurando há um tempão: o Cabecinha-castanha (Pyrrhocoma ruficeps). Indicou o local e disse que ela estava "dando mole por lá". 

Convidei o amigo Emerson Kaseker para ir lá ver o bicho, que topou de imediato. Pelo Google eu pesquisei uma pousada legal, preço acessível, bem pertinho de onde o bichinho estava dando as caras. O nome é Hotel Pousada do Casarão e eu recomendo para passarinheiros irem inclusive com suas famílias.

Hotel Pousada do Casarão
No dia 15/01 combinamos tudo. Íamos pegar estrada no sábado (16) pela manhã e voltar na segunda perto da hora do almoço. Chegamos lá por volta do meio dia e fomos direto para a Fonte Vilela no ponto indicado pelo amigo Glauco. Há um local na Fonte chamado Trilha Ecológica. Nela você sobe de carro (ande com muito cuidado, tem muita gente passeando a pé, com bicicleta, crianças, cachorrinhos). Mata silenciosa, nem um pio...dava desgosto...


Descemos, sem muito ver na Trilha. Na entrada desse local tem inúmeras barraquinhas de artesanato e gastronomia. Estava chuviscando e resolvemos encarar por ali batata assada recheada, que estava para lá de bom. Em seguida, seguimos em direção à cidade de Poço de Caldas, do lado mineiro. Chegando lá, retornamos pelo meio da mata em ramais de ligação entre sítios, matas e cachoeiras

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Meu primeiro milhar de espécies de aves. Metas propostas, metas atingidas! Assim que eu gosto!


Quando comecei a ver as fotos belíssimas que os amigos começaram a fazer do maxalalagá (Micropygia schomburgkii) na Flona Brasília, doravante apelidado de "mala-lalagá" ou simplesmente "malinha", eu fiquei super a fim de registrá-lo. Em conversa com as amigas Rose Almeida e Fernanda Fernandex, decidimos ir as três ver o bicho, guiadas pelo grande Jonatas Rocha.

Rose, Jonatas, eu e Fernanda

domingo, 15 de fevereiro de 2015

DF - Brasília - o cerrado e seus passarinhos

30/10/2014 (quinta-feira)


Desde julho/2014 que eu vinha pensando em ir para Brasília, queria rever os grandes amigos que lá deixei desde 2003, quando me mudei para São Paulo. 

Assim que surgiu a oportunidade eu me programei para ir. Queria aproveitar também para ver os bacuraus de lá e o famoso Tapaculo-de-brasília (Scytalopus novacapitalis). 

Reservei os primeiros dias para reencontrar os amigos. Esses reencontros são fantásticos e sempre nos reservam muitas alegrias. Um happy-hour ali, um almoço aqui, um café da tarde acolá e muita conversa jogada fora. Tem coisa melhor que isso?

Aliás, é algo que vou aproveitar para comentar aqui: Essa foi uma das viagens mais legais do ano. Primeiro porque pude matar as saudades da minha irmã de coração, a Laurinha. Também pude matar a saudade da turma de amigos que não via há muito tempo. E depois porque fiz uma das passarinhadas mais gostosas do ano. Só de ser no DF, lugar que foi meu lar durante tantos anos, já foi bárbaro.

João e Laura
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Reunião com as amigas Laura, Carla, Líbia e respectivos familiares
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Eu, Laura, Flavinha e família muito querida
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Eu, Haroldo, Silvana e João em pé - David, Marisa, Pedrinho e Ana Paula sentados
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

02/11/2014 – (domingo)


Havia combinado com a amiga Fernanda Fernandex sair passarinhar no domingo (02/11) e na segunda (03/11), tendo como guia o Jonatas Rocha. A gente tinha alinhavado a passarinhada pelo Facebook, mas faltavam alguns detalhes que só combinamos no sábado à noite. No domingo a Fernanda me apanhou e encontramos com o Jonatas na Flona Brasília.

Eu adoro o cerrado e sua vegetação exuberante. Sempre amei o cerrado,  mesmo quando nem me imaginava vir a ser uma observadora de aves. Sua flora e avifauna são riquíssimas. Geralmente a luz para fotografar é mágica e proporciona um festival de fotos espetaculares.

Fernanda e Jonatas
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Acordamos bem cedo e seguimos para o mato. O frescor e o aroma da manhã traziam um encanto sem igual. O corpo e a mente são tomados por um sentimento de tranquilidade x expectativa impossível de traduzir em palavras.

E lá vamos nós começarmos a “caça”. Munidas com nossas câmeras e pesadas lentes, lá estávamos, eu e Fernanda abaixadas atrás de uma moita a espera da nossa “primeira estrela”... Em poucos minutos o Jonatas colocou na nossa frente a Sanã-castanha (Laterallus viridis). 

Havia duas, uma era mais exibidinha e ficou desfilando de um lado para outro. São muito graciosas. 

Ela dava alguns passinhos, parava, nos espiava e atravessava correndo. Foi ganhando confiança e ficando curiosa e chegou a caminhar de mansinho em nossa direção. Depois corria e se escondia no meio do mato. Foi muito divertido.

Sanã-castanha (Laterallus viridis)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Seguimos nosso caminho e paramos para contemplar dois Papa-moscas-do-campo (Culicivora caudacuta). É uma ave campestre que habita os capinzais altos, úmidos ou secos, a meia altura e se alimenta de insetos, vivendo em pequenos bandos. 

Encontra-se ameaçada por perda de habitat. Ficamos extasiados com a beleza e graça desses pequeninos. Além de fazermos muitas fotos bonitas, ficamos um tempão só observando o comportamento do que parecia ser um casal.

Papa-moscas-do-campo (Culicivora caudacuta)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Papa-moscas-do-campo (Culicivora caudacuta)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Uma Corruíra-do-campo (Cistothorus platensis) não estava muito interessada em fazer poses para nossas lentes e ficou observando nossa movimentação de longe mesmo. A gente até “pediu” para ela vir mais perto, mas como ela não nos atendeu, deixamos de lado e a nossa atenção se voltou para o Canário-do-campo (Emberizoides herbicola). 

Bastante exibido, não parava de posar para nossas câmeras. Foi um momento muito descontraído e gostoso. Ainda avistamos e registramos a Maria-cavaleira (Myiarchus ferox), o Tempera-viola (Saltator maximus), o Bico-chato-de-orelha-preta (Tolmomyias sulphurescens). Nenhum era lifer para mim, mas eu adorei contemplar pelo caminho tamanha variedade.
 
Canário-do-campo (Emberizoides herbicola)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Mais um pouco e eis que surge um Tucão (Elaenia obscura), desses que eu brinco, não tem cor de nada e a identificação é fogo. Se não estiver acompanhada de um bom guia, ou não gravar a vocalização, esquece, nem gaste clique. 

Mas esse foi especial. Cantou, se exibiu, se aproximou sem receio da gente. Acho que as aves da Flona são todas muito amigas do Jonatas. Parecem vir reverenciá-lo quando ele aparece. Sorte nossa.
 
Tucão (Elaenia obscura)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Sorte mesmo, pois não demorou muito tempo, sabe quem o Jonatas nos mostrou? Ele, o cinzentinho, pequenino, irriquieto, mas tão desejado e esperado. Com vocês a estrela do cerrado: Tapaculo-de-brasília (Scytalopus novacapitalis). Para tranqüilizá-lo, eu e a Fernanda nos sentamos no chão e nos mexemos bem pouco. 

O local era bem escuro, quase uma caverna vegetal...eh eh eh , comecei com ISO 2000, mas depois um raio de sol iluminou o palco do bichinho e pude ir baixando. Ficamos bastante tempo por ali, e o bichinho estava nem aí para a gente, estava forrageando e de repente cantou, cantou tanto que até o Jonatas ficou abismado...lógico que isso me custou uns carrapatinhos nos tornozelos..."ossos do ofício" rs rs rs ...
 
Tapaculo-de-brasília (Scytalopus novacapitalis)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Tapaculo-de-brasília (Scytalopus novacapitalis)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Tapaculo-de-brasília (Scytalopus novacapitalis)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Foi uma manhã divertidíssima. Paramos para um descanso e aproveitamos para fazer um lanchinho básico no meio do mato. Após esse pit-stop, seguimos por vários lugares procurando aves interessantes, mas o ponto alto da nossa passarinhada ainda estava por vir: os bacuraus. 

No meio da nada, embrenhada no mato, achei uma toalha rosa e o Jonatas disse: é do Júlio Silveira, ele perdeu quando veio aqui...morremos de rir da toalha rosa e pelo fato de tê-la achado...e assim, vamos colecionando histórias.
 
Eu, Fernanda e Jonatas
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Eu, Fernanda e Jonatas
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Jonatas e a toalha do Júlio Silveira
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Porém tínhamos que esperar escurecer. Enquanto isso, um casal de Sanhaçu-de-fogo (Piranga flava) nos deixou de queixo caído ...O cerrado é mesmo uma caixinha de surpresas.
 
Sanhaçu-de-fogo (Piranga flava) - macho
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Sanhaçu-de-fogo (Piranga flava) - fêmea
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Até a Coruja-buraqueira (Athene cunicularia) mostrou toda sua fotogenia nesse dia. E antes que as luzes da tarde nos abandonassem, um Chibum (Elaenia chiriquensis) e um Tico-tico-de-máscara-negra (Coryphaspiza melanotis) me fizeram ficar saltitante de felicidade. 

Afinal os dois eram lifers para mim. A luz estava muito ruim, o lusco-fusco não é bom para fotografar aves. Com flash ou sem ele, é um desafio conseguir uma foto boa. Mas era o que tinha para o momento.

Coruja-buraqueira (Athene cunicularia)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Tico-tico-de-máscara-negra (Coryphaspiza melanotis)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Já escuro, hora de ir atrás dos bacuraus. Porém, um pouco antes, avistamos no alto de uma árvore um ninho de Acauã (Herpetotheres cachinnans) com filhotes. Não quisemos assustá-los, então só fizemos umas duas fotos e seguimos nosso caminho.
 
Acauã (Herpetotheres cachinnans)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

O primeiro a ser localizado foi o Bacurau-de-rabo-maculado (Hydropsalis maculicauda), de acordo com o Jonatas, o mais difícil deles. Ele deu baile, foi de um lado para o outro, fazendo a gente se deslocar muito. 

De repente o Jonatas localizou seu poleiro. Fomos chegando com jeitinho, sempre orientadas pelo Jonatas e ficamos muito pertinho do bichinho, coisa mais fofa do mundo. Foi emoção demais.
 
Bacurau-de-rabo-maculado (Hydropsalis maculicauda)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Seguimos para o segundo, num ponto onde o Jonatas disse que era território do Curiango-do-banhado (Hydropsalis anomala). Esse nem teve graça (brincadeirinha). 

O Jonatas localizou-o, iluminou e nos aproximamos o tanto que quisemos, sem molestar o bichinho,  lógico. Foi tão fácil e rápido que nem acreditei. Mais um fofinho para a coleção.
 
Curiango-do-banhado (Hydropsalis anomala)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Fernanda e eu e o Curiango-do-banhado (Hydropsalis anomala) by Jonatas
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

No retorno, o Jonatas avistou um Bacurau-chintã (Hydropsalis parvula), que também era lifer para mim. Paramos e sob sua orientação chegamos do ladinho dele. Fizemos uma foto mais linda do que a outra. Cheguei perto de 22 horas ou mais na casa da minha querida amiga Laura. Dormi feito anjo.
 
Bacurau-chintã (Hydropsalis parvula)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

03/11/2014 – (segunda-feira)


Na manhã seguinte, seguimos para o Altiplano, um local no Lago Sul muito legal de passarinhar. Fomos recebidos pelo canto melodioso da Corruíra-do-campo (Cistothorus platensis), no entanto ela só ficava longe ou na contraluz, mas pelo menos melhorei o registro do dia anterior.
 
Corruíra-do-campo (Cistothorus platensis)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Em seguida o Tapaculo-de-colarinho (Melanopareia torquata) permitiu que fizéssemos fotos lindas.
 
Tapaculo-de-colarinho (Melanopareia torquata)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

O objetivo inicial seria o Bacurauzinho (Chordeiles pusillus) e esse não decepcionou. Sob a luz matinal do topo do morro, ele permitiu uma aproximação emocionante.
 
Bacurauzinho (Chordeiles pusillus)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Depois, descemos o morro e fomos até a parte baixa tentar mais aves. Algumas aves responderam bem, outras nem tanto. O Chibum (Elaenia chiriquensis) apareceu e pudemos, então, fazer fotão dele. Desta vez com luz bem bonita. O Campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens), cujo azul encanta só de olhar, deu um show a parte.
 
Chibum (Elaenia chiriquensis)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Seguimos para uma matinha e vimos algumas espécies bacanas. Um Fruxu-do-cerradão (Neopelma pallescens) chegou tão perto que não cabia no quadro da lente 300 mm e eu tive que me afastar. 
 
Fruxu-do-cerradão (Neopelma pallescens)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Estrelinha-preta (Synallaxis scutata), como todo synallaxis tem um gênio danado, adora ficar embrenhado. Ele apareceu rapidamente, sempre se escondendo, mas acabou me dando o gostinho de fazer foto, somando mais um lifer


Estrelinha-preta (Synallaxis scutata)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

O belíssimo Tico-tico-de-bico-amarelo (Arremon flavirostris) também queria participar da festa e veio ver o que estava acontecendo. Já estava passando da hora do almoço e resolvemos voltar. No caminho a Guaracava-de-topete-uniforme (Elaenia cristata) mostrou sua linda crista para nossas lentes.

Tico-tico-de-bico-amarelo (Arremon flavirostris)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Guaracava-de-topete-uniforme (Elaenia cristata)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

De repente num fio, pousadinha, uma Peitica-de-chapéu-preto (Griseotyrannus aurantioatrocristatus) – eita nome científico grande - que era lifer para mim. 

Nem saí do carro e fiz fotão. Ainda tive que aguentar a Fernanda zoando comigo. “Como pode alguém que tem mais de 800 espécies clicadas não ter essa peitica”...uai...acontece...
 
Peitica-de-chapéu-preto (Griseotyrannus aurantioatrocristatus)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Na volta do Altiplano, seguimos para a Praça dos Cristais no Setor Militar Urbano. Existe um espelho d'água lá, com garças, socós, biguás, savacus e mais legal que isso, no buritizal ao seu redor, centenas de andorinhões-do-buriti fazem seus ninhos.

Logo na chegada, cliquei duas Marias-faceira (Syrigma sibilatrix) de forma magistral. Ô bichinho bonito. Havia muitas Garças-branca-grande (Ardea alba), Biguás (Phalacrocorax brasilianus) e um belo Sabiá-do-campo (Mimus saturninus).
 
Marias-faceira (Syrigma sibilatrix)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Maria-faceira (Syrigma sibilatrix)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Sabiá-do-campo (Mimus saturninus)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Ver os Andorinhão-do-buriti (Tachornis squamata) foi muito interessante. Os andorinhões entravam nos ninhos e saiam feito foguetes. Foi um final de passarinhada memorável. Com aquela luz de fim de tarde do planalto central. E Santa Clara não me decepcionou. Chuva? Só depois da passarinhada terminar.
 
Andorinhão-do-buriti (Tachornis squamata)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Andorinhão-do-buriti (Tachornis squamata)
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

A sinergia do nosso pequeno grupo, tanto o de Ilhabela que fui alguns dias antes (link aqui), quanto esse de Brasília mostrou como isso ajuda a atrair as aves. Não basta só um bom guia e um local legal. 

Lógico que isso é imprescindível, mas as boas energias ajudam muito na busca e encontro das aves. Elas parecem sentir que o ambiente não é tenso, é amigável, sei lá, quem sabe Freud explica lá do além. (risos)

Jonatas, Fernanda e eu
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

Jonatas, Fernanda e eu
arquivo pessoal Silvia Faustino Linhares

O Jonatas Rocha é um guia muito tranquilo e atencioso, além de muito competente. Eu, ele e a Fernanda Fernandes passamos dois dias passarinhando e rimos muito das nossas trapalhadas...Até a próxima!!!



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