segunda-feira, 4 de julho de 2011

Aviso: fotógrafo também cobra por seus trabalhos

Por Rodrigo Baleia - 23/02/2010

No mesmo dia em que fotografei a seca do rio Manaquiri iniciei a distribuição as imagens por meio da agência Getty Images com o título de "Drought Affects Amazon Basin".
Não demorou para que meu celular começasse a tocar sem interrupção por cerca de quatro dias. Jornais, revistas e sites querendo imagens sobre o assunto e, por incrível que pareça, todos os telefonemas tiveram dois pontos em comum: o primeiro foi o interesse pelo assunto da seca na Amazônia e segundo era que todos esperavam que eu doasse o meu trabalho.


Quando no terceiro telefonema eu ouvi a pergunta clichê: "Ah! mas você cobra?", vi que era o momento de iniciar a minha série irônica do tipo: "o departamento comercial de vocês doa anúncio?" ou "Não! Vivo de doações para posteriormente doar ao caixa do supermercado" ou então "Não! Eu não cobro, é uma taxa que Papai Noel cobra toda vez que ele repõe meu equipamento". Tem outras, mas essas eu guardo para o meu guia de respostas para quem acha que fotógrafo vive de luz. Acho que vou chamar esse guia de "Quem depende de luz é a fotografia, o fotógrafo depende do que cobra". Bom, como o guia é apenas uma brincadeira eu não pretendo escrever mais que algumas linhas, onde quero fazer um alerta aos interessados em fazer do hobby uma futura profissão (falo por experiência própria).

Acredito que a "cultura" de não pagar por serviço de fotografia se estabeleceu em algumas redações quando por muitos anos os fotógrafos brasileiros tiveram que barganhar espaço para ter o seu trabalho publicado e posteriormente criar um portfólio. Meu início não foi diferente, e fui vitima desta armadilha. Lembro de levantar as mãos para o céu por receber R$ 26,00 por foto publicada no maior jornal do Rio Grande do Sul. Hoje a cultura do "não pagar" parece estar crescendo, pois os editores estão tirando proveito da popularização da fotografia.

Os fotógrafos que hoje buscam se lançar ao mercado devem cuidar para não cair na tentação de terem seu material publicado sem que sejam pagos, é importante não cair no velho truque do: "Nós citaremos os seus créditos na foto". Chega a ser engraçado porque os editores costumam dizer isso como se a citação do nome do autor fosse o melhor pagamento para o fotógrafo. Tal citação nada mais é do que um direito previsto por Lei.

O profissional tem que estar atento às ferramentas que hoje ele dispõe. A internet pode divulgar o trabalho de um fotógrafo com êxito muito maior do prometem alguns editores espertinhos. Hoje o fotógrafo coloca o seu portfólio eletrônico em um Picture Desk do outro lado do mundo com um simples clique no ícone "enviar". Sem falar em alguns sites que possibilitam criar redes onde os editores podem procurar pelos fotógrafos.

Um exemplo é o perfil que tenho no www.lightstalkers.org/rodrigo_baleia, uma rede bem difundida entre muitos profissionais. Ali editores buscam por palavras chaves que podem levar aos portfólios dos fotógrafos. Nesta rede vários editores me encontram, inclusive os editores da revista francesa Le'Express.

Mostrar o trabalho é necessário, mas muito mais importante é mostrar o profissional que está entrando no mercado e que sua profissão não vai ser paga por favores ou promessas.
Em um post futuro pretendo comentar os resultados que estou tendo com algumas agências me representando.

Uma arvore seca na Praia Grande no Rio Negro me fez pensar no post de hoje. Lembrei que algumas pessoas mereciam ser lembradas, quem sabe até mesmo um monumento ao "Cara de Pau".
Foto: Canon 5D Mark II Lente 17-35mm f/22 Velociadade 1/100 ISO100.
Latitude:3,2.6475S Longitude:60,31.8496

Um amigo aproveitando as águas do Rio Negro. Logo sou remetido a cena de alguns profissionais estarem lucrando com a ingenuidade de muitos.
Foto: Canon 5D Mark II Lente 17-35mm f/10.0 Velociadade 1/250 ISO100.

Nosso pais abriga a maior diversidade Cultural, poderíamos nomear uma nova etnia. Uma que tem a cultura de não pagar pelo trabalho do profissional de imagem.
Foto: Canon 5D Mark II Lente 17-35mm f/9.0 Velociadade 1/320 ISO100.

Um grande amigo (Papu) da uma boa gargalha ao lembrarmos de uma antiga foto que eu havia feito dele. Não tem coisa melhor do que um bom sorriso, mas é sempre bom lembrar que alguns espertinhos dão risada a custa do trabalho de outros.
Foto: Canon 5D Mark II Lente 17-35mm f/9.0 Velociadade 1/320 ISO100.

Fonte: Blog National: Por trás das lentes - O dia-a-dia dos fotógrafos da National Geographic Brasil

Nota:  O artigo tem mais sde um ano, mas o tema continua atual.

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