domingo, 21 de agosto de 2011

Filme sobre observadores de aves traz à tona problemas em praticar este hobby no Brasil

Ainda estamos longe?
Filme sobre observadores de aves traz à tona problemas em praticar este hobby no Brasil
por Bruno Francheschi Troiano


A comédia The Big Year, baseada no livro de Mark Obmascik The Big Year: A Tale of Man, Nature and Fowl Obsession, estreia em outubro nos Estados Unidos e divulga ao público um hobby cada vez mais comum: a observação de aves, ou birdwatching.

O filme mostra três homens disputando uma competição de observação. O objetivo dessa disputa é ver quem consegue encontrar as aves mais raras dos Estados Unidos. O trio é formado pelos atores renomados Jack Black, Steve Martin e Owen Wilson. O filme ainda estará recheado de personagens presentes na vida dos ornitólogos de todo o mundo, como uma pesquisadora de aves marinhas e um blogueiro de aves – que, aliás, será interpretado por Jim Parson, o famoso Sheldon de The Big Bang Theory.

Para alguém que estude aves, não é novidade que os norte-americanos têm um elo íntimo com esses belos seres alados. É comum nos Estados Unidos e Canadá encontrar observadores de aves com seus binóculos e câmeras pendurados no pescoço em busca de uma nova espécie. Torço muito para que os brasileiros estejam cada vez mais dispostos a praticar este hobby extremamente prazeroso. Mas quais são ainda as grandes dificuldades?

Primeiro de tudo, o preço dos equipamentos. É claro que um observador amador não precisa ter os melhores equipamentos. Com muito custo consegui comprar quase tudo que precisava, e realmente o preço não foi nada motivador. Para começar, um “amante das aves” iniciante vai desembolsar uma bagatela de 200 reais – e acreditem, esse é o mínimo do mínimo. Tenho amigos que já gastaram muito mais que isso em um colete de campo! Quem tem oportunidade de viajar para os Estados Unidos pode aproveitar o preço dos equipamentos lá; mas mesmo assim não espere gastar menos de 800 dólares.

Segundo, a dificuldade que as autoridades brasileiras impõem aos observadores. Os parques começam a funcionar, normalmente, às 7h30 da manhã. O ideal para observar aves é sair antes de o sol nascer, quando os animais começam a vocalizar. E existem lugares onde não podemos entrar com binóculos ou com qualquer outro equipamento!

Terceiro, a violência. Fico realmente preocupado de sair para “passarinhar” com meus equipamentos. Como observar as aves em um parque com um binóculo de 390 dólares e saber que a qualquer momento alguém pode roubá-lo de você? Mesmo no parque do Ibirapuera, o mais conhecido dos parques de São Paulo, roubos acontecem.

Citei apenas três dificuldades, mas sabemos que são muitas. Devemos desenvolver uma política na qual esse e outros “hobbys ecológicos” sejam mais praticados, já que ajudam a criar consciência ambiental e a preservar espécies ameaçadas.

Espero que o filme, que estreará apenas em março de 2012 em terras tupiniquins, ajude a divulgar esta causa e inicie um “boom” ornitológico nacional!

Clique aqui e leia a matéria sobre a ornitologia brasileira
Bruno Francheschi Troiano Bruno Francheschi Troiano, biólogo, é colaborador de Scientific American Brasil

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