sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Henry Cartier Bresson, um deus da fotografia

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HENRI CARTIER-BRESSON (1908-)

Cartier-Bresson nasceu em Chanteloup, no departamento de Seine-et-Marne – França, em 22/08/1908. Ele foi concebido em Palermo, na Sicília – Itália, segundo biografia da Fundação Henri Cartier Bresson... Jovem, descobriu o universo das artes plásticas e tornou-se pintor e desenhista antes de completar 20 anos, influenciado pela arte abstrata, ambientes cubistas e certos aspectos do surrealismo. Ele estudou a arte com André Lhote...

Em uma viagem à África, aos 22 anos, comprou uma pequena câmera portátil da desconhecida marca Krauss, muito mais agradável do que as enormes câmeras-caixotes. Mas, ao retornar à França, em 1931, foi apresentado à mais famosa câmera alemã... “Acabava de descobrir a Leica, que se tornou uma extensão de meus olhos. Desde que a encontrei, jamais me separei dela”, disse certa vez...

Em 1931, Bresson tirou suas primeiras fotografias durante o período de um ano em que viveu na Etiópia. Depois, retornou à Europa e expôs em Madri, Espanha, e em Nova York, nos Estados Unidos.
Em 1932, inicia sua carreira fotográfica, tornando-se o mais influente fotojornalista de sua época, desenvolvendo um estilo definido como a busca pelo “momento decisivo” ou “instante decisivo”, isto é, pelo instante fugaz em que uma imagem se forma completamente em frente à câmera.

Para ele é o momento decisivo que expressa a essência de uma situação! Por isso, não realiza nenhum tipo de retoque ou manipulação das imagens. Torna-se o mais influente fotojornalista de sua época.
Bresson viaja ao México em 1933 em uma missão etnográfica. Depois ele viaja para os Estados Unidos e ingressa também no cinema... Especializou-se na fotografia em meados de 1930. Tornou-se fotógrafo do exército francês durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), tendo sido aprisionado em combate pelo exército alemão. Ele foi preso pelos nazistas e também participou da Resistência Francesa...

Bresson teve influência artística de André Kertész e entre os seguidores do seu estilo estão Robert Doisneau, Willy Ronis e Edouard Boubat. Certa vez, comparou-se a um pescador que tinha um peixe no fim da linha: “a coisa mais importante era abordar a presa de forma cautelosa e puxar no momento certo”. Ele está para a fotografia como Picasso está para a pintura.

Sua contribuição para a reportagem é inegável mas foi fotografando cenas cotidianas durante o período de 1930 a 1960 que sua fama se consolidou. Suas fotos podem não ser espetaculares, mas certamente são lindas e verdadeiras. Em seu livro “Os europeus”, adverte: “Os fotógrafos não fazem mais do que mostrar as agulhas do relógio, mas eles escolhem os seus instantes”.

Foi também repórter fotográfico da revista “Ce Soir”...
Depois da guerra, o fotógrafo passou cerca de um ano nos Estados Unidos e, após este período, fundou uma cooperativa de fotógrafos com Robert Capa, David Seymour (Chim), William Vandivert e George Rodger... Batizada de Magnum Photos, a agência Magnum foi fundada em 1947 e ainda, hoje, distribui reportagens fotográficas para publicações francesas e estrangeiras...

Em seguida, ele fotografou eventos como a morte de Gandhi, a China nos útimos meses do Kuomitang, o início da República Popular da China e a luta pela independência na Indonésia. Bresson voltou à Europa em 1952, já reconhecido. Mas, não ficou por muito tempo sem viajar. Ele foi à Índia, China, Japão e União Soviética nos anos seguintes...

Foi o primeiro fotógrafo da Europa Ocidental a obter permissão para visitar e documentar a Rússia comunista após a morte de Stalin, em 1954. Cinco anos depois, fotografou o décimo aniversário da Revolução Popular Chinesa, viajando pelas ruas de Pequim. Depois de 1974, ele se concentrou em desenhar e expor seus trabalhos.

Com o tempo, a Magnum foi incrementando seu quadro de profissionais, sempre impondo um rigorosíssimo processo de triagem. Em 1979, quando já contava com 25 associados, a agência acolheu o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. No entanto, os dois nunca trabalharam juntos, Bresson havia se afastado da Magnum treze anos antes, em 1966. Seu estilo influenciou inúmeros fotógrafos, especialmente na segunda metade do século XX, e ainda continuará a fazê-lo...

Tornou-se conhecido mundialmente por trabalhos publicados nas revistas Life e Paris-Match. Nunca publicou uma imagem em que houvesse recebido auxílio de flash ou que houvesse explicado ao modelo como se colocar diante da câmera. Sua linguagem e técnica vem servindo de inspiração à gerações de fotógrafos. “O papel do fotógrafo é documentar e para isso o necessário é uma câmera eficiente e intuição”. A frase reproduz facetas do pensamento de Bresson.

Fundamentalmente, a convicção de que a fotografia deve documentar o mundo, retratar pedaços da realidade e, sem deixar de ser recorte, não pode mentir. Por isso, o fotógrafo é avesso às poses e fotos produzidas. O ato fotográfico deve se resumir à procura pelo momento ideal e ao rápido disparo do obturador, daí seu desprezo pelos equipamentos fotográficos muito sofisticados.

Seu arsenal é composto apenas por uma velha Leica, com uma única objetiva 50mm, e invariavelmente filmes preto&branco. Em 2000, estabeleceu a fundação que leva seu nome. O fotógrafo morreu em 02/08/2004, em Montjustin, Provença – na França.

Bresson com sua câmara Leica.
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A Maison Européenne de La Photographie, em Paris, realiza a exposição “Des Européens” – uma retrospectiva deste fotógrafo francês, um dos maiores nomes da fotografia mundial. Em março de 1997, a mostra reuniu 180 imagens tiradas entre os anos 30 e 70, das quais 20 são inéditas.
Abaixo (lado esquerdo), pôster da obra “Rue Mouffetard, Paris”, de 1952, por Henri Cartier-Bresson / Magnum. Lado direito, pôster com a obra “En Brie”.
Lado esquerdo, pôster da obra “Queen Charlottes Ball”, tirada em 1959. Lado direito, pôster da obra “Paris vu de Notre-Dame”.
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O programa filatélico dos correios franceses – La Poste – rendeu homenagem a grandes fotógrafos. Esta série de 6 selos foi emitida em julho de 1999, por ocasião da abertura do 30° Encontro Internacional da Fotografia d'Arles.
Todos os selos trazem dois valores faciais: o antigo F (Franco francês) e o atual € (Euro), devido a mudança monetária ocorrida no ano seguinte à emissão: 3,00F + 60F ou 0,46€ + 0,09€. Eles mostram uma obra de cada fotógrafo: Doisneau, Brassai, Lartigue, Cartier-Bresson (selo ampliado acima), Atget e Nadar.
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Da Folha SP (10/2006) – Mostra revê fotojornalismo de Bresson

Fundação Cartier-Bresson, em Paris, expõe “Scrapbook”, um álbum com 359 tiragens feitas pelo próprio fotógrafo.

Parte das fotos foi exposta no MoMA, em 1947, em mostra que revelou à América o talento do fotojornalista francês.

LENEIDE DUARTE-PLON
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS
Robert Capa aconselhou ao amigo Henri Cartier-Bresson: “Os rótulos! Pode ser confortável. Mas vão te colar um e depois vai ser difícil se livrar dele: o de fotografozinho surrealista. Você estará perdido, vai ficar precioso e amaneirado. O melhor é fotojornalista”.

Seguindo o conselho de Capa, Cartier-Bresson se afasta da influência dos amigos surrealistas, abandona o cinema, depois de trabalhar como assistente de Jean Renoir, e torna-se um fotógrafo profissional em 1946. Um fotojornalista. “Antes eu fazia fotos mas não sabia o que ia fazer.”

E com Capa, Cartier-Bresson funda a Magnum Photos, num bar do MoMA, em Nova Iorque. A Magnum foi fruto do enorme sucesso da mostra que o museu dedicou ao francês de 4 de fevereiro a 6 de abril de 1947.
Foi essa exposição de 163 fotos, tiradas de 1932 a 1946, que revelou aos americanos o talento de Cartier-Bresson, apresentado como um “artista historiador”.

Quase 60 anos depois, a Fundação Cartier-Bresson, instalada num charmoso prédio de Montparnasse, expõe até 23 de dezembro o “Scrapbook”, um álbum de 359 tiragens feitas pelo próprio Cartier-Bresson para a exposição nova-iorquina. Um deleite para profissionais e amadores.

“Eu sempre vi o scrapbook de Henri, primeiramente numa pequena maleta e depois na nossa estante, escondido dos olhares indiscretos. Para ele, era o que havia de mais precioso, além do álbum que havia feito para mostrar seu trabalho a Jean Renoir”, conta a fotógrafa Martine Franck, viúva de Bresson e presidente da fundação.

A exposição do MoMA fora inicialmente concebida para homenagear um artista “desaparecido”. Começou a ser organizada em plena guerra por Nancy e Beaumont Newhall, um casal de estudiosos da fotografia, que haviam recebido a notícia que Cartier-Bresson tinha morrido na guerra.

Newhall, historiador da fotografia e fundador do departamento de fotografia do MoMA, concebe uma exposição “póstuma”. Depois, descobre que o fotógrafo não somente está vivo – conseguiu fugir da prisão dos alemães – como passa a se dedicar com entusiasmo à exposição. Para tanto, prepara o “scrapbook”, álbum de fotos feitas na França, Itália, Alemanha, México e Inglaterra.

Entre as fotos, há magníficos retratos de artistas como Pablo Picasso, Braque, Alberto Giacometti, Pierre Bonnard e Henri Matisse e de escritores como Paul Claudel, Louis Aragon, Paul Valéry, Elsa Triolet, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Albert Camus e Paul Éluard. Uma Edith Piaf bela e triste é um dos retratos dessa galeria, que ainda inclui o estilista Christian Dior.

A série de fotos de 1936 das primeiras férias pagas na França é uma aula de fotojornalismo. Os pequenos empregados da indústria, do comércio e do funcionalismo público – o que os franceses chamam “le petit peuple” – são flagrados em cenas comoventes, desfrutando pela primeira vez na história francesa, graças ao governo de esquerda do Front Populaire, do direito de não trabalhar por alguns dias no ano e receber o salário integral no fim do mês...

Um homem e sua Leica
O olho do século começava a nos revelar o mundo que ele via naquele momento mágico que ficou conhecido como “o instante decisivo”. Na Fundação Cartier-Bresson ela está dentro de uma vitrine: uma Leica antiga, marca registrada do fotógrafo, cujo nome virou sinônimo de fotojornalista. Paradoxalmente, ele disse um dia: “A fotografia não me interessa. A única coisa que quero é captar uma fração de segundo da realidade”.

Na viagem que faz aos Estados Unidos em 1946, Cartier-Bresson realiza uma reportagem em Nova Orleans para a revista “Harper's Bazaar”, acompanhado do jornalista Truman Capote, então um jovem de 22 anos. Sobre o fotógrafo, Capote escreveu:

“Ele dançava na calçada como uma libélula inquieta, três grandes Leica penduradas no pescoço, a quarta colada ao olho, tac-tac-tac (a máquina parece parte de seu corpo), disparando cliques com uma intensa alegria e uma concentração religiosa de todo seu ser. Nervoso e alegre, dedicado a seu métier, Cartier-Bresson é um homem solitário no plano da arte, uma espécie de fanático.”

– Da Folha de S.Paulo (Agosto de 2008) – Centenário de Cartier-Bresson é celebrado nesta sexta (22/08/2008), da Folha Online: O fotógrafo Henri Cartier-Bresson, um dos grandes mestres da fotografia, completaria cem anos nesta sexta-feira se estivesse vivo... (http://www1.folha.uol.com.br/folha/galeria/galeria-20080820-cartier.shtml)

– Conheça mais em – http://www.porto.art.br/bresson
Nota: (O Beijo – uma das duas fotos das crianças no Monte Saint Michel ou o pescador no rio ou a Sacre-Couer com a pomba)...
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Última atualização: 26/01/2009.

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