quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Feitiço de penas...

Ao ser convidada pela Claúdia Komesu para compartilhar um momento mágico no Virtude-ag, como por exemplo: “A aparição de uma ave rara, alguns segundos ou minutos podendo observar bem de perto alguma ave ou outro animal, uma luz muito especial, o olhar do bicho, e mesmo fotos ruins, mas que o autor sabe do valor.”, pensei cá com meus botões: - eu não tenho nenhum momento prá lá de especial e nem vou conseguir falar de um momento único, pois prá mim, todo encontro com aves é único e mágico. Além disso, eu me emociono muito fácil (sou daquelas que chora até em inauguração de supermercado rs rs rs rs rs).

A vida para mim já é uma magia e ter sobrevivido a um AVCi na flor da idade já é mais do que mágico, é milagroso. A inclusão das aves no meu mundo foi algo pra lá de espetacular, foi um divisor de águas, pois encontrei tanto sentido nisso que nem tenho palavras que consigam traduzir esses sentimentos.

Resumindo: o fato de eu ter me apaixonado pelas aves é o momento mais mágico de todos.

Simplesmente fiquei enfeitiçada. Esse feitiço começou a se apoderar de mim quando visitei uma ilha com milhares de pinguins na Patagônia em março de 2010...acho que no intervalo de uma hora e pouco (tempo que ficamos em terra na Ilha Magdalena) eu fiz mais de mil fotos desses minúsculos sujeitinhos. Eu tinha vontade de pegá-los no colo, igual bicho de pelúcia e trazer para minha casa. Nessa época eu nem era ornitófila, e minha estada na Patagonia foi simplesmente para fazer fotos turísticas para uma revista (pasme) de automobilismo chamada Cavallino.

Pingüim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus)
- Magellanic Penguin
Isla Magdalena - Patagonia Chilena
Pingüim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus)
- Magellanic Penguin
Isla Magdalena - Patagonia Chilena
Eu, babando - by Camila Maluf
Pingüim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus)
- Magellanic Penguin
Isla Magdalena - Patagonia Chilena

Já praticamente sem chances de me liberar desse encanto, veio o primeiro contato com o mundo dos passarinheiros. Em setembro de 2010, a convite do meu amigo biólogo e fotógrafo Carlos Godoy, junto com minha amiga Carmen Bays e mais duas moças, participei do Festival de Observação de Aves de Ubatuba com o Carlos Rizzo. O momento da “injeção letal” aconteceu no café da manhã, com aquele mundaréu de passarinhos multicoloridos (que hoje eu identifico como sanhaçus, saíras, tiês, etc). Eu fiquei enlouquecida.

Saí-azul  (Dacnis cayana) - Blue Dacnis
Saíra-militar (Tangara cyanocephala) Red-necked Tanager
Tiê-Sangue (Ramphocelus bresilius) Brazilian Tanager
Saíra-sete-cores (Tangara seledon) Green-headed Tanager
Desse Festival nasceu meu primeiro fotolivro sobre aves, cujo exemplar eu corri mostrar pro meu colega de trabalho, o biólogo e passarinheiro André Ricardo de Souza. Então ele me fez um convite para participar do CEO – Centro de Estudos Ornitológicos.

Em janeiro de 2011 eu, finalmente, me inscrevi no CEO e participei da minha primeira atividade com o grupo um mês depois. Foi no Hospital das Forças Armadas, aqui em São Paulo mesmo, no Campo de Marte. E para minha sorte um gavião-asa-de-telha fez pose para minhas lentes. Nossa! O dedo indicador fremia o obturador feito um alucinado. Imponente, no alto de um galho, o bicho observava tudo ao seu redor. Aí que vi que não tinha mais volta. 

Gavião-asa-de-telha  (Parabuteo unicinctus) - Harris's Hawk
E o que dizer de acompanhar o nascimento e crescimento de uma família de bem-te-vis na janela do meu apartamento, todos os dias, isso morando numa das regiões que mais tem prédios altos em São Paulo.

Família Bem-te-vi da Minha Janela
Filhote sendo alimentado
Filhote da Família Bem-te-vi da Minha Janela
Não dá para descrever o que sinto quando as lágrimas dominam meus olhos ao fotografar alguma coisa linda na natureza, sejam filhotinhos de quero-quero, coruja-buraqueira, ou uma ave mais rara e especial como o sabiá-pimenta. Tudo é contabilizado com alegria. Qualquer momento que deixe o meu coração acelerado de felicidade é digno de ser considerado mágico.
Filhotes de Coruja-buraqueira (Athene cunicularia) - Burrowing Owl
Tremembé/SP
Filhote de Quero-quero (Vanellus chilensis) - Southern Lapwing
Tremembé/SP
Sabiá-pimenta (Carpornis melanocephala) Black-headed Berryeater
Jurupará - Ibiúna
Imagine eu frente a um passarinho, plagiando Roberto Carlos, “Emoções”, cantaria assim para ele...

 "Quando eu estou aqui,
Eu vivo esse momento lindo,
Olhando pra você,
E as mesmas emoções, 

Sentindo...
São tantas já vividas, 

São momentos, que eu não me esqueci,
Detalhes de uma vida 

Histórias que eu contei aqui...
 

Mas eu estou aqui, 
Vivendo esse momento lindo,
De frente pra você, 

E as emoções se repetindo
Em paz com a vida, 

E o que ela me traz,
Na fé que me faz, 

Otimista demais
Se chorei ou se sorri,
O importante, é que emoções eu vivi..."

2 comentários:

  1. Belo relato minha amiga! Acredito que representa aquilo que muitos de nós sentimos.afinal sempre digo para meus alunos dos cursos de fotografia: " Isto (fotografar)é como um virus, uma vez infectado,não tem mais cura!"
    Abraço e obrigado por compartilhar estas belas emoções.

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  2. Que bela história, Silvia! Me faz lembrar como eu comecei nisso...

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