terça-feira, 16 de novembro de 2010

ELEGÂNCIA

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a Elegância do Comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.


É uma elegância desobrigada. É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca-a-boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante, você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer...

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do Gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.

É elegante a gentileza. Atitudes gentis falam mais que mil imagens...

... Abrir a porta para alguém é muito elegante.
... Dar o lugar para alguém sentar... É muito elegante.
... Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
... Oferecer ajuda... É muito elegante.
... Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante.

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir “licencinha” para o nosso lado "brucutu", que acha que "com amigo não tem que ter estas frescuras".

Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.

Educação enferruja por falta de uso! E, detalhe: não é frescura."

(Texto realmente é de Toulouse-Lautrec, pintor francês que viveu de 1864 a 1901 que retratava "mulheres despojadas de elegância", pois sua fascinação estava, sobretudo, nas "mulheres".)

"Se não puder fazer tudo, faça tudo que puder."

2 comentários:

  1. Silvia, que texto maravilhoso!
    Fiquei aqui pensando em quanas vezes deixei de ser elegante, mas também pensei nas inúmeras vezes que fui essencialmente elegante. Acho que temos momentos de pura elegância e momentos que nos esquecemos da elegância tão bem conceituada por Toulouse-Lautrec.

    Um abraço,
    Carmen

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  2. Olá obrigado pelo comentário lá no blog sobre o Marçal, o mérito é do entrevistado e não do entrevistador, adorei o seu blog, ainda mais este texto tão bem escrito...Parabéns ! Ser fotografa, é bem difícil e capturar momentos mágicos com as lentes não é para qualquer um...

    Abraços

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